Choan-Seng Song

Choan-Seng Song (nascido em 1929) é um teólogo presbiteriano sino-taiwanês.

Nascido família presbiteriana em Tainan, cresceu durante domínio japonês. Depois de estudos na National Taiwan University, esteve na University of Edinburgh e no Union Theological Seminary. Foi presidente da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas.

Iniciou sua reflexão teológica profissional pesquisando a interface da revelação divina e a religião do homem nas teologias de Karl Barth e Paul Tillich.
Elaborou críticas ao evangelho individualista, tal como é formulado e pregado pela cristandade ocidental.

Foi pioneiro e proponente da teologia contextual. Argumenta que a teologia cristã asiática deve ser construída a partir das experiências cotidianas do povo da Ásia.

Em sua missiologia defende que a missão cristã deveria ser vista na criação do mundo atual por Deus, inclusive considerando as complexidades de um mundo pluralista. A morte de Cristo representa um fim a uma relação exclusiva de Deus com um povo e a amplitude dessa comunhão para todos os povos. Portanto, não há motivos para considerar as experiências ocidentais com a fé cristã como medida para a crença vivida por outros povos.

O locus teólogico é Cristo, que não menosprezava as pessoas marginalizadas, mas que se compadecia do lamento das pessoas oprimidas. Ainda hoje, Jesus está presente para as pessoas comuns que foram esquecidas aos olhos do governo, das classes ricas e de outros grupos poderosos.

Don Cupitt

Don Cupitt (nascido em 1934) é um filósofo da religião inglês. Foi ministro ordenado anglicano e professor na Universidade de Cambridge.

Defende uma filosofia da religião não realista. Debate as reivindicações sobrenaturais do cristianismo. Entrentanto, rejeita as doutrinas e a metafísica do cristianismo histórico em favor da consciência religiosa que caracteriza a identidade humana. Influenciado pela noção budista do Nada, desconsidera o teísmo objetivo. Tais posições levaram-lhe ser taxado como o “pároco ateísta”.

BIBLIOGRAFIA

Alves, Leonardo Marcondes. “O Deus pós-moderno“. Ensaios e Notas, 2010. https://ensaiosenotas.com/2010/12/03/o-deus-pos-moderno/

Cupitt, Don. The Sea of ​​Faith. Cambridge University Press, 1988.

Cupitt, Don. After God: The Future of Religion. Basic Books, 1997.

Cupitt, Don.  Is Nothing Sacred?: The Non-Realist Philosophy of Religion: selected essays. Fordham University Press, 2002.  http://www.jstor.org/stable/j.ctt1g2kn3r.

Corbã

O corbã, em hebraico קָרְבָּן, nas línguas semíticas indica ofertas para sacrifício a Deus com o propósito de prestar homenagem, ganhar favores ou obter perdão.

No período do Segundo Templo, corbã passou significar um voto ou uma oferta não redimível. No sistema sacrificial levítico, algumas ofertas poderiam serem redimidas em troca de outra oferenda. O Novo Testamento emprega o sentido de voto (Marcos 7:11) e tesouro do templo.

Josefo usa outras palavras para oferta, mas usa corbã para o voto dos nazireus (Antiguidades Judaicas 4:73; 4,4,4) e cita Teofrasto acerca de um voto entre os tírios (Contra Apião 1.167 ; 1,22,4).

Encarnação

A encarnação é uma doutrina central do cristianismo que afirma que Deus se tornou carne, assumindo a natureza humana na pessoa de Jesus Cristo. Este princípio fundamental sustenta que Jesus é totalmente divino e totalmente humano, uma união conhecida como união hipostática.

A doutrina da encarnação proclama que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1:14). Esse ensinamento enfatiza que o Verbo eterno de Deus, a segunda pessoa da Trindade, tomou forma humana, habitando verdadeiramente entre os homens na pessoa de Jesus de Nazaré, e não de forma metafórica. A união hipostática descreve a união única das naturezas divina e humana em Jesus Cristo. Essa união, no entanto, não mistura nem diminui as duas naturezas; ambas permanecem distintas, mas inseparáveis. Cristo não é parcialmente Deus e parcialmente humano, mas plenamente ambos.

A encarnação tem múltiplos propósitos na teologia cristã. A encarnação é um meio de revelação: ao se tornar humano, Deus se revela de forma tangível e acessível. A vida, os ensinamentos, a morte e a ressurreição de Jesus oferecem a revelação suprema do caráter e dos propósitos de Deus. Ademais, a encarnação é essencial para a redenção humana, pois, ao se tornar humano, Cristo pôde identificar-se com a humanidade, vencer o pecado e a morte. A encarnação também promove a reconciliação, pois preenche a lacuna entre Deus e a humanidade causada pelo pecado, sendo o primeiro passo para restaurar o relacionamento rompido. Além disso, a vida de Jesus como ser humano oferece o exemplo perfeito de como viver em obediência a Deus.

Além de João 1:14, diversos outros trechos bíblicos fundamentam a doutrina da encarnação. Referente à kenosis, Filipenses 2:5-11 descreve o “esvaziamento” de Cristo, que assumiu a forma de servo e foi obediente até a morte. Colossenses 1:15-20 apresenta Cristo como a imagem do Deus invisível, em quem toda a plenitude de Deus habita. A encarnação permitiu que Cristo torna-se o representante da humanidade diante de Deus, como em Hebreus 2:14-18 ocorre a identificação de Cristo com a humanidade, tornando-se um sumo sacerdote misericordioso e fiel.

De acordo com a Bíblia (João 1:14, Colossenses 1:19-20, Hebreus 2:17-18, Filipenses 2:5-8, 1 João 3:8, Lucas 2:10-11, João 3:16, Lucas 2:13-14), o nascimento de Cristo faz parte da reconciliação da humanidade com Deus. Quando Deus assumiu forma humana em Jesus, Ele preencheu o abismo que separava a humanidade do divino. A encarnação é um ato de amor e humildade para restaurar nosso relacionamento com Ele.

Nenhum ato isolado de Cristo proporcionou a expiação. A obra de reconciliação envolve sua encarnação, ensinamentos, obras maravilhosas de serviço, vida exemplar, morte, vitória sobre a morte na ressurreição e ascensão.

O nascimento de Jesus marca um novo começo, um recomeço para a humanidade sobrecarregada pelo pecado. Por meio de Sua vida, morte e ressurreição, Jesus abriu o caminho para o perdão e a reconciliação, permitindo-nos experimentar paz e plenitude com Deus. O nascimento de Cristo inicia o caminho para a redenção e para um relacionamento restaurado com nosso Criador.

A heresia que nega algum dos aspectos da encarnação é chamada de docetismo.

BIBLIOGRAFIA

Atanásio. Sobre a encarnação do Verbo.

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Rogers, Katherin A. “The Incarnation and Atonement.” Christianity and Western Theism, vol. 1, Routledge, 2024, pp. 60–74, https://doi.org/10.4324/9781003202080-4.

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Simon, David Worthington. Reconciliation by Incarnation: The Reconciliation of God Amd Man by the Incarnation of the Divine Word. T. & T. Clark, 1898.

Segundo Clemente

2 Clemente é um breve sermão sobre Is 54:1. É uma obra anônima, dos meados do século II d.C.

Uma tradição posterior atribui esse documento a Clemente de Roma. Encoraja os cristãos à perseverança e arrependimento para que possam desfrutar da vida eterna na ressurreição.