Frank D. Macchia

Frank D. Macchia é um teólogo acadêmico pentecostal ítalo-americano.

Frank Macchia vem de uma família pioneira na Christian Assembly de Gary Indiana, onde sua avó Antoinette Macchia e seu pai Michael Macchia Sr. foram ministros da Palavra.

Frank Macchia foi um dos primeiro pentecostais no mundo a obter um doutorado em teologia sistemática em uma universidade reconhecida. Concluiu seu doutorado em teologia na Universidade de Basel em 1989 pela pesquisa sobre os líderes avivalistas Johann e Christoph Blumhardt, examinando cura divina e libertação social, sob orientação de Jan Milíč Lochman.

Depois de algumas ocupações ministeriais, quando atendeu uma congregação de ítalo-americanos em Itasca, Illinois, Macchia dedicou-se à carreira acadêmica. Tornou-se professor de teologia na Vanguard University na Calfórnia. É ministro ordenado das Assemblies of God.

Articulou a teologia pentecostal nos diálogos formais entre pentecostais e a Aliança Mundial de Igrejas Reformadas e na Comissão de Fé e Ordem do Conselho Nacional de Igrejas.

Foi presidente da Society for Pentecostal Studies e editor-chefe de sua revista, PNEUMA.

PENSAMENTO TEOLÓGICO

A teologia de Frank Macchia é construída sobre os temas do reino de Deus e da pneumatologia. Foi um dos teólogos pentecostais que mais aprofundou sobre a glossolalia, a qual dá ênfase primária na intensificação da presença de Deus que essa manifestação acompanha. Assim, sua teologia do batismo no Espírito Santo é menos focada com evidência inicial, examinando a integralidade da vida cristã dos batizados no Espírito.

Há uma preocupação em salientar o papel do Espírito Santo na obra de salvação, corrigindo a ausência de uma pneumatologia na doutrina da justificação como normalmente é tratada pela teologia sistemática protestante. Macchia salienta o papel cooperativo da Trindade na justificação. Relembra o papel do Espírito que decorre da ressurreição de Jesus para a justificação regeneradora, ao invés de uma soteriologia forense.

SINOPSE DE SEUS PRINCIPAIS LIVROS

Até 2023, Macchia não tinha escrito uma teologia sistemática, mas sendo um teólogo sistemático, produziu uma série de livros acerca de temas específicos.

Em Tongues of Fire: A Systematic Theology of the Christian Faith (2023) reúne sistematicamente seu pensamento teológico em um único volume. Sua perspectiva é solidamente evangélica, mas não fundamentalista. Seu tema central o derramamento do Espírito Santo. Rejeita o dispensacionalismo e defende a subsequência da plenitude do Espírito Santo. Embora não adote o falar em línguas como a única evidência inicial e física do batismo com o Espírito Santo, defende a subsequência do plenitude do Espírito Santo depois da regeneração. Sua soteriologia é transformacional e baseada na cooperação trinitária. Argumenta que a igreja nasce na graça do divina derramada sobre toda a carne.

Na obra The Trinity, practically speaking (2013) discorre sobre a doutrina da Trindade e suas implicações para a vida cristã prática. Macchia argumenta que a Trindade não é apenas uma doutrina abstrata, mas uma realidade viva e presente em nossa vida cotidiana e funcionalmente manifesta no cosmo e na salvação. Macchia leciona sobre como a compreensão da Trindade pode transformar nossa adoração, oração e testemunho, e como ela pode nos ajudar a viver em unidade e amor uns com os outros. Aborda algumas das questões mais difíceis e controversas relacionadas à Trindade no âmbito pentecostal.

Justified in the Spirit (2010) é um escrutínio teológico da doutrina da justificação pela fé e do papel do Espírito Santo nesse processo. Frank Macchia argumenta que o Espírito não está envolvido apenas no ato inicial de justificação, mas também no processo contínuo de santificação. Ele mostra como o Espírito capacita os crentes a viver uma vida santa e a testemunhar o evangelho.

Baptized in the Spirit (2018) examina as bases bíblicas e teológicas para a doutrina do batismo no Espírito. Macchia enfatiza a natureza transformadora dessa experiência, que ele argumenta não ser apenas um encontro pessoal com o Espírito, mas também um evento comunitário que une os crentes como corpo de Cristo. Considera os aspectos do Batismo no Espírito como sinal (sign) e o falar em línguas como uma metáfora sacramental.

Jesus the Spirit Baptizer (2017) é um estudo da relação entre Jesus e o Espírito Santo. Macchia argumenta que Jesus é aquele que batiza no Espírito e que esse batismo é um aspecto fundamental de sua obra redentora. Ele também enfatiza a importância do Espírito no ministério contínuo de Jesus por meio de sua Igreja.

The Spirit-Baptized Church (2011) explora as implicações da doutrina do batismo no Espírito para a vida e missão da igreja. Macchia mostra como o Espírito capacita os crentes para o testemunho e o serviço e como a igreja é chamada a ser uma comunidade de fé cheia do Espírito. Ele também aborda alguns dos desafios e controvérsias em torno dessa doutrina e oferece orientação prática para aqueles que buscam viver sua fé batizada no Espírito.

BIBLIOGRAFIA

Macchia, Frank D. Spirituality and social liberation: the message of the Blumhardts in the light of Wuerttemberg pietism. Scarecrow Press, 1993.

Macchia, Frank. “The Question of Tongues as Initial Evidence: A Review of Initial Evidence, Edited by Gary B. McGee,” Journal of Pentecostal Theology 2 (1993):

Macchia, Frank D. “Tongues as a Sign: Towards a Sacramental Understanding of Pentecostal Experience,” PNEUMA: The Journal of the Society for Pentecostal Studies 15, no. 1 (1993): 68-76.

Macchia, Frank. The Struggle for Global Witness: Shifting Paradigms in Pentecostal Theology. In Globalization of Pentecostalism, ed. Murray Dempster, Byron Klaus, and Douglas Petersen. 8-29. Irvine, CA: Regnum Press, 1999.

Macchia, Frank. Baptized in the Spirit: A Global Pentecostal Theology. Grand Rapids, MI: Zondervan, 2006.

Macchia, Frank D. Justified in the Spirit: Creation, Redemption, and the Triune God. Vol. 2. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2010.

Macchia, Frank D. The Trinity, practically speaking. InterVarsity Press, 2012.

Macchia, Frank D. “Pneumatological Feminist/Womanist Theologies: The Importance of Discernment.” Pneuma 35.1 (2013): 61-73.

Thomas, John Christopher, and Frank D. Macchia. Revelation. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2016.

Macchia, Frank D. Jesus the Spirit baptizer: Christology in light of Pentecost. William B. Eerdmans Publishing Company, 2018.

Macchia, Frank D. “Baptism in the Holy Spirit-and-Fire: Luke’s Implicitly Pneumatological Theory of Atonement.” Religions 9.2 (2018): 63.

Macchia, Frank D. The Spirit-Baptized Church: A Dogmatic Inquiry. Bloomsbury Publishing, 2020.


Sobre Macchia

de Jong, Marinus. Thy Kingdom Come: Frank Macchia and Jürgen Moltmann on the Spirit and the Kingdom. University of Oxford, 2013.

Harris, I. Leon. “Holy Spirit as communion: Colin Gunton’s pneumatology of communion and Frank Macchia’s pneumatology of Koinonia.” University of Aberdeen, 2014. 

Neumann, Peter D. Pentecostal experience : an ecumenical encounter. Princeton Theological Monographs Series 187. Princeton: 2012.

Stephenson, Christopher A. Types of Pentecostal theology: Method, system, spirit. Oxford University Press, 2013.

Værnesbranden, Torgeir. “Baptism in the Spirit : a theological analysis of the phenomenon of Spirit baptism” Mestrado em Teologia, MF, Oslo, 2020.

Manuscritos originais

Em filologia ou crítica textual o termo “originais” ou “manuscritos originais” é algo impreciso. No geral, em sentido leigo e genérico, “originais” são edições nos idiomas originais. Já em sentido estrito, quando se diz “originais” os biblistas podem referir-se a:

  • Proto-Texto: tradições orais ou fontes escritas das quais se serviram os escribas que tenham fixado um texto destinado ao seu uso público. Parte dos livros de Reis seria proto-texto para os livros de Crônicas.
  • Urtexto: base textual uniforme da qual todas as cópias descendem. A hipotética cópia-matriz mantida no Segundo Templo de Jerusalém da qual os manuscritos seriam comparados seria um exemplo de Urtexto.
  • Autógrafo: um exemplar de uma determinada obra, escrita ou ditada pelo autor ou registrada por amanuenses ou escribas, da qual todas as cópias posteriores seriam descendentes. Vale notar que pode não ser a cópia mais recente da qual os manuscritos descendem, tampouco que se pressupõe que houvesse uma só versão do autógrafo. As várias recensões de Jeremias implicam na circulação de diferentes autógrafos, o que fica claro na passagem da destruição pelo rei Joaquim do rolo de Jeremias produzido por Baruque (Jr 36).
  • Arquétipo ou examplar: é o ancestral direto do qual se derivam um determinado grupo de cópias. Pode ser um Urtexto ou texto posterior que atua como nódulo do qual se ramificou em várias outras cópias e versões, como o caso das recensões luciânicas para o Novo Testamento grego.
  • Vorlage: é o exemplar disponível ao copista ou tradente do qual se produziu uma cópia ou uma tradução. Os Vorlages hebraicos que serviram para traduzir a Septuaginta foi perdido, mas é possível conjecturá-los mediante retroversão. Era comum utilizar mais de um Vorlage para produzir uma só cópia, como os quatro evangelhos serviram de Vorlage para o Diatessaron.
  • Forma canônica (ou “vulgata”): forma relativamente estável do texto utilizada para o culto e exegese intratextual nos primórdios do cristianismo e judaísmo rabínico, sendo os textos citados pela patrística, Talmude, lecionários e outros. São exemplos a Vulgata e a Peshitta durante a era manuscrita. Com o advento da imprensa, a forma canônica passou a ser tida como “o” textus receptus, da qual as divergências das fontes seriam meros detalhes, como no caso das famílias de edições impressas do Texto Massorético a partir de  Bomberg e das famílias das edições do Novo Testamento chamadas de Textus Receptus desde Erasmo de Roterdã.
  • Texto reconstruído: é a forma reconstruída pelos filólogos ou críticos textuais. De certa maneira, é um contrônimo, pois não seria o texto originário, mas o produto final.

Uma escola de reconstrução textual, chamada de escola lagardiana, trata o autógrafo, Urtexto e arquétipo como fossem um só texto. De modo inverso, outra escola filológica que segue Paul Kahle, não se baseia nessas premissas, mas na suposição de que um texto circula em várias versões até convergir para sua forma canônica publicada e recebida. Em contraste com essas duas escolas, a filologia contemporânea depois da descoberta dos Manuscritos do Mar Morto segue a metodologia sumarizada por Bernard Cerquiglini, na qual diferentes partes de um texto pode possuir diversas trajetórias de transmissão e composição, o que torna a questão do que seria um texto original mais complexa e pluriforme.



BIBLIOGRAFIA

Cerquiglini, Bernard. Éloge de la variante: histoire critique de la philologie. Paris: Seuil, 1989.

Debel, Hans. “The Pluriformity of Pluriformity: a Reassessment of the Hermeneutical Framework for the Text-Critical Analysis of the Hebrew Bible.” PhD diss., KU Leuven, 2011.

de Lagarde, Paul. “Introduction”. Anmerkungen zur griechischen Übersetzung der Proverbien. Leipzig : Brockhaus, 1863.

Epp, Eldon Jay. “The multivalence of the term “original text” in New Testament textual criticism.” Harvard Theological Review 92.3 (1999): 245-281.

Woude, Adam S. van der; Bremmer, J. N.; Florentino, García Martínez. “Pluriformity and Uniformity. Reflections On the Transmission of the Text of the Old Testament.” Sacred History and Sacred Texts in Early Judaism, 1992, pp. 151-169.

Margareth Fell

Margareth Fell (1614-1702), foi pregadora, missionária e uma das fundadoras da Sociedade Religiosa de Amigos (Quakers).

Suas filhas Isabel (Fell) Yeamans e Sarah Fell também foram líderes Quakers. Empregando seus recursos e status social (era da pequena nobreza), Fell era frequentemente intercedia em casos de perseguição ou prisão de líderes como George Fox.

Fell escreveu o panfleto “Justificativa da Fala das Mulheres”, que argumentava em favor das mulheres como pregadoras. Lutou pela liberdade religiosa e esteve presa por suas convicções.

” Vemos, então, que Jesus [reconhecia/possuía?] o Amor e a Graça que aparecia nas Mulheres, e não os deprezava, e que, conforme o que está registrado nas Escrituras, ele recebeu tanto amor, bondade, compaixão e ternura para com ele das Mulheres quanto de quaisquer outros, tanto durante sua vida, quanto após eles terem exercido sua crueldade sobre ele (…).”

BIBLIOGRAFIA

http://www.quakersintheworld.org/quakers-in-action/14/Margaret-Fell

https://plato.stanford.edu/entries/margaret-fell/

Citação traduzida do panfleto mencionado.

Esboço oriundo do grupo Mulheres na Bíblia

Fidardo de Simoni

Fidardo de Simoni (1998- noite de 23 a 24 de março de 1944) foi um crente e mártir pentecostal italiano.

Nascido em Acqualagna (província de Pesaro, região das Marcas), mudou-se para Roma nos anos 1930, onde se converte à fé cristã evangélica. Casou-se com Emília Martorelli e o casal teve sete filhos – Teresa, Alba, Fidelba, Debora, Eliseo, Elia, Stefano – todos menores na época de sua morte.

No dia 1o de fevereiro de 1935 foi preso no 13 km da via Timburtina por conduzir um culto campal proibido pela Circular Buffarini-Guidi. Solto sob vigilância da polícia, em setembro de 1943 acolheu em sua casa fugitivos. A história varia em número de um a três bem como acerca da nacionalidade, se americanos ou ingleses. Delatado, foi preso no cárcere Regina Coeli.

Na noite de 23 a 24 marco de 1944, as forças nazistas, em represália à resistência, levam 335 civis, entre eles prisioneiros como Fidardo de Simone, para serem executados nas fossas Ardeatinas.

O laudo de exumação de corpo de delito n. 294, correspondente a Fidardo di Simone diz “religião católica [sic]. profissão operário. Serviço militar reformado. Preso no dia 17 de março na Via delle Ciliegie n. 185 pela SS alemã e trazido à Regina Coeli, III Braccio, por ter hospedado em seu alojamento três ingleses. A família não sabe se o mártir teve um suplício súbito, mas é certo que também por seu ideal comunista o mártire foi preso. No dia 24 de março de 1944, também ele, mártir entre mártires foi conduzido ao lugar do calvário.”

BIBLIOGRAFIA
MARTINO CONTU,MARIANO CINGOLANI,CECILIA TASCA, I Martiri Ardeatini. Carte inedite 1944 –1945. In onore di Attilio Ascarelli a 50 anni dalla scomparsa, AM&D Edizioni, “Serie Archivio Attilio Ascarelli”,Vol. I, Cagliari 2012, p. 143.

Laudo exumatório.

Filadélfia

A cidade de Filadélfia, a atual Alaşehir, Turquia, na região da Lídia, no oeste da Ásia Menor, perto do rio Cogamus, fica a 44 quilômetros de Sardes e a 77 quilômetros de Laodiceia.

Foi fundada por Átalo II, rei de Pérgamo (159-138 aC). Por causa de sua localização estratégica, serviu como um elo na comunicação e comércio entre Sardes e Pérgamo a oeste e Laodiceia e Hierápolis a leste. Foi várias vezes destruída quase que totalmente por terremotos.

Filadélfia é uma das sete cidades no livro do Apocalipse.