Amorreus

Amorreus (ou amoritas) designação genérica a povos semitas em várias línguas do Antigo Oriente Médio. Na Bíblia, aparecem como um dos habitantes de Canaã e Basã. Cf. Gn 15:16; Nm 21:26-32; Dt 18:9-14; Js 10:12.

O nome “Amorita” ou “amorreu” vem do acádio antigo Amurru, que significa “o Ocidente”. Foi usado pelos assírios para descrever as culturas da Idade do Bronze na Síria. Após a queda do reino de Amurru, o termo foi usado mais amplamente para terras a oeste da Assíria.

Horeus

Horitas ou horeus, em hebraico חֹרִים‎ horim, um povo que vivia no sul do Levante antes dos israelitas e edomitas. Aparecem em Gn 14:6, 36:20, Dt 2:12, embora outras passagens em Josué e Samuel possam referir-se a eles.

O Texto Masorético faz confusão entre “heveus” e “horitas”, possivelmente pela semelhança das letras hebraicas Vav e Resh, enquanto a Septuaginta registra “horita”.

Habitaram nas áreas ao redor do Monte Seir em Canaã (Gn 36:2,5) antes de serem substituídos pelos edomitas. Na lista de chefes dos horeus em Gn 36:20-29 e 1 Cr 1:38-42 aparecem dois nomes femininos, Oolibama, a filha de Aná; e a Timna irmã de Lotã.

Como o termo Ḥor em hebraico significa caverna, supõe-se que fosse habitantes das cavernas da região. Há dúvidas se são relacionados com o hurritas, povos não semíticos que dominaram o sul da Anatólia e norte da Síria nos meados da Idade do Bronze.

Cananeus

Cananeus eram os habitantes de Canaã antes do estabelecimento do povo de Israel. Etnicamente eram os mesmos povos da costa da Fenícia.

Os cananeus aparecem como descentes de Canaã, filho de Cam, um dos filhos de Noé (Gn 12).

Genericamente, o termo aplica-se ao diversos povos habitantes da região antes do israelitas:

  1. Gênesis 15:19-21 (10): queneus, heteus, amorreus, jebuseus, quenezeus, quenezeus, perizeus, cananeus, cadmoneus, refaim, girgaseus.
  2. Êxodo 3:17 (6): cananeus, pereseus, heteus, heveus, amorreus, jebuseus.
  3. Êxodo 23:28 (3): heveus, cananeus, heteus.
  4. Deuteronômio 7:1 (7): heteus, cananeus, jebuseus, girgaseus, perizeus, amorreus, heveus.
  5. Josué 24:11 (7): amorreus, heteus, jebuseus, perizeus, girgaseus, cananeus, heveus.

Queneus

O termo em hebraico significa “ferreiro” e pode ter sido aplicado tanto a ferreiros em geral, grupos itinerantes de metalúrgicos ou a um grupo étnico específico da terra de Canaã (Gn 15:19).

Algumas famílias de queneus acompanharam os israelitas às planícies de Moabe (Jz 1:16). O sogro de Moisés, Jetro, é identificado em (Jz 1:16; 4:11) como um queneu. A região sul do Levante era caracterizada pela exploração e fundição de metais. Jael, que matou Sísera, pertencia aos queneus (Jz 4:11; Jz 17-22: 11; Jz 5: 24-27).

Saul distinguiu os queneus dos amalequitas para poupá-los (1Sm 15:6). Davi, enquanto morava em Ziclague, enviou presentes com despojos a algumas das “cidades dos queneus” no sul de Judá (1Sm 30:29).

Os recabitas que moravam em tendas (Jr 35) eram queneus (1Cr 2:55).

Talvez fossem relacionados com os quenezeus.

Moabe, Moabitas

Os moabitas, juntos dos amonitas, eram povos vizinhos, aparentados e ocasionais inimigos dos antigos israelitas. Viviam na região onde hoje é a Jordânia.

O território de Moabe localizava-se ao leste do Mar Morto, diante do deserto da Judeia. Trata-se de um plano árido até subir abruptamente cerca de 1.200 m de altitude em uma planície mais fértil que se estende por cerca de 24 quilômetros da escarpa até o deserto da Arábia. Seus vizinhos ao norte eram os amonitas e ao sul os edomitas, enquanto que a leste estava o deserto do Norte da Arábia.

Pouco se conhece dos moabitas. As fontes assírias, egípcias e a Bíblia constituem as principais peças para reconstruir sua história. Sua língua, o moabita, era um mero variante do contínuo linguístico cananeu do qual também se inclui o hebraico. A língua é atestada pela Estela de Mesa ou Pedra Moabita.

De acordo com a narrativa bíblica, a origem de Moabe seria o filho de Ló nascido de um relacionamento incestuoso com sua filha mais velha (Gn 19:30-38). Mais tarde, na fase final do êxodo, o rei moabita Balaque contratou o profeta Balaão para amaldiçoar os israelitas (Nm 22-24). Israel acampou nas planícies de Moabe antes de entrar na terra prometida (Nm 35:1; Dt 1:5), quando ocorreu o incidente de Baal-Peor (Nm 25).

Já no período dos juízes, o rei moabita Eglom oprimiu os israelitas, mas foi assassinado por Eúde (Jz 3:12-30). A moabita Rute, também ambientada no período dos juízes, é incorporada ao povo de Judá. Saul e Davi lutaram contra os moabitas, conquistando-os (1Sm 14:47; 2Sm 8:2). No período dos reis, os moabitas são mencionados apenas ocasionalmente (2 Re 3; 2 Re13:20; 2Re 24:2; Is 15-16; Jr 48; Sofonias 2:8-11).

Moabe é mencionado pela primeira vez no século XIII a.C. por Ramsés II, assim como referências a Dibom e Butartu.

Os dados arqueológicos identificam três fases da sociedade moabita.

A primeira, durante o período Ferro I, consistia em uma coleção de pequenos povoados do final do 2o Milênio, baseando em economias familiares e comunitárias de subsistência agro-pastoril. Com o controle do wadi de Árnom (Mujib), a região de Moabe viu um aumento dramático no povoamento tanto ao norte quanto ao sul do wadi devido à sedentarização dos povos nômades.

No final do século IX, já no começo da Idade do Ferro II, surge uma chefatura mais centralizada. Isso é condizente com a ameaça do expansionismo da monarquia israelita.

Como sugerem Is 15-16 e Jr 48, no final do século VIII a.C. ocorreu expansão da fronteira norte de Moabe até o estado amonita em Jalul. A Estela de Mesa, uma inscrição de um dos primeiros reis de Moabe, descreve como ele enfrentou os israelitas, aumentou seu território, estabeleceu uma nova capital e centro de culto em Dibom.

O Império Neo-Assírio passou a cobrar tributos dos moabitas e a dominar como suserano a partir do século VIII a.C. Mesmo assim, a produção pastoralista e têxtil cresceram. Já na fase final da Idade do Ferro (Império Babilônico), os moabitas desaparecem como sociedade distinta e sua região foi repovoada por nômades árabes.

Em geral, há um tom de hostilidade e rivalidade no Bíblia em relação aos moabitas e amonitas (Números 25:1–5; Deuteronômio 23:3; Juízes 3:12–13; Juízes 11:4; 1 Samuel 11–12; 2 Samuel 8; 10; 2 Reis 3; 2 Reis 24:2; Isaías 15:1–16:13; Jeremias 48:1–49:6; Ezequiel 25:2–9; Amós 1:13–2:3; Sofonias 2:8–9). Contudo, há conotações positivas em Deuteronômio 2:9, 18 e Rute 1–4.