Philipp Jacob Spener

Philipp Jacob Spener (1635 – 1705) foi um teólogo luterano alemão e fundador do pietismo.

Depois de ordenado, em 1666 mudou-se para Frankfurt, onde em 1670 fundou os collegia pietatis, grupos locais de edificação religiosa. Quando publicou sua obra Pia Desideria (1675) houve uma alavancagem nesse movimento.

Spener esteve entre os fundadores da Universidade de Halle.

Pietismo

O pietismo é um movimento leigo de renovação espiritual que existe no seio, principalmente das igrejas luteranas, além de denominações independentes associadas ao movimento.

O pietismo surgiu na Alemanha durante a segunda metade do século XVII . A publicação do livreto Pia Desideria (1675) de Philipp Jacob Spener (1635 – 1705). A Pia Desideria, desejos pios, foi escrita como um prefácio para uma nova edição de um livro de Johann Arndt. Spener capturou os sentimentos dos evangélicos alemães após a Guerra dos Trinta Anos e a predominância do dogmatismo da Escolástica Protestante. Propôs que:

  • A palavra de Deus deveria ser mais amplamente difundida entre o povo, havendo discussões bíblicas sob a orientação do pastor;
  • Estabelecimento e manutenção de ministérios espirituais, que não é exclusividade apenas do clero formal, mas constituídos pelo direito e dever de todos os cristãos de instruir os outros, punir, exortar, edificar e cuidar de sua salvação;
  • Enfatizar o fato de que o mero conhecimento é insuficiente no cristianismo, pois a fé cristã se expressa antes na ação;
  • Mais gentileza e amor nos debates entre as denominações;
  • A formação universitária do clero deve ser alterada para incluir um fomento da piedade pessoal e a leitura de livros de edificação, bem como conhecimentos intelectuais e acerca das controvérsias dogmáticas;
  • Os sermões devem ser preparados para serem mais edificante, com menos ênfase na arte retórica e na erudição homilética.

O pietismo não consitituiu um movimento uniforme e não foi definidio em torno de doutrinas específicas. Entretanto, alguns traços comuns são notórios. No pietismo a ortopraxia (a vida cristã e a ética) são tão importantes quanto a ortodoxia. A ortodoxia não se limita a uma expressão proposicional, mas na religião vivida. O sacerdócio universal dos crentes é o cerne da doutrina da Reforma, colocado em prática nos conventículos (ecclesiola in ecclesia) — pequenos grupos de oração, leitura bíblica e edificação –, nas educação e no cuidado dos necessitados. A expectativa e a preparação para vinda do reino de Deus também orientaram o pietismo.

O pietismo propagou-se a partir da Universidade de Halle, também fornecendo as balizas para o desenvolvmento das ciências naturais e da universidade moderna (humboldtiana). O interesse dos pietistas por publicações populares elevou o letramento público. Os pietistas barão Carl von Canstein e August Hermann Francke organizaram a primeira sociedade bíblica e imprensa bíblica: a Cansteinsche Bibelanstalt. Apesar desse fomento ao cultivo intelectual junto da formação espiritual, detratores associaram o pietismo ao anti-intelectualismo.

Ora perseguido, ora apoiado pelas autoridades seculares e religiosas (luteranas e, em menor grau, reformadas), o pietismo propagou-se entre os países germânicos. Os grupos mais radicais ou perseguidos emigraram para a América do Norte, estabelecendo-se principalmente na Pensilvânia.

Dentre os diversos movimentos pietistas com identidade própria, destacam-se os Irmãos Morávios, os Dunkers, os Labadistas, dentre outros.

Henriette Catharina Freifrau von Gersdorff

Henriette Catharina Freifrau von Gersdorff (ou Gersdorf ) (1648 -1726 ) foi uma poetisa religiosa alemã, patrona do pietismo e da Igreja dos Irmãos Morávios.

Nascida na alta nobreza, compunha poemas em latim e alemão, além de corresponder com grandes intelectuais de sua geração, como Leibniz. Apoiou o ministério do promotor do pietismo, Philipp Jacob Spener , e a tradução da Bíblia para o sorbiano. Em 1702 , requisitou ao duque Friedrich II de Saxe-Gotha-Altenburg apoio para a criação de um mosteiro evangélico-luterano para mulheres e educação de jovens, o Magdalenenstift,operante em Altemburgo até hoje.

Após a morte de seu marido, mudou-se para suas propriedades rurais em 1703, quando passou a dedicar-se à educação de seu neto Nikolaus Ludwig von Zinzendorf. Acolheu refugiados tchecos e escreveu hinos que mais tarde seriam incorporados à hinódia morávia.

Johann Albrecht Bengel

Johann Albrecht Bengel (1687 – 1752) foi um teólogo e comentarista do Novo Testamento alemão.

Nascido no ducado de Württemberg, foi influenciado pelo pietismo dessa região. Tornou-se professor e administrador no seminário luterano.

Produziu uma edição crítica do Textus Receptus do Novo Testamento (1734), anotando diferentes gradações de autoridade nas variantes textuais. Para tal, utilizava um engenhoso código de classificação da autoridade textual. Nas notas de rodapé havia listado leituras encontradas em diversas fontas, classificadas em cinco letras do alfabeto grego. A letra α indicava a leitura que considerava a melhor ou a verdadeira; β, uma leitura melhor que a do texto; γ, um igual à leitura textual; e δ, leituras inferiores às do texto.

Como biblista, escreveu o Gnomon Novi Testamenti, o qual inspirou as Notas explanatórias sobre o Novo Testamento de John Wesley. Publicado em 1742 depois de vinte anos de pesquisa, modestamente intitula como um gnomon ou índice. Consistia em uma coleção de anotações exegéticas breves e opiniões eruditas a cada passagem, virtualmente comentando verso a verso. O propósito seria guiar o leitor para verificar o significado por si mesmo. Propunha não importar nada de doutrina para a Escritura, mas extrair dela todo o entendimento teológico. Desse modo, inicia uma abordagem indutiva de hermenêutica bíblica.

Cunhou o conceito de famílias textuais de manuscritos. Utilizou duas famílias, uma africana ou alexandrina e outra constantinopolitana ou asiática que compreendia todas as outras variantes.

Estabeleceu dois cânones para a ecdótica bíblica: “o texto mais curto tende ser o mais antigo e melhor” e a “leitura mais difícil é a preferível”.

Seu interesse escatológicos o fez prever o início do milênio para 1837 e provocou ruptura com os morávios, aos quais rejeitavam esquemas e especulações sobre as últimas coisas.