Paralelismo

O paralelismo uma característica da poesia bíblica em que a segunda linha de uma unidade de alguma forma ecoa o significado, estrutura, gramática, tema ou estilo da primeira. Isso pode ser na forma de uma repetição do significado, ou de uma declaração de opostos, ou de uma outra declaração que serve para estender ou modificar a primeira linha de algum modo.

O paralelismo é uma característica definidora que a distingue da prosa. Muitas vezes acompanhado de concisão, brevidade e imagens, o paralelismo desempenha um papel central na transmissão da poética.

O reconhecimento e a análise do paralelismo na poesia hebraica têm uma rica linhagem histórica. Acadêmicos como Robert Lowth, Christian Schoettgen, Ibn Ezra e Ḳimḥi contribuíram para o entendimento das formas e funções do paralelismo. As obras de Lowth no século XVIII avançaram significativamente o estudo da poesia hebraica.

O paralelismo permanece evidente nas composições poéticas hebraicas pós-bíblicas, como orações litúrgicas e fragmentos poéticos preservados no Talmude. Embora o paralelismo tenha declinado com a adoção de rima e métrica durante o período espanhol, ele persistiu em contextos litúrgicos e ocasionalmente emergiu em outras produções poéticas.

Formas de Paralelismo

As formas principais de paralelismo encontradas na poesia bíblica incluem o paralelismo sinônimo, antitético, sintético e emblemático:

  1. Paralelismo Sinônimo: Repete ou reformula a ideia expressa na primeira linha na linha seguinte, usando palavras diferentes, mas equivalentes. O paralelismo sinônimo enfatiza a clareza e a ênfase por meio da repetição. “Mostra-me, Senhor, os teus caminhos; ensina-me as tuas veredas” Salmo 25:4.
  2. Paralelismo Antitético: A segunda linha expressa um pensamento contrastante ou oposto ao da primeira linha. O paralelismo antitético cria um senso de equilíbrio e contraste, frequentemente usado na transmissão de ensinamentos morais ou éticos. “A integridade dos retos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói” Provérbios 11:3.
  3. Paralelismo Sintético: A segunda linha expande ou explica a ideia apresentada na primeira linha. Fornece informações adicionais ou elaboração, contribuindo para o desenvolvimento do tema. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento” Provérbios 9:10.
  4. Paralelismo Emblemático: Envolve o uso de uma figura de linguagem ou imagem na primeira linha, seguida por linhas subsequentes que elaboram ou explicam a imagem apresentada. O paralelismo emblemático aprimora a vivacidade e profundidade da expressão poética. “Os lábios dos justos alimentam muitos, mas os insensatos morrem por falta de entendimento” Provérbios 10:21.

Variações e Recursos Estilísticos

Além do paralelismo, a poesia bíblica exibe vários recursos estilísticos, incluindo pares de palavras, merismas (extremos contrastantes para representar um todo), chiasmas (restatemento reverso de material), inclusões (restatemento no início e no final de uma seção), refrãos repetidos e acrósticos (arranjo em ordem alfabética).

Personificação

Personificação é uma figura de linguagem na qual características, qualidades ou ações humanas são atribuídas a entidades não humanas, como animais, objetos ou conceitos abstratos.

Um exemplo de personificação na Bíblia pode ser encontrado no Salmo 98:8, que afirma: “Que os rios batam palmas, que os montes juntos cantem de alegria.” Neste verso, os rios e as montanhas são personificados como se fossem capazes de ações humanas como bater palmas e cantar.

Uma espécie restrita de personificação é a prosopopeia ou apóstrofe. Nessa figura de linguagem um falante se dirige a uma pessoa ou objeto que não está presente ou não pode responder. Um exemplo de prosopopeia na Bíblia pode ser encontrado no Salmo 114:5, que afirma: “O que te aflige, ó mar, que fugiste? Ó Jordão, que voltaste?” Nesse versículo, o salmista dirige-se ao mar e ao rio Jordão como se fossem pessoas capazes de ouvir e responder à sua pergunta.

Tanto a personificação quanto a prosopopeia são comumente usadas na literatura e na poesia para adicionar profundidade e emoção ao texto. Na Bíblia, essas figuras de linguagem costumam ser usadas para transmitir mensagens religiosas e morais importantes de maneira memorável e impactante.

Patriarcas

O termo “patriarcas” normalmente refere-se aos pais fundadores da nação israelita, ou seja, Abraão, Isaque e Jacó, retratados no livro de Gênesis. Além desses três patriarcas, também existem vários outras pessoas que frequentemente consideradas parte desse grupo, como os patriarcas ante-diluvianos e os pais das tribos israelitas, bem como as matriarcas.

Abraão, que é considerado o primeiro dos patriarcas bíblicos, foi originalmente chamado de Abrão e viveu em Ur dos caldeus. Segundo a Bíblia, Deus o chamou para deixar sua terra natal e viajar para uma nova terra que ele lhe mostraria. Abraão obedeceu ao chamado de Deus e se tornou o pai do povo judeu. Ele é lembrado por sua fé e sua disposição de sacrificar seu filho Isaque por ordem de Deus.

Isaque era filho de Abraão e sua esposa Sara. Ele nasceu quando Abraão já era muito velho, e seu nascimento foi considerado um milagre. Isaque se casou com Rebeca e teve dois filhos, Jacó e Esaú.

Jacó, neto de Abraão, é conhecido por seu papel na história das 12 tribos de Israel. Ele teve 12 filhos, que se tornaram os chefes das 12 tribos. Jacó também é conhecido por sua luta com um anjo e sua renomeação para Israel, que significa “aquele que luta com Deus”.

José, filho de Jacó, é considerado um dos maiores patriarcas bíblicos. Ele foi vendido como escravo por seus irmãos, mas se tornou uma figura poderosa no Egito, perdendo apenas para o Faraó. José é conhecido por sua habilidade de interpretar sonhos e por seu papel em salvar o Egito e sua família da fome.

Pesos e medidas

As unidades de medida bíblicas e talmúdicas, usadas principalmente pelos antigos israelitas, aparecem com frequência no Antigo Testamento e em escritos rabínicos posteriores, como a Mishná e o Talmud.

Embora haja amplo registro sobre a relação entre as unidades de medida, existe um debate sobre a correspondência exata entre as medidas bíblicas e outros sistemas. As definições clássicas, como a de que um “etzba” (dedo) equivalia a sete grãos de cevada lado a lado, ou que um “log” era igual a seis ovos médios, também são debatidas.

Sabe-se que o sistema de medição israelita se assemelha aos sistemas babilônico e egípcio antigo, provavelmente derivando de uma combinação de ambos. Estudiosos inferem os tamanhos absolutos com base nas unidades babilônicas e suas contrapartes contemporâneas.

Um exemplo de discrepância é o cúbito. A Bíblia apresenta duas definições para o cúbito. Ezequiel o define como um cúbito mais uma palma, enquanto em outras partes ele equivale a um cúbito padrão. Essa diferença pode ser explicada pela menção no Livro das Crônicas de que o Templo de Salomão foi construído usando “cúbitos da primeira medida”, sugerindo uma mudança no tamanho do cúbito ao longo do tempo.

Medida (transliteração)Nome em HebraicoNome em GregoEquivalente aproximado (métrico)Notas
Comprimento
Etzba (dedo)אצבעδάκτυλος (dáktylos)2,0 – 2,4 cm
Tefach (palmo)טפחπαλαιστή (palaistē)8,0 – 9,5 cm4 dedos
Zeret (palmo menor)זרתσπιθαμή (spithamē)24,1 – 28,7 cm3 palmos
Amah (côvado)אמהπῆχυς (pēkhys)48,2 – 57,3 cm2 palmos menores
Côvado (Ezequiel)אמהπῆχυς (pēkhys)51,3 – 61,6 cm7 palmos
Milמילμίλιον (mílion)0,96 – 1,15 km2000 côvados
Parasaפרסהπαρασάγγης (parasángēs)3,87 – 4,58 km4 mil
Estádioστάδιον (stadion)~185 m1/8 de milha romana
Braçaὀργυιά (orgyuia)~1,8 m
Área
Tsemed (acre)צמד~0,13 hectaresÁrea arada por uma junta de bois em um dia; valor incerto
Beit rovaבית רובע24 – 34,5 m²Espaço para semear ¼ kav de semente
Beit seahבית סאה576 – 829,5 m²Espaço para semear 1 seah de semente
Beit korבית כור1,73 – 2,48 hectaresEspaço para semear 1 kor de semente
Volume (seco)
Logלגξέστης (xestēs)0,3 L6 ovos
Kabקבκάβος (kabos)1,2 L4 log
Seahסאהσάτον (saton)7,3 L6 kab
Efahאיפה22 L3 seah
Omerעומרγόμερ (gomer)2 L1/10 efah
Lethekלתך110 L5 efah
Korכורκόρος (koros)220 L2 lethek
Choinixχοῖνιξ (khoinix)~1 L
Volume (líquido)
Logלֹג0,3 L
Hinהין3,6 L12 log
Bathבתβάτος (batos)22 L6 hin
Metretesμετρητής (metrētēs)~39 L
Peso
Gerahגרה0,57 g
Bekaבקע5,71 g10 gerah
Shekelשקלσίκλος (siklos)11,42 g20 gerah
Pimפים7,62 g2/3 shekel (?)
Litra/Minaמנהλίτρα (litra) / μνᾶ (mna)571,2 g50 shekel
Kikar/Talentoככרτάλαντον (talanton)34,27 kg60 litra

Pérsia

Os persas são um povo indoeuropeu do planalto do Irã. Inicialmente várias tribos pastoralistas uniram-se aos medos, um povo aparentado, para formar um império no século VI a.C.

O Império Persa surgiu com as vitórias de Ciro, o Grande, quando os medos e os babilônios foram conquistados. O império durou até as conquistas de Alexandre, o Grande (ca. 330 aC). Os persas permitiram o retorno dos exilados judeus na Babilônia e a reconstrução da vida religiosa e nacional com certa autonomia. No auge, o império persa se estendia do Danúbio na Europa à Índia, da Ásia Central até o sul do Egito.

Nessa fase, também chamado de período aquemênida, pelo nome da dinastia, surgiu a religião persa monoteísta, o zoroastrismo. Ela crê em um deus supremo, no céu e inferno, na existência de seres espirituais bons e maus (anjos e demônios), um estado prístino de natureza, na contaminação da Terra pelo Mal, na vinda de um messias, na batalha final entre o Bem e o Mal, na ressurreição, no dia de julgamento, na restauração da vida no Paraíso (uma palavra persa, por sinal).

Os cristãos do século II viram no zoroastrismo um predecessor de Jesus Cristo. Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Lactâncio e a Teosofia de Aristócrito mencionam as profecias de Hysthapes ou Oráculos de Vishtapas no qual teriam sido predito a vinda de Cristo, cujos sinais os magos interpretaram. No século XIII, o escritor cristão siríaco Salomão de Basra em seu Livro da Abelha 37 meciona certo livro chamado A profecia de Zaradosht concernente nosso Senhor. Nele, Zoroastro é identificado com Baruque, o escriba do profeta bíblico Jeremias e Vishtapas teria sido o pai de Dário. A profecia endereçada aos discípulos de Zoroastro — o rei Hystapes, Sasan e Mahamad — teria previsto o nascimento virginal, cruxificação, descida ao lugar dos mortos, ressurreição, ascenção e segunda vinda de Jesus Cristo.