Pedro

Chamado de Simão e Cefas (forma aramaica de Pedro, “rocha”), foi um dos mais proeminentes discípulos de Jesus e um dos apóstolos.

Originalmente um pescador da Galileia, confessou que Jesus era o messias de Israel (Mt 16: 16-23), mas negou Jesus três vezes antes da crucificação (Mt 26: 69-75; Mc 14: 66-72; Lc 22: 54-62; Jo 18: 25-27). Todavia, teve uma conversa com Jesus após sua ressurreição (Jo 21:15-17).

Ocupou uma posição de líderança da igreja primitiva de Jerusalém, onde fez discursos evangelísticos públicos (At 2–4). Participou da conversão de Cornélio (At 10). Esteve na assembleia em Jerusalém que discutiu as obrigações dos convertidos gentios (At 15). Duas epístolas, 1 e 2 Pedro, recebem seu nome. Um corpus de literatura petrina pseudoepígrafa e apócrifa elabora sobre a vida e ensinos de Pedro.

Não há registros neotestamentários ou históricos sobre o final de sua vida.

A tradição registrada a partir de 160 d.C. de que Pedro esteve em Roma não é corroborada por textos anteriores da igreja em Roma (1 Clemente, Justino Mártir, Ignácio de Antioquia, literatura marcionita, Papias, por exemplo). No entanto, no final do século II e início do século III surge essa tradição de sua estada e morte em Roma (Irineu de Lyon, Dionísio de Corinto, Clemente de Alexandria). Detalhes lendários sobre sua morte aparecem no Bellum Judaicum, uma paráfrase de Josefo escrita em latim no século IV e atribuída a certo Hegésipo, com relatos de uma perseguição em Roma movida por Nero na qual teria morrido Pedro.

Outra tradição diz que Pedro esteve em Antioquia e colocou seus sucessores lá. (Teodoreto. “Dial. Immutab.1, 4, 33a; João Crisóstomos. Homilia sobre Santo Ignácio, 4. 587). Essa versão é viva nas igrejas de tradições bizantinas e siríacas. Uma terceira tradição, a da Igreja do Oriente (erroneamente chamada Nestoriana) argumenta que Pedro passou seus últimos dias na Babilônia, de onde escreveu suas epístolas (Mar Odisho, Livro de Maranitha – A Pérola: Sobre a verdade do Cristianismo. 1298).

Charles Parham

Charles Parham (1873-1929) foi um ministro pentecostal americano e o fundador do movimento pentecostal.

Originalmente um pastor metodista influenciado pelo movimento de santidade, identificou o “batismo no Espírito Santo” como uma experiência distinta e separada da conversão e manifestado com o falar em línguas e outros dons sobrenaturais do Espírito Santo.

As igrejas diretamente influenciada por ele levaram o nome de Apostolic Faith.

Suas obras incluem “A Voice Crying in the Wilderness” (1902) e “The Everlasting Gospel” (1924).

Paulo

Paulo (Παῦλος), cujo nome significa “pequeno”, também chamado de Saulo (Atos 13:9), é conhecido como o apóstolo dos gentios e foi um dos principais propagadores e articuladores doutrinários da fé cristã durante o século I. Sua vida e missão são amplamente descritas tanto em suas próprias cartas quanto no livro de Atos, que dedica uma parte significativa à sua trajetória.

Paulo nasceu em Tarso, na região da Cilícia (Atos 9:11; 21:39; 22:3), como judeu da tribo de Benjamim (Filipenses 3:5) e cidadão romano (Atos 16:37-38; 22:25-29). Originalmente, era um fariseu zeloso pela tradição judaica e perseguidor dos cristãos (Gálatas 1:13-17; Filipenses 3; Atos 7-9). Contudo, sua vida mudou radicalmente após um encontro com Cristo ressuscitado na estrada para Damasco (Atos 9; 22; 26). A partir desse momento, tornou-se missionário dedicado à evangelização, especialmente entre os gentios, defendendo que estes poderiam receber a graça de Deus em igualdade com os judeus, pela fé em Cristo.

Como missionário, Paulo realizou extensas viagens pelo Mediterrâneo oriental, fundando igrejas e consolidando comunidades cristãs (Atos 7-28). Em suas epístolas, que compõem quase metade do Novo Testamento (treze de vinte e sete livros), abordou temas como a relação entre cristãos judeus e gentios, o papel da lei mosaica, a organização da igreja, a expectativa do retorno iminente de Cristo e a ressurreição dos mortos. Seus textos se tornaram pilares da teologia cristã.

Segundo a tradição, Paulo foi martirizado em Roma após apelar ao imperador, um evento narrado nos últimos capítulos do livro de Atos (Atos 21-28).

Pardes

Abordagem de interpretação bíblica judia desenvolvida na Idade Média, mas com raízes no período do Segundo Templo. Pressupõe que a cada passagem bíblica seja possível que haja quatro níveis interpretativos.

Os princípios ou abordagens do pardes são:

  • Peshat (esparramado) a denotação mais simples, óbvia e literal. Apesar de literal, leva em consideração as figuras de linguagem e pensamento facilmente reconhecíveis pelo leitor. Há preocupações filológicas, como a etimologia e gramática.
  • Remez (sugestão ou alusão) interpretações tipológicas ou alegóricas enfocando desde uma só letra, palavra ou perícope (trecho).
  • Derash (investigação) inferências de acordo com os middot, ou regras hermenêuticas, tais como as Sete regras de Hillel, as Treze regras do rabino Ismael ben Elias e as 32 regras do rabino Eliezer ben José ha-Galili.
  • Sod (oculto) a interpretação mística.

Das letras iniciais desses princípios surgiu o acrônimo PaRDeS, que coincide com o termo persa e hebraico paraíso. 

BIBLIOGRAFIA

Alves, Leonardo M. “Pardes: os níveis da exegese judaica” Ensaios e Notas, 14 de maio de 2020.

Pesher

Pesher é uma técnica exegética que aplica os significados de textos da Bíblia Hebraica para uma situação ou evento conteporâneo.

O termo, cuja raíz significa interpretar, aparece uma vez na Bíblia Hebraica “Quem é como o sábio? E quem sabe a interpretação (pesher) das coisas? A sabedoria do homem faz brilhar o seu rosto, e a dureza do seu rosto se muda”. Eclesiastes 8:1.

Seu termo cognato em aramaico peshar aparece 31 vezes na porção aramaica de Daniel, onde se refere principalmente à interpretação dos sonhos.

A técnica consiste de fazer um comentário interpretativo após uma citação bíblica. Entre os manuscritos de Qumran o pesher ganha autonomia como uma literatura separada do texto bíblico, com os pesharim “contínuos”. Essas obras citam um livro profético verso a verso com objetivo de ler eventos históricos e escatológicos nas profecias bíblicas.

Associada a essa técnica está o conceito de raz, que aparece nove vezes na porção aramaica de Daniel. O raz é a revelação divina sem sua interpretação. O raz é o primeiro estágio da revelação, mas permanece um mistério até sua explicação pelo peshar.

Em uma hermenêutica historicista, o pesher permite modificações do texto original citado para atender as necessidades teológicas ou interpretações da história por parte da comunidade.

Assim, o intérprete mudava a aplicação do texto conforme o desevolvimento do pensamento e interesse do argumento.

Alguns exemplos de exegese intra-bíblica são ao estilo do pesher. A interpretação das 70 semanas que Daniel faz de Jeremias, as muitas citações de Mateus, são exemplos disso.