Apócrifo de Gênesis

Literatura parabíblica que expande o livro de Gênesis. Sobrevive em fragmentos dos manuscritos aramaicos descobertos no Mar Morto (1QapGen ou 1Q20).

Datado de entre 250 aC e 50 dC, o Apócrifo de Gênesis reconta as narrativas de Enoque, Noé e Abraão ao estilo de midrash.

O Apócrifo de Gênesis tenta retratar os patriarcas com um tom moralmente melhor e dar uma interpretação teológica de suas vidas.

O livro é uma fonte importante para o aramaico palestiniano médio e é um dos mais antigos testemunhos que cita o livro de Gênesis.

BIBLIOGRAFIA

García Martínez, Florentino; Tigchelaar, Eibert J. C. . The Dead Sea Scrolls: Study Edition. 2 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.

A vida dos profetas

A Vida dos Profetas é um apócrifo do Antigo Testamento, traduzido para o grego, latim, siríaco, armênio e árabe. A versão original, em hebraico, siríaco ou outra língua semítica, provavelmente foi publicada no século I d.C. e contém material parabíblico sobre a morte, frequentemente, por martírio dos profetas.

Trata-se de uma obra de religiosidade popular judaica com sucessivas interpolações cristãs.

Livros desaparecidos

Livros com títulos distintos citados no Antigo Testamento, mas que desapareceram:

  • Livro do Concerto (Ex 24:7)
  • Livro das Guerras do Senhor (Nm 21:14)
  • Livro de Jaser ou do Justo (Js 10:13, 2 Sm 1:18)
  • Livro dos Cânticos (1 Re 8:12-13 LXX)
  • Crônicas dos Reis de Judá e Israel (1 Re 14:19, 14:29, 16:20)
  • Livro de Semaías e (midrash) visões de Ido (2 Cr 9:29, 12:15, 13:22)
  • Direito do Reino (1 Sm 10:25)
  • Atos de Salomão (1 Re 11:41)
  • Anais de Davi (1 Cr 27:24)
  • Crônicas de Samuel, o vidente (1 Cr 29:29)
  • Crônicas de Natã, o profeta (1 Cr 29:29; 2 Cr 9;29)
  • Crônicas de Gade, o vidente (1 Cr 29:29)
  • Profecia de Aías (2 Cro 9:29)
  • Livro dos Reis de Judá e Israel (2 Cr 16:11, 2 Cr 27:7, 2 Cr 32:32)
  • Livros (midrash) dos Reis (2 Cr 24:27)
  • Crônicas de Jeú (2 Cr 20:34)
  • Atos de Uzias (2 Cr 26:22)
  • Visão de Isaias (2 Cr 32:32)
  • Atos dos Reis de Israel (2 Cr 33:18)
  • Livros dos Videntes (2 Cr 33:19)
  • Lamentos por Josias (2 Cr 35:25)
  • Crônicas de Assuero (Et 2:23. 6:1, 10:2, Ne 12:23)

Um livro que não era copiado simplesmente se deteriorava. Um papiro durava em média 30 anos de uso e um pergaminho quase um século. Textos que não foram canonizados para o uso no culto e na vida religiosa, mesmo que fossem fontes, eram demasiados custosos para serem copiados e mantidos.

Guerras também contribuíram para as perdas. Há tradições de que as coleções de livros sagrados foram destruídos na Queda de Jerusalém (século VI a.C.), na Guerra dos Macabeus (c.164 a.C.) e nas revoltas judaicas de 68-70 d.C. e dos meados do século II d.C.

Provavelmente muito do conteúdo desses livros sobreviveu incorporado aos textos bíblicos, especialmente nos livros que referiram sobre eles.

No Novo Testamento há alusões a obras desaparecidas:

  • 3 Coríntios (1 Co 5:9; 7:1)
  • Epístola prévia aos Efésios (Ef 3:3)
  • Epístola aos Laodicenses (Cl 4:16)
  • Obra desconhecida (Mt 2:23)
  • Obra desconhecida sobre o Gênesis (1 Co 15:45)
  • Obra desconhecida (1 Co 2:9)
  • Obra desconhecida (Lc 24:46)
  • Obra desconhecida (Mc 9:12)

Apócrifa

Grupo de livros ou partes de livros que eram aceitos como sagrados e dotados de autoridade somente por algumas comunidades, sobretudo de língua grega, no período do Segundo Templo. Foram integrados à Septuaginta e incluídos com ressalvas na Vulgata latina por Jerônimo. No Renascimento, com o advento das edições impressas, da Reforma e avanços da filologia bíblica sua canonicidade era questionada. O protestantismo aderiu ao cânone menor, similar ao da Bíblia Hebraica mantida pelos judeus, enquanto os católicos romanos sancionaram os deuterocanônicos nos concílios de Florença (1442) e Trento (1545 – 1563).

Cristãos ortodoxos gregos e católicos romanos os consideram canônicos sob a designação de deuterocanônicos. Para o protestantismo, judaísmo rabínico, caraísmo e samaritanismo não são considerados canônicos, embora sirvam como fontes históricas ou literárias.

Deuterocanônicos católicos e ortodoxos (grego e eslavônico)
Tobias
Judite
Adições ao livro de Ester (Ester 10-6)
Sabedoria de Salomão
Eclesiástico (Sabedoria de Jesus, o Filho de Siraque, Sirácida)
Baruque
Carta de Jeremias (Baruque 6)
As Adições ao Livro de Daniel (Daniel 3:24-90; 13-14)
Oração de Azarias e a Canção dos Três Judeus
Susanna
Bel e o Dragão
1 Macabeus
2 Macabeus

Deuterocanônicos gregos e eslavônicos; não no cânon católico romano
1 Esdras (= 2 Esdras eslavônico = 3 Esdras em apêndice na Vulgata)
Oração de Manassés (no Apêndice da Vulgata)
Salmo 151
3 Macabeus

Em apêndice no cânone eslavônico, não no grego, em apêndice na Vulgata
4 Macabeus

Em apêndice no cânon grego
2 Esdras (= 3 Esdras em eslavônico = 4 Esdras em apêndice na Vulgata)

Outros livros de aceitação limitada (como nos cânones armênio, etíope, georgiano e algumas recensões da Vulgata) ou rejeitados são referidos como pseudoepígrafa. Adicionalmente, obras que reescrevem os livros canônicos são chamados de literatura parabíblica.