Richard Swinburne

Richard Swinburne (nascido em 1934) filósofo e apologista ortodoxo inglês.

Swinburne discute filosofia da religião e filosofia da ciência. Propõe um dualismo e um teologia articulada com uma lógica modal. Em escritos para um público mais amplo, defende a plausibilidade do teísmo diante das críticas neoateístas.

Choan-Seng Song

Choan-Seng Song (nascido em 1929) é um teólogo presbiteriano sino-taiwanês.

Nascido família presbiteriana em Tainan, cresceu durante domínio japonês. Depois de estudos na National Taiwan University, esteve na University of Edinburgh e no Union Theological Seminary. Foi presidente da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas.

Iniciou sua reflexão teológica profissional pesquisando a interface da revelação divina e a religião do homem nas teologias de Karl Barth e Paul Tillich.
Elaborou críticas ao evangelho individualista, tal como é formulado e pregado pela cristandade ocidental.

Foi pioneiro e proponente da teologia contextual. Argumenta que a teologia cristã asiática deve ser construída a partir das experiências cotidianas do povo da Ásia.

Em sua missiologia defende que a missão cristã deveria ser vista na criação do mundo atual por Deus, inclusive considerando as complexidades de um mundo pluralista. A morte de Cristo representa um fim a uma relação exclusiva de Deus com um povo e a amplitude dessa comunhão para todos os povos. Portanto, não há motivos para considerar as experiências ocidentais com a fé cristã como medida para a crença vivida por outros povos.

O locus teólogico é Cristo, que não menosprezava as pessoas marginalizadas, mas que se compadecia do lamento das pessoas oprimidas. Ainda hoje, Jesus está presente para as pessoas comuns que foram esquecidas aos olhos do governo, das classes ricas e de outros grupos poderosos.

Salmos 152-155

Os Salmos 152-155 são salmos extra-canônicos registrados na Peshitta Siríaca. Dois deles (Salmo 154 e 155) também são encontrados no grande rolo de Salmos do Mar Morto em hebraico. Juntamente com o Salmo 151, formam os chamados “cinco salmos apócrifos” ou os “Cinco Salmos Siríacos”.. Os Salmos 152 a 155 são encontrados em dois manuscritos bíblicos siríacos e vários manuscritos do “Livro da Disciplina” de Elias de Anbar. Foram identificados pelo bibliotecário orientalista Giuseppe Simone Assemani em 1759. ou os “Cinco Salmos Siríacos”.

O Salmo 152, “Falado por Davi quando estava contendendo com o leão e o lobo que levaram uma ovelha de seu rebanho”, sobreviveu apenas em siríaco, embora a língua original possa ter sido o hebraico. O texto tem seis versículos, o tom é não rabínico, e provavelmente foi composto em Israel durante o período helenístico (c.323–31 a.C.).

O Salmo 153, “Falado por Davi quando agradecia a Deus, que o havia livrado do leão e do lobo e ele havia matado ambos”, sobreviveu apenas em siríaco. A data e a proveniência são semelhantes ao Salmo 152.

O Salmo 154 sobreviveu em manuscritos bíblicos siríacos e também foi encontrado em hebraico, no Rolo do Mar Morto 11QPs(a)154, um manuscrito do século I d.C. Também chamado de “A Oração de Ezequias quando inimigos o cercaram”.

O Salmo 155 está preservado em siríaco e também foi encontrado no Rolo do Mar Morto 11QPs(a)155, um manuscrito hebraico do século I d.C. O tema deste salmo é semelhante ao do Salmo 22, e devido à falta de peculiaridades, é impossível sugerir data e origem, exceto que sua origem é claramente pré-cristã.

VEJA TAMBÉM

Salmo 151

Salmos de Salomão

Elefantina

Philipp Jacob Spener

Philipp Jacob Spener (1635 – 1705) foi um teólogo luterano alemão e fundador do pietismo.

Depois de ordenado, em 1666 mudou-se para Frankfurt, onde em 1670 fundou os collegia pietatis, grupos locais de edificação religiosa. Quando publicou sua obra Pia Desideria (1675) houve uma alavancagem nesse movimento.

Spener esteve entre os fundadores da Universidade de Halle.

Sacrifícios levíticos

O sistema sacrificial insere-se ao tema central do livro de Levítico: efetivar as circunstâncias necessárias para estabelecer e manter a presença de Deus entre os israelitas. Havia dois tipos de ofertas. As ofertas voluntárias eram destinadas a um contínuo culto da presença divina no meio do povo de Israel. Já as ofertas de purificação e reparação no sistema sacrificial levítico remediavam as impurezas rituais físicas que não podiam ser removidas apenas por abluções, bem como violações relativamente menores dos mandamentos divinos.

No sete primeiros capítulos do livro de Levítico, existem cinco tipos de sacrifícios descritos conforme o propósito de suas ofertas.

Cada tipo de sacrifício seguia um processo específico que se correlacionava com sua função distinta. Exceto a oferta de reparação que exigia reparação prévia não sacrificial, um parâmetro repete-se nos sacríficios levíticos: carne queimada ou consumida parcialmente; o sangue passado às pontas do altar. As ofertas não animais de grãos, bebidas e incenso, consequentemente eram sem sangue nem carne.

  1. ʿOlah ou Oferta Queimada (Levítico 1:1-17; 6:8-13): um sacrifício voluntário que podia ser oferecido em ação de graças, devoção ou expiação por pecado não intencional. Consistia em um animal, como um touro, ovelha ou cabra, que era completamente queimado no altar.
  2. Minḥah ou Oferta de cereais (Levítico 2:1-16; 7:9-14): uma oferta voluntária de grãos cozidos ou crus, como trigo ou cevada, misturados com óleo e incenso. Era uma parte queimada totalmente e outra parte destinado aos sacerdotes.
  3. Shlmim ou Oferta pacífica (Levítico 3:1-7; 7:11-34; 17:10-14; 22:21-30): oferta voluntária que expressava ação de graças ou um voto. Podia ser um touro, ovelha ou cabra e era parcialmente queimado no altar, sendo o resto comido pelos sacerdotes, o ofertante e sua família.
  4. ḥaṭṭat ou Oferta de purificação (Levítico 4:1 – 5:13; 6:24-30; 8:14-17; 10;16-20): oferta obrigatória feita por pecados não intencionais cometidos por indivíduos ou pela comunidade. Podia ser um touro, bode ou cordeiro, e o sangue era aspergido no altar enquanto o animal era queimado fora do arraial.
  5. Asham ou Oferta pela reparação (Levítico 5:14 – 6:7. 7:1-7; 14:12-18; 19:20-22): oferta obrigatória feita por pecados intencionais, como roubo ou fraude. Podia ser um carneiro, cordeiro ou bode, e o sangue era aspergido no altar enquanto o animal era oferecido como sacrifício. Parte era queimada e parte era consumida pelos sacerdotes. O ofensor era obrigado a reparar seus erros.

A partir dessa tipologia acima, é importante notar algumas coisas.

As ofertas queimada e de purificação são as únicas que constituem holocaustos — sacrifícios queimados totalmente. Após 30 anos pesquisando Levítico, o biblista Jacob Milgrom renovou o estudo dos sacrifícios levíticos apontando duas coisas. Primeiro, as ofertas serviam ao sistema de pureza para preservar a santidade da vida e, assim, evitar qualquer coisa que simbolizasse a morte. Por fim, o sangue da Oferta de Purificação age como um detergente ritual, limpando o santuário dos erros e impurezas dos israelitas. Milgrom argumentava que a oferta de purificação nunca purificava seu ofertante, mas apenas purificava partes do santuário nas quais o sacerdote aplicava o sangue do sacrifício.

Levítico 16 reflete uma combinação complexa dos sacrifícios. Jacob Milgrom demonstrou os problemas de traduções como “expiar” ou “expiar” para Levítico 16, propondo “expurgar, purificar, descontaminar ou purgar” como traduções mais precisas. Karl Elliger sugere uma combinação de rituais de purificação sacerdotais e comunitários. (Contra Elliger, Sabina Wefing propõe um rito de purificação realizado exclusivamente pelo sumo sacerdote para ele e sua família, incorporando posteriormente o ritual do bode expiatório). Nessa passagem há ofertas ḥaṭṭat (o novilho e o cordeiro) e ʿolah (o bode).

Em ambos casos, não há uma expiação vicária. Em outras palavras, nenhum animal serve para aplacar a ira ou satisfazer a honra divina. Os animais mortos descontaminam a poluição ritual acumulada anualmente. Há sim uma confissão de iniquidades e transgressões dos israelitas, qual sejam seus pecados, então o bode não é sacrificado, mas enviado ao deserto como portador das iniquidades.

Outra coisa a observar é que nem todos os sacrifícios levíticos têm uma função expiatória. Por exemplo, os sacrifícios pacíficos (Lv 3, 7:11–21) não têm função expiatória. A distinção do sacrifício expiatório dava-se pelo acesso ao seu consumo pela classe não sacerdotal ou levítica. Isso é ilustrado na Páscoa. Nesta festividade ocorria um tipo de sacrifício de ação de graças porque era comido pela congregação de Israel (cf. Êx 12 com Lv 7:12, 15).

Não há consenso quanto outros sacrifícios (por exemplo, em Gênesis ou no ciclo de Elias) possuírem as mesmas funções e formas que os sacrifícios levíticos. Similares funções ocorrem entre povos do Antigo Oriente Próximo, desde ofertas para “alimentar” os deuses até ofertas expiatórias.

Levítico reflete a doutrina da presença divina, e todo os sistema ritual está relacionado à purificação do povo para garantir a presença de Deus. É perceptível a ausência de oração. A oferta de alimentos (Lv 1-3) é congruente com a teologia do sustento e habitação de Deus. Esse tipo oferta ocorria no Antigo Oriente Próximo como a administração da habitação divina (cf. Nm 28:2, 24; Ezequiel 44:7).

No Novo Testamento, Levítico é interpretado tipologicamente com a obra de Jesus, com ele assumindo diversos papéis. Cristo é referido em 2 Coríntios 5:21 como “pecado”, remetendo à hamartia da Septuaginta para traduzir o hebraico ḥaṭṭat. Em Rm 3:25, Jesus é comparado com o Trono da Misericórdia, diante do qual eram feitas as ofertas.  Os capítulos 7–10 de Hebreus comparam Cristo com o sacerdócio levítico e caracterizam Jesus como o Sumo Sacerdote ideal que realiza o sacrifício final e perfeito, cumprindo e recapitulando Lev 1-7. Por fim, Cristo é representado como o Cordeiro Pascal (Jo 1:29; 1 Co 5:7; Ap 5:6).

ESBOÇO DE LEVÍTICO 1-7

  1. Lv 1:1 – 6:7: As ofertas (A Lei ou instruções para os ofertantes)
    a. (Lv 1) A oferta queimada – oferta voluntária
    b. (Lv 2) A oferta de cereais – dedicação/consagração
    c. (Lv 3) A oferta pacífica —reconciliação e comunhão
    d. (Lv 4:1 – 5:13) A oferta de purificação
    e. (Lv 5:14 – 6:7) A oferta de reparação — arrependimento
  2. Lv 6:8 – 7:38: A Lei para as ofertas (A Lei ou instruções para os sacerdotes)
    a. (LV 6:8-13) A oferta queimada
    b. (Lv 6:14-23) A oferta de cereais
    c. (Lv 6:24-30) A oferta para purificação
    d. (Lv 7:1-10) A oferta de reparação
    e. (Lv 7:11-36) A oferta pacífica
    f. (Lv 7:37-38) Inclusio

BIBLIOGRAFIA

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Wefing, Sabina. “Untersuchungen zu Ex 32–34 und Dtn 9–10” Veröffentlichungen der Wissenschaftlichen Gesellschaft für Theologie 18