Testamento de Levi

O Testamento de Levi são duas obra pseudepigráficas, que afirmam ser um testamento do patriarca Levi, um dos filhos de Jacó. Insere-se na obra coletivamente chamada de Testamento dos Doze Patriarcas.

O Testamento de Levi existe em duas versões: o Testamento Grego de Levi e o Testamento Aramaico de Levi. Acredita-se que a versão grega tenha sido escrita no século II aC e é considerada a mais desenvolvida das duas. Contém 18 capítulos e abrange uma variedade de tópicos, incluindo instrução religiosa, ética e escatologia. Registra duas visões: os sete céus e os sete anjos, além de previsões da era messiânica.

O Testamento Aramaico de Levi é uma obra mais curta que foi descoberta entre os Manuscritos do Mar Morto. Acredita-se que seja uma versão anterior do texto e seja datada do século I aC. A versão aramaica difere da versão grega de várias maneiras, incluindo a ordem dos capítulos, a ausência de algum material e o uso de palavras e conceitos diferentes.

Apocalipse de Abraão

O Apocalipse de Abraão é um livro apócrifo que descreve a visão de Abraão do reino celestial e sua conversa com Deus sobre a natureza da criação, a humanidade e a vinda do Messias. O texto inclui descrições vívidas de seres angélicos e seus papéis no cosmos, e reflete sobre os temas de fé, sofrimento e redenção.

O Apocalipse de Abraão, preservado na literatura em eslavo eclesiástico, consiste em duas partes. A primeira narra uma história midráshica sobre a conversão de Abraão da idolatria. A segunda é uma revelação apocalíptica recebida por Abraão sobre o futuro de seu povo após ascender aos céus com o arcanjo Jaoel.

O livro salienta o judaísmo e pode ter sido escrito em hebraico ou aramaico no século I d.C. ou início do século II dC. Possui evidências de popularidade precoce e possivelmente está conectado aos círculos essênios ou ebionitas antes de ser possivelmente adaptado por grupos gnósticos. A parte apocalíptica versa sobre o sacrifício e transe de Abraão, revelando os destinos de seus descendentes.

BIBLIOGRAFIA

Versão inglesa do Apocalipse de Abraão

4 Esdras

O livro de 4 Esdras, também conhecido como o Apocalipse Judaico de Esdras, para não ser confundido com outra obra distinta como o Apocalipse Grego de Esdras e o Apocalipse Latino de Esdras, é um texto pseudepígrafo que consiste em sete visões dadas a Esdras, o escriba. Corresponde aos capítulos 3–14 de 2 Esdras.

As três primeiras visões tratam de questões sobre a justiça de Deus, o cativeiro babilônico e o destino dos justos e injustos. As quatro visões finais são de natureza mais simbólica, tratando do destino de Sião, o quarto reino da visão de Daniel, o triunfo do Messias e a restauração das escrituras.

O livro de 4 Esdras é considerado canônico pela Igreja Etíope e parcialmente aceito por outras tradições cristãs. Foi citado ao longo da história da Igreja como dotado de autoridade. Possui versões gregas, latinas, siríacas, egípcias e armênias. Fez parte dos lecionários dos jacobitas, com uso até na Índia. Embora não apareça nas recensões da Septuaginta, Jerônimo traduziu-o como apêndice da Vulgata. Até mesmo Cristóvão Colombo usou 4 Esdras para apoiar seu apelo por financiamento. Impresso na Bíblia de Zurique, uma versão protestante alemã da Vulgata, os primeiros anabatistas frequentemente o citavam. Aparece em apêndice na Versão King James com o título 2 Ezra. Contudo, não entrou no cânone de Trento para os católicos, que o chamam de 4º Esdras, nem teve total aceitação entre os protestantes, os quais costumavam chamá-lo de 2 Esdras.

A versão etíope usa outro nome: Ezra Sutuel, derivado do fato de que o texto afirma ter sido escrito por ‘Sutuel, também chamado de Ezra’. Sutuel é a tradução etíope de Shealtiel, o nome de um dos filhos do rei Joaquim. Joaquim foi o penúltimo rei de Judá antes de ser conquistado pelos babilônios e foi considerado o primeiro ‘Rei dos Exilados’ na Babilônia. Seu filho Shealtiel foi o segundo ‘Rei dos Exilados’, pois isso se correlaciona com o tempo registrado no Apocalipse judaico de Esdras, o que significa que, se Esdras não fosse Shealtiel, ele pelo menos o conheceria bem, pois Esdras é descrito como sendo o líder da comunidade da Babilônia.

Provavelmente foi escrito por um judeu por volta do ano 100 d.C. Anima seus leitores com a esperança messiânica do esperado “Filho do Homem”. Há influências da escola de Shammai. Nem os textos originais hebraico nem grego existem hoje. Sobreviveram versões em latim, armênio, etíope e georgiano.

Foi um texto importante para fundamentar a doutrina da Queda e do Pecado Original. Em 4 Ed 5:48 diz “Oh tu, Adão, o que fizeste! Pois embora tenhas sido tu quem pecaste, tu não caíste sozinho, mas todos nós que viemos de ti”.

BIBLIOGRAFIA

Apocalipse de Esdras: 2 ou 4 Esdras. Ad Caelos, 2025.

Gênero apocalíptico

O gênero apocalíptico, do grego para “revelação” é um gênero literário de escritos antigos que revelam informações secretas ou ocultas sobre o a realidade, a história ou futuro, especialmente o fim dos tempos.

A definição padrão é a de Collins:

[A literatura apocalítica é ] um gênero de literatura reveladora com uma estrutura narrativa, na qual uma revelação é mediada por um ser de outro mundo para um receptor humano, revelando uma realidade transcendente que é temporal, na medida em que contempla a salvação escatológica, e espacial na medida em que envolve outro mundo sobrenatural.’

O conteúdo inclui promessas de julgamento iminente e intervenção divina em um mundo pecaminoso em nome dos eleitos. Também pode incluir visões ou visitas aos céus, guiadas por mediadores ou anjos, leitura de livros com conteúdos secretos ou poderosos.

Na Bíblia ocorre pequenos apocalipses em Daniel 7-12; Marcos 13 (paralelo em Mt 24, Lc 21), além de seções de Ezequiel e o livro de Apocalipse.

Normalmente o gênero ocorre em obras anônimas, com atribuição de autoria ou narração em primeira pessoa a personagens bíblicos de renome (pseudoepígrafa). Alguns apocalipses não canônicos são 1 Enoque, Apocalipse de Pedro, Pastor de Hermas e 4 Esdras.

Fora de contextos das religiões abraâmicas, há apocalipses mesopotâmicos, egípcios, persas, greco-romanos e gnósticos.

A literatura apocalíptica abrange visões do fim dos tempos, mas nem todas as revelações desse gênero são estritamente escatológicas. A literatura enoquita, por exemplo, inclui visões inspiradas em tradições antigas, mas nem todas pertencem ao fim dos tempos. Além disso, o apocalipticismo não deve ser confundido com o messianismo, pois um Messias busca restaurar a glória de uma nação, enquanto a escatologia diz respeito ao destino final do mundo. Enquanto o cristianismo combina os dois conceitos, no judaísmo, escatologia e messianismo permanecem gêneros separados, às vezes entrelaçados, mas nem sempre dentro de narrativas apocalípticas.

BIBLIOGRAFIA
Collins, John “Introduction: Towards the Morphology of a Genre,” 9.

Collins, John J.  The Apocalyptic Imagination: An Introduction to Jewish Apocalyptic Literature, 2nd ed. Eerdmans, 1998).

Nickelsburg, George W. E. Resurrection, Immortality, and Eternal Life in Intertestamental Judaism and Early Christianity, 2nd ed. Harvard University Press, 2006.

VEJA TAMBÉM

Literatura Apocalíptica

Apocalipse

a Visão do que está reservado aos filhos de Deus na nova Criação é retratado no livro chamado de Apocalipse de João.

O livro de Apocalipse (Revelação em grego) foi escrito por um cristão chamado João enquanto estava exilado na Ilha de Patmos, no mar Egeu, devido a uma perseguição contra os cristãos no final do século I d.C.

Com abundantes simbolismos, o Apocalipse contém cartas e visões, renovando uma mensagem de esperança meio à dor e às lágrimas. Oferece um vislumbre do que aguarda os fiéis.

O gênero textual apocalíptico refere-se às visões que arrebatavam seus visionários. Um dos primeiros textos desse gênero é a Visão de Balaão, a inscrição de Deir Alla (KAI 312) encontrada na parede das ruinas de uma habitação na Jordânia e com data estimada do século VIII. No Antigo Testamento boa parte do livro de Daniel são visões apocalípticas.

SAIBA MAIS

Gorman, Michael J. Reading Revelation responsibly: Uncivil worship and witness: Following the Lamb into the new creation. Wipf and Stock Publishers, 2011.