Stanley Hauerwas

Stanley Hauerwas (nascido em 1940) é um teólogo metodista americano.

Como intelectual público, propaga discussões sobre ética. Faz críticas às contradições da democracia eleitoral, capitalismo, militarismo, fundamentalismo e teologia liberal. Teologicamente, combina contribuições das tradições metodistas, anabatisas, anglicanas e católicas. É um proponente do pacificsmo tanto com bases teológicas quanto em ética pública.

David Bentley Hart

David Bentley Hart (nascido em 1965) é um polímata, escritor, filósofo e teólogo ortodoxo americano.

Nascido em uma família anglicana, seus irmãos Addison Hodges Hart e Robert Hart também são teólogos e autores.

Hart investiga metafísica cristã, filosofia da mente, clássicos, teologia sistemática, línguas asiáticas e literatura.

Um autor prolífico, Hart discute sobre arte, beisebol, literatura, consciência, problema do mal, apocatástase, teose, cinema e política. Como biblista, fez uma tradução do Novo Testamento publicada pela Yale em 2017. Produz várias críticas ao neoateísmo, materialismo, integralismo, neotomismo e calvinismo.

Hans Küng

Hans Küng (1928 -1921) eticista e teólogo católico suíço.

Pesquisador e docente da Universidade de Tübingen, serviu como conselheiro teológico durante o Concílio Vaticano II. Durante seu doutorado buscou conciliar as doutrinas católica e de Barth a respeito da justificação.

Foi crítico contra o celibato clerical e a condenação do magistério católico acerca dos métodos contraceptivos. Em 1978, depois de rejeitar a doutrina da infalibilidade papal, foi proibido de lecionar teologia católica.

A Igreja

Hans Küng publicou A Igreja (Die Kirche) em 1967, questionando doutrinas católicas sobre a natureza, estrutura e missão da Igreja, buscando reinterpretá-las à luz das Escrituras, da história e das reformas do Concílio Vaticano II. Küng critica a Igreja pré-conciliar como excessivamente institucionalizada e hierárquica, distanciando-se do ideal cristão primitivo de uma comunidade carismática guiada pelo Espírito. Para Küng, a Igreja deve retornar a uma forma mais dinâmica e inclusiva, como sugerido no Novo Testamento e reafirmado na Lumen Gentium de 1964, que descreve a Igreja como o ‘Povo de Deus’.

Küng fundamenta sua eclesiologia na proclamação bíblica do Reino de Deus. Ele argumenta que Jesus não buscou criar uma instituição, mas formar uma comunidade baseada na solidariedade e na resposta ética ao chamado divino. Os evangelhos apresentam Jesus formando um movimento que transcende fronteiras sociais e religiosas, voltado para a transformação das relações humanas. Na tradição apostólica e nas epístolas paulinas, a Igreja aparece como uma ‘koinonia’, uma comunhão de fé e serviço, com liderança definida mais pela diaconia que pelo domínio.

Küng traça a evolução da Igreja desde suas origens carismáticas até as estruturas institucionais que emergiram no período pós-apostólico. Ele vê essa transição como uma ruptura com o ethos comunitário inicial, à medida que o episcopado e, posteriormente, o papado centralizaram o poder, criando uma elite clerical cada vez mais distante do laicato. Esse processo culminou no século XIX, com o Concílio Vaticano I definindo a infalibilidade e a jurisdição suprema do papa, reforçando um modelo centralizado de autoridade.

Para Küng, esse modelo hierárquico é uma construção histórica, não uma exigência divina, e pode ser reformado. Ele propõe uma forma de governo mais colegiada, com maior participação do laicato na vida eclesial, rejeitando o monopólio clerical sobre o ensino e os sacramentos. Küng também critica a ideia de uma Igreja autossuficiente e triunfalista, defendendo que a missão cristã deve incluir o diálogo com outras tradições cristãs e não cristãs, assim como um compromisso com a justiça social e a paz.

Ao final, Küng descreve a Igreja como um povo peregrino, sempre em processo de reforma. Para ele, a Igreja deve retornar à simplicidade evangélica, rejeitando o legalismo e as estruturas de poder que obscurecem sua verdadeira missão. Küng afirma que as estruturas eclesiásticas são criações humanas, sujeitas a mudanças históricas e culturais. Essa visão tem impacto significativo no debate sobre sinodalidade, descentralização e participação leiga na Igreja contemporânea.

Henriette Catharina Freifrau von Gersdorff

Henriette Catharina Freifrau von Gersdorff (ou Gersdorf ) (1648 -1726 ) foi uma poetisa religiosa alemã, patrona do pietismo e da Igreja dos Irmãos Morávios.

Nascida na alta nobreza, compunha poemas em latim e alemão, além de corresponder com grandes intelectuais de sua geração, como Leibniz. Apoiou o ministério do promotor do pietismo, Philipp Jacob Spener , e a tradução da Bíblia para o sorbiano. Em 1702 , requisitou ao duque Friedrich II de Saxe-Gotha-Altenburg apoio para a criação de um mosteiro evangélico-luterano para mulheres e educação de jovens, o Magdalenenstift,operante em Altemburgo até hoje.

Após a morte de seu marido, mudou-se para suas propriedades rurais em 1703, quando passou a dedicar-se à educação de seu neto Nikolaus Ludwig von Zinzendorf. Acolheu refugiados tchecos e escreveu hinos que mais tarde seriam incorporados à hinódia morávia.

Heresia

Heresia, em seu sentido grego original restringia-se à opinião, mas ganhou conotações de doutrinas infundadas ou contrárias à base apostólica encontrada nas Escrituras..

O termo “heresia” deriva da palavra grega “hairesis”, que significa “seita” ou “escola de pensamento”.

Contemporaneamente, seria a adesão insistente a uma crença falsa ou não ortodoxa que contradiga os ensinamentos fundamentais do cristianismo.

A heresia é muitas vezes distinguida do erro, que é um erro não intencional de crença ou compreensão. Embora os erros possam ser perdoados, a heresia é vista como uma rejeição intencional dos ensinamentos comumente aceitos pela Igreja.

Ao longo da história cristã, surgiram várias heresias, desafiando os ensinamentos da igreja sobre temas como a natureza de Deus, a pessoa de Cristo e a ação contínua do Espírito Santo.

Alguns exemplos notáveis de heresias na história cristã incluem:

  • Arianismo: negou a plena divindade de Cristo, alegando que ele seria um ser criado, subordinado e não um Deus encarnado.
  • Gnosticismo: diversos movimentos, grupos e tendência de pensamento que reivindicavam um conhecimento secreto, dualista, separando o reino espiritual do mundo material.
  • Marcionismo: seita e heresia surgida no século II que negava a bondade do Deus criador retratado no Antigo Testamento.