Amônio de Alexandria

Amônio de Alexandria foi um filósofo e exegeta cristão do século III d.C., possível autor de uma harmonia dos Evangelhos e as chamadas “Seções Amônianas” (Ammonian Sections), um sistema que alinha e compara passagens paralelas dos quatro Evangelhos. Este método influenciou significativamente a exegese cristã e serviu como base para os Cânones de Eusébio, uma ferramenta que facilitava a navegação entre os Evangelhos sinóticos.

De acordo com Matthew Crawford, Amônio de Alexandria, mencionado neste contexto, não deve ser confundido com Amônio Sacas, o filósofo neoplatônico alexandrino. Este Amônio pode ter sido um professor de Orígenes, um dos grandes pensadores cristãos da Antiguidade. Crawford sugere que seria um erudito de formação peripatética que eventualmente se converteu ao cristianismo. Supostamente, Amônio produziu uma sinopse dos primeiros Evangelhos, organizando textos de Mateus, Marcos, Lucas e João em colunas paralelas, com o Evangelho de Mateus servindo como referência principal. Este trabalho, embora perdido, teria influenciado tanto a interpretação bíblica de Orígenes quanto os métodos exegéticos posteriores.

BIBLIOGRAFIA

Matthew R. Crawford, “Ammonius of Alexandria, Eusebius of Caesarea, and the Origins of Gospels Scholarship,” New Testament Studies 61.1 (2015): 1-29.

Eutíquio de Alexandria

Eutíquio de Alexandria ou em árabe era Sa’id ibn Batriq ou Bitriq (877 – 940) foi patriarca melquita de Alexandria.

Eutíquio foi um dos primeiros escritores egípcios cristãos a usar a língua árabe. compondo uma crônica Nazm al-Jauhar (“Fileira de Joias”) ou Eutychii Annales (” Anais de Eutíquio”).

Propôs uma leitura de Gn 6 no qual as filhas de Deus são a linhagem de Sete, que desceram da região montanhosa para casar-se com os filhos da linhagem de Caim.

Agápio de Hierápolis foi contemporâeno de Eutíquio de Alexandria, embora não aparentemente não conheceram um ao outro.

Bíblia Hesiquiana

Hesíquio de Alexandria (?-c.300) foi um exegeta que produziu a Bíblia Hesiquiana, uma recensão da Septuaginta e partes do Novo Testamento (possivelmente, os quatro evangelhos).

Hesíquio teria sido bispo de um lugar no Egito no século III e é confundido com lexicógrafo homônimo.

Esta recensão é mencionada por Jerônimo como obra de Hesíquio com a colaboração de Luciano de Antioquia. Segundo Eusébio (Hist. Ecl.8.13.7), um tal Hesíquio foi martirizado sob Diocleciano com três contemporâneos: Pacômio, Fileas e Teodoro. Os quatro mártires escreveram uma carta datada de 296 d.C. a Melício, bispo cismático de Licópolis, no Alto Egito, repreendendo-o por ordenações irregulares

No século IV as igrejas do Egito e em Alexandria utilizavam a Septuaginta Hesiquiana ao invés da edição de Orígenes. Jerônimo (Praef. in Paral.; Adv. Ruf. 2,27) critica Hesíquio, acusa-o de interpolação em Isaías 58:11 (Comm. em Is. ad. 58, 11) e de falsas adições ao texto bíblico (Praef. em Evang.). O Decretum Gelasianum alude aos “evangelhos que Hesíquio forjou” e chama-os de apócrifos.

Léxico de Hesíquio

O Léxico de Hesíquio de Alexandria (c.380-c450 d.C.) foi um gramático e estudioso greco-egípcio, filólogo e lexicógrafo ativo no século IV dC. Não deve ser confundido com seu homônimo, o exegeta Hesíquio de Alexandria.

Hesíquio escreveu um dicionário enciclopédico da língua grega e seus dialetos. Compilou o maior mais de 51.000 verbetes. Listou palavras, formas e frases peculiares, com uma explicação de seu significado. Às vezes referencia o autor ou a região da Grécia que empregam um termo.

Em sua introdução, Hesíquio credita que sua enciclopédia teve influência de outras. Uma foi a de Diogenianos, que por sua vez baseou-se em uma obra anterior de Pânfilo de Alexandria. Outras foram do gramático Aristarco de Samotrácia, Ápion, Amerias e de outros.

As notas sobre epítetos e frases também elucidam sobre a sociedade antiga e a vida social e religiosa.

Sua obra sobreviveu em um único manuscrito praticamente intacto do século XV assinado Marciano graecus 622 preservado na biblioteca de San Marco, Veneza (Marc. Gr. 622). Foi impressa pela primeira vez por Marcus Musurus (edição Aldina) em Veneza em 1514, reeditado em 1520 e 1521. Desde então, somente no século XIX foi reeditada por Moriz Wilhelm Constantin Schmidt (1858–1868) em 5 volumes. A Real Academia Dinamarquesa de Belas Artes de Copenhague subsidiou uma edição moderna. Sob a direção de Kurt Latte, teve dois volumes publicados, o primeiro em 1953, e postumamente em 1987. Posteriormente, o filólogo britânico Allan Peter Hansen completou um terceiro volume em 2005.