Antípater I

Antípater I, o Idumeu [(c.113-43 aC) foi o fundador da dinastia herodiana e pai de Herodes, o Grande.

Filho de um líder idumeu (como os edomitas eram conhecidos na época) converitido forçosamente ao judaísmo no período dos macabeus, ganhou poder ao fazer aliança com os romanos.

Antípater tornou-se um poderoso oficial sob os últimos reis asmoneus e, posteriormente, tornou-se cliente do general romano Pompeu, o Grande.

Quando Júlio César derrotou Pompeu, Antípater resgatou César em Alexandria e foi nomeado ministro-chefe da Judéia, com o direito de coletar impostos.

Templo de ’Ain Dara

O templo ‘Ain Dara, utilizado de 1300 a 740 a.C., foi o exemplo mais bem preservado da arquitetura de templo siro-hitita. Alguns pesquisadores apontam suas semelhanças (debatíveis) com o Templo de Salomão descrito na Bíblia, junto de outros paralelos arquitetônicos de Hazor em Israel e Tel Tayinat na Turquia.

Tel ‘Ain Dara é um sítio arqueológico de vários períodos localizado no noroeste de Alepo, na Síria, próximo ao rio Afrin. A ocupação mais intensa ocorreu durante a Idade do Ferro.

Arquitetonicamente, o templo seguia o modelo levantino de templo in antis. Sua planta baixa consistia de um pátio, pórtico e um prédio quase cúbico com uma ante-sala e um santo-dos-santos. Um corredor circundava em forma de U esse salão principal. O templo era decorado com imagens de leões e esfinges e relevos geométricos. Uma série de soleiras de calcário nas portas principais possuiam entalhes de pegadas humanas gigantes.

O local, cujo nome original é desconhecido, pertenceu ao Império Hitita no final do segundo milênio. Foi controlado pelo estado arameu de Bit Agusi até ser incorporado ao Império Neo-Assírio.

As datas precisas de construção, os modos de culto e mesmo quais divindades eram adoradas do templo permanecem desconhecidos. O templo de ‘Ain Dara foi seriamente danificado por um ataque aéreo em janeiro de 2018.

BIBLIOGRAFIA

Ali Abu Assaf, Der Tempel von ‘Ain Dara, Damaszener Forschungen 3.Mainz: Philipp von Zabern, 1990.

Gustaf Aulén

Gustaf Aulén (1879–1978) teólogo e bispo luterano sueco conhecido por sua abordagem da obra expiatória de Christus Victor para explicar os efeitos da morte de Jesus Cristo na salvação. Junto de Anders Nygren (1890-1978) foi um expoente da Teologia Lundensiana.

Estudou em Kalmar e depois na Universidade de Uppsala. De 1907 a 1913 foi professor assistente em Uppsala. Foi catedrático de teologia sistemática na Universidade de Lund a partir de 1913 até ser feito bispo de Strängnäs em 1933. Como figura pública, combateu vocalmente o nazifascismo, mesmo sendo a Suécia neutra durante a 2a Guerra. Morreu quase centenário.

Em uma série de palestras, publicadas em 1931, Aulén argumentou a doutrina de Christus Victor, a visão clássica da expiação. Partindo de que nenhuma doutrina, conceito ou imagem explicaria com justiça os enormes efeitos da obra expiatória de Cristo, Aulén percebeu que as teorias dos reformadores magistrais se distanciavam muito dos textos bíblicos. Notou ainda que as teorias patrísticas de resgate provocaram a justa reação dos escolásticos (e reformadores) pela percepção equivocada de que Deus devia algo ao Diabo. No entanto, Aulén aponta que a noção de resgate como remição foi confundida com resgate como recuperação ou libertação da influência do pecado, morte e do mal (o que em português seria a “remissão”).

A centralidade da ação divina é contínua. Do início ao fim, a expiação é o ato de Deus por meio de Cristo, no qual os poderes do pecado, da morte e do diabo foram vencidos, e o mundo foi reconciliado com Deus.

Um dos textos fundamentais é que “Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo” (2 Coríntios 5:19). Essa visão seria dramática e dualista, porque assumia uma narrativa de conflito entre Deus e os poderes do mal, do pecado e da morte, na qual Deus triunfa sobre esses poderes. Também seria objetiva, porque postula que Deus tomou a iniciativa de mudar decisivamente a relação entre Deus e o mundo.

As teorias subjetivas como a doutrina da satisfação de Anselmo ou da substituição penal de Lutero e Calvino seriam antropocêntricas. Isso porque enfocariam o processo de salvação no homem e não em Deus. Aulén argumentou que Christus Victor também difere do entendimento “latino” da expiação, pois essas teorias dependem de uma obra divina descontínua. O sacrifício oferecido por Cristo a Deus em favor da humanidade “interrompe” a contínua obra divina de Deus movimentar-se para o homem e passa exigir um movimento na outra direção do homem para Deus.

Para Aulén a vontade de Deus de reconciliar triunfa sobre o pecado, a morte e o diabo. O juízo é sobre esses três. A doutrina de Christus Victor era uma teoria dupla da expiação, com Deus como sujeito (Reconciliador) e objeto (Reconciliado).

Vale notar alguns pontos salientes da teologia de Aulén. Sua hermenêutica era fundamentada no uso de metáfora, especialmente metáfora bíblica. Típico da epistemologia de Uppsala, Aulén via a teologia como estudo da ideia de Deus, não Deus em si, o qual seria irredutível.

Sua cristologia tem por base a o triunfo paradoxal de Jesus Cristo sobre as forças destrutivas do mal, particularmente na crucificação (posições semelhantes à teologia da cruz luterana, a cristologia anabatista, e a perspectiva do Chaoskampf). Assim, Cristo é o revelador e o libertador.

Seu cristocentrismo enfatizava a cruz e a ressurreição como central para o Novo Testamento. No entanto, os eventos da morte e vitória de Cristo não se separam dse seu ministério terreno. As obras de Jesus, seus “sinais”, revelam sua glória como Aquele que é e traz vida de Deus (Jo 2:11; 11:4, 40). Em seus sinais, Jesus sacia com comida e bebida (Jo 2; 6:1-15), restaura os enfermos (Jo 4: 47-52; 5: 1-9; 9: 1-7) e ressuscita os mortos (Jo 11). Jesus promete a vitória sobre a morte pela ressurreição dos mortos (Jo 11: 25-26). Seguir, crer, conhecer e confiar em Cristo Jesus é tornar-se partícipe de sua vida.

O caráter de reconciliação da Santa Ceia a faz ecumênica, pois ao lembrar a morte e a ressurreição de Cristo há uma reconciliação dos crentes com Deus e uns com o outros.

Escatologicamente, a doutrina do “Christus Victor” está para “agora e ainda não”. Deus já venceu, mas esperamos a vitória final de Deus em Cristo, quando todos os joelhos se dobrarão àquele que é o Senhor (Fp 2:11); quando Deus terá feito de todos os inimigos de seu Filho “escabelo de seus pés” (Lc 20:43; Atos 2:35; Hb 1:13; 10:13); e quando o reino deste mundo há de se tornar o reino do Deus em sua plenitude (Ap 11,15).

Seus livros eram quase imediatamente traduzidos para o inglês, mas a recepção da doutrina Christus Victor ficou inicialmente restrita à teologia acadêmica. As críticas da fraqueza da metodologia da história das ideias fez com que Aulén revisasse seus livros continuamente. Sem excluir a combinação da soteriologia Christus Victor com outras abordagens, sua posição ganhou limitada aceitação entre círculos teológicos eclesiásticos fora do mundo luterano a partir dos anos 1990.

BIBLIOGRAFIA

Aulén, Gustaf. A Fé Cristã. Tradução de Dirson Glênio Vergara dos Santos. São Paulo: ASTE, 2002. Originalmente publicado em 1923 em sueco.

Aulén, Gustaf. Christus Victor: an Historical Study of the three main types of the idea of the Atonement. Trans. A. G. Herbert; New York: Macmillan, 1931. Originalmente publicado em 1930 em sueco.

Atarote

Atarote é nome para três localidades bíblicas.

  1. Quirbete Atarote localiza-se a noroeste de Dibom (Nm 32:3, 34) em território da tribo de Gade. Foi conquistada por Mesa, rei de Moabe, o qual levou vasos de um templo de Yahweh que aparentemente existia no local, segundo a Estela de Mesa.
  2. A atual Tel el-Mazar, uma cidade na fronteira leste de Efraim (Js 16:7).
  3. Atarote-adar (Js 16:5; 18:13), uma povoação fronteiriça entre Efraim e Benjamim, atual Kefer ‘Aqab.

Arã, arameus

Arã é o nome de vários personagens bíblicos e de um povo vizinho dos israelitas.

1. Arã aparece como filho de Sem e neto de Noé (Gn 10:22-23; 1Cr 1:17).

2. O neto de Naor, irmão de Abraão (Gn 22:21), também recebe esse nome.

3. Arã, um descendente de Asser (1Cr 7:34).

4. Um grupo de estados na Síria que competiu com Israel pelo controle da região. Em Dt 26:5 é dito que “nosso pai era um arameu nômade” talvez em alusão a Abraão ou Jacó. Saul (1Sm 14:47), Davi (2Sm 8: 5-12) e Salomão (1Re 11: 23-25) tiveram confronto com os arameus. Jeroboão II de Israel derrotou Arã e o último conflito foi no reinado de Acaz, rei de Israel.

A mais antiga referência a Arã remonta do período Amarna em um texto Amenhotep III do século XIV a.C. Nos textos assírios os arameus aparecem em conexão com os ahlamû (nômades).

Identificados pela fórmula Bīt-PN (“Casa de Fulano”) para designar seus estados e pelas inscrições em aramaico, os arameus sucumbiram aos assírios e babilônios. Contudo, nos meados do século VIII alguns dos arameus levados cativos para a Mesopotâmia introduziram a língua e sua escrita, tornando-as língua-franca para o Antigo Oriente Próximo.

BIBLIOGRAFIA

Bunnens, Guy, ed. Essays on Syria in the Iron Age. Ancient Near Eastern Studies Supplement 7. Leuven, Belgium: Peeters Press, 2000.

Daviau, Michèle, John W. Wevers, and Michael Weigl, eds. The World of the Aramaeans. London: Sheffield Academic Press, 2001.

Dion, Paul Emile. Les Araméens à l’âge du Fer: Histoire politique et structures sociales. Paris: Gabalda, 1997.

Dušek, Jan, and Jana Mynářová, eds. Aramaean Borders: Defining Aramaean Territories in the 10th–8th Centuries B.C.E. Leiden, The Netherlands, and Boston: Brill, 2019.

Lipínski, Edouard. The Aramaeans: Their Ancient History, Culture, Religion. Leuven, Belgium: Peeters, 2000.

Niehr, Herbert, ed. The Aramaeans in Ancient Syria. Handbook of Oriental Studies 106. Leiden, The Netherlands: Brill, 2014.

Younger, K. Lawson, Jr. A Political History of the Arameans: From Their Origins to the End of Their Polities. Atlanta: SBL Press, 2016.