Movimento de Oxford

O movimento de Oxford foi um movimento dentro da Igreja Anglicana que surgiu em 1833 na Universidade de Oxford.

O movimento foi liderado por John Keble (1792–1866), John Henry Newman (1801–1890), Richard Hurrell Froude e Edward Bouverie Pusey (1800–1882).

Em uma sére de 90 publicações intituladas Tracts for the Times (1833–1841), o movimento de Oxford visava renovar a Igreja Anglicana. (Daí o nome dessa fase do movimento como tractarianism). Constituiu uma vertente “High Church”, enfatizava a sucessão apostólica, considerava a Igreja Anglicana como a verdadeira Igreja católica, pois seria o meio-termo o catolicismo e protestantismo.

Depois que Newman converteu-se à Igreja Católica em 1845, Pusey tornou-se o líder do movimento. Pusey deu grande importância aos ritos eclesiásticos e aos sacramentos. Associado ao movimento emergiu uma tendência sacramentalista de usar velas do altar, vestimentas, incenso e elaboradas cerimônias.

Magnificat

Em latim é o título incipit da oração de louvor de Maria em Luca 1:46-55.

Possui elementos análogos com o Cântico de Ana (1Sm 2:1-10), sendo um belo exemplo da poesia hebraica, estruturada em paralelismos.

Como o Cântico de Ana, é o cântico de celebração pelo nascimento de uma criança que epitomiza o fim da opressão. Salienta a consumação das promessas messiânicas em tom de extrema humildade dos meios pelos quais Deus se manifesta sua graça.

Matusalém

Em hebraico: מְתוּשֶׁלַח , ; em grego: Μαθουσάλας Mathousalas, um patriarca bíblico cuja vida foi a mais longa da Bíblia, 969 anos de acordo com o Texto Massorético e com a Septuaginta, embora apareça com “meros” 720 anos no Pentateuco Samaritano e no Livro de Jubileus. Irrespectivo de qual recensão, teria morrido no ano do dilúvio.

Matusalém era filho de Enoque, pai de Lameque e avô de Noé. É mencionado nas genealogias em 1 Crônicas e no Evangelho de Lucas.

A Lista de Reis Sumérios menciona um personagem chamado Ubara-Tutu com paralelos a Matusalém. Ubara-tutu (ou Ubartutu) de Shuruppak foi o último rei antediluviano da Suméria e teria reinado por 18.600 anos (5 sars e 1 ner). Ele era filho de En-men-dur-ana, uma figura mitológica suméria comparada a Enoque, pois não teria morrido.

Alguns comentadores (Donald V. Etz; Ellen Bennet) argumentam que os anos da genealogia de Gênesis 5, consequentemente a idade de Matusalém, foram interpretadas erroneamente. Sugerem que os termos traduzidos por anos nos seriam, então, estações ou outras unidades, o que reduziriam a idade de Matusalém de 78 a 96 anos, conforme o comentador.

BIBLIOGRAFIA

Etz, Donald V., “The Numbers of Genesis V 3-31: a Suggested Conversion and Its Implications”, Vetus Testamentum, Vol. 43, No. 2, 1994, pages 171–187.

Maria

Maria, forma grega de Miriam.

Sete mulheres no Novo Testamentos aparecem com esse nome, a menos que duas ou mais sejam idênticas.

1. Maria, a mãe de Jesus e esposa de José

Nos Evangelhos sinópticos e em Atos é chamada de “Maria”. No Evangelho de João ela aparece como a mãe de Jesus sem citar seu nome nas bodas de Caná (Jo 2:1-12) e sob a cruz (Jo 10:25-27), quando Jesus a põe sob cuidados do “discípulo amado”. É aludida sem mencionar seu nome por Paulo (Gl 4:4). Aparece com maior detalhe nas narrativas da infância em Mateus e em Lucas.

Mateus 1:18-25 e Lucas 1:26-56; 2:1-38 registram a concepção virginal, anunciada a José em um sonho (Mateus 1:18, Mateus 1: 25) e a Maria pelo anjo Gabriel (Lucas 1: 26-38). Maria viaja de Nazaré à Judeia, para sua parenta grávida, Isabel, que a aclama como “bendita entre as mulheres” e “a mãe de meu Senhor” (Lucas 1: 39-45). Maria responde com um hino (Lucas 1:46-55; o Magnificat). Mais tarde, Simeão diz a Maria que “uma espada também atravessará a sua alma” (Lucas 2:35).

A única instância em que Maria é retratada um tanto negativamente ocorre no perícope que ela e os irmãos de Jesus tentam deter Jesus (Marcos 3:21-30).

Lucas inclui Maria entre as discípulas que oravam no cenáculo com os Doze (Atos 1:14) e também como aquela que recebeu o Espírito Santo no Pentecostes (Atos 2:1-4).

2 Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro (Lucas 10: 38-39; João 11: 1), aparece em (Lucas 10:38-42), sentada aos pés de Jesus e ouvindo seus ensinamentos. Marta reclama que a deixou para servir sozinha, mas Jesus elogia a escolha de Maria. No Evangelho de João, Maria de Betânia unge os pés e os enxuga com seus cabelos (João 12:1-3). Esteve presente com Marta na morte e ressurreição de Lázaro (João 11:19-20, 11:28-32).

3 Maria Madalena ou “de Magdala”, mencionada em primeiro lugar em cada lista das discípulas (Mt 27: 55-56; Mt 27:61; Mt 28: 1; Mc 15: 40-41; Mc 15:47; 16: 1; Lc 8:2-3; 24:10) que apoiavam o ministério de Jesus por seus próprios meios (Lucas 8: 1-3). É uma das únicas mulheres registradas nos quatro evangelhos. Descrita como “de quem haviam saído sete demônios” (Lucas 8:2), testemunha da morte de Jesus (Mt 27:55-56, 61; Mc 15:40-41, 47; Lc 23:49, 55-56, Jo 19: 25) e do túmulo vazio (Mt 28:1, 6; Mc 16:1-6; Lc 24:1-3, 10; Jo 20:1-2). Foi comissionada para anunciar a notícia da ressurreição de Cristo aos discípulos (Mt 28: 5-9; Mc 16: 6-7; Lc 24: 4-10).

A tradição não histórica de que Maria Madalena tinha sido uma prostituta derivou-se da confusão com a mulher não identificada em (Lc 7:36-50), identificação atribuída a Gregório Magno.

4 Maria, a mãe de Tiago, ou de Tiago e José, ou José, ou “a outra Maria”, entre as discípulas na cruz (Mt 27: 55-56; Marcos 15:40), com Maria Madalena no sepultamento, tumba vazia (Mt 27:61; Mt 28: 1; Mc 15:47; Mc 16: 1) e primeira aparição do Cristo ressuscitado (Mt 28: 9).

5 Maria, a esposa de Clopas, uma das mulheres na cruz em (Jo 19:25), talvez a mesma que Maria, a mãe de Tiago e José.

6 Maria de Jerusalém, cuja casa os seguidores de Jesus congregaram após sua morte. Pedro chegou à casa dela após sua fuga da prisão (Atos 12: 11-17). João, filho de Maria, também conhecido como Marcos, acompanhou Barnabé e Paulo em algumas de suas viagens missionárias (Atos 12:25; 13: 5; 13:13; 15: 37-39).

7 Maria de Roma, uma mulher saudada por Paulo em (Rm 16:1-16) e descrita como tendo “trabalhado muito entre vós” (Rm 16:6).

Massorético, Texto

O Texto Massorético é uma família textual da Bíblia Hebraica editada meticulosamente por um grupo de copistas medievais chamados massoretas.

Quando o hebraico deixava de ser uma língua falada, os massoretas codificaram regras de cópia e desenvolveram sinais diacríticos para permitir a pronúncia das vogais. Também anotavam questões textuais, variantes, grafias estranhas, gramática incomum, discrepâncias, sinais para cantilação, além de dois comentários de referências cruzadas, a massorá. Também providenciaram listas com contagens de palavras, letras e linhas para uma edição padronizada, compilando extensas listas léxicas.

Esta obra monumental foi iniciada por volta do século VI d.C e concluída no século X nas academias talmúdicas da Babilônia e da Palestina. Duas escolas principais (ou famílias) de massoretas, ben Naftali e ben Asher, criaram versões do Textos Massoréticos ligeiramente diferentes.

Entre os massoretas destacam-se as cinco gerações da família Asher, uma família aparentemente de tendências caraítas de Tiberíades. Essa dinastia de copista iniciou-se com Asher, o Ancião (VIII d.C.) , vieram Nehemias Ben Asher, Asher Ben Nehemias, Moses Ben Asher e, finalmente, Aaron Ben Moisés Ben Asher, (X d.C.). Aaron compilou a gramática “Sefer Dikdukei ha-Te’amim”. A versão de Ben Asher prevaleceu e forma a base dos textos bíblicos recebidos como padrão.

O texto base é o Proto-Massorético. Esse texto hipotético consiste de consoantes e elementos para-textuais que aparentemente estavam estabilizando-se na época dos Manuscritos do Mar Morto. O EgLev é o primeiro exemplar a corresponder totalmente às formas consonantais encontradas nos Textos Massoréticos.

Mesmo entre os massoretas havia diferentes edições e leituras da Bíblia. Por exemplo, o códice dos Profetas, copiado em Tiberíades em 897 por Moisés Ben Asher e pertencente à sinagoga caraíta no Cairo, contém apenas um terço de vocalização e a cantilação similar ao texto produzido de seu filho Aaron Ben Moisés, cujo método é a base do moderno Texto Massorético. No entanto, mais da metade das leituras concordam com Moisés ben David ben Naftali, de outra família massorética tiberiana.

Os massoretas adotaram o formato códice para fazer cópias-matrizes e, a partir delas, copiar os rolos para uso litúrgico. Ben Asher compilou o Códice de Aleppo. Ben Naftali provavelmente também tenha feito um texto padrão, embora não tenha sobrevivido.

A fonte mais famosa do Texto Massorético é o célebre Códice de Aleppo (c. 925 d.C.). Possui uma história peculiar de sobrevivência, pois perdeu-se de quase todo o Pentateuco. O manuscrito completo mais antigo é o Códice de Leningrado B 19A (codex L) de 1009 a.C.

As edições impressas da Bíblia Hebraica seguem uma abordagem diplomática, ou seja, partem de um manuscrito real e anota-se as divergências e leituras alternativas. (Em contraposição ao modelo de edição eclética adotada no Novo Testamento). No caso do Texto Massorético, o Códice de Leningrado serve de base para a Biblia Hebraica Kittel, Biblia Hebraica Stuttgartensia e a Biblia Hebraica Quinta. Já o Códice de Aleppo é o texto base para a Hebrew Bible University Project.

Já na era da imprensa, a segunda edição da Grande Bíblia Rabínica (1525), editada em Veneza por Daniel Bomberg e Jacob ben Hayyim ibn Adonias, tornou-se a mais popular. Trata-se de um texto eclético. Esta foi a base para a tradução das versões dos Reformadores. Outras edições do Texto Massorético, notavelmente a Poliglota Complutense e a versão latina e hebraica de Pagninus, também serviram de fontes para as traduções da era da Reforma.

BIBLIOGRAFIA

Khan, Geoffrey. “The Role of the Karaites in the Transmission of the Hebrew Bible and Their Practice of Transcribing It into Arabic Script.” Intellectual History of the Islamicate World 8.2-3 (2020): 233-264.

Francisco, Edson de F. . Edições Impressas da Bíblia Hebraica: do Século XV até Hoje. Caminhando, v. 11, p. 9-36, 2003.

Francisco, Edson de F. Manual da Bíblia hebraica: introdução ao texto massorético: guia introdutório para a Bíblia Hebraica Stuttgartensia. Edições Vida Nova, 2005.

Friedman, Matti. The Aleppo Codex: In Pursuit of One of the World’s Most Coveted, Sacred, and Mysterious Books. Algonquin Books, 2013.

Tawil, Hayim, and Bernard Schneider. Crown of Aleppo: The Mystery of the Oldest Hebrew Bible Codex. Jewish Publication Society, 2010.

Tov, Emanuel. Textual Criticism of the Hebrew Bible: Revised and Expanded. Fourth Edition. ‎Fortress Press, 2022.