Manuscritos de Nahal Hever 

O riacho temporário Nahal Hever ou Wadi al-Khabat abriga em suas margens algumas cavernas nas quais foram descobertos manuscritos no deserto da Judeia.

No século II d.C., vários fugitivos por ocasião da Revolta de Bar Cosiba trouxeram consigo documentos como manuscrito 8HevXII gr. Antes de morrerem, enterram esses manuscritos nas cavernas das Cartas e dos Horrores.

O manuscrito 8HevXII gr é uma versão grega (Old Greek) dos profetas menores, datada do século I d.C. Em 2021 outros fragmentos foram encontrados na Caverna dos Horrores.

O arquivo de Babatha é uma coleção de documentos familiares de uma mulher judia de alto status social.

Junto dos manuscritos do Mar Morto, descobertos também na mesma região, são chamados de Manuscritos do Deserto da Judeia.

Manuscritos do Mar Morto

Manuscritos do Mar Morto é uma coleção de textos religiosos escritos entre o século II a.C. e o I d.C., em uma comunidade sectária contemporânea ao Novo Testamento. Antes da descoberta desses manuscritos, as mais antigas cópias da Bíblia Hebraica eram textos massoréticos dos séculos IX e X d.C.

Os membros eram provavelmente ex-sacerdotes que rejeitaram o Templo e Jerusalém como impuros e fugiram para o deserto após perderem seus cargos depois da vitória dos macabeus sobre Antíoco IV.

Os textos incluem tanto a própria literatura da comunidade e textos bíblicos e não bíblicos. Os Manuscritos do Mar Morto faz parte de um corpus mais amplo, os Manuscritos do Deserto da Judeia. A região árida e remota ajudou a preservar muitos materiais escritos em suportes flexíveis (papiro e pergaminho).

Qumran era um assentamento na costa noroeste do Mar Morto. Foi ocupado de aproximadamente 100 a.C. a 68 d.C., quando foi destruída pelo exército romano.

O consenso inicial era que seria a ascética seite essênia. Vários textos referem à comunidade como o verdadeiro Israel, os “Filhos da Luz”, os herdeiros diretos do povo eleito de Deus. Contudo, nenhum texto encontrado identifica a comunidade como essênia.

CONTRIBUIÇÕES AOS ESTUDOS BÍBLICOS

Os Manuscritos do Mar Morto deram uma nova perspectiva sobre a história do texto bíblico, incluindo o Texto Massorético (TM), a versão hebraica padrão do Antigo Testamento.

O Texto Massorético, estabelecido pelos massoretas entre os séculos VI e X d.C., era a única versão completa do Antigo Testamento em hebraico disponível até a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto. A comparação entre os Manuscritos do Mar Morto e o Texto Massorético revelou uma série de semelhanças e diferenças, lançando luz sobre a história da transmissão textual do Antigo Testamento.

Os Manuscritos do Mar Morto apresentam algumas variantes textuais em relação ao Texto Massorético, incluindo diferenças em palavras, frases e até mesmo parágrafos inteiros. Essas variantes podem ser significativas para a interpretação de certas passagens bíblicas.

Os Manuscritos do Mar Morto contêm livros e fragmentos de livros tidos como sagrados e dotados de autoridade (o que chamamos hoje canônicos) que não estão presentes no cânone do Texto Massorético, como o Livro de Enoque e o Livro dos Jubileus.

Os Manuscritos do Mar Morto revelam a existência de diferentes tradições textuais do Antigo Testamento, que circularam em paralelo antes da fixação do Texto Massorético.

Exemplos:

VersículoManuscritos do Mar Morto (DSS)Texto Massorético (MT)Observações
Isaías 21:8“Então o vidente clamou: Sobre uma torre de vigia estou…”“E clamei como um leão: Senhor meu, estou sempre de pé sobre a atalaia de dia…”O DSS apresenta uma leitura mais concisa e direta, enquanto o MT adiciona a comparação com um leão e a informação sobre o tempo (“de dia”).
Isaías 53:11“Após o trabalho da sua alma ele verá a luz, se fartará” (LXX; DSS)“Do trabalho da sua alma ele verá, se fartará”O MT omite a frase “ele verá a luz”, presente na LXX e no DSS. Essa omissão pode ter ocorrido por um erro de cópia, em que o verbo “ver” foi duplicado, mas o objeto “a luz” foi omitido na segunda ocorrência.

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Referências:

  • Ulrich, E. (2010). The Dead Sea Scrolls and the Origins of the Bible. Grand Rapids, MI: Eerdmans.
  • VanderKam, J. C. (2018). The Dead Sea Scrolls Today. Grand Rapids, MI: Eerdmans.
  • Flint, P. W. (2013). The Dead Sea Scrolls and the Book of Isaiah. Grand Rapids, MI: Eerdmans.

Conto de Bagasraw

Manuscrito do Mar Morto 4Q550, Proto-Ester.

É um conjunto de seis fragmentos aramaicos encontrados em Qumran entre os Manuscritos do Mar Morto (c. 250 aC – 50 dC) publicado por J. T. Milik em 1992 e intitulado “4Q proto Aramaic Esther”.

Trata-se de uma “história da corte” que parece recontar as aventuras de um grupo de judeus na corte dos reis persas Dario e Xerxes. O protagonista é Bagasraw (Bagasro e Bagasrava), talvez filho de Patireza. Homem temente a Deus, Bagarasraw foi recompensado pelo rei persa por suas boas ações.

Outro membro da corte, Bagashe (ou Bagoshi) avisa Bagasraw sobre seus adversários.

No início do texto (conforme reconstrução), uma “princesa” também é mencionada.

A narrativa é ambientada na corte da Pérsia, com o final do texto menciona especificamente a Media, a Pérsia e a Assíria. O rei persa parece ser filho de Dario I, talvez mesmo rei em Ester, Assuero (Xerxes).

BIBLIOGRAFIA

https://www.deadseascrolls.org.il/explore-the-archive/manuscript/4Q550-1?locale=en_US

Cook, Edward M. “The Tale of Bagasraw.” Pages 437–39 in The Dead Sea Scrolls: A New Translation. Translated by Michael O. Wise, Martin G. Abegg, Jr. and Edward M. Cook. San Francisco: HarperOne, 1996.

Collins, John J., Deborah A. Green. “The Tales from the Persian Court (4Q550a–e) in Antikes Judentum und Frühes Christentum, pp. 39–50. Berlin, 1999.

Crawford, Sidnie White. “Has Esther Been Found at Qumran? 4Qproto-Esther and the Esther Corpus.” Revue de Qumrân 17 (1996), 307–325.

Milik, J. T. “Les modeles arameens du livre d’Esther dans la Grotte 4 de Qumran.” Revue de Qumran 15 (1992): 321–406.

VanderKam, James C. and Peter Flint. The Meaning of the Dead Sea Scrolls: Their Significance for Understanding the Bible, Judaism, Jesus, and Christianity. New York: HarperCollins, 2002.

Wechsler, Michael G. “Two Para-Biblical Novellae from Qumran Cave 4: A Reevaluation of 4Q550.” Dead Sea Discoveries 7 (2000): 130–72.

Essênios

Os essênios ou essenos eram uma seita judaica que floresceu durante o período do Segundo Templo tardio (c.200 aC – 70 dC). Eles eram conhecidos por seu estilo de vida ascético, vida comunitária e adesão estrita às leis e práticas religiosas.

Há uma hipótese de que os essênios eram o grupo responsável pelos Manuscritos do Mar Morto encontrados nas cavernas de Qumran. Todavia, nenhum dos manuscritos autoidentifica o grupo como essênio. Embora não haja um consenso uniforme sobre a relação exata entre os essênios e a comunidade de Qumran, é geralmente aceito que ambos os grupos faziam parte de um movimento maior de sectarismo judaico durante esse período.

Apócrifo aramaico de Daniel

Literatura encontrada nos Manuscritos do Mar do Morto, (4Q246), o Aramaico Apócrifo de Daniel é um fragmento não bíblico comumente referido como o texto do “Filho de Deus”, pois inclui a visão de um vidente não identificado sobre a vinda do “filho de Deus” e uma guerra escatológica.

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