Epektasis

Epektasis ou Epectase é um conceito teológico desenvolvido por Gregório de Nyssa, um dos Pais da Igreja do século IV, que se refere à jornada eterna da alma redimida em direção a Deus.

Derivado do grego, o termo significa “extensão” ou “alongamento” e encapsula a ideia de que a busca da alma por Deus é um processo contínuo e dinâmico, em vez de um estado fixo.

A noção de epektasis enfatiza que a alma, criada à imagem de Deus, possui um desejo intrínseco de união com o divino. Essa busca é caracterizada como insaciável e eterna, refletindo a crença de Gregório de que a perfeição divina nunca pode ser totalmente alcançada nesta vida.

Assim, a jornada espiritual é vista como um processo interminável de crescimento e transformação, onde a alma se expande continuamente para receber e refletir a luz divina.

Gregório argumentou que essa ideia de progresso espiritual é central para a vida cristã. Em vez de ver a felicidade e a perfeição como metas finais, ele propôs que o verdadeiro valor reside na experiência da transformação contínua e na busca pela comunhão com Deus.

A epektasis sugere que a vida espiritual deve ser uma constante aspiração por um estado mais elevado de ser e entendimento.O conceito de epektasis teve um impacto significativo na teologia cristã oriental, influenciando discussões sobre a natureza da salvação e o estado da alma após a morte. 

Estado intermediário

O estado intermediário refere-se ao estado do ser humano entre a morte e a ressurreição.

Seria uma fase de transição, nem a bem-aventurança final dos salvos, nem a condenação final dos perdidos. As referências bíblicas mais utilizadas para tal estado são Lucas 16:24; 2 Coríntios 5:8; Apocalipse 6:11; Hebreus 11:39, 40, além da passagem da transfiguração. Termos como seol ou hades aparecem associados com esse estado intermediário.

No geral, as teorias sobre o estado intermediário postulam continuidade da consciência após a morte, com os crentes experimentando um estado de descanso tranquilo enquanto aguardam a ressurreição. Adicionalmente, o entendimento ocidental majoritário é que esse estado é estático, sem possibilidades de redenção nele.

Alternativas incluem noções de sono da alma, o mortalismo (não confudir com o aniquilacionismo), o purgatório e o limbo, a transcendência do tempo, a telonia, a imortalidade objetiva. No geral, a adoção de uma ou outra teoria dependente dos pressupostos de antropologia teológica.

No estado intermediário haveira um profundo contraste entre o conforto dos redimidos e o tormento dos ímpios. A Cristandade Oriental mantém cautela acerca desse estado, enquanto a Cristandade Ocidental oferece interpretações definidas através do discurso teológico e de referências históricas, com alusões mais antigas na Paixão de Perpétua e Felicidade. Teólogos ocidentais como Agostinho, Boécio, Anselmo e Aquino discutiram extensivamente acerca desse estado.

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Estado final

Reencarnação

Reencarnação refere-se especificamente à crença no renascimento de uma alma humana em outro corpo humano. Implica a continuação da consciência e identidade individual através de múltiplas vidas.

É uma perspectiva sobre o além vida comum no hinduísmo, budismo, no espiritismo kardecista e algumas crenças dos movimentos populares diversos chamados de Nova Era.

Muitas vezes associada ao karma, onde as ações em uma vida determinam a qualidade da seguinte.

Uma passagem apontada para apoiar a ideia de reincarnação é João 1:19-20. Perguntaram se João Batista se ele seria Elias. O qual ele negou.

Em contrapartida, um verso nega a possibilidade de reincarnação:

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo”. Hebreus 9:27.

Vale diferenciar reencarnação, transmigração da alma e metempsicose.

ReencarnaçãoTransmigraçãoMetempsicose
Tipo de renascimentoSomente humanoQualquer forma (humano, animal, não-vivo)Seres sentietes (humano e animal)
ÊnfaseIdentidade individual e karmaCiclo de existênciaJornada e aprendizado da alma
OrigemReligiões indianas, Budismo, KardecismoFilosofia grega, tradições orientaisFilosofia grega, adaptações modernas

Mortalismo

O mortalismo ou oblívio eterno é uma perspectiva do estado pós-vida de que a morte é o fim da existência e que não existe céu, inferno ou outra forma de vida após a morte.

Esta posição é rejeitada pelas principais religiões abraâmicas, que ensinam alguma forma de vida após a morte. No entanto, o mortalismo tem uma longa história dentro destas tradições e tem sido defendido por vários teólogos e filósofos proeminentes.

Os saduceus eram uma seita judaica ativa durante o período do Segundo Templo. Eles também negaram a existência de vida após a morte, de anjos e da ressurreição dos mortos.

Uriel Acosta foi um filósofo e teólogo português nascido em uma família judia, mas posteriormente convertido ao cristianismo. Mais tarde, foi excomungado da Igreja Católica por suas crenças pouco ortodoxas, incluindo sua negação da imortalidade da alma. Acosta finalmente retornou ao judaísmo, mas foi novamente excomungado por suas crenças. Acosta acabou cometendo suicídio, deixando uma nota na qual defendia seus pontos de vista e expressava sua esperança de que simplesmente deixaria de existir após a morte.

O bispo Sinésio de Cirene foi um bispo cristão do século V. Influenciado pelo neoplatonismo, era um defensor ferrenho do livre arbítrio e negou a existência de uma vida após a morte, que considerava incompatível com o livre arbítrio. Sinésio argumentou que se houvesse vida após a morte, então Deus seria capaz de forçar as pessoas a escolhê-lo, o que violaria seu livre arbítrio.

Durante o iluminismo o mortalismo foi adotado por deistas como Thomas Hobbes, John Locke e David Hume. É uma perspectiva amplamente difundida entre adeptos de uma visão materialista de universo.

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Teoria da morte total

Estado pós-morte

O estado pós-morte ou pós-vida é uma área da escatologia que discute o destino pessoal dos seres humanos ao final da vida.

Do período pré-exílico ao final do período persa havia uma vaga noção da existência após a morte. O sheol seria o local dos mortos.

No Judaísmo da Antiguidade Tardia, surgiram diversas perspectivas sobre a vida após a morte. Quatro pontos de vista principais sobre a existência depois da morte ganharam destaque.

A primeira perspectiva, “Ressurreição do Corpo”, destaca o reavivamento físico. Textos como Daniel e 2 Macabeus enfatizam a restauração da vida do corpo, concentrando-se na existência corporal e não na jornada independente da alma.

Por outro lado, o segundo ponto de vista, “Imortalidade da Alma”, enfatiza a existência eterna da alma, independentemente do destino do corpo. A Sabedoria de Salomão e 4 Macabeus pressupõem esta perspectiva, sugerindo uma forma de vida contínua sem necessariamente depender da ressurreição corporal.

A terceira perspectiva, uma “Síntese de Corpo e Alma”, busca uma integração harmoniosa de ambos os elementos. Pseudo-Focilides e 4 Esdras representam esta visão, propondo um estado futuro onde a imortalidade da alma coexiste com a ressurreição do corpo, prevendo uma vida após a morte holística.

Contrastando estas perspectivas, a quarta visão nega qualquer existência post-mortem, defendendo o esquecimento ou o nada após a morte. Textos como Eclesiastes e Siraque, juntamente com certas inscrições dispersas, não apresentam a ideia de uma vida após a morte tanto para o corpo como para a alma, algo chamado de mortalismo.

O cristianismo aparentemente desde o início defendeu a ressurreição do corpo, com algumas perspectivas de síntese do corpo e da alma. Contudo, houve casos de mortalismo, como bispo Sinésio de Cirene. O estado intermediário ficou sem alguma precisão teológica no primeiro milênio da cristandade.

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