Inerrância

Inerrância é a designação dada ao conjunto de doutrinas que atribui a alguma forma das Escrituras a característica de não errar ou conter erros.

Os textos provas normalmente para argumentar sobre essa doutrina são 2 Tim 3:16; 1 Pe 1:10-12; 2 Pe 1:20-21.

Inerrância é um conceito correlato (e por vezes confundido) com as doutrinas de inspiração e com a infalibilidade bíblica, os quais também são perspectivas alternativas quanto à autoridade bíblica. Outras doutrinas alternativas à inerrância incluem as doutrinas de acomodação e do concurso divino na inspiração.

HISTÓRIA DA DOUTRINA

Durante a história do pensamento cristão, esporadicamente uma forma outra aparecerem reivindicações de inerrância. O adjetivo inerrabilis atribuído às Escrituras foram usados por Agostinho, Aquino e Duns Scotus, revelando crenças em uma alta confiabilidade na Bíblia, embora não usassem tal adjetivo como modernamente empregado. Assim, em boa parte da história da cristandade não era uma doutrina distinta, mas alusões geralmente indistinta de outras concepções de autoridade bíblica (infalibilidade, veracidade, fidedignidade, inspiração). Orígenes argumentava que as Escrituras detinham  a verdade infalível em um nível espiritual. Já Crisóstomo considerava que as Escrituras expressavam as doutrinas corretamente. Utilizando categorias do neoplatonismo, Agostinho defendia que o nível literal do texto bíblico não continha erros, mesmo em traduções, como a Septuaginta, sendo as discrepâncias explicáveis com alegorias.

Biblistas e teólogos da era da Reforma observavam a ausência da precisão técnica em descrição de realidade, irregularidades na gramática ou ortografia, a descrição da natureza a partir de uma perspectiva subjetiva, números discrepantes, confusão entre arranjos temático e cronológico, divergências nas citações, questões genealógicas e geográficas, variações entre manuscritos, dentre outros. No entanto, autores como Erasmo, Lutero e Calvino desconsideraram tais pontos sem invalidar suas teologias ou a Bíblia como autoridade de fé. No geral, empregavam teorias de acomodação para solucionar esses problemas.

Na fase final da Reforma, a inerrância se distingue como uma doutrina própria no debate entre o cardeal Roberto Bellarmino (1542 – 1621) e o professor de Cambridge anglicano William Whitaker (1548 – 1595). Bellarmino articulou uma doutrina de inerrância, localizando-a no texto da Vulgata preservado pelo magistério da Igreja Católica. Já Whitaker apresenta uma doutrina de inerrância dos textos nas línguas originais.

Já na fase do iluminismo surge um raciocínio fundacionalista. Por esse raciocínio, alguma premissa fundamental irrefutável serviria de base para a construção de um argumento irrefutável. Portanto, a negação da premissa fundamental tornaria todo o raciocínio inválido. Assim, surgem declarações em um raciocínio fundacionalista que descrevem as Escrituras sem erros, como a Declaração de Fé de Westminster, bem como vários céticos e racionalistas buscavam invalidar as Escrituras buscando erros nelas. Em fases posteriores, a resposta a esses questionamentos veio na forma da defesa da inspiração bíblica, como o livro Theopneustia de Louis Gaussen. Como esse entendimento ora tendia a uma teoria de ditado, houve críticas e refinamentos entre evangélicos europeus, notoriamente adotando teorias de acomodação (como por Henry Drummond) e agência humana na composição bíblica (a exemplo, Franz Delitzsch).

Somente com o avanço científico, tecnológico e transformações políticas (Guerra de Secessão, papa prisioneiro no Vaticano e a doutrina da infalibilidade papal) do fin-de-sécle (c.1860-1914) surge no evangelicalismo norteamericano uma necessidade de formular uma teologia com uma racionalidade positivista. Assim, inspirado nas ciências naturais, a Escola de Princeton traduziu as teorias de inspiração proposta por Gaussen, mas sem considerar os posteriores desdobramentos internos no evangelicalismo europeu, dando base ao que seria a formulação americana de doutrina da inerrância.

Em 1895, a Conferência Bíblica de Niágara estabeleceu os “cinco pontos do fundamentalismo”, incluindo a inerrância das Escrituras. Assim, tal doutrina passou a ser fundamental para o que mais tarde evoluiu para o protestantismo fundamentalista. O articulador da inerrância dos originais seria o teólogo princetoniano B. B. Warfield, mas mesmo assim encontrou oposição mesmo em círculos fundamentalistas, como pelo biblista britânico James Orr (1844-1913), defensor da infalibilidade bíblica. Contudo, partir daí floresceu uma tendência harmonista de apologética, utilizando os termos “discrepância” ou “dificuldades bíblicas” como eufemismo para evitar o termo “erros”.

Em 1949, nos Estados Unidos a Sociedade Teológica Evangélica (ETS) incorporou a inerrância bíblica em sua base doutrinária. Refinou a doutrina pela ênfase a autenticidade dos autógrafos originais, mas com pressupostos lagardianos. A década de 1950, contudo, apresentou um cisma entre evangelicals e fundamentalistas. Enquanto os fundamentalistas aderiram ao conceito de inerrância sem problemas, as vertentes evangelicais tiveram uma relação conturbada com a doutrina. Exemplo disso, em 1967, o conservador Seminário Teológico Fuller, uma instituição evangélica proeminente, removeu a inerrância bíblica da sua declaração de fé.

A década de 1970 marcou a “Batalha pela Bíblia”, um período de intenso debate dentro do evangelicalismo americano, girando principalmente em torno da questão da inerrância bíblica. O livro de Harold Lindsell de 1976, The Battle for the Bible [A Batalha pela Bíblia], gerou uma ampla discussão. Lindsell argumentou que supostas forças liberais estavam minando a autoridade da Bíblia. A controvérsia provocou uma divisão dentro do evangelicalismo. Este debate foi multifacetado, refletindo mais questões sociais mais amplas, como o movimento pelos direitos civis, a política partidária e a carreira política de Jimmy Carter. A inerrância tornou-se um teste para ver em que campo teológico e político partidário em que uma pessoa se posicionava.

Em meio a esses debates, na década de 1970 foi fundado o Conselho Internacional de Inerrância Bíblica. Em 1978, o conselho formulou “A Declaração de Chicago sobre a Inerrância Bíblica” para definir com precisão a doutrina. A declaração reconheceu a natureza matizada da inspiração divina, negando uma insistência na inspiração literal como ditado. Apesar de ter o nome de internacional, quase a totalidade de seus 334 signatários eram americanos e falantes do inglês. A maioria dos signatários era de pastores e alguns apologistas. Foi subscrita por uns raros biblistas (D. A. Carson, Edwin Yamauchi) e nenhum teológo bibliologista com pesquisa acadêmica sobre o assunto. Muitos teólogos evangélicos conservadores, como os bibliologistas Donald Bloesch e Dewey Beagle, rejeitaram ou não endossaram o documento por vários motivos. De modo similar, o biblista conservador Bruce Metzger não endossou o documento.

Do outro lado do Atlântico, estudiosos evangélicos conservadores britânicos como John Stott, F. F. Bruce, depois Alister McGrath e N. T. Wright rejeitaram a definição americana de inerrância. Os britânicos preferiram a descrição da Bíblia como “verdadeira e confiável” (true and trustworthy). O Movimento Lausanne também adotou esta perspectiva com a ressalva vaga que as Escrituras não erram, mas sem adotar o inerrantismo. Entretanto, a exportação cultural americana levou à disseminação do conceito de inerrantismo americano, bem como suas controvérsias.

No cenário protestante americano a controvérsia manteve-se às margens daqueles que estão fora das denominações, pastores, congregações e pessoas que transitam nas redes de contatos vinculadas à National Evangelical Association, Evangelical Theological Society e International Council of Christian Churches. Assim, vertentes tradicionais de luteranos, reformados, anabatistas, anglicanos, wesleyanos, irmãos, além de expressões populares do pentecostalismo, não foram afetados pela controvérsia. Similarmente, denominações na Europa e no mundo majoritário que não eram teologicamente dependentes dos Estados Unidos não foram afetados pela questão da inerrância.

No entanto, a década de 1990 viu divisões contínuas entre os evangelicals dos EUA sobre questões doutrinárias relacionadas à interpretação bíblica. O debate persistiu, e mesmo os signatários da Declaração de Chicago discordaram posteriormente sobre os seus termos. Havia posições desde J.I. Packer como a inerrância bíblica sendo aquilo que for verdadeiro quando entendido corretamente o que o autor pretendia dizer, até a afirmação de Norman Geisler de que inerrância somente significaria que a Bíblia é inteiramente isenta de erros em todos os assuntos, quer teológicos, quer não.

A popularização de informações sobre ciências bíblicas, especialmente da crítica textual, bem como avanços na história das ideias e da doutrina cristã levantaram questões sobre a necessidade de revisar a Declaração de Chicago. Ademais, questões de filosofia da linguagem sobre as limitações da comunicação humana, além da adoção de teorias coerentistas acerca da verdade ao invés do fundacionalismo enfraqueceram a confiança em termos proposicionais. Assim, as controvérsias continuaram dentro da Sociedade Teológica Evangélica, envolvendo estudiosos como J. Ramsay Michaels, Robert Gundry, Clark Pinnock, John Sanders, Darrell Bock, Michael Licona, Murray Harris, Andrew McGowan, Craig Blomberg e Peter Enns. As disputas teológicas aumentaram, levando a acusações de liberalismo dentro da sociedade. Aqui, liberalismo não significava o movimento teológico histórico de tal nomenclatura, mas uma falácia do espatalho aplicada a qualquer discordante da Declaração de Chicago.

Dois casos são ilustrativos de como a questão minou um suposto consenso em torno da doutrina. Um deles é a expulsão de Peter Enns do Seminário Teológico de Westminster, a qual reacendeu a discussão sobre a inerrância, pois Enns havia apontado inconsistências na Declaração de Chicago. Outro caso, o de Blomberg questionou que o evangelicalismo não deveria fazer da inerrância seu teste teológico para impor limites para o diálogo e comunhão.

Por fim, a publicação de Five views on Biblical Inerrancy [Cinco Pontos de Vista sobre a Inerrância Bíblica] em 2013 tornou patente a pluralidade de pontos de vista entre os teólogos aderentes à inerrância. Uma vez claro que não há um referente comum ao termo inerrância, várias teologias sistemáticas recentes, como a de Macchia em 2023, optaram por omitir completamente a discussão da inerrância.

PERSPECTIVAS SOBRE INERRÂNCIA

  1. Inerrância de alguma versão específica: defensores da Vulgata, Peshitta e da primazia aramaica, do KJV-only, de alguma edição do Texto Massorético ou do Textus Receptus. Essa posição contrasta com os defensores da inerrância dos textos originais.
  2. Inerrância Ilimitada: a Bíblia é inerrante em matérias de fé, prática, moral, ciências, intenção, propósito e proposições. Contudo, tal inerrância é reservada somente aos autógrafos ou os originais, não incluindo as fontes nem as traduções. Julgar o texto por gêneros textuais, acomodação ou contextos históricos e socioculturais seriam subterfúgios para minar a doutrina da inerrância. É a posição de Geisler e de interpretações estritas da Declaração de Chicago.
  3. Inerrância Ilimitada das Intenções: a Bíblia é inerrante naquilo que seus autores intencionavam comunicar, não em proposições isoladas. Assim, contexto e gênero textual são importantes. É a posição tardia de J. I. Packer e de uma leitura modulada da Declaração de Chicago.
  4. Inerrância Contextual: Holding e Peters diferenciam entre verdades teológicas centrais e detalhes periféricos, sugerindo que a inerrância se aplica principalmente às primeiras. Em vez da inerrância absoluta, enfatizam a veracidade geral da Bíblia em relação a questões de fé e salvação, ao mesmo tempo que reconhecem possíveis imprecisões históricas ou científicas. É contextual porque buscam interpretar a Bíblia dentro de seus respectivos gêneros e contextos históricos. Por exemplo, a linguagem poética ou simbólica não deve ser tratada como relatos factuais, históricos ou científicos.
  5. Inerrância Qualificada: A inerrância significaria que, quando todos os fatos forem conhecidos, a Bíblia em seus escritos originais, devidamente interpretada à luz da cultura e dos meios de comunicação de sua época, será demonstrada como completamente verdadeira em tudo o que ela diz. Isto inclui a precisão pretendida pelo autor, abrangendo todos os assuntos relacionados a Deus e Sua criação. É um conceito de inerrância contextual proposta por David Dockery.
  6. Inerrância Limitada ou inerrância funcional: a Bíblia é inerrante em questões de fé e prática, mas não em questões de história, ciência ou literatura. Ou seja, não é o artefato textual bíblico que seria inerrante, mas sua intenção. O propósito principal da Bíblia seria fornecer orientação espiritual, não ensinar fatos científicos ou históricos. É um dos entendimentos de inerrância próximo do conceito de infalibilidade. É defendida por teólogos reformados como C.G. Berkouwer, Jack Rogers e Donald McKim.
  7. Inerrância Gradual: a Bíblia se tornou inerrante ao longo do tempo à medida que o processo de revelação divina se desenrolava. Fundamenta-se nas doutrinas de acomodação e revelação progressiva. O texto das Escrituras reflete a compreensão de Deus e do mundo que era corrente na época em que foi escrita, mas que ainda é uma fonte confiável de verdade para os cristãos hoje. Também constitui um dos entendimentos de inerrância próximo do conceito de infalibilidade.
  8. Inerrância da Verdade Proposicional: A Bíblia é inerrante nas suas afirmações de verdade proposicionais, o que significa que as suas declarações sobre o que é e o que não é são isentas de erros. Por exemplo, a proposição “o céu é azul” revela uma verdade subjacente que pode ser expressa em várias linguagens, desde um quadro pintado, uma fórmula lógica, versões em línguas diversas (the sky are blue; Der Himmel ist blau; el cielo es azul), sem necessitar precisão ou ausência de erros nessas expressões de enunciados. Similarmente, a Bíblia emprega vários gêneros literários, incluindo poesia e parábolas, que podem não estar em conformidade com padrões históricos ou científicos rigorosos contemporâneos, mas revelam proposicionalmente verdades sobre Deus e sua vontade. É a posição defendida pro Kevin J. Vanhoozer e por muitos da Escola de Michigan de epistemologia reformada.
  9. Inerrância como uma Afirmação Canônica. Peter Enns arguemnta que o conceito de inerrância não é explicitamente declarado na própria Bíblia, mas emergiu como uma afirmação canônica ao longo do tempo. A veracidade da Bíblia reside na sua mensagem geral de salvação e no seu poder de transformar vidas.
  10. Inerrância Transformacional. A inerrância seria o poder da Bíblia para transformar vidas, em vez de sua inerrância técnica. A inerrância seria um evento dinâmico e transformador, em vez de uma proposição estática. A veracidade da Bíblia é experimentada através da obra do Espírito Santo na vida dos crentes, capacitando-os a encontrar o poder transformador de Deus. É defendida por John Franke e muitos da nova geração de autores pentecostais.
  11. Inerrância Relacional: A inerrância seria um relacionamento hermenêutico entre a Bíblia e seus leitores. A Bíblia seria verdadeira para aqueles que experimentaram o seu poder transformador sem conter erros. Não se trata de uma posição teológica articulada explicitamente, mas uma teologia vivida com um pressuposto de teoria de iluminação (somente os verdadeiros crentes entendem as Escrituras).
  12. Inerrância Literalista: Inerrância seria a fusão de veracidade, historicidade, cientificidade e facticidade do texto bíblico, o qual só pode ser interpretado de forma “literal”. Pressupõe uma teoria de composição e inspiração mecânica ou de ditado. É um posicionamento popular, sem maiores articulações teológicas.
  13. Inerrância Corporativa: Esta visão sugere que a Bíblia é inerrante não em suas partes individuais, mas como um todo. A mensagem geral de salvação da Bíblia é verdadeira, mesmo que existam passagens individuais que são difíceis de interpretar. É defendidas por adeptos da crítica canônica, crítica narrativa e de vertentes da história de redenção.
  14. Inerrância Desconstrucionista: Parte da critica o próprio conceito de inerrância. A Bíblia é um texto complexo, discrepante e contraditório em seus detalhes, mas que não pode ser reduzido a uma simples fórmula de veracidade. Sugerem que os cristãos deveriam abordar a Bíblia com uma atitude mais sutil e de mente aberta.
  15. Inerrância limitada ao contexto americano. O “veracista” Mike Bird defende esta visão, reconhecendo a Bíblia como um documento multifacetado que abrange uma variedade de formas e gêneros literários. A inerrância da Bíblia reside na sua capacidade de transmitir a verdade de Deus de diversas maneiras, adaptando-se aos contextos culturais e históricos em que foi escrita. Os evangélicos americanos exigem uma definição estrita de inerrância, a qual não é compartilhada pela igreja global. Assim, a inerrância, em vez da cristologia, tornou-se um teste indevido para a ortodoxia. Embora o conceito de inerrância tenha servido muitos evangélicos americanos, não serve, nem é traduzível em outros contextos culturais.

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Bibliologia

A Bibliologia é a subdisciplina teológica sistemática que ocupa sobre a natureza e papel da Bíblia como o texto fundamental para a crença e prática cristã. Abrange dimensões multifacetadas dentro do discurso teológico.

Os principais tópicos da bibliologia são os seguintes;

Autoridade: com várias matizes em diversos sistemas teológicos cristãos, a Bíblia é considerada a autoridade suprema, orientando a doutrina e os ensinamentos morais entre os cristãos. Sua origem divina substanciaria seu poder vinculativo na comunidade de fé.

Canonização: discorre sobre o processo de que estabeleceu os livros aceitos do Antigo e do Novo Testamento para fins de culto, doutrina e disciplina.

Clareza: discute a medida a qual os ensinamentos essenciais da Bíblia são claros e acessíveis, permitindo que os crentes compreendam as verdades fundamentais essenciais para a salvação. Em termos específicos, a perspecuidade bíblica discute se é por si só ela seria compreensível sem requisitos especiais ou se seria dependente de pressupostos, iluminação do Espírito Santo, domínio dos contextos históricos, culturais e teológicos, dentre outros fatores.

Infalibilidade: o tópico da infalibilidade discorre acerca do caráter das Escrituras de comunicar sem falha o propósito de salvação divina. É um corolário do tópico da confiabilidade.

Inspiração: A inspiração divina à Bíblia discute os modos com os quais os autores humanos foram guiados pelo Espírito Santo para transmitir a mensagem divina.

Suficiência: no geral, no cristianismo a Bíblia é considerada suficiente para fornecer orientação para todos os assuntos de fé e prática, excluindo doutrinas estranhas. Contudo, diversas tradições teológicas atribuem papéis normativos para a instrução da fé na forma de magistério, tradição, razão, experiência, sem contar fatores da revelação, cultura e culto em moldar a recepção da Bíblia.

Confiabilidade: o tópico da confiabilidade da Bíblia discorre como seus ensinamentos capazes de transmitir a salvação de forma veraz e fidedigna.

Infalibilidade

O conceito de infalibilidade descreve diversas doutrinas de autoridade, sendo tal conceito atribuído às Escrituras, à Igreja e ao papado.

A infalibilidade da Igreja e a infalibilidade do Papa, na tradição católica romana, são tratados em verbetes próprios. Segue aqui uma exposição sobre a doutrina da infalibilidade bíblica.

Infalibilidade das Escrituras

A infalibilidade bíblica é a doutrina de que as Escrituras ensina de modo fiel e verdadeiro as matérias de fé e prática. Pela infalibilidade das Escrituras, há a confiança que sua mensagem cumpra totalmente seu propósito de comunicar a revelação de Deus em Cristo de modo que seu receptor não falhe em compreender a salvação.

Vários são os textos bíblicos apresentados para sustentar a infalibilidade bíblica, como João 10:35; Salmos 119:160; Eclesiastes 12:10; Romanos 1:16; 9:1; 3 João 1:12.

O bibliólogo Donald Bloesch (1994) articula a doutrina da infalibilidade bíblica centrada no modo como as palavras são empregadas pelo Espírito de Deus nas Escrituras. A veracidade e confiabilidade das Escrituras encontram sua fundação na revelação histórica e na orientação do Espírito Santo. Portanto, a infalibilidade é derivada da verdade divina. A infalibilidade do texto bíblico é plenamente realizada quando vista em relação ao seu centro divino, a autorrevelação de Deus em Jesus Cristo. Apesar da descontinuidade entre a fala humana e a Palavra de Deus (ainda que a natureza humana seja falível na expressão textual); há a mensagem que em si permanece infalível, apontando os crentes para a encarnação perfeita da verdade em Jesus Cristo. Essa dualidade destaca o mistério impenetrável da Bíblia, simultaneamente divino e humano.

Em uma analogia, Bloesch explica que Escritura seria o instrumento ou meio de revelação inspirado. Seria como uma lâmpada, mas não a luz em si, capaz de eficazmente cumprir seu propósito de iluminar (infalibilidade). A infalibilidade bíblica seria incapacidade inerente das Escrituras de levar ao engano ou desvio. Seria a qualidade inabalável de guiar os crentes à verdade revelada por Deus. (Bloesch 1994).

A autoridade das Escrituras deriva-se de sua relação com a Palavra viva (Cristo Jesus). Sua autoridade não se derivaria em virtude de sua historicidade ou facticidade ou modelos de veracidade fundamentados em proposições ou correspondência. A verdade das Escrituras só é compreendida em relação a Cristo pela obra do Espírito Santo, não por qualquer hermenêutica racionalista.

A Bíblia exibe uma infalibilidade funcional em seu papel como regra suprema de fé, conduta e adoração. Essa infalibilidade não é autossuficiente, mas é transmitida pelo poder do Espírito, garantindo que os crentes tenham acesso à verdade infalível. Os Reformadores viam a Bíblia como a regra infalível para a fé e a prática, dependendo da iluminação do Espírito Santo para uma compreensão verdadeira.

A natureza dual da Bíblia revela tanto o esplendor divino quanto a fraqueza humana. Ela utiliza elementos humanamente falíveis devido a limitações culturais e históricas, mas permanece infalível ao transmitir a vontade e o propósito de Deus. A imperfeição das palavras humanas é transcendida pela verdade e poder da infalibilidade divina, afirmando que a Bíblia contém a Palavra perfeita de Deus em palavras humanas imperfeitas.

Perspectivas diversas e história da doutrina da infalibilidade

Diversas perspectivas teológicas contribuíram para o discurso sobre a doutrina da infalibilidade.

Para os reformadores, a Bíblia seria a regra infalível para a fé e prática. Seria a única fonte teológica a conter todas as coisas necessárias para a salvação, mas a sua verdade só poderia ser percebida pela iluminação do Espírito Santo. Em suma, os reformadores consideravam a infalibilidade da Palavra e do Espírito.

A Confissão de Westminster descreve a Escritura como uma “regra infalível para fé e vida” (2.5.9).

O teólogo dogmático reformado Herman Bavinck argumentava que a Bíblia contém um aspecto falível no sentido de que reflete as limitações culturais e históricas de seus escritores. Mas as Escrituras também são infalíveis, pois não engana naquilo que pretende ensinar: a vontade de Deus e propósito para o mundo. Traz a marca da fragilidade humana, também carrega a verdade e o poder da infalibilidade divina.

O teólogo dogmático holandês Berkouwer distingue entre a autoridade ontológica e funcional das Escrituras. Infalibilidade seria a autoridade funcional das Escrituras, enquanto a inspiração a autoridade ontológica.

O teólogo evangelical batista Bernard Ramm fez uma distinção entre graphe (Escritura), gramma (letra) e pneuma (Espírito). A graphe incorpora e transmite a verdade infalível porque une a letra e o Espírito. Seria o conteúdo divino das Escrituras. Infalibilidade das Escrituras não seria o texto, a letra, mas a graphe.

Rogers e McKim falam da Bíblia como infalível em sua função ou propósito. Ele infalivelmente cumpre seu propósito em trazer Cristo e a dádiva de salvação. A Bíblia como histórico e o documento literário seria vulnerável ao erro, pois sujeita-se às contigências da história. A verdade para a qual as Escrituras direciona é infalível, pois esta verdade – sendo o próprio Cristo vivo – é supra-histórica.

A doutrina da infalibilidade bíblica frequentemente é contrastada com outros modelos de autoridade das Escrituras, como a doutrina da inerrância bíblica. Contudo inerrância varia em sentidos. Uma acepção de inerrância seria a capacidade de não errar em seus propósitos de comunicar conteúdo de salvação, ou seja, um quase sinônimo de infalibilidade (Teixeira). Outro sentido de inerrância seria que a Bíblia não conteria erros de fato, nem de história, nem de ciência, do contrário invalidaria sua capacidade de comunicar a revelação divina (Gleiser). Ainda, em outra perspectiva, inerrância seria a Bíblia não errar naquilo que seus autores intencionavam comunicar, não em proposições isoladas (J.I. Packer). Numa distorção semântica chamada falácia do dicionário, alguns inerrantistas norteamericanos tentam argumentar que infalibilidade significaria ser incapaz de falhar, então impossível de se errar. Contudo, no sentido teológico, infalibilidade significa simplesmente incapaz de falhar, isto é, ser capaz de cumprir o seu propósito. Esses problemas levaram a biblistas e bibliologistas de língua inglesa revisitarem as doutrinas de infalibilidade.

Nos Estados Unidos a “batalha pela Bíblia”, principalmente nos anos 1970, levaram os defensores evangélicos da infalibilidade distinguir-se dos inerrantistas. George Eldon Ladd negou a infalibilidade do texto e preferiu falar da infalibilidade da mensagem das Escrituras. Bloesch seria um ardente defensor da infalibilidade e da rejeição da inerrância. Sendo uma questão localizada dentro de algumas vertentes protestantes norteamericana, em outros países de língua inglesa a preferência por modelos de autoridade bíblica baseada na infalibilidade predominaram, tal como entre os britânicos, como John Stott, F. F. Bruce, N. T. Wright, John Goldingay, Alister McGrath, ou australianos como Leon Morris e Mike Bird, preferindo tratar as Escrituras em modelos de veracidade e fidedignidade ao invés de inerrância.

BIBLIOGRAFIA

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Novo Testamento Grego de Lachmann

O Novum Testamentum Graece et Latine de Karl Lachmann (1793-1851) foi uma edição crítica do Novo Testamento,que marcou uma ruptura metodológica com as edições em voga.

Publicada em duas edições, a primeira em 1831 e a segunda em 1842-1850, a obra desse filólogo alemão foi uma tentativa de reconstruir o texto grego do Novo Testamento utilizando manuscritos mais antigos e técnicas rigorosas de análise filológica, especialmente o método genealógico. Esse método, inédito até então, buscava determinar as relações entre os manuscritos e estabelecer o texto mais próximo ao original.

Primeira Edição (1831)

Em 1831, Lachmann lançou sua primeira edição crítica do Novo Testamento grego. A edição de Lachmann foi criticada por se basear em um número limitado de manuscritos, uma vez que os recursos disponíveis à época não permitiam o acesso a uma grande variedade de fontes textuais. Apesar das críticas, essa primeira edição lançou as bases para a abordagem filológica que seria consolidada em sua edição subsequente.

A Segunda Edição (1842-1850) e a Vulgata Latina

A segunda edição do Novum Testamentum Graece et Latine, publicada em dois volumes entre 1842 e 1850, ampliou a base de manuscritos latinos e gregos utilizados, incluindo, além do Codex Alexandrinus, o Codex Vaticanus e o Codex Ephraemi Rescriptus. Essa edição também apresentou o Novo Testamento grego lado a lado com a Vulgata Latina. Ao fazer essa comparação, Lachmann destacava as limitações da Vulgata e sugeria uma reconstrução mais precisa do texto grego original. Tal abordagem implicitamente desafiava a autoridade da Vulgata.

Método Genealógico e o rompimento com o Textus Receptus

Lachmann empregou o método genealógico. Anteriormente, aplicou este método na manuscritologia germânica e dos clássicos gregos e romanos. O método procurava entender as “linhagens” dos manuscritos, criando um stemma ou árvore genealógica para mapear as relações entre as diversas cópias e identificar o texto mais próximo do original. Diante disso, Lachmann abandonou o textus receptus do Novo Testamento, que se baseava em manuscritos tardios, e priorizou as versões mais antigas, datadas do século IV e anteriores, confiando que essas preservavam uma transmissão textual mais fiel. Essa abordagem fundamentou-se em evidências limitadas, mas foi um avanço significativo em relação à prática editorial puramente subjetiva da época.

Através de seu trabalho, Lachmann procurou identificar e eliminar as interpolações e emendas inseridas ao longo dos séculos, respeitando o conteúdo original ao invés de favorecer conjecturas estilísticas. Para ele, uma edição crítica deveria distinguir as leituras originadas na tradição manuscrita das conjecturas de editores ou críticos anteriores. Essa prática meticulosa e conservadora, que preferia a “leitura do arquétipo” ao invés de intervenções conjecturais, refletia uma tentativa de manter o texto o mais próximo possível do original.

Impacto e limitações

O Novum Testamentum Graece et Latine de Lachmann exerceu um impacto duradouro na crítica textual do Novo Testamento, influenciando gerações subsequentes de estudiosos:

  1. Início das Edições Críticas Modernas: Lachmann iniciou uma nova fase na crítica textual, orientando-se por uma ampla análise manuscrita e influenciando edições críticas posteriores, como as de Tischendorf, Westcott e Hort, e Nestle-Aland, que permanecem influentes até hoje.
  2. Desenvolvimento do Método Genealógico: Sua aplicação do método genealógico, apesar de rudimentar para os padrões modernos, lançou as bases para o desenvolvimento de técnicas avançadas na reconstrução de textos antigos.
  3. Contribuição para a Filologia Reconstrutiva: O rigor de Lachmann em distinguir as leituras manuscritas originais de conjecturas contribuiu para uma abordagem mais objetiva na reconstrução de textos antigos, sendo considerado um pioneiro na filologia reconstrutiva.

Apesar de seu valor inovador, a edição de Lachmann apresentava limitações que foram, ao longo dos anos, supridas pela crítica textual moderna:

  • Seleção Limitada de Manuscritos: A dependência de um número restrito de manuscritos resultou em uma reconstrução textual que, embora precisa, não se beneficiava da amplitude de evidências disponíveis nos séculos seguintes.
  • Foco em Manuscritos Antigos: Lachmann priorizou textos do século IV, o que, embora metodologicamente coerente, limitou a inclusão de variantes preservadas em manuscritos posteriores que também poderiam refletir tradições autênticas.

Bíblia, suporte textual

A Bíblia foi escrita diversos suportes materiais ao longo do tempo.

Um dos primeiros materiais utilizados para escrever a Bíblia foi em superfícies sólidas, como a pedra. Na antiguidade, era comum gravar leis e outras informações importantes em pedras, como pode ser visto em Jó 19:23-24 e Js 8:32. Além da pedra, também foram utilizados materiais mais simples, como a óstraca — conchas, cacos de pedra e fragmentos de cerâmica —onde se escrevia com tinta ou riscava-se sobre a superfície lisa. Esses materiais eram comuns na época em que a Bíblia foi escrita e podem ser vistos em textos como Jr 17:13 e Ez 4:1. O estudo desses escritos é pela epigráfica.

O registro em suporte material flexível inclui o papiro e o pergaminho.

O junco ou papiro era uma planta multiuso nativa do Egito, utilizada para folhas escritas, roupas e barcos (cf. Ex 2:3; Is 18:2). Era comercializado pelos fenícios de Biblos (Is 23:3), de onde veio o termo biblos “rolo” e depois “Bíblia”. Durava cerca de 30 anos de uso, mas o clima seco do Egito permitiu a sobrevivência excepcional de vários papiros. Era um dos mais versáteis e baratos materiais para a escrita. “Peguei o livrinho (biblaridion) da mão do anjo e o comi. Em minha boca, era doce como mel, mas, quando o engoli, tornou-se amargo em meu estômago”. Ap 10:10

Outro material foi o pergaminho. O pergaminho (latim membrana) é um couro finíssimo e curtido, popularizado a partir do século III a.C. Às vezes eram raspados e reutilizados: os palimpsestos. “Quando vier, não se esqueça de trazer a capa que deixei com Carpo, em Trôade. Traga também meus livros e especialmente meus pergaminhos.” 2 Tm 4:13

Mais tarde foi utilizado o papel. O material surgiu na China por volta do ano 200 a.C. e produzido em massa a partir das melhorias de Cai Lun. No século VIII a produção chega a Damasco e a partir do século XII tornam-se mais comuns manuscritos da Bíblia em papel. O manuscrito mais antigo nesse suporte é uma bíblia armênia data de 1121. A Bíblia de Gutenberg teve 135 exemplares impressos em papel e 45 impresso em velo (um tipo de pergaminho). A partir do século XVI o papel passou a ser mais utilizado que o pergaminho para a confecção da Bíblia.

Com o advento da tecnologia, também surgiram suportes materiais digitais para a Bíblia. Em 1957, John Ellison criou a primeira concordância gerada por computador do mundo, e a partir dos anos 1980 surgiram as primeiras Bíblias em formato digital no mercado. Em 2008, o aplicativo YourVersion popularizou a Bíblia para celulares, e suas ferramentas de anotação e compartilhamento a transformaram em uma rede social de leitura coletiva.

Embora os suportes materiais tenham mudado ao longo do tempo, a recitação oral era o ideal para a fixação do texto na memória. A escrita em suporte material era secundária e auxiliar, conforme podemos ver em textos como 2 Co 3:3 e Sl 78:2-4. “Escrever no coração” é um idiomatismo presente mesmo no português: o verbo decorar. Cf. Êx 13:8-9, 14-16; Dt 6:20-23; Pv 3:3; 7:3; 25:1; Jr 17:1; 25:3,7-8.