Hilquias

Hilquias, em hebraico חִלְקִיָּה, Deus é minha porção. É o nome de vários personagens do Antigo Testamento, boa parte ligados a tribo de Levi e ao sacerdócio.

  1. Hilquias pai de Eliaquim (2 Re 18:18, 26, 37).
  2. Hilquias sumo sacerdote durante o reinado do rei Josias de Judá (2 Re 22:4–14).
  3. Hilquias, um levita e filho de Anzi (1 Cr 6:45–46).
  4. Hilquias filho de Hosa (1 Cr 26:11) e porteiro do tabernáculo.
  5. Hilquias, o sacerdote que participou da leitura pública da Lei com Esdras (Ne 8:4; 11:11).
  6. Hilquias, o sacerdote que voltou do cativeiro com Zorobabel (Ne 12:7).
  7. Hilquias, pai do profeta Jeremias (Jr 1:1).
  8. Hilquias, pai de Gemarias, contemporâneo de Jeremias (Jr 29:3)

Bíblia Hesiquiana

Hesíquio de Alexandria (?-c.300) foi um exegeta que produziu a Bíblia Hesiquiana, uma recensão da Septuaginta e partes do Novo Testamento (possivelmente, os quatro evangelhos).

Hesíquio teria sido bispo de um lugar no Egito no século III e é confundido com lexicógrafo homônimo.

Esta recensão é mencionada por Jerônimo como obra de Hesíquio com a colaboração de Luciano de Antioquia. Segundo Eusébio (Hist. Ecl.8.13.7), um tal Hesíquio foi martirizado sob Diocleciano com três contemporâneos: Pacômio, Fileas e Teodoro. Os quatro mártires escreveram uma carta datada de 296 d.C. a Melício, bispo cismático de Licópolis, no Alto Egito, repreendendo-o por ordenações irregulares

No século IV as igrejas do Egito e em Alexandria utilizavam a Septuaginta Hesiquiana ao invés da edição de Orígenes. Jerônimo (Praef. in Paral.; Adv. Ruf. 2,27) critica Hesíquio, acusa-o de interpolação em Isaías 58:11 (Comm. em Is. ad. 58, 11) e de falsas adições ao texto bíblico (Praef. em Evang.). O Decretum Gelasianum alude aos “evangelhos que Hesíquio forjou” e chama-os de apócrifos.

Léxico de Hesíquio

O Léxico de Hesíquio de Alexandria (c.380-c450 d.C.) foi um gramático e estudioso greco-egípcio, filólogo e lexicógrafo ativo no século IV dC. Não deve ser confundido com seu homônimo, o exegeta Hesíquio de Alexandria.

Hesíquio escreveu um dicionário enciclopédico da língua grega e seus dialetos. Compilou o maior mais de 51.000 verbetes. Listou palavras, formas e frases peculiares, com uma explicação de seu significado. Às vezes referencia o autor ou a região da Grécia que empregam um termo.

Em sua introdução, Hesíquio credita que sua enciclopédia teve influência de outras. Uma foi a de Diogenianos, que por sua vez baseou-se em uma obra anterior de Pânfilo de Alexandria. Outras foram do gramático Aristarco de Samotrácia, Ápion, Amerias e de outros.

As notas sobre epítetos e frases também elucidam sobre a sociedade antiga e a vida social e religiosa.

Sua obra sobreviveu em um único manuscrito praticamente intacto do século XV assinado Marciano graecus 622 preservado na biblioteca de San Marco, Veneza (Marc. Gr. 622). Foi impressa pela primeira vez por Marcus Musurus (edição Aldina) em Veneza em 1514, reeditado em 1520 e 1521. Desde então, somente no século XIX foi reeditada por Moriz Wilhelm Constantin Schmidt (1858–1868) em 5 volumes. A Real Academia Dinamarquesa de Belas Artes de Copenhague subsidiou uma edição moderna. Sob a direção de Kurt Latte, teve dois volumes publicados, o primeiro em 1953, e postumamente em 1987. Posteriormente, o filólogo britânico Allan Peter Hansen completou um terceiro volume em 2005.

Crítica histórica

A crítica histórica visa compreender tanto o conteúdo (eventos, discursos) quanto os próprios textos que os registram, considerando autoria, circunstâncias da época da composição e funções do texto para suas primeiras audiências.

A crítica histórica utiliza métodos e teorias da historiografia aplicada à Bíblia.

A crítica histórica é, por vezes, sinônimo de exegese. No entanto, trata-se de uma abordagem diacrônica, sem precisar levar em conta outros aspectos como recepção teológica ou literária. Visa reconstruir os sentidos propostos no texto.

Há duas grandes vertentes, o método histórico-crítico e o método histórico-gramatical. Alguns autores e tradições tratam essas duas vertentes como sinômimos. Ambas surgiram da historiografia do Iluminismo, consolidando-se no final do século XVIII e passaram por transformações posteriores. Hoje, o método histórico-crítico é o preferido em ambiente acadêmico enquanto o método histórico-gramatical é popular em contextos pastorais, devocionais e confessionais. Não se sustenta uma susposta diferenciação ideológica entre método histórico-gramatical servindo a teólogos “conservadores” e o método histórico-crítico servindo a teólogos “liberais”. Ambos métodos são empregados por exegetas de orientações teológicas diversas ou mesmo sem ter filiação religiosa.

Desde os anos 1970 consolidaram-se críticas às abordagens históricas. Abordens sincrônicas — literárias, canônicas — ou contextuais demonstraram as limitações dos métodos históricos para a leitura bíblica. No entanto, essas críticas refinaram os métodos e uma leitura histórica da Bíblia é possível.

BIBLIOGRAFIA

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Sparks, Kenton L. God’s word in human words: An evangelical appropriation of critical biblical scholarship. Baker Academic, 2008.

Enxúndia

Enxúndia; substantivo camada gordurosa em um animal, tecido adiposo. No latim anxugia (de onde vem essa palavra) refere-se à gordura leve, geralmente encontrada ao redor dos rins, distinta de outras formas de gordura como adeptos ou sebo.

Ocorre uma só vez como um arcaísmo na versão Almeida Revista e Corrigida em Jó 15:27 para traduzir פימה (pimah), que por sua vez é uma hapax legômena, mas cognato do árabe fa’ima, engordar ou ser gordo.