Risveglio

O risveglio italiano (réveil em francês, revival em inglês, Erweckung em alemão) fez parte de vários movimentos de renovação espiritual ou avivamento que no século XIX se espalharam pela Europa continental.

Na década de 1810 iniciou-se um avivamento em Genebra, animado por pregadores ingleses depois da derrota de Napoleão, logo se esparramou pela Itália por ação de Félix Neff.

Este avivamento foi movidos por um ímpeto missionário. Essas missões muitas vezes foram realizado não pelas estruturas organizacionais das denominações, mas por associações livres de crentes, bem como um fervor reformista dentro das Igrejas, que também poderia levar à separação em comunidades livres. Na Itália ocorreu um avivamento entre as igrejas valdenses, as igrejas livres (Chiesa Cristiana Libera in Italia e Chiesa dei Fratelli) e as denominações fundadas por missionários de língua inglesa (batistas, metodistas, anglicanos, Exército de Salvação).

A repressão ultramontana e o reacionarismo político dificultaram a pregação do evangelho na Itália, mas abriram muitas possibilidades no exterior. Muitos exilados por razões políticas também encontraram o evangelho, formando igrejas italianas em Londres e Genebra. Uma consequência foi a aliança entre ativistas liberais e evangélicos, defendendo uma Itália unida na qual haveria uma “Igreja livre em um Estado livre” (Libera chiesa in libero stato). Coincidia também com o anseio pela emancipação civil e a justiça social.

A migração, de crentes ou não, possibilitou a formação de igrejas longes do controle paroquial católico. Assim, surgiram comunidades evangélicas italianas no Uruguai, Argentina, Brasil, mas seria especialmente nos Estados Unidos que um movimento evangélico floresceria.

Dentre os principais atores se destacam Paolo Geymonat, Conde Piero Guicciardini, Bonaventura Mazzarella, Pietro Taglialatela, Alessandro Gavazzi, Carolina Dalgas, dentre outros.

Em 1861 nasceu o Reino da Itália. Nele, os evangélicos criaram escolas para os analfabetos, orfanatos, eram próximos aos imigrantes, apoiavam os mais necessitados, faziam contribuições importantes no campo da cultura, especialmente na investigação histórica ou na filologia bíblica. Renasceu o interesse pela hinologia, pela diaconia e pelas escolas dominicais.

Em muitos aspectos o risveglio lançou os trilhos para depois florescer o grande avivamento pentecostal.

Paolo Geymonat

Paolo Geymonat (1827 – 1907) foi pastor valdense e professor da Faculdade de Teologia valdense. Como evangelista e teólogo do movimento de risveglio influenciou a formação espiritual de uma geração de evangélicos italianos.

Estudou na Genebra na École de Théologie de l’Oratoire, ligada ao réveil, o movimento de avivamento entre os suíços. Esteve por um breve período em Württemberg para aperfeiçoar sua educação.

Em 1849, foi enviado a Florença e Roma para apoiar a missão de evangelização iniciada na esteira do movimento do Risorgimento. Em Florença se juntou ao pastor Bartolomeo Malan na obra de evangelização. Descoberto pela polícia durante uma reunião de oração, Geymonat foi preso e expulso do Grão-Ducado da Toscana.

Posteriormente trabalhou em Turim e a partir de 1851 em Gênova e onde teve Bonaventura Mazzarella como colaborador. Nessa época atendeu os novos convertidos da cidadezinha de Favale di Malvaro, maior parte da família de menestreis, os Cereghino.

Com a fundação da Escola de Teologia de Torre Pellice foi chamado para lecionar. A transferência da Escola de Teologia para Florença resultou na organização da Igreja Valdense naquela cidade.

Junto com Alessandro Gavazzi, Geymonat buscava a unificação das Igrejas Evangélicas Italianas e foi incumbido de fazer um estudo doutrinal sobre a possibilidade de alcançar esta união.

Depois de sua emeritação em setembro de 1902 faleceria em Florença.

Sua teologia é tipicamente do réveil genebrino. Para Geymonat a fé se expressa como uma experiência íntima de comunhão com Cristo, por meio da qual Deus revelou a verdade. Defendia a doutrina da inspiração plenária da Bíblia e do alcance universal do sacrifício de Jesus Cristo.

Foi professor de Filippo Grilli, ao qual transmitiu sua teologia à Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, formada por muitos convertidos ou seus descendentes do trabalho evangelístico de Geymonat.