Presbiterianismo

Os presbiterianos são um ramo do cristianismo protestante de origem reformada, caracterizado pelo governo presbiterial da igreja, tradições teológicas e práticas religiosas oriundas da reforma na Escócia.

As origens do presbiterianismo remontam à era da Reforma na Europa durante o século XVI. O termo “presbiteriano” deriva da palavra grega “presbyteros”, que significa ancião, refletindo a forma de liderança da igreja investida em um grupo de presbíteros.

A fundação do presbiterianismo deve-se a John Knox (1514-1572), um exilado protestante em Genebra. Influenciado por João Calvino, Knox reformou a Igreja da Escócia.

Uma das características definidoras do presbiterianismo é a sua forma de governo eclesial. Os presbiterianos organizam as suas igrejas sob um sistema representativo, no qual os presbíteros eleitos (anciãos) governam a congregação local. Os ministros (presbíteros ordenados) não são vinculados a uma congregação local, mas a um presbitério. Os presbíteros eleitos, juntamente com os ministros formam coletivamente órgãos de governo a níveis mais elevados, tais como presbitérios, sínodos regionais e assembleias gerais, para tomar decisões e supervisionar a denominação em geral. As congregações individuais não são autônomas, mas respondem perante a denominação em geral, através dos seus diferentes níveis de órgãos de governo. Em termos práticos, a propriedade, a disciplina e o direito de nomear um ministro ordenado estão acima da igreja local.

Os presbiterianos adotam a teologia reformada. Enfatizam as doutrinas da eleição, da graça e da autoridade das Escrituras. Creem na soberania de Deus em todos os aspectos da vida e da salvação, e aderem às confissões de fé, principalmente a Confissão de Fé de Westminster, como declarações essenciais das suas crenças.

Os cultos presbiterianos geralmente seguem uma liturgia estruturada, incorporando hinos, orações e leitura das Escrituras. Há uma diversidade quanto às suas expressões de culto, desde presbiterianos de tendência High Church, com elaboradas liturgias, até presbiterianos com manifestações carismáticas. Os dois sacramentos centrais no presbiterianismo são o batismo e a ceia do Senhor (Santa Ceia).

O presbiterianismo não é uma tradição monolítica. Abrange várias denominações e grupos em todo o mundo, cada um com suas interpretações e práticas únicas. Esforços missionários, colonialismo e migração levaram o presbiterianismo para diversas regiões do mundo. Teologicamente, há um espectro desde denominações não credais, confessionais, fundamentalistas, liberais, evangelicais, renovadas e outras. Algumas denominações presbiterianas notáveis incluem:

  • Igreja da Escócia – Kirk
  • Igreja Livre da Escócia
  • Igreja Presbiteriana (Estados Unidos da América) –  Presbyterian Church (USA) (PCUSA)
  • Igreja Presbiteriana na América –  Presbyterian Church in America (PCA)
  • Igreja Presbiteriana Cumberland
  • Igreja Reformada Unida – formada pela fusão da Igreja Presbiteriana da Inglaterra e da Igreja Congregacional na Inglaterra e País de Gales em 1972.
  • Igreja Presbiteriana Livre do Ulster
  • Igreja Presbiteriana não subscrevente – Irlanda
  • Igreja Presbiteriana do Brasil
  • Igreja Presbiteriana Independente – Brasil
  • Igreja Presbiteriana Renovada – Brasil
  • Igreja Presbiteriana Unida – Brasil
  • Igreja Presbiterana da Coreia (PCK) – consistindo de várias denominações sob o mesmo nome ou similar.
  • Igreja Evangélica do Egito (Sínodo do Nilo)
  • Igreja Presbiteriana de Gana

Batistas

Os batistas são um ramo do cristianismo protestante que enfatiza o batismo voluntário e consciente.

Vários separatistas e puritanos ingleses de origens e tendências teológicas diversas aderiram aos princípios batistas e a primeira congregação batista foi fundada pelo exilado inglês John Smyth na Holanda em 1607. Nos Estados Unidos, o pioneiro foi Roger Williams em Providence e os batistas do sétimo dia em Newport, ambos na colônia de Rhode Island.

Em 1792, a sociedade missionária batista foi fundada na Inglaterra por influência de William Carey. Em seguida, em 1814 foi fundada a sociedade missionária estrangeira batista americana, principalmente por meio de Adoniram Judson.

Na esteira do Avivamento Continental, os batistas chegaram à Alemanha pela missão de Johann Gerhard Oncken, que fundou a primeira comunidade batista em Hamburgo em 1834.

Em 1871, batistas emigrados dos Sul dos Estados Unidos organizam a Primeira Igreja Batista no Brasil em Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista.

Na Índia está a maior concentração de batistas no mundo, entre os povos naga e miso, residentes no nordeste do país, onde cerca de 8o-90% da população é batista (2,2 milhões de aderentes). Em números absolutos, os Estados Unidos lideram em membresia e simpatizantes dos batistas, com cerca de 40 milhões de aderentes.

Os batistas em geral são congregacionalistas e não possuem um credo ou confissão comum. Em geral aderem a uma visão zwingliana dos sacramentos (preferem o termo “ordenanças”).

Dada a diversidade dos batistas, é difícil caracterizá-los. Alguns grupos batistas são agrupados em convenções, redes, igrejas multi-campi, ou em alguns casos mais raros, em dioceses, como os batistas episcopais congoleses. Algumas vertentes aderem a confissões de fé batistas, geralmente de expressão reformada, outras rejeitam o confessionalismo. Há batistas de tendências primitivistas, como também há batistas carismáticos ou avivados.

BIBLIOGRAFIA
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Norman, R. Stanton. The Baptist Way: Distinctives of a Baptist Church. B&H Publishing Group, 2005.

Batistas Primitivos

Os Batistas Primitivos são uma denominação Batista tradicionalista que surgiu nos Estados Unidos no final do século XVIII e início do século XIX.

Os Batistas Primitivos caracterizam-se por suas práticas simples de culto, que frequentemente incluem canto a cappella, oração e pregação extemporâneas. A denominação é descentralizada, com cada congregação sendo independente e auto-governada, com um grupo leigo de anciãos (elders) e diáconos. Praticam o batismo na idade do consentimento e por imersão total. No geral, suas capelas são mantidas por ofertas voluntárias, já que não possuem sociedades missionárias, funcionários em tempo integral ou pastores assalariados. Em comum, rejeitam organizações de serviço fora ou acima da igreja local.

Essas práticas eram comuns a todos os batistas até o final do século XVIII. Depois da Revolução Americana, os batistas americanos começaram a imitar outras denominações. Uma minoria tradicionalista insistiu nessas distintivas até que uma reunião na Igreja Batista de Black Rock em 28 de setembro de 1832 em Butler, Maryland, marcou a separação entre os Batistas Primitivos e outros batistas. As igrejas batistas primitivas predominam nas regiões montanhosas do sul dos Estados Unidos, principalmente nos Apalaches e Ozarks.

As crenças dos Batistas Primitivos podem variar amplamente, com alguns seguindo a teologia calvinista, enquanto outros abraçam o arminianismo ou o universalismo. Apesar dessas diferenças, eles dão grande importância às raízes históricas da tradição Batista e acreditam em manter os “velhos caminhos” e práticas de culto simples e puros dos primeiros cristãos. Eles geralmente são contrários às inovações modernas na teologia e no culto e resistiram a muitas das mudanças que ocorreram em outras denominações Batistas.

Metodismo

O metodismo é uma ramificação do cristianismo protestante surgida de um avivamento no século XVIII na Grã-Bretanha e América do Norte.

O nome “metodistas” deriva-se do estilo de vida estritamente metódico que levou à alcunha de seus primeiros membros.

Os irmãos Charles Wesley e John Wesley, junto com George Whitefield, iniciaram um movimento de reavivamento dentro da Igreja Anglicana, pregando a necessidade de conversão pessoal e de lidar com os principais problemas sociais no início da industrialização.

Organizaram grupos que se reuniam, liam a Bíblia e oravam juntos. Tais grupos autodenominavam “Clube Santo”. Costumavam visitar pessoas que passavam por momentos difíceis, expandindo assim sua atuação e membresia.

A Igreja Anglicana não aceitou o avivamento, então os pregadores metodistas passaram a fazer reuniões campais, em praças, nas minas e nas fábricas. Popularizam o cântico de hinos, além da a pregação e a oração espontâneas.

Somente no século XIX o Metodismo se tornou uma denominação própria. Isso foi em em decorrência da rejeição por autoridades anglicanas e pela necessidade de organizar os membros (anglicanos ou não) depois da ruputura causada pela independência dos Estados Unidos .

A teologia metodista resulta da intepretação de Wesley acerca do arminianismo e do avivamento pietista alemão. Uma minoria, sobretudo em Gales e entre seguidores de Whitefield, adere a uma forma de calvinismo.

Seus principais documentos doutrinários são o Credo dos Apóstolos e do Credo Niceno, os Artigos de Religião de John Wesley, uma revisão dos artigos anglicanos, reunidos nos livros de disciplina dos metodistas. A ênfase principal não está nas opiniões e doutrinas, mas no espírito e na conduta de vida.

As principais denominações de tradição metodista e wesleyana estão organizadas no Conselho Metodista Mundial (WMC). As principais são a Igreja Metodista Unida nos Estados Unidos (recentemente dividida em Igreja Metodista Global e Conexão Metodista da Liberação), a Igreja Metodista Livre, a Igreja Metodista do Brasil, além do Movimento de Santidade, o que inclui a Igreja do Nazareno e o Exército de Salvação.

Pietismo

O pietismo é um movimento leigo de renovação espiritual que existe no seioprincipalmente das igrejas luteranas, além de denominações independentes associadas ao movimento.

O pietismo surgiu na Alemanha durante a segunda metade do século XVII . A publicação do livreto Pia Desideria (1675) de Philipp Jacob Spener (1635 – 1705). A Pia Desideria, desejos pios, foi escrita como um prefácio para uma nova edição de um livro de Johann Arndt. Spener capturou os sentimentos dos evangélicos alemães após a Guerra dos Trinta Anos e a predominância do dogmatismo da Escolástica Protestante. Propôs que:

  • A palavra de Deus deveria ser mais amplamente difundida entre o povo, havendo discussões bíblicas sob a orientação do pastor;
  • Estabelecimento e manutenção de ministérios espirituais, que não é exclusividade apenas do clero formal, mas constituídos pelo direito e dever de todos os cristãos de instruir os outros, punir, exortar, edificar e cuidar de sua salvação;
  • Enfatizar o fato de que o mero conhecimento é insuficiente no cristianismo, pois a fé cristã se expressa antes na ação;
  • Mais gentileza e amor nos debates entre as denominações;
  • A formação universitária do clero deve ser alterada para incluir um fomento da piedade pessoal e a leitura de livros de edificação, bem como conhecimentos intelectuais e acerca das controvérsias dogmáticas;
  • Os sermões devem ser preparados para serem mais edificante, com menos ênfase na arte retórica e na erudição homilética.

O pietismo não constituiu um movimento uniforme e não foi definido em torno de doutrinas específicas. Entretanto, alguns traços comuns são notórios. No pietismo a ortopraxia (a vida cristã e a ética) são tão importantes quanto a ortodoxia. A ortodoxia não se limita a uma expressão proposicional, mas na religião vivida. O sacerdócio universal dos crentes é o cerne da doutrina da Reforma, colocado em prática nos conventículos (ecclesiola in ecclesia) — pequenos grupos de oração, leitura bíblica e edificação –, na educação e no cuidado dos necessitados. A expectativa e a preparação para vinda do reino de Deus também orientaram o pietismo.

O pietismo propagou-se a partir da Universidade de Halle, também fornecendo as balizas para o desenvolvmento das ciências naturais e da universidade moderna (humboldtiana). O interesse dos pietistas por publicações populares elevou o letramento público. Os pietistas barão Carl von Canstein e August Hermann Francke organizaram a primeira sociedade bíblica e imprensa bíblica: a Cansteinsche Bibelanstalt. Apesar desse fomento ao cultivo intelectual junto da formação espiritual, detratores associaram o pietismo ao anti-intelectualismo.

Ora perseguido, ora apoiado pelas autoridades seculares e religiosas (luteranas e, em menor grau, reformadas), o pietismo propagou-se entre os países germânicos. Os grupos mais radicais ou perseguidos emigraram para a América do Norte, estabelecendo-se principalmente na Pensilvânia.

Dentre os diversos movimentos pietistas com identidade própria, destacam-se os Irmãos Morávios, os Dunkers, os Labadistas, dentre outros.