Roberto Silvestre Bento

Roberto Silvestre Bento (1940-2021) foi advogado, jurista e teólogo brasileiro.

Nascido em Igarapava, São Paulo, graduou-se em Direito e foi professor da Universidade Federal de Uberlândia. Como advogado, atuou como diretor do Núcleo Juridico do Banco do Brasil em Uberlândia.

Membro da Congregação Cristã no Brasil em Uberlândia, Minas Gerais, Roberto Bento refletiu sobre eclesiologia, teologia ministerial e escatologia, além de temáticas devocionais. Publicou por sua conta quatro livros teológicos e um jurídico.

BIBLIOGRAFIA

https://derlibento.wixsite.com/livrosroberto

Bento, Roberto Silvestre. Cardápio de Reflexões. Uberlândia, n.d.

Bento, Roberto Silvestre. O Governo Da Igreja. Uberlândia, n.d.

Bento, Roberto Silvestre. O Resgate Do Cooperador de Jovens e Menores. Uberlândia, n.d.

Bento, Roberto Silvestre Sequências Escatológicas. Uberlândia, n.d.

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Veli-Matti Kärkkäinen

Veli-Matti Kärkkäinen (nascido em 1958) é um teólogo finlandês. Emigrado aos Estados Unidos, é professor de Teologia Sistemática no Seminário Teológico Fuller, em Pasadena, Califórnia.

Kärkkäinen atuou como ministro em congregações luteranas e pentecostais. Produziu uma das mais amplas teologias sistemáticas contemporâneas, A Constructive Christian Theology for the Church in the Pluralistic World, em cinco volumes. Apesar de seu ponto de vista pentecostal, utiliza questões e informações oriundas da ciência (sobretudo da ciência da religião), teologia global e comparativa para produzir uma teologia sistemática em diálogo.

Kärkkäinen enfatiza a importância de reconhecer a variedade de experiências do Espírito Santo em diferentes culturas e tradições. Nenhuma igreja ou tradição teológica pode reivindicar o monopólio da atividade do Espírito. Em vez disso, apela a uma abordagem mais aberta e inclusiva da pneumatologia que abranja a rica diversidade do pensamento cristão.

Faz várias perspectivas teológicas importantes sobre o Espírito Santo, incluindo o pentecostalismo, a renovação carismática, a teologia ortodoxa oriental e as pneumatologias africanas e asiáticas. Kärkkäinen também discute a relação entre o Espírito Santo e outras doutrinas cristãs, como cristologia, eclesiologia e escatologia.

Um dos temas centrais do trabalho de Kärkkäinen é a importância de contextualizar a pneumatologia. A compreensão do Espírito Santo deve estar enraizada nos contextos culturais e sociais específicos em que é vivenciada. Esta abordagem contextual permite uma aplicação mais significativa e relevante da pneumatologia na vida cotidiana.

BIBLIOGRAFIA

Heltzel, Peter; Oden, Patrick; Yong, Amos. The dialogic evangelical theology of Veli-Matti Kärkkäinen: exploring the work of God in a diverse church and a pluralistic world. Lexington Books/Fortress Academic, 2022.

Enderlein, Steven E., Michael S. Horton, Michael F. Bird, James DG Dunn, Veli-Matti Kärkkäinen, Gerald O’Collins, and Oliver Rafferty. Justification: Five Views. InterVarsity Press, 2011.

Kärkkäinen, Veli-Matti. “Pentecostal Hermeneutics in the Making: On the Way From Fundamentalism to Postmodernism.” Journal of the European Pentecostal Theological Association 18, no. 1 (April 1998): 76–115.

Kärkkäinen, Veli-Matti. Pneumatology: The Holy Spirit in Ecumenical, International, and Contextual Perspective. Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2002.

Kärkkäinen, Veli-Matti. The doctrine of God: A global introduction. Baker Academic, 2004.

Kärkkäinen, Veli-Matti (ed.). Holy Spirit and Salvation: The Sources of Christian Theology. Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2010.

Kärkkäinen, Veli-Matti. Christian Theology in the Pluralistic World: A Global Introduction. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2019.

Kärkkäinen, Veli‐Matti. “Salvation as Justification and Theosis: The Contribution of the New Finnish Luther Interpretation to Our Ecumenical Future 1.” Dialog 45.1 (2006): 74-82.

Kärkkäinen, Veli-Matti. “The Apostolicity of Free Churches.” Pro Ecclesia 10.4 (2001): 475-486.

Kärkkäinen, Veli-Matti. Spiritus ubi vult spirat: Pneumatology in Roman Catholic-Pentecostal dialogue (1972-1989). Luther-Agricola-Society, 1998.

Pedro Abelardo

Pedro Abelardo (em francês Pierre Abélard; Latim: Petrus Abaelardus ou Abailardus) (c. 1079 – 1142) foi um filósofo escolástico francês medieval.

Pedro Abelardo (em francês Pierre Abélard; em latim Petrus Abaelardus ou Abailardus) (c. 1079–1142) foi um teólogo, filósofo e lógico escolástico francês da Baixa Idade Média. Nascido na Bretanha, destacou-se como mestre em Paris, onde contribuiu decisivamente para a transição da teologia de um ambiente predominantemente monástico para o nascente contexto urbano e escolar que daria origem às universidades medievais.

Formado na tradição das escolas catedrais — especialmente na órbita da Catedral de Notre Dame de Paris — Abelardo tornou-se um dos professores mais célebres de seu tempo. Sua clareza expositiva, sua habilidade dialética e sua disposição para submeter as autoridades à análise racional atraíram numerosos discípulos. Em uma época de forte autoridade eclesiástica, notabilizou-se por tratar os autores da Antiguidade clássica com respeito intelectual, mesmo quando considerados “pagãos”, e por defender o exame crítico das Escrituras à luz da razão, sustentando a capacidade da mente humana de alcançar o conhecimento verdadeiro.

No plano filosófico, destacou-se por sua contribuição ao problema dos universais. Entre o realismo extremo e o nominalismo, Abelardo propôs uma forma de conceitualismo, segundo a qual os universais não existem como entidades independentes, mas como conceitos formados pela mente a partir da experiência. Sua reflexão lógica e linguística, desenvolvida sobretudo na Dialética, inclui a distinção entre o significante (o aspecto sonoro ou gráfico das palavras) e o significado (os conceitos universais), entendendo que na articulação entre ambos reside a especificidade da linguagem humana.

Sua obra mais conhecida, Sic et Non (c. 1121–1122), reúne afirmações aparentemente contraditórias de autoridades cristãs sobre questões teológicas centrais. O objetivo não era resolver imediatamente as tensões, mas exercitar a análise crítica e o método dialético, estimulando o discernimento intelectual. Esse procedimento influenciaria profundamente o método escolástico posterior, sendo retomado, por exemplo, por Tomás de Aquino na Suma Teológica.

No campo da ética, Abelardo formulou uma teoria frequentemente descrita como intencionalismo moral: o valor moral de uma ação depende primariamente da intenção do agente, e não apenas do ato externo ou de suas consequências. Entre as doutrinas a ele associadas figuram ainda a reflexão sobre o limbo e a chamada teoria da influência moral da expiação, segundo a qual a obra de Cristo atua sobretudo como exemplo supremo de amor capaz de transformar interiormente o ser humano.

A notoriedade de Abelardo ultrapassou o âmbito estritamente acadêmico em virtude de sua relação com Héloïse d’Argenteuil, sua aluna brilhante e posteriormente esposa. Sobrinha do cônego Fulbert, Heloísa distinguiu-se por sua cultura e erudição. O relacionamento entre mestre e discípula, iniciado em Paris no começo do século XII, culminou em casamento secreto e em um filho. Ao descobrir o caso, Fulbert ordenou a castração de Abelardo, episódio que marcou profundamente a vida de ambos.

Após a violência sofrida, Abelardo ingressou na vida monástica, enquanto Heloísa tornou-se religiosa e mais tarde abadessa. Embora tenham vivido separados, mantiveram intensa correspondência, posteriormente reunida e celebrada como uma das mais notáveis trocas epistolares da Idade Média. Nessas cartas, discutem não apenas o passado amoroso, mas também questões teológicas, morais e espirituais, revelando a profundidade intelectual e afetiva de sua relação.

Abelardo faleceu em 1142. Heloísa, que lhe sobreviveu, teria promovido a reunião de seus restos mortais, tradição que alimentou a recepção literária do casal como símbolo da paixão trágica medieval. A história de Abelardo e Heloísa tornou-se paradigma do conflito entre amor individual e normas sociais. É evocada ao lado de outras narrativas de paixão fatal na cultura ocidental.

Como pensador, Pedro Abelardo permanece figura central da escolástica do século XII. Sua confiança na razão, sua ênfase na análise lógica e sua abordagem crítica das autoridades contribuíram decisivamente para a consolidação do método universitário medieval e para o desenvolvimento da teologia e da filosofia ocidentais.

SAIBA MAIS

Abelardo, Pedro. Ética de Pedro Abelardo. Traduzido, editado e anotado por Marcio Chaves-Tannús. Edufu, 2015.

Soteriologia transformativa

As soteriologias transformativas são modelos que explicam o papel dos ensinos e obra de Jesus Cristo para a salvação centrados em seus efeitos transformativos na humanidade.

No cristianismo oriental a salvação é compreendida como um processo de tornar-se participante da natureza divina (2 Pedro 1:4) ou de redenção (resgate). Nesse processo, toda a obra de Cristo – encarnação, ensinos, morte, ressurreição e ascensão – afeta a salvação da humanidade.

Salvação é representada por vários conceitos no Novo Testamento como transformativa: justificação (Romanos 3:24; 5:9; Lucas 18:1–14), reconciliação (Romanos 5:10; 2 Coríntios 5:19), redenção (Romanos 3:24; Lucas 21:28; Efésios 1:7, 14; Colossenses 1:14) e santificação (Filipenses 3).

A soteriologia transformativa enfatiza que a salvação em Cristo não é apenas um perdão inicial dos pecados, mas um processo contínuo de transformação que envolve a renovação da mente, a santificação e a participação na vida divina.

Esse pensamento transformativo foi notório na era patrística para se pensar a salvação. Constituiu a base teológica de Justino Mártir, Orígenes, Irineu, Atanásio, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo, Cirilo de Alexandria e Hilário de Poitiers. É a concepção predominante na soteriologia das denominações orientais, sobretudo entre os ortodoxos gregos, no modelo de teose.

No ocidente, pelas influências de Tertuliano, Cipriano de Cartago e Agostinho, surgiram diversas outras soteriologias forenses (aquelas que visam declarar o ser humano pecador justo diante de Deus). Embora Tertuliano tenha introduzido linguagem jurídica (satisfactio, meritum) na teologia latina, sua soteriologia mantinha ainda elementos participativos e não era exclusivamente forense. Apesar das tendências forenses do período, persistiam noções transformativas de justificação. Mesmo esses teólogos não negligenciavam aspectos regenerativos. Agostinho, por exemplo, insistia na justificação como ação transformativa de Deus para tornar a pessoa justa, derramando amor direcionado ao próprio Deus e ao próximo com base em Romanos 5:5 (Agostinho. De Spiritu et Littera, 5). Contudo, com a influência crescente de práticas devocionais populares baseadas em uma transação penitencial e o desenvolvimento de uma soteriologia exclusivamente forense a partir de Anselmo, a justificação forense praticamente se tornou o consenso dominante no mundo ocidental.

Nessa linha de soteriologia forense se desenvolveram o catolicismo romano com uma soteriologia penal-sacramental, a soteriologia da satisfação de Anselmo, a justiça imputada de Lutero, a substituição vicária de Calvino, a sinergia do arminianismo reformado, a justificação governamental de Grócio, dentre outras.

Contudo, essas abordagens como uma totalidade apresentam pontos sujeitos à crítica. Por exemplo, Darby Kathleen Ray, a partir de uma perspectiva feminista e libertadora, entende a expiação ou reconciliação (o termo é fundido em inglês como atonement) como o ato de restaurar um relacionamento rompido entre a humanidade e Deus. No entanto, ela critica a compreensão forense da expiação, que enfatiza a morte sacrificial de Jesus como pagamento pelo pecado humano, por ser estruturalmente violenta e passível de ser usada para justificar comportamentos abusivos. Em vez disso, Ray sugere uma visão alternativa da expiação que se concentra nos aspectos de cura e reconciliação da obra de Cristo. A vida e os ensinamentos de Jesus, em vez de sua morte isolada, oferecem as contribuições mais significativas para a expiação, cujo objetivo não é apaziguar um Deus irado, mas restaurar relacionamentos rompidos entre os indivíduos e Deus, os outros e a si mesmo.

Alternativamente, os anabatistas enfocaram nos efeitos da salvação ao invés do início de seu processo como os reformadores magisteriais. Mesmo entre os luteranos, Lutero apresentava aspectos transformativos em sua soteriologia. Esses aspectos foram desenvolvidos de forma distinta por Andreas Osiander (1498–1552), que propôs a justificação como resultado do habitar da natureza divina de Cristo no interior do crente (iustitia essentialis / inhabitatio Christi), pela qual Deus encontra o crente justo em razão da presença de Cristo nele. Importa notar, porém, que esse modelo uma divergência em relação a Lutero: Osiander rejeitava a imputação da obediência de Cristo e a centralidade de sua natureza humana na justificação, o que levou à condenação de seu ensino por Melanchthon, Flacius e outros luteranos, sendo o Osiandrianismo formalmente rejeitado pela Fórmula de Concórdia (1577), artigo III. Outras perspectivas transformativas foram reproduzidas entre os pietistas e morávios, com aspectos de União com Cristo ou União Mística. Por meio deles, essa soteriologia afetou o pensamento dos avivalistas, especialmente de John Wesley. Wesley combinou a estrutura forense do arminianismo reformado com elementos da soteriologia transformativa, especialmente em sua doutrina da completa santificação (entire sanctification) e do amor perfeito, influenciada pelos morávios e pelo pietismo. Em outros desdobramentos, a soteriologia de Keswick adotou uma ênfase transformativa ao tratar o pecado como algo a ser curado.

O pentecostalismo sempre foi plural em sua teologia, mas há vertentes com um sólido fundamento em uma soteriologia transformativa. O pentecostalismo clássico abraçou essa soteriologia transformativa na fórmula quádrupla de que Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo, cura e é o rei vindouro. Dependente totalmente da graça, essas ações transformam o indivíduo, agrega-o à Igreja, transforma o corpo e o mundo por milagres sanatórios enquanto espera o reino de justiça.

Um subgrupo pentecostal, influenciados pela soteriologia de Keswick, refinou esse conceito na doutrina da Obra Plena do Calvário. Por ela, a salvação concorre na ação do Triúno Deus completada objetivamente na morte, ressurreição e envio do Espírito Santo por Jesus Cristo. Em uma eleição corporativa o pecado na criação já redimida é limpo. A justificação não ocorre separadamente da conversão e do novo nascimento, visto ser a salvação um processo regenerativo. Assim, por esse ato de graça para toda humanidade, os crentes são regenerados pela fé nessa obra plena e, revestidos de poder do Espírito Santo, caminham em santificação rumo à glória eterna.

Mesmo em correntes protestantes magisteriais, como o luteranismo, reformados e anglicanos, soteriologias transformativas ganharam novas recepções. Entre os reformados apareceram os trabalhos de Torrance, Herman Wiersinga, Julie Canlis, Hans Boersma e Joshua W. Jipp. Entre os luteranos destacam-se Tuomo Mannermaa e a Escola Finlandesa de interpretação de Lutero, que argumenta que a justificação luterana envolve uma união real e ontológica com Cristo (unio cum Christo), aproximando-a da doutrina ortodoxa da teose; além de Jordan B. Cooper em língua inglesa. A Escola de Lund, centrada em Anders Nygren e sua pesquisa de motivos (Motivforschung) sobre ágape e eros, contribuiu de forma distinta para o debate soteriológico no luteranismo escandinavo, embora com foco diverso do da escola finlandesa. No evangelicalismo, Michael Gorman, N. T. Wright e Veli-Matti Kärkkäinen, dentre outros, avançaram soteriologias transformativas e participativas.

Essas soteriologias recebem designações e modelos variados. Os termos “modelo místico de redenção” (Ritschl) e “fisicalismo” (Harnack) foram cunhados no século XIX de forma crítica para descrever — e depreciar — a soteriologia patrística grega, que esses autores viam como excessivamente helenizada. Apenas posteriormente esses rótulos foram reapropriados de forma positiva por teólogos favoráveis à soteriologia transformativa. Outros modelos incluem a “substituição total” (Torrance) e a “soteriologia redentiva” (Studebaker).

BIBLIOGRAFIA

Burns, J. Patout. “The Economy of Salvation: Two Patristic Traditions.” Theological Studies 37 (1976): 599–600. https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/004056397603700403

Courey, David. “Victory in Jesus: Perfectionism, Pentecostal Sanctification, and Luther’s Theology of the Cross.” Journal of Pentecostal Theology 22.2 (2013): 257–274. https://doi.org/10.1163/17455251-02202010

Finlan, Stephen. Options on Atonement in Christian Thought. Collegeville: Liturgical Press, 2007.

Gorman, Michael J. Inhabiting the Cruciform God: Kenosis, Justification, and Theosis in Paul’s Narrative Soteriology. Grand Rapids: Eerdmans, 2009.

Harnack, Adolf von. History of Dogma. New York: Russell & Russell, 1898, especialmente vols. 2–3.

Kärkkäinen, Veli-Matti. “Salvation as Justification and Theosis: The Contribution of the New Finnish Luther Interpretation.” Dialog: A Journal of Theology 45.1 (2006): 74–82.

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Lundhaug, Hugo. Images of Rebirth: Cognitive Poetics and Transformational Soteriology in the Gospel of Philip and the Exegesis on the Soul. Leiden: Brill, 2010.

Macchia, Frank D. Justified in the Spirit: Creation, Redemption, and the Triune God. Grand Rapids: Eerdmans, 2010.

Mannermaa, Tuomo. Christ Present in Faith: Luther’s View of Justification. Minneapolis: Fortress Press, 2005.

Braaten, Carl E., e Robert W. Jenson (eds.). Union with Christ: The New Finnish Interpretation of Luther. Grand Rapids: Eerdmans, 1998.

Nygren, Anders. Agape and Eros. Tradução de Philip S. Watson. Philadelphia: Westminster Press, 1953.

Olson, Roger E. Arminian Theology: Myths and Realities. Downers Grove: InterVarsity Press, 2006.

Ray, Darby Kathleen. Deceiving the Devil: Atonement, Abuse and Ransom. Cleveland: Pilgrim Press, 1998.

Scully, Ellen. Physicalist Soteriology in Hilary of Poitiers. Leiden: Brill, 2015.

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Studebaker, Steven M. The Spirit of Atonement: Pentecostal Contributions and Challenges to the Christian Traditions. London: T&T Clark, 2021.

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Torrance, T. F. The Trinitarian Faith. London: T&T Clark, 1983.

Trementozzi, David. Salvation in the Flesh: Understanding How Embodiment Shapes Christian Faith. McMaster Theological Studies Series, vol. 7. Eugene: Pickwick Publications, 2018.

Trementozzi, David. Renewing the Christian Doctrine of Salvation: Toward a Dynamic and Transformational Soteriology. Tese de Doutorado em Teologia. Regent University, 2014.

VEJA TAMBÉM

Justificação

Graça

Salvação

Soteriologia forense

Teoria participatória da expiação

Teoria da União Mística

Teoria da Influência Moral

Teose

União com Cristo

Teândrico

O adjetivo teândrico, derivado do grego “θεανδρικαὶ ‘ενέργειαι” e do latim “operações deiviriles”, denota o estado de ser humano e divino. Encontra as suas raízes na tradição teológica, especificamente na união da operação divina e humana em Cristo. Resume as atividade característica do Deus-homem, onde as naturezas divina e humana cooperam.

A teologia teândrica investiga a compreensão das ações de Cristo, enfatizando o uso de sua natureza humana como instrumento da divindade. Afirma que as duas naturezas e as duas vontades de Jesus Cristo funcionam como uma Pessoa invisível – simultaneamente Deus e homem. Este conceito teológico emergiu com destaque na tradição teológica bizantina e é considerado uma contribuição significativa para o pensamento religioso cristão.

Empregada pela primeira vez por Pseudo-Dionísio para descrever as ações únicas de Cristo como nem puramente divinas nem puramente humanas, mas como uma nova operação teândrica. Inicialmente, o termo foi mal utilizado e associado às teorias monofisistas e monotelíticas.

Na controvérsia monotelita, Sérgio I, Patriarca de Constantinopla, incorporou o termo em seus esforços para reconciliar os monofisitas egípcios e os católicos. No entanto, a controvérsia levou à condenação da interpretação monotelita dos atos teândricos pelo papa Martinho I em 649 e posteriormente confirmada pelo papa Ágato.

O termo encontrou uma interpretação ortodoxa através das obras de Máximo, o Confessor, que via os atos teândricos como as energias divina e humana trabalhando juntas para produzir um único efeito. João Damasceno também empregou o termo corretamente, enfatizando a harmonia das operações divinas e humanas em Cristo.

A teologia escolástica distinguiu três tipos de operações em Cristo: atos puramente divinos, propriamente humanos e atos mistos. As operações puramente divinas envolvem as processões internas do Verbo e a atividade criativa externa, excluindo a natureza humana. As operações propriamente humanas são atos suscitados pela natureza humana, mas atribuídos à Pessoa Divina do Verbo. Os atos teândricos, em sentido estrito, são operações mistas onde ambas as naturezas se unem para produzir um único efeito, servindo a natureza humana como instrumento do divino.

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