Êxodo

Êxodo, em grego “partida” ou “saída”, e refere-se à saída dos israelitas do Egito. O título hebraico é Ve-eleh shemoth, as primeiras palavras do libro “e estes são os nomes”.

Continua onde termina o livro de Gênesis: com os israelitas no Egito. Entretanto, o povo de Israel é reduzido à escravidão (1). Deus emprega Moisés para libertar Israel (2-4). Contudo, o Faraó resiste e Deus responde enviando pragas ao Egito que cuminam com a morte do primogênito (5-13). Israel se prepara para a libertação celebrando a Páscoa. Depois da passagem miraculosa pelo mar e um cântico de vitória, o povo de Israel viaja pelo Deserto do Sinai, murmurando ao longo do caminho (14-18). No monte Sinai, Israel recebe os Dez Mandamentos e forma uma relação de aliança com Deus (19-24). Enquanto Moisés está recebendo instruções adicionais, Israel se rebelou construindo o bezerro de ouro (32). O povo Israel então constrói o tabernáculo conforme as instruções recebidas (25-40).

BIBLIOGRAFIA

Berlin, Adele. “The Book of Exodus.” In The Jewish Study Bible, edited by Adele Berlin and Marc Zvi Brettler, 107–214. 2nd ed. New York: Oxford University Press, 2014.

Fretheim, Terence E. Exodus. Interpretation: A Bible Commentary for Teaching and Preaching. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2014.

McEntire, Mark. Exodus, Leviticus, Numbers, Deuteronomy. Wisdom Commentary. Collegeville, MN: Liturgical Press, 2006.

Niesiołowski-Spanò, Łukasz. “The Plagues of Egypt: A Literary Reading.” In The Exodus: A Book of Deliverance, edited by Łukasz Niesiołowski-Spanò, 57–78. London: Routledge, 2022.

Sarna, Nahum. Exploring Exodus: The Origins of Biblical Israel. New York: Schocken Books, 1986.

Walton, John H. The Lost World of the Exodus: Context and Communication. Downers Grove, IL: IVP Academic, 2021.

Gênesis

É o livro que relata as origens do cosmo, de várias instituições e do povo hebreu. Chamado em hebraico Bereshith, ou seja, “no início”, a primeira palavra do livro e de Gênesis, “criação” ou “geração”, em grego. Tradicionalmente, Gênesis é o primeiro livro que integra o Pentateuco ou Torá.

Divide-se em duas partes principais. A primeira parte (1-11) é a História Primeva, com os relatos sobre a cosmogonia, o pecado original, as primeiras tecnologias, as gerações, o dilúvio e a dispersão após a Torre de Babel. A segunda parte (12-50) compreende os ciclos dos patriarcas Abraão (10-25:18), Isaque (25: 19-35: 29), Jacó e seus filhos, especialmente José no Egito (36-50).

Sua autoria é anônima. Desde o período helenístico sua autoria foi atribuída diversamente a Moisés, José, Samuel, Esdras e a grupos de escribas.

BIBLIOGRAFIA

Arnold, Bill T., ed. The Cambridge Companion to Genesis. Cambridge: Cambridge University Press, 2022.

Brenner-Idan, Athalya, ed. A Feminist Companion to Genesis. 2nd ed. London: Bloomsbury T&T Clark, 2012.

Carr, David M. The Formation of Genesis 1–11: Biblical and Other Precursors. Oxford: Oxford University Press, 2020.

Colares, Karen de Souza. Antropologia do Feminino em Gênesis. Dissertação de mestrado. Faculdade Jesuíta, Belo Horizonte, 2019.

Hendel, Ronald. Genesis 1–11: A New Translation with Introduction and Commentary. Anchor Yale Bible. New Haven, CT: Yale University Press, 2024.

Mesters, Carlos. Paraíso terrestre: saudade ou esperança? Petrópolis: Vozes, 1971.

Niesiołowski-Spanò, Łukasz. “Primeval History in the Persian Period?” Scandinavian Journal of the Old Testament 21, no. 1 (2007): 106–26.

Reventlow, Henning Graf, and Yair Hoffman, eds. Creation in Jewish and Christian Tradition. Vol. 319. London: A&C Black, 2002.

Walton, John H. O mundo perdido de Adão e Eva: o debate sobre a origem da humanidade e a leitura de Gênesis. Rio de Janeiro: Ultimato, 2021.

Walton, John H. The Lost World of the Flood: Mythology, Theology, and the Genealogies. Downers Grove, IL: IVP Academic, 2022.

Zebulom

Em hebraico “habitação” זְבוּלֻן / זְבוּלֹן . Um dos doze filhos de Jacó e uma das tribos de Israel (Gn 30:20; Mt 4:13-15; Ap 7:8).

A localização do território de Zebulom remete à benção de Jacó. O patriarca disse que Zebulom viveria à beira-mar e se tornaria um refúgio para os navios;
fazendo limite com os termos de Sidon (Gn 49:13). Foi a terceira tribo a receber seu quinhão na divisão do terriório (Js 19:10). Ocupou a região limítrofe ao norte de Israel, tradicionalmente identificado com uma seção fértil de terra aproximadamente a nordeste da planície de Jezreel dos quais somente uma localidade foi identificada pela geografia bíblica (Belém da Galileia, Js 19:15). Segundo Flávio Josefo, o território Zebulom estaria entre o Monte Carmelo, o mar Mediterrâneo e o lago de Genesaré. Aparece sempre associada com sua tribo vizinha de Issacar.

No Cântico de Débora, Zebulom aparece portando o estilete, um instrumento de escrita, mas nesse contexto como símbolo de comando (Jz 5:14).

A tribo de Zebulom teria sido dispersada após a conquista assíria do Reino de Israel em 722 a.C., embora tenha permanecido um remanescente dos quais alguns teriam participado do renovo da páscoa promovido por Ezequias (2 Cr 30:11). Por mais que haja povos que reivindiquem especulativamente descendência da “tribo perdida” de Zebulom, o provável que a população remanscente tenha sido incorporada aos samaritanos, judeus e povos sírio-fenícios depois helenizados e arabizados.

O território de Zebulom era aludido como nos confins do território israelita. Nesse sentido, Mt 4:12-15, citando Is 9:1-2 (LXX), refere-se a Jesus realizando seu ministério nessa região, que na época era chamada de Galileia.

Inscrições de Kuntillet ʿAjrud

Inscrições epigráficas encontradas em um caravançarai no deserto árido do Sinai central a cerca de 50 km ao sul de Cades-Barneia , datadas ente 801-770 a.C. Atestam ligações comerciais entre o Reino do Norte (Israel) e regiões do sul do Levante e do Egito, na rota do Mar Vermelho ao Mediterrâneo, conhecida hoje como Darb el-Ghazza.

Kuntillet ʿAjrud, em arábe para “Colina solitária dos poços”, floresceu no período Omríada. O sítio arqueológico foi descoberto em 1869 por Edward Palmer (1871), que acreditava ter encontrado Gypsaria, um antigo forte comercial romano na estrada entre Eilat e Gaza. Em hebraico o sítio é chamado Horvat Teman, “extremo sul”.

Escavações realizadas na década de 1970 encontraram dois grandes vasos com desenhos, grafitis e textos intrigantes. Os grafitis retratam várias divindades, humanos, animais e símbolos.

O sítio não possui menção bíblica, mas atesta a plausibilidade da fuga de Elias da perseguição no reino de Israel.

Duas inscrições notórias mencionam várias deidades semíticas, dentre elas “Yahweh e sua Asserá”.