Giuseppe Petrelli

Giuseppe Petrelli (1876 – 1957) foi um teólogo, jornalista, jurista, professor universitário, missionário e ancião ítalo-americano.

Petrelli nasceu em uma família abastada no vilarejo de Noepoli, na província de Potenza, na Basilicata, no sul da Itália. Estudou Direito e trabalhou como jornalista em Nápoles antes de sua conversão ao evangelho em uma igreja batista.

Emigrou aos Estados Unidos em 1905, onde foi pastor de uma grande igreja batista em Nova Iorque devotada ao público imigrante italiano. Nessa igreja, dedicava-se ao cuidado dos mais pobres. Por um tempo, foi professor no Colgate College.

Passou por sua experiência de batismo no Espírito Santo com o sinal de falar em novas línguas em 1915. Três anos depois deixaria o pastorado batista para juntar-se ao movimento pentecostal italiano como ancião.

Começou a desenvolver um ministério itinerante de ensino bíblico entre as igrejas italianas da América do Norte. Na década de 1920 fez várias viagens à América do Sul para atender a igreja italiana na Argentina e no Brasil, onde seu irmão, o engenheiro Leonardo Petrelli, morava.

De retorno à América do Norte, tentou mitigar a controvérsia do consumo de sangue em relação a Atos 15. Mal compreendido, isolou-se e continuou seu ministério sem ocupar responsabilidades por igrejas locais, mesmo após a reconciliação acerca dessa controvérsia. Passou a dar lições bíblicas durante a semana nas igrejas italianas da região metropolitana de Nova Iorque e congregava na igreja de Belleville, New Jersey.

Um prolífico autor e correspondente, seus escritos ainda não foram totalmente publicados. Sua concepção de renúncia a Cristo revelado nas Escrituras e a confiança na ação do Espírito Santo guiaram sua obra. Erudito e falante de várias línguas vernáculas e clássicas, lia a Bíblia conciliando a hermenêutica de um literato com uma leitura quase jurídica, quase pastoral, na qual buscava iluminação do Espírito Santo. Suas obras são na maioria cristológica, pneumatológica e eclesiológica, além de estudos de livros e personagens bíblicos.

Seu legado e público permanece em um nicho restrito na Itália (onde alcança mesmo um público católico), algumas igrejas e leitores nos Estados Unidos e Argentina.

Introspectivo, não afoito ao personalismo, erudito e aristocrático; Petrelli constratava muito com a primeira geração do pentecostalismo. Entretanto, aproximava-se sempre das pessoas tratando-as como iguais a ele.

OBRAS

  • Simon Pietro (1911)
  • Cristo per fede (1912)
  • Davide, peccatore e penitente (1915)
  • La chiesa di Cristo (1929)
  • Il figliuol dell’uomo (1930)
  • Fra i due testamenti (1930)
  • Il verme di Giacobbe (1935)
  • Lo Spirito Santo (1938) em inglês, Heavenward: Book One: The Holy Spirit (1953)
  • Ricevendo il Regno (1950), em ingês, Heavenward: Book Two: Receiving the Kingdom (1953)
  • Perché crocifissero Gesù (1950) em inglês, From darkness to light Part One: Why they crucified Jesus (1957)
  • I nemici di Davide (1951) em ingês, From darkness to light Part Two: The enemies of David (1957)
  • Caino il fabbricatore e Iddio architetto e fabbricatore (1953)
  • Come in cielo (1953) em inglês Him – His: Book Three: As In Heaven (1954)
  • Partecipi della natura divina (1954) em inglês: Heavenward: Book Three: Partakers of the divine nature (1953)
  • Dalle tenebre alla luce dalla podestà di satana a Dio (1955)
  • La legge dello Spirito (1955)
  • Libertà (1955)
  • Ecce Homo (1956)
  • Il messaggio di san Paolo agli anziani di Efeso (1954)
  • Il corpo di Cristo (1957)
  • Al Golgota si incontrano le età (1957), em inglês:  Him – His Prologue (1954)
  • Lui e la sua dottrina, Lui e i suoi (1957)
  • Annuali de «Il Regno di Dio» 1948-1949-1950 (1958)
  • Messaggio a Giobbe (1959)
  • Ristoratori di rovine (1960)
  • Annuali de «Il Regno di Dio» 1951-1952-1953 (1961)
  • Il ritorno del Signore (1965)
  • Annuali de «Il Regno di Dio» 1954-1955-1956 (1965)
  • Annuali de «Il Regno di Dio» 1957-1958-1959 (1968)
  • Le parabole di Gesù (1982)
  • Corrispondenza (2006)
  • Parlare – Tacere (2007)
  • Le beatitudini (2009)
  • Orando (2010)
  • Messaggi (2015)
  • Epistole (2017)
  • Epistole a destinatari sconosciuti (2020)
  • La chiesa, la invisibile (1952)
  • Il redentore (1955)
  • Abrahamo, Giovanni, Tommaso (1966)
  • Apocalisse (2005) em inglês: Tuesday night lesson (Appunti in fascicolo 1944 – 1945 – 1948 – 1949)
  • Meditazioni sulla Genesi (2008) em inglês: Wednesday night lesson (Appunti in fascicolo 1944)
  • Isaia – Il profeta del ristoramento (2011) em inglês:  Tuesday night lesson (Appunti in fascicolo 1944 – 1945 – 1948 – 1949)
  • La Persona di Cristo (2012) – Tratto da: The Person of Crist uscito a puntate su «Il Re ed il Regno».
  • San Paolo negli Atti degli Apostoli (2012) –em inglês:  Tuesday night lesson (Appunti in fascicolo 1944 – 1945 – 1948 – 1949)

SAIBA MAIS

Alves, Leonardo Marcondes.  Petrelli, Giuseppe, in Michael Wilkinson, Connie Au, Jörg Haustein (ed.). Brill’s Encyclopedia of Global Pentecostalism Online, Leiden, Brill, 2020, DOI:10.1163/2589-3807_EGPO_COM_047965.

Londino Bernabei, Caterina. Biografia del Servitore di Dio Giuseppe Petrelli. Torino, Londino Caterina, 2012.

Napolitano, Carmine. Giuseppe Petrelli, Teologo pentecostale delle origini. Napoli: Fondazione Chàrisma Edizioni, 2015.

História da Congregação Cristã

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Para um tratamento mais longo, consulte:

https://www.researchgate.net/publication/328292576_Congregacao_Crista_na_America_do_Norte_sua_origem_e_culto


William H. Durham

William Howard Durham (1873–1912) foi pioneiro da obra pentecostal em Chicago, sendo proponente do entendimento doutrinário da obra consumada do calvário, dentro da teologia do evangelho pleno.

BIOGRAFIA

Durham nasceu em uma área rural do Kentucky. Aos dezoito anos tornou-se membro da Igreja Batista, mas somente experimentou a conversão em 1898, enquanto vivia em Minnesota, sob influência do movimento de Santidade. Tornou-se ministro credenciado da World’s Faith Missionary Association, um organismo de cooperação entre pregadores do movimento de Santidade. Em 1903 assumiu o pastorado da Gospel Mission Church, uma missão (sala de culto em área comercial) de santidade independente na North Avenue, Chicago. Visitou o avivamento da Rua Azusa em 1907, recebendo a efusão do Espírito Santo. A partir disso, sua Missão da North Avenue se tornou um dos centros de difusão do pentecostalismo no Norte dos Estados Unidos e no exterior, principalmente pela adesão de comunidades imigrantes italianas, escandinavas e persas. Enquanto pregava em Los Angeles, Durham desenvolveu uma doença respiratória. Retornou a Chicago onde morreu aos trinta e nove anos.

Foi mentor ou influenciou pioneiros como Louis Francescon, Giacomo Lombardi, Pietro Ottolini, John Perrou, Daniel Berg, Gunnar Vingren, F.A. Sandgren, Robert e Aimee Semple McPherson, T.K. Leonard, Andrew Urshan, Howard Goss, E.N. Bell, A.H. Argue, Frank Ewart, Cora Harris Mcilravy e Dorothy Wright.

Durham escreveu vários artigos de cunho teológico, os quais publicava em seu periódico de tiragem ocasional, Pentecostal Testimony. Publicou também pequenos tratados e uma coletânea de mensagens recebidas profeticamente para edificação devocional.

OBRA CONSUMADA DO CALVÁRIO

Junto de Albert Sydney Copley (1860-1945), Durham foi o responsável pela conceptualização teológica do movimento pentecostal com base na teologia de Keswick.

Em sumário, a doutrina da obra consumada do calvário considerava que a fé viva que justifica uma pessoa a leva a Cristo. Na plenitude da obra perfeita de Cristo tudo está completo não apenas no que diz respeito à santificação, mas tudo o que diga respeito à salvação. Os regenerados em Cristo devem permanecer nele, receber e andar no Espírito, apegar-se à fé, crescer na graça e no conhecimento de Deus. Assim, não haveria uma segunda bênção ou experiência distinta e definitiva de santificação.

Este entendimento resultou na ruptura dos pentecostais da obra consumada com pentecostais de matriz wesleyana a partir de 1910.

SAIBA MAIS

Anderson, Robert Mapes. Vision of the Disinherited : The Making of American Pentecostalism. New York: Oxford University Press, 1979.

Blumhofer, Edith Waldvogel. The ‘Overcoming Life’: A Study in the Reformed Evangelical Origins of Pentecostalism. Tese doutoral. Cambridge, Massachusetts: Harvard University, 1977.

Clayton, Allen L. “The Significance of William H. Durham for Pentecostal Historiography.” Pneuma: The Journal of the Society for Pentecostal Studies 1: 27–42, 1979.

Faupel, D. William. The Everlasting Gospel: The Significance of Eschatology in the Development of Pentecostal Thought. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996.

Jacobsen, Douglas. Thinking in the Spirit: Theologies of the Early Pentecostal Movement. Bloomington, IN: Indiana University Press, 2003. 

Richmann, Christopher J.  “William H. Durham and Early Pentecostalism: A Multifaceted Reassessment”. Pneuma 37, no. 2 (2015): 224-243.


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes (ed.). William H. Durham. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em: https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/04/william-h-durham/. Acesso em: 04 jul. 2021.

Bernard Sesboüé

Bernard Sesboüé (1929-2021) foi um teólogo francês na área de teologia dogmática e da patrologia, além de padre jesuíta e foi bispo auxiliar da Arquidiocese de Paris.

Sesboüé foi um autor prolífico, publicando vários livros sobre teologia, incluindo “A Ressurreição e a Vida”. Sua teologia concentrava-se na fé cristã, particularmente no contexto das últimas coisas, incluindo a morte, o julgamento, o céu, o purgatório e o inferno, a parte da escatologia que na tradição católica se chama de novíssimo. Discorreu extensivamente sobre ressurreição do corpo e do retorno de Cristo.

Sesboüé explorou o papel dos ministros eclesiais leigos na Igreja Católica Romana, considerando as implicações do seu surgimento no contexto dos ensinamentos do Vaticano II sobre a colegialidade e a eclesiologia da communio. Reconheceu a necessidade de a Igreja se adaptar às novas circunstâncias. Foi membro da Comissão Teológica Internacional do Vaticano e o seu envolvimento na Companhia de Jesus.

Avivamento dos anos 1950 no Brasil

Nos anos 1950 houve um grande avivamento no Brasil, cujos traços foram há muito esquecidos.

Em São Paulo a Congregação Cristã no Brasil inaugurou sua sede, então a maior casa de oração evangélica do país.

As cruzadas de evangelização e cura divina alcançavam a população nos grandes centros. Uma infusão de dons ocorriam entre algumas igrejas tradicionais, especialmente em São Paulo. Iniciava-se também o uso de mídias de massa, sobretudo o rádio. E não eram só os pentecostais que cresciam: o mesmo ocorria entre metodista, batistas e presbiterianos.

Nessa década teve o primeiro presidente evangélico do Brasil, Café Filho. Mas a maior participação na esfera pública por um evangélico foi do político Guaracy Silveira em causa dos pobres, novos moradores nos grandes centros industriais.

Atividades para-eclesiásticas como a União Cristã de Estudantes do Brasil, a Confederação Evangélica Brasileira, a Associação Cristã dos Moços e a Sociedade Bíblica articulavam uma proclamação do evangelho em uma frente unida. A diminuição do denominacionalismo parecia estar próxima.

O historiador evangélico francês radicado no Brasil, Émile-G. Léonard, documentou e tornou público ao mundo o que ocorria no país.

O autor pentecostal, Emílio Conde, na foto diante da igreja, representava o que o movimento evangélico poderia ter sido: convertido na Congregação Cristã, desenvolveu seu ministério de músico, “diplomata” pentecostal, editor e jornalista nas Assembleias de Deus.

No entanto, os anos 1960 foram cruéis: ditadura, fim das organizações evangélicas, enquistamento denominacional, infiltração da política paranoica nas igrejas, esvaziamento da presença pública de pautas sociais por evangélicos.

É tempo de orar por um novo avivamento desses.