O Testamento dos Doze Patriarcas é um livro apócrifo e pseudepigráfa. Seriam os conselhos de despedidas dos doze filhos de Jacó.
São ensinos exortatórios. José desempenha um papel de exemplo de um homem ético, e as ações dos patriarcas são muitas vezes comparadas com ele.
Faz parte da Bíblia Ortodoxa Armênia Oskan de 1666. Fragmentos de escritos semelhantes foram encontrados em Qumran.
Os Testamentos foram escritos em hebraico ou grego e alcançaram sua forma final no século II aC. No século XIII, eles foram introduzidos no mundo ocidental. Tertuliano parece citar uma passagem do texto grego do Testamento de Benjamim em sua polêmica contra Marcião de Sinope. Foi citado por reformadores e mais tarde por reformadores.
Foi aludido por Paulo e outros escritores do Novo Testamento. Em particular:
1 Ts 2:16 é uma citação de Test. Patr., Levi, 6:10-11;
Teodoreto de Ciro ou Cirro (c. 393–c. 458) foi um bispo e teólogo sírio conhecido por seus escritos sobre a doutrina e história cristãs, incluindo “História Eclesiástica”.
Nasceu em Antioquia, na Síria, tornou-se bispo de Cirro, uma pequena cidade perto da fronteira entre a Síria e a Anatólia.
Teodoreto fez extensos comentários bíblicos, que cobrem a maior parte do Antigo e do Novo Testamento. Sua abordagem da exegese foi em grande parte literária e retórica, salientando aspectos de história e gramática. Buscava firmar uma relação entre o Antigo e o Novo Testamento, e via o último como o cumprimento do primeiro. Seu trabalho antecipa muito das críticas canônica e histórico-crítica.
Além de seus comentários, Teodoreto envolveu-se sobre questões teológicas e doutrinárias. Ele era um defensor do Credo Niceno e da doutrina ortodoxa da Trindade, e se envolveu em polêmicas contra várias heresias de seu tempo, incluindo o Nestorianismo e o Eutiquianismo. Foi contra a doutrina do pecado original tal como estava sendo formulada no ocidente por Agostinho diante da controvérsia de Pelágio. Envolveu-se em controvérsias com Cirilo de Alexandria e manteve uma posição moderada em relação a Nestório.
BIBLIOGRAFIA
Vranic, Vasilije. The constancy and development in the Christology of Theodoret of Cyrrhus. Brill, 2015.
Young, Frances M. Biblical Exegesis and the Formation o f Christian Culture. Cambridge: Cam bridge University Press, 1997.
Teodoro de Mopsuéstia (c. 350 – 428 dC) foi um autor patrístico, filólogo e biblista na Igreja primitiva.
Foi bispo da cidade de Mopsuéstia, na Cilícia. Dentro da tradição interpretativa de Antioquia, desenvolveu um método de crítica bíblica. Em sua exegese preocupava-se como gênero e propósitos do autor, o qual pressupunha como historicamente situado. Enfocava no sentido geral das obras, e não em versos individuais; evitando a atomização. Ao contrário do que é normalmente dito, Teodoro (e a Escola Antioquena em geral) não enfocava em aspectos históricos ou literários, mas sim retóricos e redacionais.
Sua concepção de cânone é tácita, mas com conteúdo similar aos cânones síriacos orientais, mas com inclusão da Sabedoria de Salomão e Eclesiástico, e possível exclusão de Rute e Jó, além da usência de 2 Pedro, 2-3 João, Judas e Apocalipse no Novo Testamento.
Em uma época quando a doutrina do pecado original emergia em sua formal ocidental, Teodoro rejeitou-a, pois acreditava que os humanos foram criados bons, mas eram propensos ao pecado. Defendia o conceito de salvação universal, que ensinava que todos os humanos acabariam se reconciliando com Deus.
BIBLIOGRAFIA
Bultmann, Rudolf. Die Exegese des Theodor von Mopsuestia. [Habilitationsschrift Marburg, 1912] Stuttgart: Kohlhammer, 1984.
Greer, Rowan A. Theodore of Mopsuestia: Exegete and Theologian. London: Faith Press, 1961.
Mopsuéstia, Teodoro. Contra os defensores do pecado original.
Young, Frances M. Biblical Exegesis and the Formation o f Christian Culture. Cambridge: Cam bridge University Press, 1997.
Zaharopoulos, Dimitri Z. Theodore of Mopsuestia on the Bible: A Study of His Old Testament Exegesis. New York: Paulist Press, 1989.
O Trono da Misericórdia (em hebraico כַּפֹּרֶת kaporet e em grego ἱλαστήριον hilastērion) ou propiciatório era a tampa de ouro colocada na Arca da Aliança, com dois querubins batidos nas pontas. Ali nesse espaço de propiciação, Deus se manifestava e as petições e purificações realizadas.
De acordo com Êxodo 25:19; 37:6, a tampa era feita de ouro puro. Ela se ajustava à arca abaixo dela, combinando a mesma largura e largura com 2,5 côvados de comprimento e 1,5 côvados de largura. Dois querubins de ouro foram colocados em cada extremidade da tampa, um de frente para o outro e para o propiciatório, com as asas abertas para envolver o propiciatório (Êxodo 25:18–21). Os querubins formaram um assento para Deus (1 Samuel 4:4). A arca e o propiciatório foram guardados dentro do Santo dos Santos, o santuário mais interno do templo.
O termo grego hilasterion pode significar tanto “propiciação” (agradar ou apaziguar) ou “expiação” (purificação) ou algo “expiatório”. Seria uma oferta votiva dada para obter favor de um deus. Contudo, nunca se refere a uma vítima animal sacrificada. Mas no grego bíblico da Seputaginta e do Novo Testamento hilasterion tinha o significado especial da tampa do propiciatório cobrindo a Arca da Aliança.
Notoriamente, Paulo invoca essa figura do Trono da Misericórdia em Rm 3:25, o qual em uma tradução informada pela semântica seria: “Deus o expôs publicamente [Jesus] em sua morte como o Trono da Misericórdia [hilastērion] acessível por meio da fé. Isso foi para demonstrar sua justiça, porque Deus em sua tolerância havia desconsiderados os pecados passados”.
Com esse sentido de propiciatório, o termo aparece também em Hebreus 9:5: “E sobre a [arca], os querubins da glória, que faziam sombra no Trono da Misericórdia [hilastērion]; das quais coisas não falaremos agora particularmente.”‘
BIBLIOGRAFIA
Bailey, D. P.“Jesus As the Mercy Seat: The Semantics and Theology of Paul’s Use of Hilasterion in Romans 3:25”. Dissertação doutoral na University of Cambridge, 1999.
Wallner, Karl Josef. Sühne: Suche nach dem Sinn des Kreuzes, Media Maria Verlag, 2015.
O Textus Receptus (sigla TR), em sentido estrito, é o nome dado à família de versões impressas do Novo Testamento entre o século XVI e o final do século XIX.
Trata-se de um texto eclético feito da comparação de alguns poucos manuscritos bizantinos tardios, iniciada por Erasmo de Roterdã. Não é a mesma coisa que Texto Majoritário ou Texto Bizantino. Por exemplo, entre o TR de Scrivener e o Texto Majoritário da edição de Hodges e Farstad (1985) há 1,838 diferenças. Contudo, o tipo textual do Textus Receptus em geral se enquadra em leituras da família do tipo bizantino, exceto no livro de Atos e em partes do Apocalipse, onde predominam um tipo alexandrino.
Para sua primeira edição, a qual se tornaria o texto-base para o Textus Receptus, Erasmo utilizou os seguintes manuscritos:
Designação
Localização
Século
Família Textual
Conteúdo
Uso por Erasmo
Códex 1
Basileia, Universitätsbibliothek, AN IV 2
Séc. XII
Bizantina
Evangelhos, Atos, Epístolas
Fonte primária para a maior parte do Novo Testamento
Códex 2
Basileia, Universitätsbibliothek, AN IV 1
Séc. XV
Bizantina
Evangelhos, Atos, Epístolas
Suplementou o Códex 1
Códex 2e
Basileia, Universitätsbibliothek, AN III 11
Séc. XII
Bizantina
Evangelhos
Usado para comparação
Códex 1r
Basileia, Universitätsbibliothek, AN IV 2, fol. 194–206
Séc. XII
Bizantina
Apocalipse
Único manuscrito grego completo do Apocalipse disponível para Erasmo
Códex 3
Basileia, Universitätsbibliothek, AN III 15
Séc. XV
Bizantina
Evangelhos
Usado esporadicamente
Códex 4
Basileia, Universitätsbibliothek, AN III 12
Séc. XII
Bizantina
Evangelhos
Usado para comparação
Vulgata Latina
N/A
N/A
N/A
Bíblia Inteira
Retrovertida para o grego para lacunas/leituras pouco claras
As versões mais conhecidas do Textus Receptus são as de Erasmo, Stephanus, Beza, Elzevier e Scrivener.
As primeiras edições do Textus Receptus foram feitas por Erasmo em 1516, 1519, 1522, 1527, 1535. Logo apareceram edições de igual teor, algo que seria hoje pirataria, como as de Aldo Manucio 1518, Gerbelius 1521, Cephalius 1524 e 1526, e Colinaeus 1534.
Com Stephanus (Robert Estienne), veio sua influente Editio Regia de 1550. Seria a primeira a fornecer um aparato mostrando leituras variantes. A próxima revisão substancial veio com as edições de Teodoro Beza de 1565, 1582, 1588 e 1598. Por fim, a edição de Elzevir (1633) consolidou a predominância do TR.
O Textus Receptus serviu de base para boa parte das traduções da época da Reforma. Lutero empregou a edição de Erasmo de 1519 para o Alemão. João Ferreira de Almeida utilizou a edição de Jan Jansson (1639). A versão King James, por ser uma revisão de várias versões anteriores, reúne leituras diversas, mas teve influência maior da edição de Beza 1598. A versão Almeida Corrigida Fiel não foi baseada nessas edições da era da Reforma, mas na edição de Scrivener 1894.
Outras edições contemporâneas da Reforma, como a Aldina de 1504 e a Complutense, são semelhantes, mas não foram influenciadas pelo TR. Mas o inverso é verdadeiro: tanto a Aldina quanto a Complutense vieram a influenciar a formação do TR.
O termo “Textus Receptus” vem do prefácio da edição de Elzevir (1633) em Leiden, o qual afirmaram o consenso da época:
Textum ergo habes, nunc ab omnibus receptum: in quo nihil immutatum aut corruptum damus. “Então você mantém o texto, agora recebido por todos, no qual nada é corrompido”.
Os avanços dos estudos do Novo Testamento grego do século XVIII por biblistas como John Mill, Richard Bentley, J. J.Wettstein, J. A. Bengel e J. J. Griesbach apontaram vários problemas com o TR. Em resposta essas questões, no século XIX iniciaram as pesquisas que culminaram nos textos críticos atuais.
BIBLIOGRAFIA
Metzger, Bruce M. The Text of the New Testament, 2d ed. Oxford: Oxford University Press, 1968.