Apócrifo de Gênesis

Literatura parabíblica que expande o livro de Gênesis. Sobrevive em fragmentos dos manuscritos aramaicos descobertos no Mar Morto (1QapGen ou 1Q20).

Datado de entre 250 aC e 50 dC, o Apócrifo de Gênesis reconta as narrativas de Lameque, Enoque, Noé e Abraão ao estilo de midrash. Notoriamente, expande a narrativa de Lameque. Menciona um “livro perdido”, o Livro das palavras de Noé.

O Apócrifo de Gênesis tenta retratar os patriarcas com um tom moralmente melhor e dar uma interpretação teológica de suas vidas.

O livro é uma fonte importante para o aramaico palestiniano médio e é um dos mais antigos testemunhos que cita o livro de Gênesis.

O Apócrifo do Gênesis tem cerca de 17 colunas, o que corresponde a cerca de 20 páginas na tradução para as línguas ocidentais. O manuscrito está incompleto, com algumas seções faltando, tornando difícil determinar o tamanho exato.

BIBLIOGRAFIA

García Martínez, Florentino; Tigchelaar, Eibert J. C. . The Dead Sea Scrolls: Study Edition. 2 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.

Fitzmyer, J. A. The Genesis Apocryphon of Qumran Cave I: A Commentary. 2d rev. ed.; Rome: Biblical Institute Press, 1971.

Reeves, J.C. Translation Of 1Q Genesis Apocryphon II-XXII.

Steiner, Richard C. “The Heading of the Book of the Words of Noah On a Fragment of the Genesis Apocryphon: New Light On a” Lost” Work1.” Dead Sea Discoveries 2.1 (1995): 66-71.

Stuckenbruck, Loren T. “The Lamech Narrative in the Genesis Apocryphon (1QapGen) and Birth of Noah (4QEnochc ar): A Tradition-Historical Study.” Aramaica Qumranica. Brill, 2010. 253-275.

Sete

Sete, em hebraico שֵׁ֑ת; e em grego Σηθ, nome de dois personagens bíblico, com significado incerto

Uma possibilidade é que o nome tenha sido escolhido por sua assonância com o verbo hebraico “shath”, que significa “designar”, sem necessariamente implicar uma relação direta de substituição.

Adicionalmente, pode significar “designado” ou “colocado”, sugerindo que ele foi um substituto para Abel, que foi assassinado por Caim.

  1. Sete, o terceiro filho de Adão e Eva, nascido após a morte de Abel (Gênesis 4:25). É o ancestral de várias linhagens genealógicas bíblicas (Gênesis 5:3, 4; 1 Crônicas 1:1; Lucas 3:38, cf. Eclesiástico 49:16)

De acordo com o Texto Massorético e a versão samaritana da Bíblia, Sete teve um filho chamado Enos quando tinha 105 anos, porém a Septuaginta indica 205 anos para esse evento. Sete viveu até os 912 anos de idade (Gênesis 4:26; 5:6-8).

O nascimento de Sete é apresentado em contraste com a linhagem de Caim, marcada pela violência e depravação. A partir do nascimento de Sete ha o início da prática de invocar o nome de Yahweh (Gênesis 4:26).

2. Filhos de Sete aparece em Números 24:17, em uma passagem obscura onde Balaão se refere a um povo inimigo de Israel. Seria possível corrupção do texto original ou um jogos de palavras que pode conectar os moabitas (o povo inimigo em questão) aos israelitas, descendentes de Sete. Jeremias 48:45 há algo similar, como “filhos do tumulto” (bnei sheth).

Abel

  1. Abel é o filho de Eva e Adão (Gn 4:1-15), pastor de ovelhas morto por seu irmão Caim, enciumado pela aceitação da oferta de seu irmão. A oferta das primícias de seu seu rebanho (cf. Números 18:17) foi recebida como justiça (Mt 23:35; Hb 11:4). Seu irmãos Caim, enciumado, o matou (Gn 4:8; 1 Jo 3:12). No Novo Testamento o sacrífico e oferta de Abel são exemplos de justiça (Mt 23:35; Lc 11:51; Hb 11:4; Hb 12:24; 1 Jo 3:12). A palavra abel הֶבֶל em hebraico significa fôlego, em grego Ἅβελ. No entanto, como nome próprio seu significado permanece obscuro.
  2. Em um sentido obscuro a palavra abel aparece como uma pedra no local que os filisteus devolveram a arca (1 Sm 6:18).

Canaã

1. Nome de um dos filhos de Cam e neto de Noé. Aparece pela primeira vez no perícope da embriaguez de Noé (Gn 9: 18-27), depois na Tabela das Nações (Gn 10: 6; Gn 15-20: 6) como irmão de Pute (Líbia), Cuche (Etiópia) e Egito.

2. Território ocupado pelos descendentes do epônimo Canaã, no Líbano e entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. Os limites de Canaã aparecem como termos de Sidon a Gerar, perto de Gaza, e do leste, até Sodoma, Gomorra, Admapa e Zeboim até Lassa (Gn 10:19).

Vistos como inimigos e idólatras na conquista israelitas (Dt 20: 16-18), várias comunidades parecem ter sobrevivido junto dos hebreus, além dos fenícios da costa. Em (Mt 15:22), Jesus encontra uma mulher cananeia.

A civilização sírio-cananeia ou semítica ocidental deixou vários legados culturais, como a escrita alfabética.

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