Walter Brueggemann

Walter Brueggemann (1933-2025) foi um biblista e teólogo congregacionalista americano.

Como exegeta, Brueggemann investigou o Antigo Testamento. Escreveu vários comentários acerca de diversos livros do Antigo Testamento. Neles, combinou uma análise pela tradição profética hebraica e mediante a imaginação sociopolítica da Igreja.

Em sua teologia, Brueggeman enxerga na Igreja a missão de fornecer uma contra-narrativa para as forças dominantes do consumismo, militarismo e nacionalismo.

Central para o pensamento de Brueggemann é o conceito de imaginação profética, introduzido em seu livro de 1978, The Prophetic Imagination. Ele argumenta que os profetas bíblicos, como Moisés, Jeremias e Isaías, não eram meros adivinhos, mas vozes alternativas que se levantavam contra sistemas opressores dominantes, sejam eles o Faraó do Egito, a monarquia corrupta de Israel ou os impérios invasores.

A imaginação profética opera em duas frentes principais: primeiro, ela envolve a crítica da consciência dominante, desmascarando as ideologias desumanizadoras que sustentam o poder político e econômico. Segundo, ela canaliza a energia para a realidade alternativa, articulando esperança e novas possibilidades enraizadas na aliança e na justiça de Deus. Brueggemann salienta que a linguagem poética é fundamental para essa tarefa profética, pois as metáforas, lamentações e doxologias dos profetas rompem com o pensamento convencional e abrem espaço para novas visões.

Brueggemann consistentemente sublinha a centralidade da aliança na fé bíblica, seja a aliança abraâmica, mosaica ou davídica. Para ele, a aliança estabelece o fundamento relacional da conexão de Yahweh com Israel, caracterizada por fidelidade e obrigações mútuas.

Essa teologia da aliança não é meramente histórica; ela possui uma ética subversiva intrínseca. Ao priorizar a justiça para os vulneráveis — viúvas, órfãos e imigrantes — a aliança desafia e subverte sistemas exploradores. Consequentemente, a tensão com o império é uma característica recorrente da identidade da aliança de Israel, que frequentemente entra em conflito com potências imperiais como o Egito, a Babilônia e Roma.

Brueggemann aborda as Escrituras não como um texto estático, mas como uma conversa contínua. O biblista reconhece a presença de testemunho e contra-testemunho dentro da Bíblia, onde vozes diversas, por vezes conflitantes, apresentam diferentes facetas de Deus — justo e misterioso, presente e ausente.

Sua abordagem é marcada por uma interpretação pós-crítica, que integra métodos histórico-críticos com leituras literárias e teológicas, valorizando o poder transformador do texto. Para Brueggemann, a Escritura funciona como um roteiro, oferecendo um guia para uma vida fiel e convidando as comunidades a reimaginar suas próprias histórias dentro de sua vasta estrutura.

Brueggemann revitalizou a teologia do lamento, notavelmente em The Message of the Psalms (1984). Argumentava que o luto, expresso nos salmos de lamento, é necessário para perturbar um otimismo falso e superficial, abrindo caminho para uma esperança autêntica. Para ele, a esperança não é uma passividade, mas um ato de resistência contra o desespero, firmemente enraizado nas promessas e nos atos libertadores de Deus, como o Êxodo, o retorno do Exílio e a Ressurreição.

A teologia de Brueggemann não se restringe ao domínio acadêmico; ela se estende a um engajamento com questões sociais contemporâneas. Foi um crítico ferrenho da justiça econômica moderna, denunciando o neoliberalismo e o consumismo e defendendo uma redistribuição mais equitativa dos recursos, como explorado em God, Neighbor, Empire (2016).

Além disso, Brueggemann incorporou a ecoteologia em seu pensamento. Aliava o cuidado com a criação como uma responsabilidade intrínseca à aliança de Deus. Também promovia ativamente a promoção da paz, questionando o militarismo e a violência com base nas tradições proféticas da Bíblia.

A influência de Brueggemann se estende à pregação e ao ministério. Encorajava os pregadores a ver a pregação como subversão, desafiando as suposições culturais dominantes e capacitando as vozes marginalizadas. Sua teologia pastoral enfatiza o papel vital da igreja no cultivo de comunidades alternativas de esperança, onde a fidelidade a Deus se manifesta em práticas de justiça e compaixão.

BIBLIOGRAFIA SELETA
Brueggeman, Walter. The Prophetic Imagination (1978).

Brueggeman, Walter. Theology of the Old Testament (1997)

Brueggeman, Walter. The Message of the Psalms (1984)

Brueggeman, Walter. Sabbath as Resistance (2014).

Salmos 152-155

Os Salmos 152-155 são salmos extra-canônicos registrados na Peshitta Siríaca. Dois deles (Salmo 154 e 155) também são encontrados no grande rolo de Salmos do Mar Morto em hebraico. Juntamente com o Salmo 151, formam os chamados “cinco salmos apócrifos” ou os “Cinco Salmos Siríacos”.. Os Salmos 152 a 155 são encontrados em dois manuscritos bíblicos siríacos e vários manuscritos do “Livro da Disciplina” de Elias de Anbar. Foram identificados pelo bibliotecário orientalista Giuseppe Simone Assemani em 1759. ou os “Cinco Salmos Siríacos”.

O Salmo 152, “Falado por Davi quando estava contendendo com o leão e o lobo que levaram uma ovelha de seu rebanho”, sobreviveu apenas em siríaco, embora a língua original possa ter sido o hebraico. O texto tem seis versículos, o tom é não rabínico, e provavelmente foi composto em Israel durante o período helenístico (c.323–31 a.C.).

O Salmo 153, “Falado por Davi quando agradecia a Deus, que o havia livrado do leão e do lobo e ele havia matado ambos”, sobreviveu apenas em siríaco. A data e a proveniência são semelhantes ao Salmo 152.

O Salmo 154 sobreviveu em manuscritos bíblicos siríacos e também foi encontrado em hebraico, no Rolo do Mar Morto 11QPs(a)154, um manuscrito do século I d.C. Também chamado de “A Oração de Ezequias quando inimigos o cercaram”.

O Salmo 155 está preservado em siríaco e também foi encontrado no Rolo do Mar Morto 11QPs(a)155, um manuscrito hebraico do século I d.C. O tema deste salmo é semelhante ao do Salmo 22, e devido à falta de peculiaridades, é impossível sugerir data e origem, exceto que sua origem é claramente pré-cristã.

VEJA TAMBÉM

Salmo 151

Salmos de Salomão

Elefantina

Asafe

Asafe, filho de Berequias, ancestral dos asafitas, uma guilda de músicos do Primeiro Templo (1 Cr 16:4-5, 25). É atribuído a Asafe (ou à moda de Asafe) doze Salmos de Asafe.

Os Salmos de Asafe são numerados como 50 e 73-83 no Texto Massorético e 49 e 72-82 na Septuaginta. Apesar de variados, há em comum um tema do julgamento de Deus e como o povo deve seguir sua Lei.

Muitos desses salmos são lamentos e falam sobre a futura devastação, mas esperando a misericórdia de Deus e o poder salvador para o povo.

Outra característica desses salmos é o uso da palavra “selá.”

Salmo 151

O Salmo 151 é um salmo normalmente considerado apócrifo em várias tradições ocidentais e judias com base no Texto Massorético, mas parte do cânone ortodoxo e presente entre os manuscritos do Mar Morto e em algumas edições da Vulgata.

O Salmo 151 tem uma sobrescrição davídica e é situado no evento de Davi e Golias. Narra a história do jovem Davi, dentro dos relatos de 1 Sam 16–17. O salmo é atribuído a Davi e descreve seu humilde começo como pastor e sua eventual ascensão ao poder como rei de Israel. Ele ecoa a unção de Davi como rei e sua vitória sobre o gigante Golias.

Pela sua ausência no Texto Massorético, imaginou-se por muito tempo que seria uma composição originalmente em grego. No entanto, aparece junto com vários salmos não canônicos no Rolo dos Grandes Salmos (1QPsalmsa) nos Manuscritos do Mar Morto. Essa descoberta demonstrou que, na realidade, a versão da Septuaginta é uma tradução abreviada desse salmo em hebraico. A versão grega é chamada de Salmo 151A e a do Mar Morto de Salmo 151B.

1. Eu era pequeno entre meus irmãos
e o mais novo na casa de meu pai;
Eu cuidava das ovelhas do meu pai.

2 Minhas mãos fizeram uma harpa;
meus dedos formaram uma lira.

3 E quem dirá ao meu Senhor?
O próprio Senhor; é ele quem ouve.

4 Foi ele quem enviou seu mensageiro
e me tirou das ovelhas de meu pai
e me ungiu com o seu óleo de unção.

5 Meus irmãos eram bonitos e altos,
mas o Senhor não se agradou deles.

6 Saí ao encontro do estrangeiro,
e ele me amaldiçoou por seus ídolos.

7 Mas eu desembainhei sua espada;
Eu o decapitei e removi a desgraça do povo de Israel.

BIBLIOGRAFIA

Cortés, Maicol A. “The Messianic Davidic Expectations of Psalms 151A and 151B, and Their Theology.” TheoRhēma 17.2 (2022): 5-17.

Witt, Andrew C. “David, the” Ruler of the Sons of His Covenant”(…): The Expansion of Psalm 151 in 11QPs a.” Journal for the Evangelical Study of the Old Testament 3.1 (2014).

Coré, Coratitas

Coré, levita, cuja rebelião é mencionada em Nm 16-17. Os filhos de Coré, ou sua linhagem, aparece no censo dos israelitas nas planícies de Moabe (Nm 26:9-11, 58). Adicionalmente, a linhgagem dos coratidas aparence na passagem das filhas de Zelofeade (Nm 27:3).

Vários salmos são atribuídos aos coratitas: 42, 44-49, 84-85, 87-88. Aparecem como ministrando como cantores no tempo de Davi (1 Cr 26:19), com última menção no tempo de Josafá (2 Cr 20:19-19). Depois do exílio aparecem como porteiros e padeiros do templo (1 Cr 9:19, 31).

BIBLIOGRAFIA

Goulder, Michael D. The Psalms of the sons of Korah. Vol. 1. Bloomsbury Publishing, 1982.

Kislev, Itamar. “What Happened to the Sons of Korah? The Ongoing Debate Regarding the Status of the Korahites.” Journal of Biblical Literature 138, no. 3 (2019): 497-511.

Magonet, Jonathan. “The Korah Rebellion.” Journal for the Study of the Old Testament 7, no. 24 (1982): 3-25.

Mitchell, David C. “‘God Will Redeem My Soul from Sheol’: The Psalms of the Sons of Korah.” Journal for the Study of the Old Testament 30, no. 3 (2006): 365-384.

Toy, Crawford Howell. “The Date of the Korah-psalms.” Journal of the Society of Biblical Literature and Exegesis 4, no. 1/2 (1884): 80-92.