Livro de Josipon

O Sefer Josippon ou Livro de Josipon, também conhecido como Pseudo-Josefo, é uma crônica hebraica medieval. Deriva-se de uma tradução livre latina das obras de Flávio Josefo, a Bellum Iudaicum, a qual tinha sido feita pelo autor conhecido como Pseudo-Hegésipo.

Composta no final do primeiro milênio por algum judeu da comunidade grega do sul da Itália, ganhou aceitação entre os bizantinos. Contudo, somente integrou o cânone amplo na Igreja Ortodoxa Etíope.

Não há novidade de conteúdo com valor histórico, mas Josipon ilustra o processo de reescrita e transmissão de literatura bíblica e parabíblica.

O livro de Josipon cobre a história hebraica de Adão à queda de Massada em 74 dC, com foco no período do Segundo Templo. Outras fontes foram a Vulgata, incluindo os livros dos Macabeus, a tradição judaica e algumas fontes pseudo-históricas latinas.

BIBLIOGRAFIA

Flusser, David. “Josippon: A Medieval Hebrew Version of Josephus.” Pages 386–97 in Josephus, Judaism, and Christianity. Edited by L. Feldman and G. Hata. Detroit: Wayne State University Press, 1987.

Reiner, Jacob. “The English Yosippon.” Jewish Quarterly Review 58 (1967): 126–42.

Gênero apocalíptico

O gênero apocalíptico, do grego para “revelação” é um gênero literário de escritos antigos que revelam informações secretas ou ocultas sobre o a realidade, a história ou futuro, especialmente o fim dos tempos.

A definição padrão é a de Collins:

[A literatura apocalítica é ] um gênero de literatura reveladora com uma estrutura narrativa, na qual uma revelação é mediada por um ser de outro mundo para um receptor humano, revelando uma realidade transcendente que é temporal, na medida em que contempla a salvação escatológica, e espacial na medida em que envolve outro mundo sobrenatural.’

O conteúdo inclui promessas de julgamento iminente e intervenção divina em um mundo pecaminoso em nome dos eleitos. Também pode incluir visões ou visitas aos céus, guiadas por mediadores ou anjos, leitura de livros com conteúdos secretos ou poderosos.

Na Bíblia ocorre pequenos apocalipses em Daniel 7-12; Marcos 13 (paralelo em Mt 24, Lc 21), além de seções de Ezequiel e o livro de Apocalipse.

Normalmente o gênero ocorre em obras anônimas, com atribuição de autoria ou narração em primeira pessoa a personagens bíblicos de renome (pseudoepígrafa). Alguns apocalipses não canônicos são 1 Enoque, Apocalipse de Pedro, Pastor de Hermas e 4 Esdras.

Fora de contextos das religiões abraâmicas, há apocalipses mesopotâmicos, egípcios, persas, greco-romanos e gnósticos.

A literatura apocalíptica abrange visões do fim dos tempos, mas nem todas as revelações desse gênero são estritamente escatológicas. A literatura enoquita, por exemplo, inclui visões inspiradas em tradições antigas, mas nem todas pertencem ao fim dos tempos. Além disso, o apocalipticismo não deve ser confundido com o messianismo, pois um Messias busca restaurar a glória de uma nação, enquanto a escatologia diz respeito ao destino final do mundo. Enquanto o cristianismo combina os dois conceitos, no judaísmo, escatologia e messianismo permanecem gêneros separados, às vezes entrelaçados, mas nem sempre dentro de narrativas apocalípticas.

BIBLIOGRAFIA
Collins, John “Introduction: Towards the Morphology of a Genre,” 9.

Collins, John J.  The Apocalyptic Imagination: An Introduction to Jewish Apocalyptic Literature, 2nd ed. Eerdmans, 1998).

Nickelsburg, George W. E. Resurrection, Immortality, and Eternal Life in Intertestamental Judaism and Early Christianity, 2nd ed. Harvard University Press, 2006.

VEJA TAMBÉM

Literatura Apocalíptica

Apocalipse Grego de Esdras

O Apocalipse grego de Esdras é um texto apocalíptico da era cristã e é um dos três Apocalipses de Esdras. É distinto dos Apocalipses Judaico e Latino de Esdras e é uma compilação de vários materiais relacionados a Esdras. As cópias sobreviventes datam de antes do século IX, mas a data exata de sua composição permanece incerta, provavelmente entre 150 e 850 d.C.

O texto centra-se em um debate entre Esdras e Deus, discutindo a justiça e a misericórdia de Deus. Apresenta elementos da teologia cristã, mencionando vários apóstolos cristãos no céu ao lado dos patriarcas judeus.

O estilo de escrita do Apocalipse grego de Esdras é inconsistente, alternando frequentemente entre narrativas de primeira e terceira pessoa, sugerindo que é uma composição de diversos materiais anteriores relacionados a Esdras.

Embora algumas partes do conteúdo se sobreponham ao Apocalipse Judaico de Esdras, a maior parte do material é única. Ele oferece um relato distinto da jornada celestial de Esdras através do céu (Céu) e do submundo (Tártaro).

A proveniência do Apocalipse Grego de Esdras não pode ser determinada com certeza. Sua imitação tardia de 4 Esdras e semelhanças com o Apocalipse de Sedraque sugerem que ele se baseou nesses textos anteriores. No entanto, representa uma contribuição separada e significativa para a literatura apocalíptica, oferecendo uma perspectiva cristã sobre o profeta Esdras e suas interações com as forças divinas.

Livro de Enoque

O Livro de Enoque é uma coleção, de gênero apocalíptico, de apócrifa e pseudopigráfica de textos judaicos do período do Segundo Templo atribuídos a Enoque, o bisavô de Noé (Gênesis 5:18).

Geralmente quando se diz “Livro de Enoque” refere-se a 1 Enoque, cujos manuscritos originalmente sobreviveram apenas na língua ge’ez até a descoberta de cópias entre os Manuscritos do Mar Morto. Outros livros ou recensões com o mesmo nome são 2 Enoque em eslavo antigo e 3 Enoque em hebraico. Mais tarde foram descobertas cópias em outros idiomas.

Exceto entre grupos apocalípticos no período do Segundo Templo (por vezes chamado de judaísmo enoquita) e em áreas remotas da Antiguidade Tardia e na Idade Média (Etiópia e Bálcãs), o livro de Enoque não foi tido como canônico. Apesar disso, é citado no Novo Testamento. 1 Enoque é ainda parte do cânon amplo das igrejas ortodoxas etíope e eritreia.

Enoque é uma antologia de vários textos. A secção chamada de Livro Astronômico de Enoque talvez tenha sido composto na região de Samaria cerca 250 a.C. O Livro dos Vigilantes pode remontar da Judeia da década de 240 a.C.2 Enoque talvez seja de 30 ac-70 aC.

Esses textos descrevem como anjos caídos (grigori ou vigilantes) acasalam-se com humanos de onde saíram os gigantes ou nefilim (cf. Gênesis 6:1-2). Há também uma visita de Enoque ao céu na forma de uma visão e suas revelações. Ele também contém descrições do movimento dos corpos celestes.