Contexto histórico da Bíblia

A narrativa bíblica desenvolve-se a partir da Antiguidade no Levante e conhecer seu contexto histórico é relevante para uma plena compreensão da mensagem bíblica.

As Escrituras Hebraicas covencionalmente começa com a história dos patriarcas (Gênesis) e segue para o surgimento do povo de Israel na região montanhosa da terra do sul do Levante no final do segundo milênio a.C., com a migração dos israelitas desde o Egito (Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio).

Convivendo com populações cananeias (Juízes, Rute), no final do século XI aC, a confederação tribal reuniu-se sob uma monarquia liderada por Saul, que organizou a resistência aos filisteus ao longo da costa. As doze tribos permaneceram unidas sob Davi e seu filho Salomão no século X, mas depois foram divididas em dois reinos, Israel no norte e Judá no sul. (1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 1 Crônicas).

O reino do norte, com capital em Samaria, caiu nas mãos dos assírios, império baseado na Mesopotâmia, em 722. O reino do sul sobreviveu até ser conquistado pelos babilônios no início do século VI aC. (2 Reis, 2 Crõnicas).

De 586 a 539, a liderança do reino de Judá e Ezequiel viveram no exílio na Babilônia. Também inicia o período da Diáspora, a comunidade de israelitas dispersa pelo mundo então conhecido.

O império babilônico foi substituído por uma nova potência, os persas, sob Ciro, o Grande, em 539. Durante o período persa, os exilados retornaram a Jerusalém, iniciando o período do Segundo Templo. A situação política mudou novamente no final do século IV aC, quando o jovem rei da Macedônia, Alexandre, o Grande, derrubou a Pérsia no início do período helenístico.

Os sucessores de Alexandre foram primeiro os Ptolomeus, do Egito (323-198 a.C.), depois os Selêucidas (198-164 a.C.). A revolta dos macabeus levou à inauguração da dinastia dos asmoneus , que gradualmente alcançou autonomia dos selêucidas, até que os romanos sob Pompeu conquistaram Jerusalém em 63 aC.

Durante o período romano, a política local foi turbulenta. Inicialmente administraram o território da Judeia por meio de monarcas locais, instalando Herodes, o Grande, em 40/39 a.C.

Após a morte de Herodes, os romanos dividiram seu reino em três porções menores, “tetrarquias”, três das quais eram governadas por um dos filhos de Herodes. Jesus cresceu na Galileia, governada por Herodes Antipas até sua deposição pelos romanos em 39 d. C.

Os romanos depuseram um dos filhos de Herodes, Arquelau, em 6 a.C. e governaram sua porção do território, a Judeia, por meio de oficiais chamados prefeitos, um dos quais, Pôncio Pilatos, ordenou que Jesus fosse executado.

Após um breve período em que o reino foi reunido sob o neto de Herodes, Herodes Agripa I (39-44 d.C.), os romanos governaram toda a Judeia por meio de oficiais militares, os procuradores. Nesse período, os seguidores de Jesus propagaram sua fé pelo mundo do Mediterrâneo, conforme registrado principalmente nas correspondências paulinas.

Em 66 d.C., o ressentimento contra o domínio romano estourou em uma revolta que virou uma guerra. Eventualmente vencida pelas legiões romanas sob Vespasiano e seu filho Tito, Jerusalém foi cercada e destruída. Os cristãos, vistos com suspeição pela sua associação com a esperança messiânica de Israel, passaram a ser perseguidos de tempos em tempos. Este é o contexto da compilação de boa parte dos livros do Novo Testamento.

Haimo de Auxerre

Haimo de Auxerre (c. 780 – c. 865) foi um teólogo e exegeta que viveu no Império Carolíngio durante o século IX.

Haimo nasceu em Auxerre, França, e recebeu sua educação na Abadia de St. Germain em Auxerre. Mais tarde, ele se tornou professor na abadia e ficou conhecido por seus comentários sobre as Epístolas de São Paulo, que foram amplamente utilizados durante o período medieval. Foi citado por Anselmo, Abelardo, os vitorinos, Pedro Lombardo e Jan Hus.

Haimo influenciou no Renascimento Carolíngio, um período efervecência intelectual e cultural que ocorreu sob os reinados de Carlos Magno e seus sucessores. Ele era um membro proeminente da corte de Carlos, o Calvo, um dos netos de Carlos Magno, e estava envolvido na tradução e divulgação de textos clássicos. Além de seu trabalho como teólogo e comentarista, Haimo também foi um prolífico escritor de textos litúrgicos, hinos e sermões.

BIBLIOGRAFIA

Heil, Johannes. “Theodulf, Haimo, and Jewish Traditions of Biblical Learning: Exploring Carolingian Culture’s Lost Spanish Heritage.” Discovery and Distinction in the Early Middle Ages: Studies in Honor of John J. Contreni (2013): 88-115.

Hannah Whitall Smith

Hannah Whitall Smith (1832-1911) foi uma escritora, quaker, pioneira do feminismo cristão e líder do movimento Holiness e do movimento de Keswick.

Nascida em Filadélfia, Smith veio de uma família quaker e mais tarde se envolveu com o Movimento dos Irmãos (de Plymouth) e a Igreja Metodista. Aderiu ao movimento de Santidade e percorreu vários circuitos pregando a santificação.

O livro de Smith, “O Segredo do Cristão para uma Vida Feliz”, tornou-se um clássico no movimento de Santidade e tem sido amplamente lido por cristãos que buscam aprofundar sua caminhada espiritual. Neste livro, Smith enfatizou a importância de entregar a própria vontade a Deus, confiando em Seu amor e cuidado e buscando viver uma vida de santidade e alegria em meio aos desafios da vida.

Esteve na Inglaterra junto de seu marido Robert Pearsall Smith, onde fundou a Convenção de Keswick, um encontro anual que reunia crentes para um tempo de ensino, adoração e comunhão focado no tema da santidade.

Hannah Whitall Smith na Broadlands Conference – pintura de Edward Clifford, 1887.

Herbert Henry Howard Booth

Herbert Henry Howard Booth (1862-1926) foi um reformador social britânico e filho de William e Catherine Booth, os fundadores do Exército de Salvação.

H.H.H. Both desempenhou um papel significativo no desenvolvimento do Exército de Salvação no Reino Unido e em todo o mundo, ao mesmo tempo em que foi pioneiro em novas abordagens de serviço social e evangelismo.

As atividades de assistência social de Herbert concentravam-se em abordar as causas profundas da pobreza e da desigualdade social. Ele foi um pioneiro do movimento “slum work”, que envolvia o envio de trabalhadores do Exército de Salvação para viver nas áreas mais pobres das cidades, onde eles poderiam trabalhar ao lado da população local para melhorar suas condições de vida e fornecer-lhes assistência prática.

As atividades internacionais de Herbert foram focadas em expandir a missão do Exército de Salvação para outras partes do mundo. Viajou extensivamente, estabelecendo novas filiais do Exército de Salvação em países como Canadá, Austrália e Nova Zelândia. Ele também foi uma figura chave no desenvolvimento do Exército de Salvação nos Estados Unidos, onde serviu como comandante nacional da organização de 1904 a 1913.

Ao longo de sua vida, Herbert permaneceu comprometido com a visão de seus pais de usar a igreja para provocar mudanças sociais. Era um orador carismático e um escritor prolífico, e usou sua plataforma para defender reformas sociais e políticas, incluindo o sufrágio feminino e a abolição da pena de morte.

Herbert Henry Howard Booth compôs os hinos Grace there is my every debt to pay, traduzido como Ó irmãos, por fé louvemos a Jesus (149) e Let me love Thee, traduzido como Ó Senhor da glória (276)

Hipótese Seirita

A hipótese Seirita é uma teoria em estudos bíblicos que postula a existência de uma fonte edomita/seirita na Bíblia Hebraica, bem como influência edomita na formação do monoteísmo israelita.

A proximidade geográfica e étnica entre os edomitas e israelitas é bem atestada. A suposta sabedoria dos edomitas é mencionada em várias passagens bíblicas, como Jeremias 49:7; 1 Samuel 24:13-15. Obadias 7-8. Alguns estudiosos sugeriram que Jó, os Salmos 88 e 89, Provérbios 30 e 31 e o material egípcio contido nos Salmos 104 e Provérbios 22:17-24 possam ter origem edomita. Gênesis 2 e partes dos capítulos 14–35, 36 e 38 teriam origens em Edom.

A ausência de menção a cultos a outros deuses, bem como a escassa evidência arqueológica a este respeito em território edomita, suportam a ideia que os seiritas seguiam uma forma de monoteísmo.

A partir disso, esta teoria foi inicialmente proposta por Robert H. Pfeiffer. Nos anos 1930, Pfeiffer sugeriu vários elementos em Gênesis indicavam uma fonte Seirita ou S, conforme o paradigma da Hipótese Documental. Notou também que teologia do Livro de Jó, aparentemente edomita, foi combinada em Segundo Isaías com a tradição israelita de um Deus da história na teologia. Notou que teologia da literatura Edomita rejeita recompensas divinas (cf. Sl 14), além de haver um certo pessimismo e resignação (cf. Eclesiastes).

Uma nova forma dessa hipótese é proposta por Nissim Amzallag. Nesse modelo, a teologia seirita foi elaborada e promovida por refugiados edomitas que se juntaram à comunidade pós-exílica e foram contados como levitas nas reformas de Neemias.

Embora a hipótese Seirita teve pouca aceitação em estudos bíblicos, fornece uma perspectiva sobre as possíveis influências na religião do Antigo Israel e na Bíblia hebraica.

VEJA TAMBÉM

Hipótese Midianita

BIBLIOGRAFIA

Amzallag, Nissim. Esau in Jerusalem – The Rise of a Seirite Religious Elite in Zion at the Persian Period.Leuven: Peeters, 2015.

Amzallag, Nissim. “Edomite Defectors among the Israelites: Evidence from Psalm 124.” Old Testament Essays 34.1 (2021): 27-49.

Morgenstern, Julian. The Oldest Document of the Hexateuch. Hebrew Union College, 1927.

Pfeiffer, Robert H. “A Non-Israelitic Source of the Book of Genesis.” Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft 48.Jahresband (1930): 66-73. https://doi.org/10.1515/zatw.1930.48.1.66