Óstraco

“Caco de cerâmica” na Septuaginta é ostrakon (Jó 2:8; Sl 21:16 LXX [22:15])

Conchas, cacos de pedra ou fragmentos de cerâmica usados para a escrita com tinta ou riscos sobre a superfície lisa.

Na Grécia escrevia o nome do cidadão a ser banido, daí o ostracismo.

A abundância de cacos de cerâmica tornava-os um meio barato e fácil para a escrita.

Servia para documentos curtos, como cartas, quirógrafos, recibos, listas e notas. Embora inadequado para documentos mais longos, como os livros bíblicos, a óstraca pode ter sido usado para registrar oráculos proféticos e provérbios. Um bom número de óstracos coptas registram trechos bíblicos, interpretados como de função apotropaica.

Alguns sítios arqueológicos providenciaram abundantes óstracos, como Arad, Hesbon, Samaria e as cartas de Láquis.

Mais de 100 óstracos foram encontrados em um armazém em um dos palácios de Samaria. Maior parte eram para o controle de azeite e vinho pagos como impostos ao rei, datadas do início do século VIII a.C. (reinado de Jeroboão II).

Em 1935 e 1938, vinte e um óstracos foram encontrados nas escavações da antiga Láquis. A maioria delas são cartas escritas por um oficial, pouco antes da captura da cidade pelos babilônios em 589-588 a.C.

Movimento de Oxford

O movimento de Oxford foi um movimento dentro da Igreja Anglicana que surgiu em 1833 na Universidade de Oxford.

O movimento foi liderado por John Keble (1792–1866), John Henry Newman (1801–1890), Richard Hurrell Froude e Edward Bouverie Pusey (1800–1882).

Em uma sére de 90 publicações intituladas Tracts for the Times (1833–1841), o movimento de Oxford visava renovar a Igreja Anglicana. (Daí o nome dessa fase do movimento como tractarianism). Constituiu uma vertente “High Church”, enfatizava a sucessão apostólica, considerava a Igreja Anglicana como a verdadeira Igreja católica, pois seria o meio-termo o catolicismo e protestantismo.

Depois que Newman converteu-se à Igreja Católica em 1845, Pusey tornou-se o líder do movimento. Pusey deu grande importância aos ritos eclesiásticos e aos sacramentos. Associado ao movimento emergiu uma tendência sacramentalista de usar velas do altar, vestimentas, incenso e elaboradas cerimônias.

Otniel

Otniel ou Otoniel filho de Quenaz, em hebraico: עָתְנִיאֵל בֶּן קְנַז, foi o primeiro dos juízes bíblicos. A etimologia de seu nome é incerta, mas pode significar “Deus/Ele é minha força” ou “Deus me ajudou”.

É chamado de “Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe” (Josué 15:17). Quando Calebe promete a mão de sua filha Acsa a quem conquistar a terra de Debir, Otniel aceita o desafio, tornando-se genro de Calebe.

Depois da morte de Josué, os israelitas voltaram ao pecado e foram dominados por Cuchã-Risataim, rei de Aram-Naaraim (Mesopotâmia) por oito anos. Os israelitas clamaram a Deus, Otniel foi levantado para ser seu libertador. Sob Otniel, a paz durou quarenta anos. (Jz 3:7-11).

É mencionado nas genealogias de 1 Cr 4:13; 27:15. Apesar de ser o único juiz ligado à tribo de Judá, seu parentesco do Calebe leva a deduzir que seria um quenezeu, descendente de Jefoné (Js 14:6, 14; Nm 32:12).

Óstracas de Láquis

Essas óstras do início do século VI a.C. são breves relatórios da fortificação da cidade de Laquis antes de ser destruída pelo rei babilônico Nabucodonosor.

As Cartas de Láquis, descobertas em 1935, constituem um conjunto de ostraca escritos em hebraico clássico e datados do século VII a.C. Esses documentos fornecem informações sobre os eventos que cercaram a queda do Reino de Judá e a destruição do Templo em Jerusalém. Localizadas em Tell al-Duwayr, a antiga Láquis ou Lachish, as cartas abordam questões administrativas, militares, sociais e religiosas do período.

As cartas foram produzidas em um período de instabilidade em Judá, anterior à invasão babilônica que resultou na destruição de Jerusalém em 586 a.C. Láquis, como uma das últimas fortalezas judaicas, desempenhava uma função estratégica nas comunicações militares. A correspondência inclui mensagens do comandante Hoshaiah, responsável por um posto avançado ao norte de Láquis, enviadas a Ya’osh, governador militar da cidade. Os textos refletem a situação crítica enfrentada à medida que o avanço babilônico se intensificava.

Os ostraca contêm diferentes tipos de textos, como listas de nomes, documentos comerciais e correspondências oficiais. Entre os fragmentos preservados, há uma mensagem que demonstra a preocupação com a paz em um contexto de conflito:

“A meu senhor Ya’osh. Que Yahweh faça meu senhor ouvir as notícias de paz, mesmo agora, mesmo agora. Quem é seu servo senão um cão que meu senhor deve lembrar-se de seu servo?”

As cartas documentam interações entre líderes militares e incluem expressões idiomáticas, como o juramento “ḥyhwh” (“como Yahweh vive”). Referências a profetas sugerem que elementos religiosos estavam presentes nas comunicações administrativas.

As Cartas de Láquis são uma fonte primária para o estudo da história de Judá. Elas oferecem evidências da vida cotidiana no período e corroboram relatos bíblicos, como os encontrados no livro do profeta Jeremias. A menção à cidade de Láquis nas cartas é relevante, dado seu papel como uma das últimas cidades a resistir antes da queda de Jerusalém.

A descoberta dessas cartas contribui para a compreensão da organização política, militar, religiosa e social da época. Também mostram que os escribas de Judá registravam mensagens proféticas como parte de suas atividades administrativas.

Octateuco

O octateuco, em grego “oito partes [de um livro]” designa os primeiros oito livros da Bíblia, conforme a ordem da Septuaginta: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes e Rute. Essa ordem é diferente daquela do Texto Massorético da Bíblia Hebraica.

A antologia em octateuco foi popular entre editores bizantino. Em formato de códice, era capaz de conter boa parte da do Antigo Testamento, principalmente o conteúdo narrativo anterior ao período dos reis.

O octateuco é o cânon da comunidade judaica etíope Beta Israel, ao qual chama de Orit.

Outros octateucos notáveis são o Topkapi Graecus 8 (Octateuco de Seraglio); o Octateuco  Ottobonianus.

Comentaristas sobre o octateucos incluem Procópio de Gaza, Teodoreto de Chipre, Wicbouldus e André de São Vítor,

O octateuco não deve ser confundido com o octateuco clementino, uma coleção de normas eclesiásticas existentes em copta, siríaco, árabe, grego e latim, dos quais se destaca o MS Gen 322, Glasgow Octateuch.