Barnabé

Barnabé, cujo nome significa “filho da consolação” ou “aquele que dá coragem”, era um levita de Chipre conhecido por sua generosidade e fé (Atos 4:36).

Convertido ao cristianismo, Barnabé manifestou compaixão e disposição em acolher os novos crentes, como demonstrou ao apresentar Saulo (o futuro apóstolo Paulo) à comunidade cristã em Jerusalém (Atos 9:27). Barnabé tornou-se um ministro ativo na igreja primitiva, sendo enviado a Antioquia para investigar o crescimento do cristianismo entre os gentios (Atos 11:22-26). Lá, ele reconheceu a obra de Deus e se uniu a Paulo na primeira viagem missionária, evangelizando diversas cidades e estabelecendo igrejas (Atos 13-15). Apesar de posteriormente se separarem devido a um desentendimento, Barnabé continuou seu ministério, deixando um legado de dedicação à expansão do Evangelho. Paulo, em suas cartas, menciona Barnabé com afeto e reconhecimento, como companheiro de trabalho na obra do Senhor (1 Coríntios 9:6; Gálatas 2:1,9,13; Colossenses 4:10).

Abstinência

Abstinência denota a renúncia voluntária à satisfação de desejos ou necessidades, geralmente com propósitos religiosos ou espirituais. Essa prática, presente em diversas culturas e religiões, manifesta-se nas Escrituras através de diferentes formas, como jejum, restrições alimentares e abstenção de relações sexuais.

O jejum, abstenção total ou parcial de alimentos por um período determinado, figura como prática recorrente no Antigo Testamento. Era observado em momentos de luto, arrependimento, busca por orientação divina ou preparação para encontros com Deus. Moisés, Elias e Jesus, por exemplo, jejuaram por quarenta dias em momentos cruciais de suas vidas. O jejum simbolizava humildade, dependência de Deus e purificação espiritual.

As leis dietéticas do Antigo Testamento, especificadas em Levítico 11 e Deuteronômio 14, estabeleciam restrições alimentares para o povo de Israel. A abstenção de certos alimentos, considerados impuros, visava separar o povo e consagrá-lo a Deus. Essas restrições tinham implicações rituais, higiênicas e simbólicas, representando a santidade e a pureza exigidas por Deus.

A abstinência sexual também encontra referências nas Escrituras, associada a propósitos específicos como consagração a Deus, preparação para batalhas ou períodos de luto. No Novo Testamento, Paulo recomenda a abstinência temporária para dedicação à oração em 1 Coríntios 7:5.

Os nazireus, descritos em Números 6, faziam votos temporários ou permanentes de abstinência de vinho e bebidas fermentadas, corte de cabelo e contato com mortos. Essa consagração os separava para serviço a Deus, concedendo-lhes status especial e santidade. Sansão, Samuel e João Batista são exemplos de nazireus dedicados a Deus desde o nascimento. O voto nazireu simbolizava entrega total e busca por pureza ritual.

Os recabitas, por outro lado, não faziam votos individuais, mas seguiam regras ancestrais de abstinência estabelecidas por Jonadabe, filho de Recabe. Conforme descrito em Jeremias 35, eles se abstinham de vinho, não construíam casas, não plantavam nem possuíam terras, vivendo em tendas como símbolo de nomadismo e dependência de Deus. Sua obediência às tradições e recusa aos prazeres mundanos serviam como testemunho contra a infidelidade e desobediência do povo de Judá.

Em Atos 15 a questão da abstinência se entrelaça entre fé, tradição e liberdade na Igreja primitiva. O capítulo narra a assembleia em Jerusalém, convocada para resolver a controvérsia sobre a necessidade da circuncisão para os gentios convertidos.

O debate centralizava-se na relação entre a lei mosaica e a salvação em Cristo. Alguns cristãos judeus insistiam na observância da lei, incluindo a circuncisão, como requisito para a salvação. Outros, liderados por Paulo e Barnabé, defendiam que a salvação vinha pela graça mediante a fé em Jesus, independentemente da observância da lei.

Após intensa discussão, Pedro tomou a palavra, relatando sua experiência com Cornélio, um gentio que recebeu o Espírito Santo sem ter sido circuncidado. Seu testemunho demonstrou que Deus estava agindo entre os gentios sem exigir a observância da lei mosaica.

Tiago, líder da igreja em Jerusalém, concordou com Pedro, citando profecias do Antigo Testamento que apontavam para a inclusão dos gentios no plano de Deus. Ele propôs que se evitasse impor fardos desnecessários aos gentios convertidos, exigindo apenas que se abstivessem de algumas práticas relacionadas à idolatria e imoralidade sexual, como o consumo de carne sacrificada a ídolos, o sangue e a prostituição.

A abstinência, em suas diversas formas, representava disciplina, autocontrole e busca por aproximação de Deus. Era um meio de expressar arrependimento, dedicação e submissão à vontade divina. E

Fenícia

A Fenícia é o nome grego da faixa costeira central do Levante, dentro da qual está o moderno estado do Líbano. A Bíblia nunca chama de “Fenícia” a região costeira de Canaã, mas menciona cidades específicas como Sidom e Tiro.

Várias cidades-estados fenícias – Tiro, Sidom, Sarepta, Arvade, Biblos e Beirute – lançaram frotas mercantes ao mar. Os fenícios eram povos cananeus e sua bem atestada língua (foram inventores do alfabeto) é a mesma dos israelitas, constituíndo o hebraico uma mera variante posterior.

 No século X aC, o rei Hiram ou Hirão e Tiro é notoriamente apresentado como um aliado próximo primeiro de Davi (2 Samuel 5:11, 1 Reis 5:1, 1 Crônicas 14:1) e depois de Salomão (1 Reis 9:11), que ajudou o último a construir o templo para o Senhor em Jerusalém. Todavia, Ezequiel 26-28 critica Tiro. Jezabel de Sidom casou-se com o rei Acabe de Samaria, incentivando a adoração de Baal. 

Durante o período assírio, Assurbanípal (668–627 aC) sitiou Tiro, e Nabucodonosor a sitiou por treze anos (586–573 aC; Ezequiel 26:1-28:19). Sidom, ressurgiu como a cidade dominante da Fenícia no período persa (539-330 aC). 

Jesus viajou para esta região (Marcos 7:24; cf. v. 26), bem como primitivos cristãos (Atos 11:19; 15:3; 21:2).

Judas

Judas é a versão grega do nome hebraico Judá. Na literatura bíblica esse nome comum refere-se a várias pessoas:

1 Judá ou Judas filho de Jacó (Mateus 1:2-3).

2 Judas, um ancestral de Jesus (Lucas 3:30).

3 Judas Macabeu, o terceiro dos cinco filhos de Matatias, da família dos Macabeus.

4 Judas da Galileia, um líder de uma revolta contra Roma durante o censo de Quirino (Atos 5:37). Josefo credita a ele a fundação da seita dos zelotes.

5 Judas Iscariotes, um dos doze apóstolos, filho de Simão Iscariotes (João 6:71; 13:26), que traiu Jesus. Distinto do outro apóstolo chamado Judas (João 14:22).

6 Judas, filho de Tiago e um dos apóstolos (Lucas 6:16; Atos 1:13; João 14:22). Este é provavelmente Judas Tadeu (Mateus 10:3; Marcos 3:18).

7 Judas, um dos quatro irmãos de Jesus (Marcos 6:3), tradicionalmente identificado como o autor da Epístola de Judas.

8 Judas, um homem para cuja casa em Damasco o cego Saulo foi levado (Atos 9:11).

9 Judas Barsabás, emissário da igreja de Jerusalém escolhido junto com Silas para acompanhar Paulo e Barnabé de volta a Antioquia para comunicar o decreto apostólico (Atos 15:22-23). Talvez fosse irmão de José (Atos 1:23).

Pedro

Chamado de Simão e Cefas (forma aramaica de Pedro, “rocha”), foi um dos mais proeminentes discípulos de Jesus e um dos apóstolos.

Originalmente um pescador da Galileia, confessou que Jesus era o messias de Israel (Mt 16: 16-23), mas negou Jesus três vezes antes da crucificação (Mt 26: 69-75; Mc 14: 66-72; Lc 22: 54-62; Jo 18: 25-27). Todavia, teve uma conversa com Jesus após sua ressurreição (Jo 21:15-17).

Ocupou uma posição de líderança da igreja primitiva de Jerusalém, onde fez discursos evangelísticos públicos (At 2–4). Participou da conversão de Cornélio (At 10). Esteve na assembleia em Jerusalém que discutiu as obrigações dos convertidos gentios (At 15). Duas epístolas, 1 e 2 Pedro, recebem seu nome. Um corpus de literatura petrina pseudoepígrafa e apócrifa elabora sobre a vida e ensinos de Pedro.

Não há registros neotestamentários ou históricos sobre o final de sua vida.

A tradição registrada a partir de 160 d.C. de que Pedro esteve em Roma não é corroborada por textos anteriores da igreja em Roma (1 Clemente, Justino Mártir, Ignácio de Antioquia, literatura marcionita, Papias, por exemplo). No entanto, no final do século II e início do século III surge essa tradição de sua estada e morte em Roma (Irineu de Lyon, Dionísio de Corinto, Clemente de Alexandria). Detalhes lendários sobre sua morte aparecem no Bellum Judaicum, uma paráfrase de Josefo escrita em latim no século IV e atribuída a certo Hegésipo, com relatos de uma perseguição em Roma movida por Nero na qual teria morrido Pedro.

Outra tradição diz que Pedro esteve em Antioquia e colocou seus sucessores lá. (Teodoreto. “Dial. Immutab.1, 4, 33a; João Crisóstomos. Homilia sobre Santo Ignácio, 4. 587). Essa versão é viva nas igrejas de tradições bizantinas e siríacas. Uma terceira tradição, a da Igreja do Oriente (erroneamente chamada Nestoriana) argumenta que Pedro passou seus últimos dias na Babilônia, de onde escreveu suas epístolas (Mar Odisho, Livro de Maranitha – A Pérola: Sobre a verdade do Cristianismo. 1298).