Samuel

Juiz e profeta que governou Israel no final do período dos juízes e ungiu os dois primeiros reis.

Samuel é o protagonista no início do primeiro dos dois livros que levam seu nome.

Samuel foi dedicado a Deus desde o nascimento por sua mãe, Ana (1Sam 1). Morando no tabernáculo quando menino, respondeu à voz de Deus para dar o oráculo: uma denúncia contra a casa de Eli, cujos filhos haviam corrompido o culto ao Senhor (1Sm 3:1-14; 1Sm 2:12-17).

Samuel assumiu o papel de juiz. Conteve os filisteus e fazia visitas periódicas às cidades onde julgava os casos que lhe eram apresentados (1Sm 7:13-17).

Em sua velhice, os israelitas pediram um rei (1Sm 8) e, com certa relutância, Samuel ungiu Saul como rei (1Sm 9:1-10:27). Mais tarde, ele rejeitou Saul (1Sm 13:7-14; 1Sm 15:10-29) e ungiu Davi (1Sm 16:1-13).

Após sua morte, uma negromante invoca seu espírito em (1Sm 28), quando Saul espera-lhe um oráculo favorável. O espírito, no entanto, condena Saul.

Ana

Em hebraico Hannah, חַנָּה, em grego Ἄννα, “graciosa”, refere-se a duas mulheres nas Escrituras.

(1) A mulher que, ansiosa por ser mãe, votou ao Senhor e seu pedido foi concedido com o nascimento de Samuel. (1 Sm 1-2: 21).

Ana é uma das duas esposas de Elcana, da região de Efraim (1Sm 1:1) na fase final do período dos juízes. Mas diferente da outra esposa, Penina, que teve filhos, Ana buscou no Senhor solução para sua esterilidade.

Em uma de suas peregrinações ao santuário de Siló, sua súplica e voto são encarados pelo sacerdote Eli como embriaguez. Ao se informar melhor, o sacerdote dispensou-a em paz. O cântico de Ana é análogo ao de Maria (Lucas 1:46-55) e ambas celebram um nascimento miraculoso e louva a Deus, que faz justiça nesse mundo (1Sm 2:1-10).

(2) Uma profetisa da tribo de Asser .Juntamente com o profeta Simeão, Ana testemunhou a dedicação do menino Jesus no Templo. Regozijou na esperada redenção de Israel (Lucas 2:22-38).

Rute

Livro e personagem bíblico, Rute é um romance do ponto de vista do quádruplo de vulnerabilidade: a pobre, a viúva, a estrangeira e a órfã. A viúva Rute deixa seu país, Moabe, acompanhando sua sogra para o país dos israelitas. Lá se casa com Boaz e o casal seria ancestrais do rei Davi.

O final feliz meio às adversidades prova a fidelidade do voto de Rute à sua sogra: “Disse, porém, Rute: Não me instes para que te deixe e me afaste de ti; porque, aonde quer que tu fores, irei eu e, onde quer que pousares à noite, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus. Onde quer que morreres, morrerei eu e ali serei sepultada; me faça assim o Senhor e outro tanto, se outra coisa que não seja a morte me separar de ti” (Rt 1:16-17).

No cânone da Septuaginta e cristão o Livro de Rute aparece entre o Livro de Juízes e o livro de 1 Samuel. Já no cânone hebraico Rute aparece entre os Escritos (Ketuvim ou Hagiógrafa), da mesma época de Esdras, Neemias e Crônicas. Essa classificação como Hagiógrafa indica ser uma composição tardia e oferece um interessante contraponto à política contra casamentos mistos desse período. Entretanto, a configuração do Livro de Rute em conjunto com outros livros da História Deuteronomística apresenta uma harmonia sem igual, pois se trata da aplicação prática da Torá tanto materialmente quanto processualmente.

Os cumprimentos das obrigações éticas, legais, morais e de justiça social instruídas aos israelitas servem como exemplo de como deveriam ser cumpridas a Torá, a instrução ou lei, de Deus.