Albert Sydney Copley

Albert Sydney Copley, também conhecido como A.S. Copley, (1860-1945) foi um pioneiro pentecostal.

Nascido em Ohio, foi criado na Igreja Evangélica, também chamados de Albright Brethren, uma denominação anabatista-pietista alemã, e mais tarde tornou-se ministro da Aliança Cristã e Missionária após sua ordenação.

Em 1906, Copley experimentou o batismo no Espírito Santo e tornou-se um propagador do movimento pentecostal. Em 1907, Copley mudou-se para Kansas City, Missouri, onde pastoreou a The Christian Assembly, uma igreja pentecostal. Ele também se tornou o editor associado da revista The Pentecost, trabalhando ao lado de J. Roswell Flower. Quando Flower mudou-se para casar, Copley assumiu como o único editor e renomeou a revista Grace and Glory em 1911.

Copley publicou Grace and Glory Carols em 1918, que incluía muitos hinos que ele havia escrito. Seu ministério teve um impacto significativo no desenvolvimento de muitas assembléias da Graça Pentecostal que mantêm doutrinas de acordo com seus ensinamentos, principalmente na região central dos Estados Unidos.

Copley também colaborou com o trabalho pentecostal italiano na cidade e orientou o ancião Alexander Mauriello.

Foi pioneiro na doutrina da Obra Consumada, doutrina a qual pregou antes de William Durham. Copley faleceu em Kansas City, deixando para trás um legado duradouro no movimento pentecostal como ministro, editor e escritor de hinos.

Soteriologia transformativa

As soteriologias transformativas são modelos que explicam o papel dos ensinos e obra de Jesus Cristo para a salvação centrados em seus efeitos transformativos na humanidade.

No cristianismo oriental a salvação é compreendida como um processo de tornar-se participante da natureza divina (2 Pedro 1:4) ou de redenção (resgate). Nesse processo, toda a obra de Cristo – encarnação, ensinos, morte, ressurreição e ascensão – afeta a salvação da humanidade.

Salvação é representada por vários conceitos no Novo Testamento como transformativa: justificação (Romanos 3:24; 5:9; Lucas 18:1–14), reconciliação (Romanos 5:10; 2 Coríntios 5:19), redenção (Romanos 3:24; Lucas 21:28; Efésios 1:7, 14; Colossenses 1:14) e santificação (Filipenses 3).

A soteriologia transformativa enfatiza que a salvação em Cristo não é apenas um perdão inicial dos pecados, mas um processo contínuo de transformação que envolve a renovação da mente, a santificação e a participação na vida divina.

Esse pensamento transformativo foi notório na era patrística para se pensar a salvação. Constituiu a base teológica de Justino Mártir, Orígenes, Irineu, Atanásio, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo, Cirilo de Alexandria e Hilário de Poitiers. É a concepção predominante na soteriologia das denominações orientais, sobretudo entre os ortodoxos gregos, no modelo de teose.

No ocidente, pelas influências de Tertuliano, Cipriano de Cartago e Agostinho, surgiram diversas outras soteriologias forenses (aquelas que visam declarar o ser humano pecador justo diante de Deus). Embora Tertuliano tenha introduzido linguagem jurídica (satisfactio, meritum) na teologia latina, sua soteriologia mantinha ainda elementos participativos e não era exclusivamente forense. Apesar das tendências forenses do período, persistiam noções transformativas de justificação. Mesmo esses teólogos não negligenciavam aspectos regenerativos. Agostinho, por exemplo, insistia na justificação como ação transformativa de Deus para tornar a pessoa justa, derramando amor direcionado ao próprio Deus e ao próximo com base em Romanos 5:5 (Agostinho. De Spiritu et Littera, 5). Contudo, com a influência crescente de práticas devocionais populares baseadas em uma transação penitencial e o desenvolvimento de uma soteriologia exclusivamente forense a partir de Anselmo, a justificação forense praticamente se tornou o consenso dominante no mundo ocidental.

Nessa linha de soteriologia forense se desenvolveram o catolicismo romano com uma soteriologia penal-sacramental, a soteriologia da satisfação de Anselmo, a justiça imputada de Lutero, a substituição vicária de Calvino, a sinergia do arminianismo reformado, a justificação governamental de Grócio, dentre outras.

Contudo, essas abordagens como uma totalidade apresentam pontos sujeitos à crítica. Por exemplo, Darby Kathleen Ray, a partir de uma perspectiva feminista e libertadora, entende a expiação ou reconciliação (o termo é fundido em inglês como atonement) como o ato de restaurar um relacionamento rompido entre a humanidade e Deus. No entanto, ela critica a compreensão forense da expiação, que enfatiza a morte sacrificial de Jesus como pagamento pelo pecado humano, por ser estruturalmente violenta e passível de ser usada para justificar comportamentos abusivos. Em vez disso, Ray sugere uma visão alternativa da expiação que se concentra nos aspectos de cura e reconciliação da obra de Cristo. A vida e os ensinamentos de Jesus, em vez de sua morte isolada, oferecem as contribuições mais significativas para a expiação, cujo objetivo não é apaziguar um Deus irado, mas restaurar relacionamentos rompidos entre os indivíduos e Deus, os outros e a si mesmo.

Alternativamente, os anabatistas enfocaram nos efeitos da salvação ao invés do início de seu processo como os reformadores magisteriais. Mesmo entre os luteranos, Lutero apresentava aspectos transformativos em sua soteriologia. Esses aspectos foram desenvolvidos de forma distinta por Andreas Osiander (1498–1552), que propôs a justificação como resultado do habitar da natureza divina de Cristo no interior do crente (iustitia essentialis / inhabitatio Christi), pela qual Deus encontra o crente justo em razão da presença de Cristo nele. Importa notar, porém, que esse modelo uma divergência em relação a Lutero: Osiander rejeitava a imputação da obediência de Cristo e a centralidade de sua natureza humana na justificação, o que levou à condenação de seu ensino por Melanchthon, Flacius e outros luteranos, sendo o Osiandrianismo formalmente rejeitado pela Fórmula de Concórdia (1577), artigo III. Outras perspectivas transformativas foram reproduzidas entre os pietistas e morávios, com aspectos de União com Cristo ou União Mística. Por meio deles, essa soteriologia afetou o pensamento dos avivalistas, especialmente de John Wesley. Wesley combinou a estrutura forense do arminianismo reformado com elementos da soteriologia transformativa, especialmente em sua doutrina da completa santificação (entire sanctification) e do amor perfeito, influenciada pelos morávios e pelo pietismo. Em outros desdobramentos, a soteriologia de Keswick adotou uma ênfase transformativa ao tratar o pecado como algo a ser curado.

O pentecostalismo sempre foi plural em sua teologia, mas há vertentes com um sólido fundamento em uma soteriologia transformativa. O pentecostalismo clássico abraçou essa soteriologia transformativa na fórmula quádrupla de que Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo, cura e é o rei vindouro. Dependente totalmente da graça, essas ações transformam o indivíduo, agrega-o à Igreja, transforma o corpo e o mundo por milagres sanatórios enquanto espera o reino de justiça.

Um subgrupo pentecostal, influenciados pela soteriologia de Keswick, refinou esse conceito na doutrina da Obra Plena do Calvário. Por ela, a salvação concorre na ação do Triúno Deus completada objetivamente na morte, ressurreição e envio do Espírito Santo por Jesus Cristo. Em uma eleição corporativa o pecado na criação já redimida é limpo. A justificação não ocorre separadamente da conversão e do novo nascimento, visto ser a salvação um processo regenerativo. Assim, por esse ato de graça para toda humanidade, os crentes são regenerados pela fé nessa obra plena e, revestidos de poder do Espírito Santo, caminham em santificação rumo à glória eterna.

Mesmo em correntes protestantes magisteriais, como o luteranismo, reformados e anglicanos, soteriologias transformativas ganharam novas recepções. Entre os reformados apareceram os trabalhos de Torrance, Herman Wiersinga, Julie Canlis, Hans Boersma e Joshua W. Jipp. Entre os luteranos destacam-se Tuomo Mannermaa e a Escola Finlandesa de interpretação de Lutero, que argumenta que a justificação luterana envolve uma união real e ontológica com Cristo (unio cum Christo), aproximando-a da doutrina ortodoxa da teose; além de Jordan B. Cooper em língua inglesa. A Escola de Lund, centrada em Anders Nygren e sua pesquisa de motivos (Motivforschung) sobre ágape e eros, contribuiu de forma distinta para o debate soteriológico no luteranismo escandinavo, embora com foco diverso do da escola finlandesa. No evangelicalismo, Michael Gorman, N. T. Wright e Veli-Matti Kärkkäinen, dentre outros, avançaram soteriologias transformativas e participativas.

Essas soteriologias recebem designações e modelos variados. Os termos “modelo místico de redenção” (Ritschl) e “fisicalismo” (Harnack) foram cunhados no século XIX de forma crítica para descrever — e depreciar — a soteriologia patrística grega, que esses autores viam como excessivamente helenizada. Apenas posteriormente esses rótulos foram reapropriados de forma positiva por teólogos favoráveis à soteriologia transformativa. Outros modelos incluem a “substituição total” (Torrance) e a “soteriologia redentiva” (Studebaker).

BIBLIOGRAFIA

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VEJA TAMBÉM

Justificação

Graça

Salvação

Soteriologia forense

Teoria participatória da expiação

Teoria da União Mística

Teoria da Influência Moral

Teose

União com Cristo

William H. Durham

William Howard Durham (1873–1912) foi pioneiro da obra pentecostal em Chicago, sendo proponente do entendimento doutrinário da obra consumada do calvário, dentro da teologia do evangelho pleno.

BIOGRAFIA

Durham nasceu em uma área rural do Kentucky. Aos dezoito anos tornou-se membro da Igreja Batista, mas somente experimentou a conversão em 1898, enquanto vivia em Minnesota, sob influência do movimento de Santidade. Tornou-se ministro credenciado da World’s Faith Missionary Association, um organismo de cooperação entre pregadores do movimento de Santidade. Em 1903 assumiu o pastorado da Gospel Mission Church, uma missão (sala de culto em área comercial) de santidade independente na North Avenue, Chicago. Visitou o avivamento da Rua Azusa em 1907, recebendo a efusão do Espírito Santo. A partir disso, sua Missão da North Avenue se tornou um dos centros de difusão do pentecostalismo no Norte dos Estados Unidos e no exterior, principalmente pela adesão de comunidades imigrantes italianas, escandinavas e persas. Enquanto pregava em Los Angeles, Durham desenvolveu uma doença respiratória. Retornou a Chicago onde morreu aos trinta e nove anos.

Foi mentor ou influenciou pioneiros como Louis Francescon, Giacomo Lombardi, Pietro Ottolini, John Perrou, Daniel Berg, Gunnar Vingren, F.A. Sandgren, Robert e Aimee Semple McPherson, T.K. Leonard, Andrew Urshan, Howard Goss, E.N. Bell, A.H. Argue, Frank Ewart, Cora Harris Mcilravy e Dorothy Wright.

Durham escreveu vários artigos de cunho teológico, os quais publicava em seu periódico de tiragem ocasional, Pentecostal Testimony. Publicou também pequenos tratados e uma coletânea de mensagens recebidas profeticamente para edificação devocional.

OBRA CONSUMADA DO CALVÁRIO

Junto de Albert Sydney Copley (1860-1945), Durham foi o responsável pela conceptualização teológica do movimento pentecostal com base na teologia de Keswick.

Em sumário, a doutrina da obra consumada do calvário considerava que a fé viva que justifica uma pessoa a leva a Cristo. Na plenitude da obra perfeita de Cristo tudo está completo não apenas no que diz respeito à santificação, mas tudo o que diga respeito à salvação. Os regenerados em Cristo devem permanecer nele, receber e andar no Espírito, apegar-se à fé, crescer na graça e no conhecimento de Deus. Assim, não haveria uma segunda bênção ou experiência distinta e definitiva de santificação.

Este entendimento resultou na ruptura dos pentecostais da obra consumada com pentecostais de matriz wesleyana a partir de 1910.

SAIBA MAIS

Anderson, Robert Mapes. Vision of the Disinherited : The Making of American Pentecostalism. New York: Oxford University Press, 1979.

Blumhofer, Edith Waldvogel. The ‘Overcoming Life’: A Study in the Reformed Evangelical Origins of Pentecostalism. Tese doutoral. Cambridge, Massachusetts: Harvard University, 1977.

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Faupel, D. William. The Everlasting Gospel: The Significance of Eschatology in the Development of Pentecostal Thought. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1996.

Jacobsen, Douglas. Thinking in the Spirit: Theologies of the Early Pentecostal Movement. Bloomington, IN: Indiana University Press, 2003. 

Richmann, Christopher J.  “William H. Durham and Early Pentecostalism: A Multifaceted Reassessment”. Pneuma 37, no. 2 (2015): 224-243.


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes (ed.). William H. Durham. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em: https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/04/william-h-durham/. Acesso em: 04 jul. 2021.

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