Samaritanos

Samaritanismo, em hebraico: שומרונים, shomronim, os guardiões, é uma religião abraâmica e povo originário dos antigos israelitas, cujo culto se concentra no Monte Gerizim (perto de Nablus e da antiga Siquém), orientado exclusivamente pela Torá (Pentateuco).

Nome e história

Os samaritanos são distintos dos samarianos (habitantes de Samaria, em hebraico shomerim). Conforme mencionado, seu centro fica ao redor do monte Gerizim, a meio caminho entre Jerusalém e a antiga Samaria. Samaritanos (em hebraico, shomronim) significa “guardiões”, no sentido de observadores da Torá. Embora os samaritanos historicamente nunca tenham considerado Samaria como seu centro político ou lugar sagrado, nas línguas ocidentais, houve uma fusão dos termos samaritano e samaritano desde que a Septuaginta traduziu ambas as palavras como οἱ Σαμαρῖται.

A história da origem dos samaritanos e da rivalidade com os judeus é cheia de dificuldades e bastante complexa.

A tradição samaritana traça suas origens nas tribos israelitas do norte que ocuparam a região desde a época de Josué. Segundo as crônicas samaritanas, o cisma entre o samaritanismo e o judaísmo foi causado quando o sacerdote Eli criou um santuário alternativo em Siló em oposição ao sacerdote Uzi, descendente de Fineias, o qual continuou com um tabernáculo no Monte Gerizim. As evidências arqueológicas atestam uma continuidade populacional que os fazem remanescentes das tribos do norte que sobreviveram a deportação pelo Império Neo-Assírio após a destruição do Reino de Israel. Em contraste com as linhagens zadoquitas em Jerusalém, seus sacerdotes eram aarônicos. Com a drástica redução de sua população e a extinção da linhagem aarônica de Eleazar em 1624, todos os samaritanos hoje são descendentes da linhagem de Itamar, filho de Aarão. No entanto, os três clãs também traçam suas linhagens paternas até as tribos de Manassés e Efraim.

No período do Segundo Templo, surgiu uma interpretação de 2 Rs 17:24-41, que dizia que os samaritanos serem um grupo étnico misto e culto idólatra originário dos povos trazidos pelos assírios no antigo reino do norte de Israel. No entanto, 2 Re 17:29 refere-se a “samarianos” e não a “samaritanos”. Além disso, é longa a história da presença de povos mistos e convertidos entre os judeus (por exemplo, Calebe, Rute, o povo que acompanhou os israelitas no Egito e os filhos de Moisés). Por fim, as evidências bíblicas indicam a continuidade do culto a Deus entre os povos do norte tanto no período de Josias (1 Cr 34:9) como no exílio (Jr 41:5); portanto, a divisão e hostilidade entre samaritanos e judeus são posteriores.

Evidências históricas apontam para uma divisão nos períodos persa e helenístico, consolidada no período asmoneu. Provavelmente houve um período de colaboração e reconhecimento mútuo, inferido pelas correspondências elefantinas e das recensões do Pentateuco dos judeus e dos samaritanos logo após o exílio. Algumas leituras do livro de Neemias e Esdras (Ne 13:28; Ed 4:2) permitem imaginar que por volta de 445 a.C. ocorreram conflitos entre os remanescentes da terra e os retornados do exílio que reconstituíram a comunidade de Jerusalém. A rivalidade era visível desde os períodos helenístico e macabeu, acentuada pela destruição do santuário e da cidade no monte Gerizim no ano 110 a.C. movida por João Hicarno.

O Novo Testamento atesta uma atitude ambivalente em relação aos samaritanos, mas deseja incluí-los na comunidade cristã (Mt 10:5, Lc 9:51-55; 10:25-37; Jo 4:9; At 8:4 -40). No século I, Josefo acusou os samaritanos de perseguir peregrinos judeus; espalhando ossos humanos no santuário de Jerusalém; e os judeus, por sua vez, de queimarem aldeias samaritanas.

Na Guerra de Kochba, os registros e livros samaritanos foram destruídos. A insinuação de que eram um povo mestiço e com um culto derivado da mistura com outras religiões fez com que os samaritanos desenvolvessem uma estrita endogamia.

Epifânio, João de Damasco e Nicetas mencionam a existência de quatro seitas samaritanas: essênios, sebuaeanos, gortenianos e dositeus. No entanto, quase nada se sabe sobre eles e, no 2º milênio, a comunidade aparece unificada.

A sinagoga mais antiga encontrada, a de Delos na Grécia (século II a.C.), tem uma inscrição que a associa ao Monte Gerizim, tornando-a uma sinagoga samaritana. A diáspora samaritana estava presente na Ásia Menor, Itália, Síria e Egito. Em algumas ocasiões, o número de samaritanos na Síria e no delta do Egito superou o de judeus, como comprovam os tributos arrecadados por comunidades religiosas.

Os séculos IV e V d.C. foram o apogeu numérico e político samaritano. No início do século IV, um sacerdote, Baba Rabba, liderou um renascimento religioso e social. Exceto por um breve período de independência durante a guerra contra os bizantinos, os samaritanos viveram sob a vontade de seus governantes. As guerras de 484, 529 e 566 contra os bizantinos resultaram em pesadas perdas para os samaritanos. Durante o período islâmico e as cruzadas, a comunidade samaritana diminuiu à beira da extinção, embora geralmente protegida pelos muçulmanos. A última comunidade significativa da diáspora, a de Damasco, se converteu ao Islã, enquanto algumas famílias se mudaram para Siquém no século XVII.

O censo da Palestina Britânica de 1922 registrou 163 samaritanos. Em 2021, 840 samaritanos viviam ao redor do Monte Gerizim e em Ḥolon perto de Tel Aviv. Eles são as únicas pessoas elegíveis para ter dupla cidadania israelense e palestina. Na década de 2010, devido a problemas genéticos, as autoridades dos samaritanas autorizaram a conversão e o casamento de pessoas não nascidas como samaritanas. Consequentemente, a comunidade aceitou alguns indivíduos da Itália e do Brasil.

Escrituras e Religião

Os samaritanos não aceitam nenhum texto bíblico além do Pentateuco. Notoriamente, a versão samaritana tem um mandamento do Decálogo para construir um altar no Monte Gerizim. Uma versão de Josué e duas crônicas samaritanas são essenciais para a comunidade, mas sem autoridade canônica. Uma coleção de reflexões didáticas, Tibåt Mårqe, também contém interpretações midráshicas do Pentateuco e eventos samaritanos.

A escrita é derivada do paleo-hebraico, diferente da escrita assurith (“quadrada”) adotada pelos judeus.Como resultado, existem diferenças de pronúncia entre o hebraico samaritano e o massorético e o hebraico moderno.

Eles observam os sacrifícios e festas do Pentateuco no Monte Gerizim. Os samaritanos acreditam na ressurreição e na vinda de um profeta (mas não é um messias ou divino), o Tahib.

BIBLIOGRAFIA

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Tsedaka, Benyamim; Sullivan, Sharon, eds. The
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“Exploring Samaritanism” Special Issue of Religions (ISSN 2077-1444), 2021.

Simeão

Simeão, em hebraico שמעון, “ouvir”, em grego Συμεών, é nome de vários personagens bíblicos e da história cristã e judaica.

1. Simeão filho de Jacó, seu segundo, cuja mãe foi Lia (Gn 29:33). Simeão e seu irmão Levi massacraram os homens de Siquém para vingar o estupro de Diná (Gn 34). Mais tarde, Simeão ficou refém no Egito quando José enviou os outros irmãos a Canaã para buscar Benjamim (Gn 42:24). Na bênção de Jacó, foi repreendido pelos seus atos em Siquém e que seus descendentes seriam dispersos (Gn 49:5-7).

2. A tribo de Simeão recebeu um lote dentro de Judá, na região mais ao sul de Canaã. Depois de uma menção em Jz 1:3-17, nada é mencionado até o tempo de Ezequias (1 Cr 4:41-43), exceto que era contada entre as dez tribos do Reino do Norte (1Rs 11:30-32; 1Rs 12:20-23; 2Cr 15:9).

3. Um antepassado de Jesus na genealogia de Lucas 3:30.

4. Simeão, o homem pio que esperava “a consolação de Israel” (Lc 2:25-35). A promessa do Espírito Santo que ele veria o messias antes de morrer cumpriu quandoreconheceu o menino Jesus no Templo.

5. Simão Pedro, seu nome hebraico (2Pe 1:1; Atos 15:14).

6. Simão, irmão de Jesus.

7. Simão, o Zelote, um dos doze discí´pulos

6. Simeão, de sobrenome Níger, de Antioquia. Foi um cristão com dons proféticos e de ensino que serviu a igreja junto com Barnabé e Saulo antes de sua primeira viagem missionária (Atos 13:1).

Além da Bíblia, outras pessoas com esse nome foram marcantes na história:

8. Simeão, o Justo ou Simão, o Justo, um Sumo Sacerdote no período do Segundo Templo e um dos últimos membros da Grande Assembleia, com registros na Mishná. Seria um dos dois seguintes:

9. Simão I (310–291 ou 300–273 aC), filho de Onias I e neto de Jádua.

10. Simão II (219–199 aC), filho de Onias II.

11. Simeão de Jerusalém (séc I – c. 107), o segundo bispo de Jerusalém. Frequentemente identificado como um dos setenta emissários enviados por Jesus; Simão, irmão de Jesus; ou com o apóstolo Simão, o Zelote.

12. Simão Gamaliel I, rabino.

13. Simão Gamaliel II, rabino.

14. Simão Bar Kokhba, líder da revolta de Bar Kokhba.

15. Simeão bar Joquai, rabino do período Tannaim.

16. Simeão Estilita (c. 388–459 dC), eremita cristão de Sisã, Síria.

17. Simeão, o Novo Teólogo (949-1022), asceta e teólogo ortodoxo oriental.

Sinédrio

Sinédrio, em hebraico סנהדרין sanhedrin; derivado do grego συνέδριον synedrion, “assembleia assentada”, era um conselho de líderes israelitas sob autorização de Roma para tomar decisões legais e administrativas.

A mais antiga menção histórica do Sinédrio seria de 57 a.C. quando Aulus Gabinius dividiu o país em cinco synedria ou synodoi, segundo Flávio Josefo. O tratado Sinédrio no Talmude fala de um grande Sinédrio com 71 membros e um menor com 23 membros.

Os 71 membros eram sacerdotes, anciãos judeus e escribas. Além de alguns escribas fariseus, os membros provavelmente eram saduceus. O sumo sacerdote presidiu, depois de 191 a.C. o Nasi, um príncipe dos judeus.

No Novo Testamento, o termo Sinédrio ocorre 22 vezes nos Evangelhos e Atos.

Após a destruição do Segundo Templo em 70 EC, o Sinédrio foi restabelecido em Yavneh, com autoridade reduzida, por acordo entre Yochanan ben Zakai e o imperador Vespasiano, sendo composto em sua maioria por fariseus.

Após a revolta de Bar Kokhba, o Grande Sinédrio mudou-se para várias localidades, até estabelecer-se em Séforis, sob a presidência de Judá ha-Nasi (165–220). Finalmente, mudou-se para Tiberíades em 220, sob a presidência de Gamaliel III (220–230), filho de Judá ha-Nasi, onde se tornou mais um consistório, mas com poder de excomunhão.

O imperador Teodósio I (r. 379–395 dC) proibiu a reunião do Sinédrio. A reunião final em 358 aC foi a última decisão universal tomada pelo Grande Sinédrio. Gamaliel VI (400–425) foi o último presidente do Sinédrio. Com sua morte em 425, Teodósio II baniu o título de Nasi, os últimos vestígios do antigo Sinédrio.

Santa Ceia

Santa Ceia é uma refeição comunal quando a Igreja compartilha o pão e o fruto da vide em recordação da obra expiatória de Cristo. Propriamente dito, é a única celebração regular da Igreja com ordenança bíblica. Os primeiros cristãos partiam o pão com frequência (At 2:46; 20:7) e todo o crente deve estar em comunhão com Deus e o próximo para vir tomar do cálice e do pão. Não participar dela, incorre na não comunhão com Cristo (Jo 6:53).

Salvação

Salvação, em sentido lato, é o livramento, resgate, remissão, estado de segurança ou de proteção, bem como um estado de sanidade.

No grego é soteria e deriva-se da raiz sozo: livrar, proteger, curar, salvar, sarar, tornar bem, restaurar a integridade. Até o nome “Jesus” significa “Deus [é] Salvação” ou “Deus Salva”.

Nem todas as religiões buscam ou possuem o conceito de salvação. Por essência, o cristianismo é uma religião de salvação. Os ensinos do Novo Testamento referente à salvação resumem-se em que a humanidade é salva do afastamento de Deus, da sua própria culpa e dos poderes demoníacos através da experiência do poder expiatório do Novo Ser em Jesus como o Cristo. Essa nova criatura, então, possui a viva esperaça de glorificação corporativa com Deus na nova criação (novos céus e nova terra) ou reino.

A soteriologia é o ramo da teologia que estuda as doutrinas da salvação.

Biblicamente, a salvação refere-se ser salvo de alguma coisa, dentre elas:

  1. Libertação de escravidão: Refere-se à libertação do povo de Israel do cativeiro no Egito, como registrado em Êxodo 14:30 e 15:2. Salmos 106:21 também relembra essa salvação como um ato de redenção divina. Romanos 6:6-7 relata a libertação do pecado que escraviza.
  2. Salvação do exílio: A salvação é associada ao retorno do povo de Israel do exílio babilônico, como em Isaías 45:17, que apresenta a libertação como um ato de restauração nacional.
  3. Resgate do perigo: Salmos 27:1, 51:12, 65:5 e 69:2 destacam a salvação como livramento de situações perigosas ou ameaçadoras, demonstrando a proteção contínua de Deus.
  4. Salvação do pecado: Nos Evangelhos, a salvação assume um significado espiritual. Em Marcos 2:1-12, Mateus 9:1-8 e Lucas 5:17-26, Jesus perdoa os pecados do paralítico. Em Lucas 7:48-50, Ele perdoa os pecados de uma mulher que unge Seus pés, e em Lucas 23:34, na cruz, Jesus clama por perdão para aqueles que o crucificam. Em João 9:1-12, salva o cego de nascença não só de sua cegueira mas do estigma social do pecado.
  5. Salvação de doenças: Diversos relatos demonstram o poder de Jesus para curar doenças físicas, incluindo a cura do paralítico (Marcos 2:1-12), da mulher com fluxo de sangue (Marcos 5:25-34), do servo do centurião (Mateus 8:5-13) e do leproso (Marcos 1:40-45).
  6. Salvação da morte: Jesus manifesta Seu poder sobre a morte em eventos como a ressurreição da filha de Jairo (Marcos 5:21-43), de Lázaro (João 11:1-44) e do filho da viúva de Naim (Lucas 7:11-17).
  7. Salvação da cegueira: Exemplos incluem a cura do cego de Betsaida (Marcos 8:22-26) e de Bartimeu (Marcos 10:46-52), que ilustram o poder restaurador de Jesus.
  8. Salvação do medo: Jesus traz paz e segurança aos discípulos ao acalmar a tempestade (Marcos 4:35-41) e ao caminhar sobre as águas (Mateus 14:22-33).
  9. Salvação da violência: O ensino de Jesus em Mateus 5:38-48 enfatiza a superação da violência por meio do amor e do perdão. Sua resposta pacífica durante a prisão (Mateus 26:47-56) também demonstra a rejeição à violência. Em João 7:53-8:11, Ele salva uma mulher acusada de adultério.