Pietro Menconi

Pietro Menconi (1874-1936) pioneiro no avivamento italiano de Chicago e ancião da Assemblea Christiana.

Muito pouco se sabe sobre sua vida antes de chegar a Chicago no início dos anos 1900. Menconi nasceu em Lucchesia, Toscana, e nos Estados Unidos casou-se com Angelina Bartolomei. Pietro tornou-se capataz de uma fábrica, mais tarde um pequeno empresário.

Morando no lotado bairro italiano do Loop de Chicago, os Menconis alugavam quartos para aumentar a renda familiar. Um de seus hóspedes, Giacinto Bartolomei (tio de Angelina) apresentou-os a G. Beretta, que começou a realizar reuniões de oração em sua casa e com seus vizinhos do lado, os Ottolinis. Como resultado, ambas as famílias se converteram.

O grupo cresceu e Beretta os ensinou a dar testemunho durante o culto e a ter uma postura mais participativa e informal sobre a igreja. Depois de um tempo, Beretta os convidou a frequentar a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana.

Depois de algumas diferenças culturais e de ordem de culto, Menconi e seus amigos deixaram a igreja presbiteriana e se encontraram novamente em casas particulares.

Enquanto isso, Francescon, um ancião da Primeira Igreja Presbiteriana Italiana, convenceu-se da necessidade de se submeter ao batismo em água para adultos. Beretta concordou e, depois de ser ele mesmo batizado, convidou um grupo de crentes baseado em casa para ir à orla do lago de Chicago. No dia 7 de setembro de 1903, Dia do Trabalho, 18 pessoas foram imersas por Beretta, entre elas Menconi e sua esposa Angelina.

Devido ao batismo, o grupo que permaneceu na Igreja Presbiteriana sentiu que deveria partir. Então, começaram a realizar cultos semanais de leitura das Escrituras e para partir o pão.

Surgiu uma dissensão entre o grupo de Beretta e o grupo que deixou a Igreja Presbiteriana por causa da observância do domingo. Com essa cisão os liderados pelo Beretta alugaram um prédio comercial. A sala abriu-se para os serviços públicos, aumentando o número de crentes. Em poucos meses, Beretta deixou Chicago e foi para o estado de Nova York e ordenou Menconi e Ottolini como anciãos.

Depois de passar pelo avuvamento pentecostal em 1907, Menconi deixou seu cargo para Francescon. Votaria a exercê-lo novamente de 1908 a 1936.

Menconi, um fabricante de doces e dono de uma mercearia, empregou suas habilidades empresariais a serviço do Senhor. Durante seu mandato pastoral, a igreja comprou um terreno e construiu uma casa de oração na Eire Street em Chicago, escolhendo Assemblea Christiana como nome.

A nova igreja publicou um hinário e apoiou viagens missionárias com coletas feitas durante o serviço. A igreja cresceu e teve cultos realizados todas as noites durante a década de 1910.

Um doloroso acontecimento no início da década de 1920 deixou a igreja com feridas que ainda hoje são sentidas. Enquanto Francescon era uma figura carismática e viajava extensivamente na obra de Deus, Menconi cuidava dos assuntos diários da igreja. No entanto, quando Francescon voltou de uma de suas viagens para passar mais tempo em Chicago, Menconi supostamente sentiu seu papel como o ancião principal ameaçado. Nessa época Assembleia Cristã tinha um conselho coletivo de anciãos, da qual Menconi era o primeiro entre iguais. Meconi teria dito algo do gênero: “Francescon recebeu muitas revelações [de Deus] e nós as aceitamos sem maiores problemas. Agora, eu tenho uma única revelação que deve ser aceita. Ou seja, comer salsicha de morcela não é pecado nos dias de hoje. ” Seguiu-se um cisma e um litígio desagradável.

Apesar da divisão da igreja, Menconi manteve seus deveres pastorais. Ele morreu em um acidente de carro quando viajava para um serviço evangelístico no sul de Illinois.

FONTES
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Contatos pessoais com Esther Buchevitz (2001), Emil Zollezzi (2004), Mike Falco (2006).

Ironia

Ironia é uma figura de linguagem que conota o oposto do que significam as próprias palavras ou que contradiz a mensagem percebida à primeira vista.

O termo ironia vem do teatro da Grécia antiga, no qual o Eirôn era um dos três personagens estoques da comédia. O Eirôn subestimava a si mesmo para vencer seu oponente o alazão, o qual pela sua arrogante autoconfiança não percebia suas próprias limitações.

A Bíblia é abundante de ironias tanto em falas dos personagens, nos desfechos narrativos e como recurso argumentativo.

Em João 9, a conversa entre o cego de nascença e os líderes religiosos é um exemplo clássico de um eirôn que dissimula as pretensões orgulhosas de um alazão. Embora as autoridades religiosas insultem o cego de nascença e o chamem de “nascido em pecado” (João 9:34), o homem curado se opõe a tais acusações, pois agora ele vê. Ele, fingindo ignorância, perguntou ironicamente “Vocês também querem se tornar seu discípulo?” (João 9:27)

Como desfecho narrativo, a grande ironia foi a encarnação divina: Cristo tornando-se servo e humilhado até a morte para no final vencer os alazões — os que pediram sua morte, seus executores, o pecado e a morte.

De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. Fp 2:5-11

1 Reis 18:27: E sucedeu que, ao meio-dia, Elias zombava deles e dizia: Clamai em altas vozes, porque ele é um deus; pode ser que esteja falando, ou que tenha alguma coisa que fazer, ou que intente alguma viagem; porventura, dorme e despertará.

Jó 12:2: Na verdade, que só vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria.

Juízes 10:14: Andai e clamai aos deuses que escolhestes; que vos livrem eles no tempo do vosso aperto.

Amós 4:4-5: Vinde a Betel e transgredi; a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e, cada manhã, trazei os vossos sacrifícios e, de três em três dias, os vossos dízimos. E oferecei sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai sacrifícios voluntários, e publicai-os; porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor Jeová.

Zacarias 11:13: O Senhor, pois, me disse: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do Senhor.

2 Coríntios 11:19: Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos.

Deuteronômio 32:37: Então, dirá: Onde estão os seus deuses, a rocha em quem confiavam,

Jó 38:4-5: Onde estavas tu quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. 5 Quem lhe pôs as medidas, se tu o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?

Isaías 57:13: Quando clamares, livrem-te os teus congregados; mas o vento a todos levará, e a vaidade os arrebatará; mas o que confia em mim possuirá a terra e herdará o meu santo monte.

Isaías 57:13: E era a preparação da Páscoa e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso rei.

João 19:14: E era a preparação da Páscoa e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso rei.

2 Coríntios 11:19: Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos.

2 Coríntios 12:13 Porque, em que tendes vós sido inferiores às outras igrejas, a não ser que eu mesmo vos não fui pesado? Perdoai-me este agravo.

Sara

Sara, em hebraico שָׂרָ֖ה, grego Σαρρα, a primeira das quatro matriarcas hebraicas, esposa de Abraão. Sua história aparece primariamente no Ciclo de Abraão (Gn 11:26-25:12) em Gênesis.

O nome Sarai, e sua variante Sara, significa “princesa” ou “dama”. Possivelmente é cognato do acadiano Sharratu, o nome da esposa do deus da lua Sin.

De origem provavelmente mesopotâmica, acompanhou o marido em suas peregrinações para Canaã e Egito. (Gn 11:29-31; 12:5). Chamada de irmã de Abraão (Gn 12:10-20; 20:1-18) em incidências quando ela foi tomada por governantes contra sua vontade.

Por um longo período, Sara não teve filhos (Gn 11:29-30). Depois que sua serva Agar deu à luz Ismael (Gn 16:1-6; 21:9-14), Deus disse a Abraão, cujo nome até então era Abrão, para mudar o nome de “Sarai” para “Sara” (Gn 17:15). E anunciou que ela viria a ser mãe de um filho.

No nascimento de seu filho, Isaque (que significa risos ou gargalhadas) teria dito “Deus me fez rir, para que todos os que ouvem riam de mim” (Gn 21:1-7).

A morte de Sara é registrada com brevidade. Teria morrido em Quiriate-arba ou Hebrom à idade de 127 anos. Foi enterrada por Abraão na caverna de Macpela (Gn 23; 25:10; 24:67).

Nenhuma outra referência a Sara aparece nas Escrituras Hebraicas, exceto em Is 51:2. Lá, o profeta apela “Olhai para Abraão, vosso pai, e para Sara, que vos deu à luz; porque, sendo ele só, eu o chamei, e o abençoei, e o multipliquei”.

No Novo Testamento Sara aparece no elenco dos heróis da fé de Hebreus 11: “Pela fé, também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido” (Hb 11:11). Paulo faz menções a ela (Rm 4:19; 9:9; Gl 4:21), utilizando-a como um tipo, principalmente em contraste com Agar.

Sara aparece citada em 1 Pe 3:6 como exemplo de obediência. Entretanto, não há parte em Gênesis em que Sara chama-o de Senhor, exceto Gn 18:12, onde não se refere a obediência. Ademais, Abraão é retratado obedecendo as vontades de Sara (Gn 16:2, 6; 21:12). Josefo (Contra Apião 2.25) e Filo (Hypothetica 7.3) retratam Sara como exemplo obediência, revelando ser esse o entendimento do século I d.C.

BIBLIOGRAFIA

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VER TAMBÉM

Tabuletas de Nuzi

Acabe

Acabe, em hebraico  אַחְאָב e em grego Ἀχαάβ, foi um rei da dinastia dos omríadas do Reino de Israel ou Reino do Norte entre 874–c. 853 a.C. Casado com Jezabel um princesa de Tiro, favoreceram os cultos aos baalim, com oposição do profeta Elias.

A dinastia dos omríadas teria sido o ápice do Reino do Norte, com estados tributários além do Jordão (Gileade, Basã e Moabe) e alianças com estados costeiros e no sul com Judá.

Acabe é retratado em 1 Reis como um rei hesitante influenciável e idólatra.

BIBLIOGRAFIA

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Adão e Eva

O casal primevo de Gênesis. Criados e postos a viver no jardim do éden (jardim das delícias), entretanto, ao desobedecer a instrução divina sofreram as consequências de suas transgressões.

A desobediência de Adão e Eva epitomiza a falha humana, a qual é chamada teologicamente de a Queda.