Hipótese jebusita

A hipótese jebusita propunha que o sumo sacerdote Zadoque era um sacerdote jebuseu nativo de Jerusalém.

Os jebusitas eram os habitantes de Jerusalém antes da ocupação israelita que cultuavam ao Deus Altíssimo (El Elyon, Gênesis 14:18).

Davi teria posto Zadoque como sumo sacerdote depois de conquistar Jerusalém para ganhar o apoio de seus novos súditos jebuseus. A nomeação de Zadoque também facilitaria a identificação de Yahweh com a divindade jebusita El Elyon. O nome Zadoque vem da raiz ṢDQ, que também ocorre entre vários habitantes pré-israelitas de Jerusalém, por exemplo, Melquisedeque (Gênesis 14:18) e Adoni-Zedeque (Josué 10:1).

Aage Bensen (1933) propôs essa hipótese para explicar as muitas discrepâncias nas genealogias de Zadoque na História e Crônicas Deuteronomistas. Apesar de ter obtido uma moderada aceitação, as críticas de Frank Moore Cross levantaram dúvidas sobre essa hipótese. Moore Cross notou que a raiz ṢDQ é um elemento comum em nomes semíticos do noroeste e que Davi é retratado como um devoto Yahwista na História Deuteronomista, textos que desfavorecem o culto estrangeiro. Ele postulou que Zadoque seria um sacerdote Aarônida.

BIBLIOGRAFIA

Cross, Frank Moore. “Canaanite myth and Hebrew epic.” Canaanite Myth and Hebrew Epic. Harvard University Press, 1973.

Na’aman, Nadav. “Jebusites and Jabeshites in the Saul and David story-cycles.” Biblica (2014): 481-497.

Ramsey, George W. “Zadok”. Em The Anchor Bible Dictionary VI., editado por David Noel Freedman, 1034-1036. Nova York: Doubleday, 1992.

Rendsburg, Gary A. (2001). “Reading David in Genesis”. Biblical Archaeology Review. Biblical Archaeology Society. 17 (1).

Rowley, Harold H. “Zadok and Nehushtan.” Journal of Biblical Literature (1939): 113-141.

Comentário de Habacuque

Comentário de Habacuque, pesher Habakkuk, 1QpHab é um dos primeiros manuscritos do Mar Morto a ser descoberto e publicado. O comentário utiliza o texto do Livro de Habacuque para interpretar eventos contemporâneos. Argumenta que há um Mestre da Justiça que conhece o verdadeiro significado das Escrituras e está em comunhão com Deus. Tal mestre tem como oponentes o Sacerdote Mau e o Homem das Mentiras.

Anne Hart Gilbert

Anne Hart Gilbert (1768–1834) foi uma escritora, professora e abolicionista metodista caribenha.

Conhecida como uma das irmãs Hart, ao lado de Elizabeth Hart Thwaites, foi pioneira na literatura caribenha, na propagação evangelística, melhoramento das condições femininas e na crítica ao racismo e à escravidão.

Nascida em uma família afluente de afro-caribenhos senhores de escravos em Antígua, Anne Hart converteu-se em 1786 pela missão de um evangelista metodista.

Em 1798 casou-se com um homem branco, John Gilbert, enfrentando discriminação por serem um casal birracial.

Junto de sua irmã, em 1809 abriu a primeira escola dominical do Caribe, aberta a qualquer criança, independente de cor, classe social ou situação de escravizado ou livre.

Ainda com sua irmã, fundou a Female Refuge Society, uma instituição de apoio e emancipação feminina, principalmente às vítimas de opressão de cor e escravidão.

Trabalharam arduamente na propagação do avivamento metodista nas Ìndias Ocidentais.

Foi uma escritora prolífica, mas destruiu sua obra antes de morrer. Do que restou, revela-se uma pensadora perspicaz. Suas atividades aliadas à reflexão devocional e teológica antecedem a teologia negra, teologia afro-caribenha, teologia womanista e teologia da libertação.

BIBIOGRAFIA

Ferguson, Moira. The Hart Sisters: Early African Caribbean Writers, Evangelicals, and Radicals. Lincoln: University of Nebraska Press, 1993.

Saillant, John. “Antiguan Methodism and Antislavery Activity: Anne and Elizabeth Hart in the Eighteenth-Century Black Atlantic.” Church History 69, no. 1 (2000): 86-115. www.jstor.org/stable/3170581.

Margret Hottinger

Margret Hottinger (?-1530) foi uma reformadora, pregadora, pioneira e mártir anabatista suíça.

Filha de um camponês alfabetizado, por volta de 1525 sua família esteve entre os organizadores da primeira congregação anabatista em Zollikon, a três quilômetros de Zurique. Em 30 de janeiro foram presos 31 anabatistas. Diante desssa perseguição, Margaret decidiu-se ser batizada.

Margret Hottinger começou a pregar e a profetizar na congregação de Zollikon, inclusive falando em línguas. A jovem foi presa pelas autoridades de Zurique em novembro de 1525, junto de outros líderes como Conrad Grebel, Félix Mantz, Jorge Cajakob, Miguel Sattler e Martín Linck.

No processo Margret Hottinger declarou que “o batismo infantil estava errado e o dos crentes estava correto. Também pediu às autoridades que provassem a validade do batismo infantil e que, se o fizessem, ela estaria disposta a renunciar [de suas crenças].” Depois de um longo período na prisão, foi solta na condição de abjurar ao anabatismo.

Em 1530, percebendo que as condições estavam piorando, a família de Margret e outros anabatistas decidiram migrar para a Morávia. Contudo, foram presos no caminho próximo a Ravensburg, já na Alemanha. Margret e seu pai foram condenados à morte, seu irmão Felix foi poupado devido ser jovem demais. Jakob Hottinger foi decapitado e Margret afogada.

BIBLIOGRAFIA

Snyder, C. Arnold, and Linda A. Huebert Hecht, eds. Profiles of Anabaptist Women: Sixteenth-Century Reforming Pioneers. Vol. 3. Wilfrid Laurier Univ. Press, 2010.

Ludwig Haetzer

Ludwig Haetzer (1500-1529) foi um erudito, hinista, pioneiro anabatista suíço, além de um de seus primeiros teólogos.

Pouco se sabe de sua origem (por muito tempo especulou-se que era de origem valdense, mas sem provas). Estudou sem se graduar na Universidade de Basileia e dominava latim, grego e hebraico.

Provavelmente ordenado padre católico em Constança, foi capelão próximo a Zurique. Por volta de 1520-1523 teve contato com a Reforma e escreveu um panfleto contra as imagens nas igrejas.

Haetzer esteve nas disputas de Zurique em 1523. Foi um dos primeiros defensores de empregar a Bíblia como autoridade para dirimir disputas doutrinárias. Propagou as ideias de Karstadt e Zwingli sobre os sacramentos, ganhou oposição dos adeptos da posição luterana.

Passou o ano de 1525 envolto em vários debates, reconciliações e polêmicas. Socializou-se e envolveu-se com líderes anabatistas, embora sua posição no movimento não fosse muito clara. Sua esposa, Apolônia, era uma anabatista.

Publicou um prefácio do Livro de Baruque e defendeu sua canonicidade. No final de sua vida passa a considerar o testemunho do Espírito Santo no crente como superior à pregação ou ao texto bíblico.

Em novembro de 1528, as autoridades Augsburg exigiu que o conselho de Constança prendesse Haetzer. Foi acusado de imoralidade em termos vagos (supostamente por adultério) e foi condenado à morte. Foi executado no mesmo local que Jan Huss.