Santificação

A doutrina da santificação ou hagiologia é o estudo da transformação pessoal e social proporcionada pela fé em Jesus Cristo pela agência progressiva do Espírito Santo.

Individualmente, a santificação é um processo ao longo da vida que envolve o crente crescendo em maturidade espiritual e tornando-se mais semelhante a Cristo. Coletivamente, as várias formas da igreja cumprem o mandado de santificação ao espelhar-se em Cristo e buscar cumprir seus mandamentos conforme os ensinos nos evangelhos.

Geralmente são temas com maior importância em teologias da tradição ortodoxa grega e oriental, na tradição wesleyana (especialmente no movimento de santidade), pietista, anabatista e do movimento de Keswick.

Os tópicos típicos estudados na disciplina teológica da santificação incluem:

  • Os fundamentos bíblicos da santificação incluindo os papéis da fé, da graça e do Espírito Santo no processo. Como as Escrituras servem para o crescimento de fé e conduta (2 Tm 3:15-17), é natural busca nelas bases para subsidiar decisões éticas que afetem a santificação.
  • A natureza da santificação ou como como a santificação é alcançada, como é o processo e qual é o objetivo da santificação.
  • As concepções errôneas de santificação, tais como separatismo, legalismo, elitismo, falso moralismo, individualismo, egoísmo, buscar santificação pelo própri esforço, negligenciar o próximo e a criação na santificação.
  • A relação entre justificação e santificação, explora a conexão entre a retidão (ser justificado) pela fé e ser santificado pelo Espírito Santo.
  • Os meios da graça pelos quais os crentes podem crescer em santificação, incluindo oração, estudo da Bíblia, adoração, comunhão e serviço.
  • Os desafios da santificação que são os obstáculos e dificuldades que os crentes enfrentam no processo de santificação, incluindo pecado, tentação e conflito espiritual.
  • A santificação e ética ou das maneiras pelas quais a santificação molda o comportamento moral e ético dos crentes, enquanto buscam viver em comunhão e obediência à vontade de Deus.
  • A dimensão escatológica da santificação envolve explorar a relação entre a santificação e a esperança futura do crente, incluindo a ressurreição e a vida eterna.

VEJA TAMBÉM

Inteira Santificação

Simul iustus et peccator

Semântica Bíblica

A semântica bíblica é o estudo do significado de palavras individuais dentro do contexto do texto bíblico. Como um ramo da linguística, estuda o significado das palavras da Bíblia, tendo em conta a sua proveniência original, família lexical, composição semântica, etimologia, mudanças semânticas e relações de sentido.

A semântica bíblica é um componente essencial da interpretação bíblica, pois ajuda a compreender o significado das palavras em seu contexto histórico e cultural, bem como em relação ao conteúdo teológico das próprias Escrituras. Envolve a análise do significado das palavras em suas línguas originais (hebraico, aramaico e grego) e o estudo de seu uso no contexto do texto bíblico.

A semântica da linguagem bíblica é complexa devido à distância histórica e cultural entre os autores originais e os leitores modernos, bem como à influência de diferentes traduções e interpretações ao longo do tempo. Boa parte das falácias exegéticas resulta de erros de semântica.

SEIS CONCEITOS BÁSICOS DA SEMÂNTICA

  1. Morfemas Funcionais vs Lexicais:
  • Morfemas Funcionais: São elementos gramaticais que servem a uma função específica em uma frase, como preposições, conjunções e artigos. Eles não carregam muito conteúdo semântico por si só.
    • Em Gênesis 1:1, a palavra “em” (Hebraico: בְּ) é um morfema funcional indicando a relação espacial entre Deus e o ato de criação.
  • Morfemas Lexicais: São palavras de conteúdo que carregam um significado significativo, como substantivos, verbos, adjetivos e advérbios. Transmitem significados lexicais específicos.
    • Em João 3:16, a palavra “Deus” (Grego: Θεὸς) é um morfema lexical representando o ser divino.
  1. Composicionalidade: refere-se ao princípio de que o significado de uma expressão complexa é determinado pelos significados de suas partes constituintes e pelas regras usadas para combiná-las.
  • No Salmo 23:1, a frase “O Senhor é o meu pastor” ilustra a composicionalidade. O significado de toda a frase é derivado dos significados individuais de “O Senhor”, “é”, “meu” e “pastor”, bem como a estrutura sintática da frase.
  1. Entailment vs Implicature: ambos conceitos de inferências são confusamente traduzidos como implicações. Contudo, entailmente
  • Entailment: quando a verdade de uma declaração logicamente necessita a verdade de outra declaração.
    • Se é verdade que “Jesus é humano”, então logicamente implica que “Jesus é mortal”.
  • Implicature: quando um significado implícito que é sugerido ou inferido por uma enunciação, mas não é explicitamente declarado.
    • Em Mateus 22:21, quando Jesus diz: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, a implicatura é que se deve dar o respeito apropriado tanto à autoridade secular (César) quanto à autoridade divina (Deus).

Significado vs Uso:

  • Significado: é conteúdo semântico inerente ou definição de uma palavra ou frase.
    • A palavra “amor” em 1 Coríntios 13:4-7 carrega o significado de altruísmo, paciência e bondade.
  • Uso: como a linguagem é empregada em situações comunicativas reais, considerando o contexto, a pragmática e as intenções do falante.
    • Em Mateus 16:18, Jesus diz a Pedro: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja.” Aqui, o uso de “pedra” simboliza o papel fundamental que Pedro desempenhará na comunidade cristã.
  1. Sentido vs Referência:
  • Sentido: É o significado conceitual ou representação mental associada a uma palavra ou frase, muitas vezes considerando suas várias conotações e associações.
    • Em João 1:14, a frase “A Palavra se fez carne” tem o sentido da encarnação divina de Jesus Cristo, incorporando a mensagem e revelação de Deus.
  • Referência: É o objeto real, entidade ou conceito no mundo ao qual uma palavra ou frase se refere.
    • Em Gênesis 1:1, o termo “céu” se refere ao céu ou ao reino celestial como parte da criação de Deus.
  1. Condições de Verdade:
  • As condições de verdade especificam as condições sob as quais uma frase ou proposição é verdadeira ou falsa.
    • Em João 3:16, a condição de verdade da afirmação “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” é satisfeita se e somente se Deus realmente amar o mundo e oferecer vida eterna aos crentes.

BIBLIOGRAFIA

Barr, James. Semanticsof biblical language. Oxford University Press, 1961.

Baxter, Benjamin J. “Hebrew and Greek Word Fallacies.” Mjtm 12 (2010–2011): 3–32.

Carson, D. A. Exegetical Fallacies. 2nd ed. Grand Rapids: Baker, 1996.

Cotterell, Peter, and Max Turner. Linguistics and Biblical Interpretation. Downers Grove, IL: InterVarsity, 1989.

Osborne, Grant R. The Hermeneutical Spiral: A Comprehensive Introduction to Biblical Interpretation. 2nd ed. Downers Grove, IL: InterVarsity, 2006.

Porter, Stanley E. “Lexicons (Theological).” In Stanley E. Porter, ed., Dictionary of Biblical Criticism and Interpretation, 195–96. New York: Routledge, 2007.

Porter, Stanley E. Studies in the Greek New Testament: Theory and Practice. Sbg 6. New York: Peter Lang, 1996.

Porter, Stanley E. Verbal Aspect in the Greek of the New Testament with Reference to Tense and Mood. Sbg 1. New York: Peter Lang, 1989.

Silva, Moisés. Biblical Words and Their Meaning: An Introduction to Lexical Semantics. Grand Rapids: Zondervan, 1983.

Sache Jesu

A frase alemã Sache Jesu possui difícil tradução. Seria a causa de Jesus ou o engajamento com as coisas de Cristo.

A Sache Jesu teria sido a causa que compeliu o movimento de Jesus primitivo a juntar-se como igreja e a proclamar sua mensagem.

De acordo com o biblista neotestamentário alemão Willi Marxsen o cristianismo é uma religião baseada em uma pessoa histórica e não nas Escrituras. Nessa perspectiva, os meios e os fins da fé cristã são essa causa de Jesus que compele os crentes.

SAIBA MAIS

Van Aarde, Andries G. “The” cause of Jesus”(Sache Jesu) as the Canon behind the Canon.” (2001). https://doi.org/10.4102/hts.v57i1/2.1850

Sérgio Paulo

Sérgio Paulo foi o procônsul romano de Chipre durante o reinado do imperador Cláudio.

Foi o primeiro convertido registrado durante a primeira viagem missionária de Paulo. (At 13:6-7).

Algumas inscrições com o nome Sérgio Paulo foram descobertas. Embora não seja garantido que seja o Sérgio Paulo de Atos, uma inscrição fala dele como procônsul de Chipre durante o reinado de Cláudio