Crítica textual

A crítica textual é o ramo da filologia aplicada na determinação dos textos bíblicos. Busca comparar evidências internas e externas em manuscritos e outras testemunhas para reconstituir o texto bíblico.

É também chamada de manuscritologia ou “baixa crítica”, conceito hoje obsoleto.

BIBLIOGRAFIA

Epp, Eldon Jay; Fee, Gordon D. Studies in the Theory and Method of New Testament Textual Criticism. Grand Rapids: Eerdmans, 1993.

Crítica das tradições

A crítica das tradições (Traditionskritik e Traditio-historical criticism) é um método exegético diacrônico que, com a crítica das formas, tenta traçar o desenvolvimento da tradição oral que tenha atencedido a fixação escrita dos textos bíblicos.

Essa crítica geralmente foca em tradições sobre pessoas, ensinos e lugares sobre os quais houve uma preservação de tradições. A crítica das tradições também se ocupa de motif — motivos literários — frases e conceitos que se repetem ao longo da Bíblia, como “Filho do Homem”, a tradição do êxodo, Sião, dentre outros.

Empregando técnicas de análise transmissão oral, a crítica de tradições faz comparações. Por exemplo, nessa abordagem há cotejo do Salmo 78 com textos narrativos da história de Israel. É uma abordagem importante para resgatar as logias e as ágrafas de Jesus.

Seus expoentes foram Gerhard von Rad (1901-1971) e Martin Noth (1902-1968). Baseados no trabalho de Gunkel, aplicaram a crítica das tradições principalmente no livro de Deuteronômio e na História Deuteronomista. Entretanto, Rolf Rendtorff se opôs a Von Rad e Noth em sua concessão ao método de fonte crítica e defendeu um retorno à abordagem de Gunkel. O trabalho dos estudiosos envolveu várias suposições sobre a datação das curtas declarações históricas que tornam seus resultados provisórios.

Pompeu Trogo


Pompeu Trogo, em latim Gnaeus Pompeius Trogus, foi um historiador romano que viveu no reinado do imperador Augusto.

Pompeu Trogo escreveu uma História Universal, que chamou de “Historiae Philippicae”, composta por 44 livros.

Ao colocar mais ênfase na história externa do que na história romana, Trogo fez contribuições importantes ao registrar a história dos hebreus.

Empregando fontes gregas desconhecidas, Trogo relata a história dos hebreus no Império Selêucida. Discute as origens dos judeus – inclui uma combinação de três tradições diferentes: uma tradição de Damasco, tradição bíblica e tradição egípcia-grega hostil ao Êxodo. Faz uma breve descrição geográfica da da Judeia. Discorre sobre a história dos judeus no período persa.

Sua Histórias Filípicas (Historiae Philippicae) não sobreviveu, mas temos uma paráfrase dela, escrita cerca de 200 anos depois por alguém chamado M. Junianius Justinus.

BIBLIOGRAFIA

http://www.attalus.org/translate/justin5.html#36.1

Alonso-Núñez, J. M. “An Augustan World History: The Historiae Philippicae of Pompeius Trogus.” Greece and Rome 34, no. 1 (1987): 56-72. 

Yardley, J.C, and Professor of Classics Former Chairman John Yardley. Justin and Pompeius Trogus. Toronto: University of Toronto Press, 2014.

Teurgia

Teurgia (grego theurgias) eram os rituais surgido nas escolas do platonismo médio para invocar uma ou mais deidades com o objetivo de aperfeiçomento pessoal.

É associada a Iâmblico da Síria e seu livro Sobre o Mistério, bem como aparece nos Oráculos Caldeus e nos Papiros Mágicos.

A crença subjacente era que o corpo humana poderia tornar-se animado com os deuses.

BIBLIOGRAFIA

STEINHART, E. (2020). Theurgy and Transhumanism. Archai 29, e02905.

Textos de Wadi Murabba’at

 Os textos de Wadi Murabba’āt, em Naḥal Ḥever, um riacho intermitente a oeste do Mar Morto e a sudeste de Belém, no Deserto da Judeia, Cisjordânia, são fragmentos de mais de uma centena de documentos datando entre o século II a.C. e o XI d.C. Foram encontrados no deserto da Judeia, ao sul de Jerusalém, em 1952.

Entre pergaminhos, palimpsetos, filactérios e óstracas estão textos bíblicos, cartas e documentos de transações contratuais. É uma importante fonte para documentar o período da Revolta de Bar-Cosiba, de quem há cartas.

Há também restos de cerâmicas, moedas e armas desde o período calcolítico, mas como predominância do período romano. Foram escondidos por refugiados da Primeira e Segunda guerras judaicas (68-72 d.C. e 132-135 d.C.).

Os Papiros de Murabba’at são uma coleção de documentos encontrados em uma caverna no Wadi Murabba’at, no deserto da Judeia, datados do século II d.C., no contexto da revolta de Bar Kokhba contra o domínio romano. Os textos incluem fragmentos bíblicos, cartas pessoais e documentos legais que oferecem informações sobre práticas sociais, religiosas e jurídicas na Judeia da época.

Entre os documentos, destaca-se o Papiro Murabba’at 42, que registra um contrato de divórcio preparado de acordo com as práticas tannaitas. O texto, datado do primeiro dia de Marheshvan, no sexto ano, refere-se a um divórcio ocorrido em Masada. Nele, José, filho de Naqsan, declara sua decisão de repudiar Miriam, filha de Jonathan, permitindo que ela se case com outro homem judeu de sua escolha. O documento estipula o retorno do dote, o ressarcimento por bens danificados e a obrigação de substituir o documento, caso necessário. O contrato é testemunhado por três homens: Eliezer, filho de Malka; José, filho de Malka; e Eleazar, filho de Hanana.

Os textos estão escritos em línguas como hebraico, aramaico e grego, utilizando diferentes estilos de escrita, como a escrita quadrática hebraica e a cursiva nabateia, escritos em papiro e couro. . Fragmentos de textos bíblicos também foram encontrados, incluindo partes de Deuteronômio, Profetas Menores, fragmentos de Gênesis, Êxodo e Número, além de filactérios, mezuzá. Esses fragmentos são úteis para estudos de crítica textual e para entender a transmissão dos textos sagrados.

Os documentos legais incluem contratos, testamentos e escrituras que refletem as estruturas sociais e econômicas da Judeia no período greco-romano. Além disso, cartas pessoais registram preocupações cotidianas, deslocamentos e estratégias de adaptação durante a revolta.

Os Papiros de Wadi Murabba’at complementam as descobertas de outros sítios arqueológicos no deserto da Judeia, como os Manuscritos do Mar Morto. Diferentemente dos textos de Qumran, que têm forte ligação com comunidades sectárias, os documentos de Murabba’at estão mais associados à vida cotidiana e aos desafios enfrentados pelas populações judaicas sob domínio romano. Eles também ajudam a entender as mudanças na prática jurídica e nos costumes religiosos durante períodos de conflito.

A preservação desses documentos em cavernas reflete os esforços das comunidades locais para proteger registros importantes em tempos de perseguição e guerra. Eles permanecem como uma fonte essencial para estudos históricos e arqueológicos sobre a Judeia do período romano.

VEJA TAMBÉM

Arquivos de Babatha

Manuscrito de Nahal Arugot

Manuscritos de Nahal Hever 

Manuscritos de Wadi Sdeir

Manuscritos de Massada

Manuscrito de Shapira

Manuscritos do Mar Morto