Hexapla

Edição crítica do Antigo Testamento grego em seis colunas paralelas feita por Orígenes (c. 185-253/254 d.C.). Sua compilação foi iniciada em Alexandria e concluída em Cesareia no século III a.C.

A primeira coluna continha o texto em hebraico, a segunda sua transliteração para o grego, as quatro colunas seguintes as traduções para o grego de Aquila, Símaco, Septuaginta (LXX) e Teodotion.

No texto da LXX, com base no texto hebraico, Orígenes marcava as omissões com um asterisco e as interpolações com um obelo. O sinal de metobelo indicava fim de um perícope.

A obra provavelmente só existiu em um único exemplar de 6.500 páginas (3.000 folhas de pergaminho) em 15 volumes. Teria sido arquivada na Biblioteca Cristã de Cesareia até o século VII. Dessa obra só restaram fragmentos.

Uma versão abreviada também teria sido feita por Orígenas, a Tetrapla. O texto da quinta coluna, a recensão de Orígenes, foi copiado. Sobrevivem dois palimpsestos (Cairo e Milão). Sobreviveu uma tradução siríaca muito literal, a siro-hexapla, feita entre 613 e 617 pelo bispo Paulo de Tella, exceto pelo Pentateuco, com notas marginais com as versões de Aquila, Símaco e Teodotion.

Este trabalho de filologia deu início aos estudos textuais sistemáticos da Bíblia e influenciou recensões posteriores.

Hebraico

A língua hebraica, עִבְרִיט ou עברים , é uma língua semítica do ramo noroeste da família linguística afro-asiática.

Junto do moabita, fenício e do púnico constituem um grupo dialetal da língua cananeia, com similaridades com o ugarítico e, com menor grau, com o aramaico. Na Idade do Ferro, o hebraico ganhou uma literatura própria, o hebraico bíblico, também atestado por um corpus de inscrições da época.

O hebraico passou por diversas fases. O hebraico bíblico arcaico foi usado entre o período monárquico e o exílio babilônico com uma forma de escrita cananeia. O hebraico bíblico clássico foi usado durante o exílio na Babilônia e adotaria mais tarde a escrita imperial aramaica. O hebraico tardio foi usado durante o período persa e é representado por alguns textos da Bíblia Hebraica. O hebraico dos textos do Mar Morto foi usado durante o período helenístico e romano antes da destruição do Templo de Jerusalém e é representado pelos pergaminhos de Qumran. Finalmente, o hebraico mishnáico foi usado durante o período romano após a destruição do Templo de Jerusalém e é representado pelos textos da Mishná e do Talmud, bem como pelos manuscritos do deserto da Judeia.

Há questionamentos se o hebraico bíblico poder ser datado. Seguindo F.M. Cross e DN Freedman’s Studies in Ancient Yahwistic Poetry (1997), muitos estudiosos consideram que existem marcadores gramaticais que indicam fases distintas. Por outro lado, Ian Young e Robert Rezetko apresentam críticas sobre os métodos de datação. Tais críticas, por sua vez, foram respondidas por Ron Hendel (um aluno de Cross) e Jan Joosten em How Old is the Hebrew Bible? (2018). Com base em epigrafia e análise documental bíblica e extrabíblcia, hoje o pensamento prevalente é que há fases discerníveis do hebraico bíblico.

O hebraico gradativamente deixou de ser falado no cotidiano desde o exílio babilônico, mas ainda no século II d.C. há evidência que era uma língua viva. Contudo, na Idade Média deixou de ser falado, exceto em contextos cultuais, até que no século XX foi reavivado por Eliezer Ben-Yehuda (1858-1922).

A gramática hebraica é baseada em um sistema de raízes que consiste em três ou quatro consoantes que são combinadas com diferentes padrões de vogais para formar palavras em suas diferentes funções.

O hebraico é lido da direita para a esquerda. Normalmente não possui vogais escritas no texto, exceto por certas marcações de vogais com pontos diacríticos (nikud) e consoantes para indicar vogais (matres lectionis).

O hebraico tem três gêneros gramaticais (masculino, feminino e neutro). Suas conjugações verbais indicam tempo, aspecto e modo. Assim, os verbos derivam-se em simples qal (ativo) e niphal (passivo); intensivo piel (ativo), pual (passivo), hithpael (reflexivo); causativo hiphil (ativo) e hophal (passivo).

A ordem das palavras é flexível e o contexto desempenha um papel crucial na determinação do significado. O hebraico também tem um sistema complexo de declinações de substantivos e concordância de adjetivos, especialmente pela relação construto-absoluto, tornando-o um idioma altamente flexionado.

História Primeva

A História Primeva ou Primal é o nome dado ao conjunto de capítulos de Gênesis 1-11. Narra a criação do mundo, os primeiros humanos, sua queda, as primeiras instituições e civilização, o dilúvio. Destaca a importância da aliança entre Deus e a humanidade.

Seus paralelos literários são a Teogonia, o mito de Atrahasis, o Enuma Elish e o Épico de Gilgamesh.

Heber

Nome de nove personagens e um lugar bíblicos escritos com duas ortografias e sentidos distintos que se perdem em português.

Com a grafia עֵבֶר, Éber.

1. O bisneto de Sem, pai de Pelegue e Joctã (Gn 10: 24-25; Gn 11: 14-17; 1Cr 1: 18-19; 1Cr 1:25), ancestral de Abrão (Gn 11: 17-26 ) e Jesus (Lucas 3:35). Tradicionalmente apontado como ancestral epônimo dos hebreus ou habiru, embora hoje a etimologia e a semântica desse último refira-se não a uma etnia, mas às populações diversas que viviam em seminomadismo e, por vezes, atacando vilas e cidades.

2 Região ao lado da Assíria em (Nm 24:24), provavelmente a região e a população “além do rio” (Eufrates).

3 O chefe da família sacerdotal de Amoque na geração seguinte àquela daqueles que retornaram a Jerusalém com Josué e Zorobabel (Ne 12:20).

4 Um gadita (1Cr 5:13).

5 Um benjamita, filho de Elpaal (1Cr 8:12).

6 Um benjamita, filho de Sasaque (1Cr 8:22).

Com a grafia חבר existem quatro pessoas com o nome Heber:

1 Patriarca epônimo de uma linhagem da tribo de Aser (Gn 46:17; Nm 26:45; 1Cr 7: 31-32).

2 Pai ou fundador de Soco em Judá (1Cr 4:18).

3 família em Benjamin (1Cr 8:17).

4 O marido queneu (“ferreiro”) de Jael que matou Sísera em sua tenda (Juízes 4:21; Juízes 5:24). Heber havia migrado para o território de Naftali, que tinha uma fronteira comum com Aser, e se estabeleceu em paz com Jabim, rei de Canaã, em Hazor (Jz 4:11; Jz 4:17).

Helenismo

O helenismo refere-se às ideias culturais, filosóficas e artísticas que surgiram na Grécia antiga e se espalharam para outras partes do mundo através das conquistas de Alexandre, o Grande.

O termo “helenístico” é usado para descrever o período desde a morte de Alexandre em 323 aC até a conquista romana da Grécia em 146 aC.

O helenismo teve um impacto profundo no judaísmo, particularmente na diáspora. Após a conquista da Palestina por Alexandre em 332 aC, a influência grega começou a se espalhar por toda a região e muitos judeus foram expostos à cultura e ideias helenísticas. Alguns judeus abraçaram o helenismo e adotaram a língua, costumes e crenças gregas, enquanto outros resistiram e se entricheiram-se em uma identidade judia, mas com assimilação seletiva de elementos do helenismo.

A influência do helenismo pode ser vista nos escritos do filósofo judeu Filo de Alexandria. Filo tentou reconciliar a filosofia grega com a religião israelita e argumentou que as ideias gregas poderiam ser usadas para apoiar as crenças judaicas. Ele acreditava que a razão e a fé eram complementares e que o conhecimento do mundo natural poderia levar a uma compreensão mais profunda de Deus.

O helenismo também teve um impacto significativo no cristianismo primitivo, que surgiu no mundo helenístico. O Novo Testamento foi escrito em grego, e muitas das ideias e conceitos encontrados no cristianismo, como o conceito de Logos (Palavra), foram influenciados pela filosofia grega. O apóstolo Paulo, que era um judeu helenizado, usou a linguagem e as ideias gregas para espalhar a mensagem do cristianismo para o público gentio.

O helenismo também influenciou o judaísmo rabínico primitivo, particularmente na área da interpretação bíblica. Os rabinos do período talmúdico (aproximadamente 200-500 aC) usavam a linguagem e os conceitos gregos para interpretar e explicar os textos judaicos, e muitos de seus ensinamentos foram influenciados pela filosofia helenística da Segunda Sofística. Por exemplo, o conceito midráshico de “pardes”, que se refere aos quatro níveis de interpretação da Torá, foi comparado à ideia grega de alegoria.