Pôncio Pilatos

Prefeito romano da Judeia, quinto governador da província que o exerceu por dez anos (c.26-36 d.C.). Durtante seu mandato ocorreram os ministérios públicos de João Batista e Jesus. Os escritos de Filo e Flávio Josefo incluem relatos de incidentes não relatados no Novo Testamento, a maioria dos quais apresenta Pilatos como insensível à religião israelita e rápido para reprimir o povo com violência(Lucas 13: 1) .

Nos Evangelhos é retrado com tons desde neutros até simpáticos no julgamento e a crucificação de Jesus (Mt 27:1-2; Mt 11-26:1; Marcos 15:1-15; Lucas 23:1-25; João 18:28-19:16; Atos 3:13; Atos 4:27; Atos 13:28; 1Tm 6:13).

Pilatos “se maravilha” com o silêncio de Jesus em face de acusações hostis, mas ele se curva à vontade da multidão ao enviar Jesus à cruz e libertar Barrabás, um assassino conhecido. Pilatos lava as mãos publicamente diante da multidão em uma tentativa de se exonerar da culpa por permitir que a morte de um inocente (Mt 27:24).

Parabíblica, Literatura

Literatura parabíblica refere-se ao gênero literário de obras que expandem, reformulam ou parafraseiam textos bíblicos.

Similar expansão ou reescrita ocorre na midrash, mas com caráter interpretativo livre. Muito da literatura parabíblica é pseudoepígrafa, atribuíndo sua autoria ou versando sobre personagens célebres da história israelita ou cristã.

  • Apócrifo do Gênesis
  • Livro dos Jubileus
  • Pseudo-Filo

Poço de Miriam e a rocha movente

Durante o êxodo Moisés aparece extraíndo água da rocha em dois lugares: Refidim (Êx 17) e Meribá (Nm 20). A associação dessas passagens com Miriam fizeram que a fonte também fosse chamada de poço de Miriam.

Intérpretes na Antiguidade Tardia fizeram um midrash para concluir que as duas rochas eram a mesma. Portanto, seria uma rocha móvel que acompanhou os israelitas durante 40 anos.

“E assim o poço que estava com os israelitas no deserto era uma rocha, do tamanho de um grande vaso redondo, subindo e borbulhando para cima, como da boca de uma pequena garrafa, subindo com eles aos montes, e descendo com eles aos vales. Onde quer que os israelitas acampassem, acampava com eles, em um lugar alto, em frente à entrada da Tenda da Congregação.” (Tosefta, Sukka 3.114).

“Mas quanto ao seu próprio povo, ele os levou para o deserto: quarenta anos fez chover pão do céu para eles, e trouxe-lhes codornizes do mar, e um poço de água seguindo-os” Pseudo-Filo. Antiguidades Bíblicas, 10.7.

Paulo menciona essa interpretação midráshica para argumentar que a presença de Cristo estava na jornada dos israelitas no deserto, cuidando deles, fornecendo a água que permitia a vida:

“E [os israelitas] beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo.” 1 Cor 10:4

BIBLIOGRAFIA

Enns, Peter E. “The” Moveable Well” in 1 Cor 10: 4: An Extrabiblical Tradition in an Apostolic Text.” Bulletin for Biblical Research 6.1 (1996): 23-38.

Atos de Paulo

Os Atos de Paulo é uma coleção de literatura patrística e apócrifa relacionada com a vida de Paulo.

Escrito na segunda metade do segundo século, provavelmente na Ásia Menor, como atesta Tertuliano (Sobre o Batismo. 17.5). São mencionados por Eusébio como um antilegômeno (Hist. Ecl. 3.25.4). Aparece no obelus perto o fim da lista no Codex Claromontanus. Epifânio não o elenca em suas diversas listas de cânon, mas referencia os Atos de Paulo e Tecla como Escrituras (Pan. 77.27.7).

Os Atos de Paulo é uma obra composta que incorpora três escritos que também circularam independentemente:

  1. os Atos de Paulo e Tecla Atos de Paulo 3-4;
  2. Correspondência entre Paulo e a igreja de Corinto ou 3 Coríntios Atos de Paulo 8 ou 10;
  3. Martírio de Paulo. Atos de Paulo 11 ou 14.