Collegiantes

Os collegiantes foram uma denominação protestante radical na era áurea neerlandesa (séculos XVII ao XVIII).

Originários de uma congregação reformada na Holanda que não quis apoiar os partidos gomarista ou arminiano, os collegiantes apregoavam a liberdade de consciência.

Seus cultos eram abertos à manifestação livre das falas dos participantes, tanto homem quanto mulheres. Os critérios de comunhão era a crença na Bíblia como base para a fé e nos ensinamentos de Cristo como válidos para a humanidade. Fora isso, qualquer formulação doutrinária ou atos sacramentais não conferia efeitos para a participação em suas comunidades. Apesar disso, realizavam batismos por imersão e santa ceias bianuais.

Como um fórum de tolerância e culto, atraiu simpatizantes e visitantes famosos como John Locke, Baruch Spinoza, Jan Comenius, além de pioneiros batistas e quakers.

BIBLIOGRAFIA

Quatrini, Francesco. Adam Boreel (1602-1665): A Collegiant’s Attempt to Reform Christianity. Netherlands, Brill, 2021.

Valdense

Os valdenses são um povo e denominação originários de um movimento popular na Idade Média que, perseguidos como heréticos, continuaram e abraçaram a Reforma.

O movimento tem origem quando um mercador em Lyon, Pedro Valdo (1140? – 1217?), passou por uma experiência de conversão em 1173. Pregando um retorno aos mandamentos dos evangelhos e uma pobreza voluntária, atraiu seguidores, sendo também chamados Pobres de Lyon. Proibidos de pregar e excomungados em 1181, os valdenses esparramaram-se pela Europa central e Itália, sobretudo nos Vales Valdenses.

Perseguidos pela Inquisição e com cruzadas, sobreviveram em regiões remotas e ocultando sua fé. Em uma reunião em Chanforan, nos Vales Valdenses, em 1532, uniram-se ao ramo Reformado do protestantismo.

Somente em 1848 ganharam liberdade e segurança para o culto. Nos anos seguintes, migraram em massa para o Uruguai, França e Estados Unidos. Nesse último país organizaram várias congregações, dentre ela a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, formada principalmente por emigrados da comunidade de Favale di Malvaro, na Ligúria.

No século XX a Igreja Evangélica Valdense aproximou-se dos metodistas italianos formando a União Evangélica Valdo-Metodista na Itália. No Uruguai e Argentina formam a Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata.

Dada sua antiguidade, atribuíram aos valdeses lendas: de que remontam da época dos apóstolos, de que faz parte de uma cadeia de sucessão marginal de crentes, de que guardavam o sábado, de que esposavam doutrinas protestantes já na Idade Média, dentre outras refutadas pela própria historiografia valdense.

Evangelho Pleno

Os termos Full Gospel, Evangelho Completo, o Evangelho Pleno ou “Todo o Evangelho” descrevem a doutrina que se originou nos avivamentos do século XIX após a Guerra Civil Americana, com pessoas como Albert Benjamin Simpson para as doutrinas de uma completa obra regenerativa realizada em Cristo acompanhada por ação do Espírito Santo.

A expressão “evangelho completo” refere-se a Rm 15:18-19, que na versão King James aparece “I have fully preached the Gospel of Christ.”

Porque não ousaria dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para obediência dos gentios, por palavra e por obras; 19 pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que, desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo.

A expressão tem sido utilizada por algumas igrejas do movimento pentecostal italiano, como a Church of the Full Gospel em Chicago e no púlpito e no selo da Assemblee di Dio in Italia, em Roma. Nesse conceito, a proclamação do evangelho seria mediante palavra, obras, sinais e prodígios por virtudo do Espírito Santo.

Nova Conexão Metodista

A Nova Conexão Metodista, pejorativamente chamada de Killhamites, foi uma denominação metodista britânica existente entre 1797 e 1907. Sua ênfase na participação leiga e a redação de seus artigos de fé infuenciaram muitas denominações evangélicas posteriores.

Depois da morte de John Wesley em 1791, o metodismo britânico tornou-se rapidamente institucionalizado enquanto algumas lideranças insistiam em manter o movimento subordinado à Igreja Anglicana. Em reação, Alexander Kilham (1762 – 1798), um pregador itinerante metodista, defendia a independência denominacional para os metodistas.

Kilham propôs que os membros leigos deveriam participar da gestão da Igreja, havendo representação igual com os ministros nas conferências decisórias. Kilham defendia que o ministério não deveria possuir autoridade oficial ou prerrogativa pastoral, mas deveria apenas executar seus ministérios de acordo com as diretrizes das congregações e das conferências.

Na conferência dos metodistas britânicos em 1796, Kilham foi expulso por defender os princípios eclesiológicos acima. Em seguida, nas cidades industrais vários metodistas das classes trabalhadoras e de classe média educada aderiram à Nova Conexão Metodista organizada por Kilham. No entanto, ele morreria no ano seguinte.

A segunda esposa de Kilham, Hannah Spurr Kilham (1774–1832), com quem se casou poucos meses antes de sua morte, foi missionária e linguista no oeste da África.

A Nova Conexão Metodista fez parte da vertente radical do metodismo do século XIX. Essa vertente mantinha a soteriologia wesleyana, mas insistia em um primitivismo quanto à eclesiologia e um ativismo social em prol dos desfavorecidos. A NCM foi formada em 1797, os Metodistas Primitivos em 1807, os Cristãos da Bíblia em 1815, os Metodistas Livres em 1860 e o Exército de Salvação em 1865.

Recebiam a alcunha de “Thomas Paine Methodists” pelos valores democráticos que os inspiravam. Em suas reuniões, as pregações eram seguidas por uma discussão livre.

Catherine e William Booth, o fundador do Exército de Salvação, foram membros da Nova Conexão Metodista e inspiram em seus Artigos de Fé para a redigir os pontos de doutrina de seu novo movimento.

Em 1907 a Nova Conexão Metodista, então com 37 mil membros, uniu-se com outras denominações metodistas britânicas para formar a Methodist Church of Great Britain.

BIBLIOGRAFIA

Blackwell, J. Life of Alexander Kilham. 1838.

Kilham, Alexander; Thom, William. Out-lines of a constitution; proposed for the examination, amendment and acceptance, of the members of the Methodist New Itinerancy. 1797.

Thompson, Edward Palmer. The making of the English working class. 1968.

Montanismo

O montanismo designa um avivamento de fervor entre cristãos na Frígia, atual Turquia, no século II, quanto vários movimentos posteriores que mantiveram as práticas de profecias ou manisfestações carismáticas nas igrejas.

Uma das únicas fontes históricas dos próprios montanistas é Tertuliano, adepto de uma de suas vertentes. Segundo Tertuliano, para os montanistas o Espírito Santo através da profecia esclarecia dificuldades em entender as Escrituras. As profecias montanistas não continham novo conteúdo doutrinário, mas impunham rígidos padrões comportamentais em busca de santificação.

Como em todos movimentos espirituais, surgiram excessos e também falsos profetas. O montanismo não era um só movimento, mas várias vertentes, as quais sobreviveram até o século IV.

No século IV, ou seja, duzentos anos depois do avivamento, surgiu um movimento aliado ao estado romano antimontanista. Quase tudo que sabemos sobre o montanismo vem dessa época e por autores antimontanistas (Jerônimo, Epifânio, Agostinho, Eusébio). Dada a distância temporal e o viés antimontanista, é muito pouco o valor histórico desses autores sobre esse tema.

O uso do termo ‘montanista’ para referir-se à atitude de considerar revelações extáticas superior às Escrituras não reflete o movimento histórico, tal como suas evidências permitem conhecer.