Instrução de Amenemope

A Instrução de Amenemope é uma obra de literatura sapiencial egípcia que contém orientações de um pai para um filho, encontrado em um papiro datado entre o século X ao VI a.C.

Amenemope seria um funcionário público, “supervisor dos grãos” e instrui seu filho, Hor-em-maa-Kheru. 

Possui paralelos com Pv 22:17-24:22. Constitui um testemunho importante das fontes empregadas na composição das Escrituras e de circulação de ideias no Antigo Oriente Próximo (cf. 1 Re 4:29-31). Como no livro de Provérbios, a Instrução de Amenemope contém um prólogo, máximas e um epílogo.

ProvérbiosAmenemopeTema
22:17-183:9-11, 16Apelo para ouvir
22:191:7Finalidade da instrução
22:2027:7-8Os provérbios para o conselho
22:211:5-6Aprendendo uma resposta digna
22:224:4-5Não roube um vulnerável
22:2411:13-14Evite amizade com pessoas violentas
22:2513:8-9Fuja da armadilha
22:287:12-13Não remova os marcos
22:2927:16-17Escribas habilidosos serão cortesãos
23:1-323:13-18Coma com cuidado diante de uma pessoa importante
23:4-59:14-10:5A riqueza voa como um pássaro
23:6-714:5-10Não coma a comida de uma pessoa mesquinha
23:814:17-18Resultados de vômito
23:922:11-12Não fale antes de qualquer um
23:10-117:12-15; 8:9-10Não remova marcos de viúvas
24:1111:6-7Resgate o condenado

Os únicos versículos em Provérbios 22:17-23:14 sem paralelo em Amenemope são: 22:23, 26, 27; 23:13, 14.

Instruções de Amenemhet

Este poema didático egípcio, ambientado na XII Dinastia, no qual o rei Amenemés (Amenemhet ou Amenemate) I (falecido em c.1947 a.C.) oferece conselhos a seu filho Sesóstris I.

Essa literatura instrucional (do mesmo gênero literário das instrução de Amenemope) contém semelhanças com livro de Provérbios, como as instruções da mãe do Rei Lemuel.

O texto foi preservado em diversas fontes. Um deles é o Papiro Millingen, hoje perdido; outros papiros fragmentários; três tábulas de madeira e mais de 60 óstraco. Tal popularidade indica que o texto era utilizado tanto como instrução moral quanto exercício de escrita.

Amenemés alerta contra a confiança demasiada e os riscos das conspirações palacianas.

BIBLIOGRAFIA

ANET 418-419 The Instruction of King Amen-em-het

COS 1.36 Amenemhet

Amém

A palavra hebraica אָמֵן, amém vem da raiz ‘-mt que conota o que é “estável, verdadeiro, fidedigno, confiável, fiel e dotado de fé”. Aparece na Bíblia como interjeição para afirmar e anuir algo em um hino, doxologia ou oração.

Etimologicamente, “amém” relacionado aos substantivos “estabilidade”, “confiabilidade” (אֱמוּנָה, emunah) e “verdade” (אֱמֶת, emeth).

Nas traduções gregas chamadas Septuaginta usa ἀμήν, amēn sem traduzir em Nm 5:22; Ne 5:13; 8:6; 1 Cr 16:36; Jr 11:5. Outras ocasiões traduz por “assim seja (γένοιτο, genoito), como o adjetivo “fiel ou verdadeiro” (ἀληθινόζ, alēthinoz; Is 65:16), o advérbio “verdadeiramente” (ἀληθῶς, alēthōs; Jr 28:6).

Com cerca de 30 ocorrências nas Escrituras Hebraicas, aparece como afirmação que sela um juramento (Nm 5:22; Dt 27:15–26; Ne 5:13); expletivo de louvor (1 Cr 16:36, Ne 8:6); e resposta a uma declaração (1 Re 1:36; Jr 11:5)

Nos Salmos o amém serve para reafirmar enunciados de exaltação, aparecendo por vezes intensificado pela duplificação (Sl 41:13; 72:19, 89:52).

Um emprego singular ocorre em Isaías 65:16 ao referir-se a Deus como “o Deus do amém”. Essa identificação personificada repete-se para Jesus Cristo em Ap 3:14.

No culto sinagogal o amém é dito corporativamente para o assentimento quando algo individual é proclamado. Segundo o Talmud (m. Berakhot 6.22), o amém foi descontinuado no Segundo Templo quando na disputa de poder entre saduceus e fariseus para evitar que um partido aprovasse os atos uns dos outros.

No Novo Testamento há copiosas menções do amém. Em contexto doxológico ou de afirmação de autoridade e veracidade, Jesus usa a palavra amém 99 vezes nos evangelhos. A fórmula “Amém, eu vos digo” — traduzida como “em verdade vos digo” — ocorre 49 vezes nos evangelhos sinóticos (30 vezes em Mateus, 13 em Marcos, 6 em Lucas), e 50 vezes em João.

Outros usos aparece para fins d doxologia e afirmações de oração, o que faz sentido considernado que os textos do Novo Testamento eram lidos em voz alta e em contexto de culto (Rm 1:25; 9:5; 11:36; 15:33; 16:27; Gl 1:5; 6:18; Ef 3:21; Fp 4:20; 1 Tm 1:17; 6:16; 2 Tm 4:18; Heb 13:21; 1 Pe 4:11; 5:11; Jd 1:25; Ap 1:6; 5:14; 7:12; 19:4).

Alguns manuscritos contém passagens doxológicas nas quais a incidência do amém varia (Mt 6:13; Mc 16:8; 1 Tess 3:13; 2 Pe 3:18; Ap 22:21), indicando a implícita resposta oral da audiência.

Paulo adverte contra a anuência impensada ao que é dito a uma congregação (1 Co 14:16).

Quanto aos atributos das palavras e promessas de Deus, Paulo afirma que são verazes e fiel, sendo cumpridas em Cristo (1 Co 1:18-20).



Amarna

Tel el-Amarna é o sítio arqueológico da antiga Akhetaton, a capital do Egito no século XIV a.C. durante o reinado de Amenhotep IV.

As cartas de Amarna são uma coleção de 382 tabuletas cuneiformes do século XIV a.C. da correspondência entre vários governantes do Antigo Oriente Próximo e dos faraós egípcios do Novo Império Amenhotep III, Amenhotep IV (Akhenaton), Smenkhkara e Tutankhamon.

O reinado de Akhenaton (1353-1336 aC), conhecido como ‘o faraó herege’ foi marcado por amplas reformas religiosas que resultaram na supressão das crenças politeístas e na elevação de seu deus pessoal Aton à supremacia.

Os templos de todos os deuses, exceto os de Aton, foram fechados, as práticas religiosas foram proibidas ou severamente reprimidas e a capital do país foi transferida de Tebas para a nova cidade do rei, Akhetaton (Amarna). Efetivamente, foi a primeira religião monoteísta de estado da história.

Em 1887 uma mulher local que estava cavando no barro em busca de fertilizante descobriu essas tábuas cuneiformes de argila. Elas contém 350 correspondências do Egito com a Assíria, Hatti, Mitanni, Babilônia e cidades-estados do Levante. Há referências a várias cidades cananeias mencionadas na Bíblia, dentre eles a carta a ‘Abdi-Heba, rei de Jerusalém. Em outras 32 tabuletas são exercícios de treinamento escribal, com valiosos textos literários como o conto de Adapa. Esses documentos fornecem uma janela para as relações internacionais da Idade do Bronze tardia.

O período de Amarna pode ser considerado a época da primeira globalização. Mercadorias do Extremo Oriente eram trocados via o Oceano Índico. O Egito comercializava comnos hititas. Há indícios de uma integração que envolvia toda a Bacia do Mediterrâneo.

Além de providenciar informações sobre o contexto bíblico, o período de Amarna fornece O grande hino a Aton ou Aten que apresenta paralelismo com o Salmo 104. As hipóteses de que o monoteísmo israelita seja devedor do monoteísmo da Reforma de Akehnaton hoje são desconsideradas: ontologicamente, Aton e Yahweh possuem atributos distintos.

Personagens importantes da história egípcia — Akhenaton, Nefertiti, Tutankhamon– viveram no período de Amarna.

BIBLIOGRAFIA

Cohen, R. Amarna Diplomacy. John Hopkins University Press, 2002.

LeMon, Joel M. “Egypt and the Egyptians” em Arnold, Bill T. and Brent A. Strawn eds. The World Around the Old Testament: The Peoples and Places of the Ancient Near East. Grand Rapids: Baker, 2016.

Moran, W.L. The Amarna Letters. John Hopkins University Press, 1992.

Pritchard, James B., ed., The Ancient Near East – Volume 1: An Anthology of Texts and Pictures, Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 1958

The Amarna Project

Abgar

Em grego Αβγαρος, Abgaros (variantes Agbarus e Augaru). Foi um nome comum a vários reis de Edessa, na Síria. Segundo uma lenda, Abgar V enviou uma carta a Jesus pedindo-Lhe que o tratasse de uma enfermidade incurável. Jesus teria enviado-lhe um lenço com a impressão de seu rosto, o que o curou. Após a morte de Jesus, o discípulo Judas Tadeu foi enviado pelo apóstolo Tomé para visitar Abgar (Eusébio, História Eclesiástica, 1.13).

Apesar de lendário, a relação entre Edessa e os primeiros cristãos parece ser antiga, quiçá desde o século I.