Vasti

Vasti era a rainha da Pérsia e esposa do rei Assuero (também conhecido como Xerxes I), conforme registrado no livro de Ester 1:9, 11–12, 15–19; 2:4, 17.

Durante um banquete oferecido pelo rei Assuero, ele ordenou que Vasti viesse e mostrasse sua beleza aos convidados reunidos. No entanto, Vasti se recusou a obedecer à ordem do rei, possivelmente devido à modéstia ou ao desejo de manter sua dignidade.

Esse ato de desafio causou alvoroço entre os conselheiros do rei, que temiam que a desobediência de Vasti encorajasse outras mulheres a desobedecer a seus maridos. Como resultado, o rei decretou que Vasti fosse removida de sua posição como rainha e banida da corte.

Após o banimento de Vasti, o rei começou a procurar uma nova rainha e acabou escolhendo Ester, uma judia que se tornou uma defensora de seu povo e os salvou da destruição.

A história de Vasti costuma ser interpretada como um comentário sobre a dinâmica de poder entre homens e mulheres e a importância da agência e da autonomia feminina.

BBLIOGRAFIA

Nadar, Sarojini. “Gender, power, sexuality and suffering bodies in the book of Esther: Reading the characters of Esther and Vashti for the purpose of social transformation.” Old Testament Essays 15.1 (2002): 113-130.

Ribeiro, Lidice Meyer Pinto. “O papel das mulheres na Bíblia: protagonistas ou coadjuvantes?.” Ad Aeternum 1 (2020): 68-85.

Stone, Meredith J. “There’s more than one way: Vashti, Esther, and women in ministry.” Review & Expositor 110.1 (2013): 123-130.

Cinco Megillot

Os Cinco Pergaminhos, também conhecidos como Megillot, são uma coleção de cinco livros da Bíblia hebraica que são tradicionalmente lidos durante os festivais judaicos ao longo do ano. Esses pergaminhos, com suas respectivas ocasiões tradicionais de leitura, incluem o Cântico dos Cânticos (Sábado da Páscoa), Rute (Festa das Semanas), Lamentações (Nove de Av), Eclesiastes (Sucote) e Ester (Purim). Embora cada um desses pergaminhos tenha seus próprios temas e mensagens exclusivos, todos eles têm conexões importantes com temas e experiências femininas.

O Cântico dos Cânticos, por exemplo, é um poema de amor que celebra as alegrias e prazeres do amor romântico. É único na Bíblia por suas descrições francas e sensuais de amor e desejo físico, e por retratar uma amante que ativamente busca sua contraparte masculina. O poema desafia os papéis subordinacionistas de gênero e celebra a agência e o desejo das mulheres. Na história da recepção, seu sentido sexual foi diminuído e passou-se a ser lido como uma alegoria das bodas com Israel ou com a Igreja.

O livro de Rute conta a história de uma mulher moabita que migra para Judá e se torna ancestral do rei Davi. A narrativa celebra a lealdade, coragem e desenvoltura das mulheres. Opõe-se a um exclusivismo de etnia e nacionalidade. A fidelidade de Rute para com sua sogra, Noemi, e sua determinação de prover o sustento de ambos por meio de trabalho árduo e perseverança são exemplos de força e resiliência femininas.

O livro de Lamentações fala sobre as experiências dos que sofreram perda e luto. A queda de Jerusalém e do Reino de Judá é referida como filha de Sião (Lm 2:11-15). Os poemas expressam a dor e a angústia de um povo que perdeu suas casas, suas famílias e seu senso de identidade. O conjunto de poemas expressam o luto e a lamentação daqueles que sofreram violência, opressão e injustiça.

O Livro de Eclesiastes discorre sobre o significado e o propósito da vida. Questiona o senso-comum vigente acerca de poder e sucesso na época associada como anseios masculinos. Ao contrário, incentiva a encontrar alegria e contentamento em prazeres e relacionamentos simples, em vez de riqueza material ou status social.

Por fim, o livro de Ester conta a história de uma judia que se torna rainha da Pérsia e usa sua posição para salvar seu povo de uma trama genocida. A bravura, inteligência e desenvoltura de Esther são celebradas como liderança e heroísmo.

Artaxerxes

Artaxerxes, em hebraico אַרְתַּחְשַׁשְׂתָּא, em grego Ἀρταξέρξης aparece na Bíblia Hebraica em Esdras-Neemias (Esdras 4:7, 8, 11, 23; 6:14, 7:1, 7, 11–12, 21; 8:1; Neemias 2:1, 5: 14, 13:6). É o nome de vários governantes persas do período aquemênida:

  1. Artaxerxes I, dito Artaxerxes I Longimanus, foi rei da Pérsia de c. 464 a c. 425 aC. Filho do rei Xerxes (talvez o Assuero de Ester), foi em seu reinado que talvez Esdras (Esdras 7) e Neemias (Nemias 2) viajaram da Pérsia para Jerusalém.
  2. Artaxerxes II Memnon (404–359): em outra cronologia provável, seria o rei dos eventso de Esdras e Neemias.
  3. Artaxerxes Ochus III (359–338): reassentou alguns judeus na satrapia da Hircânia por participarem da rebelião de Sidom. Foi um rei eficiente e poderoso que reconsolidou o poder central do trono persa.
  4. Artaxerxes IV (337–336).
  5. Artaxerxes ou Besso V, o assanio de Dario III (330 bc).

BIBLIOGRAFIA
Arjomand, Saïd Amir. “Artaxerxes, Ardašīr, and Bahman.” Journal of the American Oriental Society 118, no. 2 (1998): 245–48.

Targum Sheni

O Targum Sheni (“Segundo Targum”) é uma tradução aramaica (targum) e uma versão parabíblica do Livro de Ester.

Contém um relato da visita da Rainha de Sabá ao Rei Salomão. Salomão comanda e faz uma festa para um impressionante exército de animais, pássaros e espíritos demoníacos como seus súditos. A rainha pede que ele resolva três enigmas. Há paralelos entre essa passagem e a Sura 27 do Alcorão.

O texto é datado entre o século IV até o XI d.C.

Papiro 967

O Papiro 967 é um códice da versão Old Greek (Septuaginta) dos livros de Ezequiel, Daniel e Ester, escrito por volta de 200 d.C.

A descoberta do papiro foi anunciada no New York Times em 1931, mas os detalhes da descoberta e proveniência não são claras. Supõe-se que foi encontrado em Afroditópolis.

É composto por 59 folhas, o que corresponde a 118 folhas abertas ou 236 páginas. Cada folha mede aproximadamente 344 × 128 mm. As páginas foram escritas em uma coluna com uma média de 42 linhas em uma escrita uncial quadrada.

É distinguível diferentes escribas para Ezequiel e para Daniel e Ester. Há, também, várias correções posteriores. O texto contém nomina sacra, bem como sinais de texto crítico para indicar as leituras de acordo com a recensão de Theodotion.

O livro de Daniel já continha uma divisão de capítulos em letras gregas. Esses números, inseridos como subscriptio, não foram acrescentados posteriormente, mas já estavam presentes no texto original.

O colofão no final do livro de Daniel deseja: “Paz para quem escreveu e para quem lê”.