Jordão

Rio Jordão, em hebraico יַרְדֵּן, jarda; em grego Ἰορδάνης, Iordanēs, é um rio que flui do Monte Hermom, atravessa o Mar da Galileia e depois até o Mar Morto.

O vale do Jordão separa as Planícies Costeiras e a Cordilheira Central, a oeste, das Terras Altas da Transjordânia e as Planícies da Jordânia, a leste.

É o maior rio de Israel, forma-se a partir de três afluentes perto do Monte Hermom. Esses afluentes – Bareighit, Hasbani e Banias – encontram-se no Lago de Hula. Daí são 215 quilômetros até o Mar Morto. Seus afluentes principais sãos o rios Jarmuque e Jaboque.

O Jordão é mencionado mais de 180 vezes no Antigo Testamento e 15 vezes no Novo Testamento. Apesar das tribos transjordânicas, marcava a fronteiras entre terras prometidas e territórios estrangeiros. A travessia do Jordão por Josué simbolizou o fim do êxodo e o início da conquista, marcado por pedras memoriais em Gilgal. Elias e Eliseu igualmente atravessaram miraculosamente o Jordão.

Seu vale fértil sustentou povoações ao longo da história, defendidas pelas suas muralhas naturais e localizações estratégicas. Entre essas localidades estão Dã, Hazor,Betsaida, Cafarnaum, Gilgal e Jericó. A atual nação Jordânia herdou-lhe o nome.

Heikki Räisänen

Heikki Räisänen (1941-2015) foi um teólogo luterano e biblista finlandês, com contribuições aos estudos do Novo Testamento.

Räisänen estudou Teologia pela Universidade de Helsinki, onde obteve seu Ph.D. em 1967. Foi pesquisador visitante em Harvard Cambridge e Tübingen; doutor honorário da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Uppsala. Foi professor pesquisador na Academia da Finlândia de 1984 a 1994 e professor de academia de 2001 a 2006. Ocupou vários cargos acadêmicos, inclusive como professor de estudos do Novo Testamento na Universidade de Helsinki, onde desempenhou um papel fundamental na formação do departamento.

Os pensamentos teológicos e acadêmicos de Räisänen seguem um rigor na interpretação bíblica. Conduziu uma ampla pesquisa sobre a teologia paulina, concentrando-se na relação entre Paulo e o judaísmo, a ética cristã primitiva e o conceito de fé nos escritos de Paulo. Räisänen questionou as interpretações dominantes e ofereceu perspectivas alternativas, enfatizando os contextos históricos e sócio-culturais em que surgiram os textos do Novo Testamento. Foi pioneiro nos estudos históricos-críticos do Alcorão. Estudou as crenças cristãs primitivas.

Ministro ordenado da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia, convivia com a dúvida e sentia-se agnóstico em vários pontos da fé cristã.

Escreveu livros para a popularização da Bíblia e de temas religiosos, influenciando os leitores finlandeses secularizados a lerem as Escrituras.

Religionsgeschichtliche Schule

A Religionsgeschichtliche Schule ou Escola de História das Religiões foi uma tendência de estudos cristãos da Alemanha do século XIX e início do século XX que buscava entender o desenvolvimento do cristianismo dentro de seu contexto histórico e cultural.

Os estudiosos da Religionsgeschichtliche Schule buscavam nas crenças e práticas religiosas de outras culturas e religiões para lançar luz sobre as origens do cristianismo. Pressupunham que o cristianismo não se desenvolveu isoladamente, mas foi influenciado pelas crenças e práticas religiosas de outras culturas e religiões.

Os membros da Religionsgeschichtliche Schule foram influenciados pelo trabalho de filósofos e estudiosos como Friedrich Nietzsche, Franz Overbeck e Wilhelm Dilthey.

Uma das figuras-chave associadas à Religionsgeschichtliche Schule foi Albert Schweitzer, que argumentou que Jesus deveria ser entendido como uma figura histórica que viveu dentro de um contexto cultural e religioso particular.

A Religionsgeschichtliche Schule foi controversa em seu tempo. Recebeu críticas de ser reducionista ao considerar a religião a um fenômeno cultural puramente humano, dependente de outras variáveis culturais. Foi criticada por suas generalizações, presumindo uma semelhança universal entre todas as religiões e por não levar em conta a diversidade dentro e entre as diferentes tradições religiosas. Também supervalorizam o mito, em detrimento de outros aspectos, como ritual, ética e teologia. Apesar do nome, a Escola da História das Religiões negligenciava a especificidade histórica ao atomizar elementos da religião fora de seu contexto histórico e cultural para fins comparativos.

Hastings Rashdall

Hastings Rashdall (1858-1924) foi um filósofo e teólogo anglicano inglês.

Rashdall iniciou sua carreira acadêmica na Universidade de Oxford, onde ganhou uma bolsa para estudar clássicos. Mais tarde, passou a estudar teologia e filosofia na Universidade de Marburg, na Alemanha. Depois de retornar a Oxford, tornou-se membro do New College e mais tarde atuou como professor de filosofia moral.

O pensamento teológico de Rashdall foi conexo com o evangelho social, que enfatizou a importância da justiça social e da reforma no cristianismo. Para ele, a fé cristã exige o compromisso de melhorar a vida dos outros e que a justiça social deve estar no centro da ética cristã.

As contribuições de Rashdall para a teologia cristã incluem seu livro “The Idea of Atonement in Christian Theology” (1919), no qual critica as teorias dominantes da expiação e defende uma compreensão mais ética e social do sacrifício de Cristo.

Discutiu sobre a relação entre religião e política, argumentando que o cristianismo requer um compromisso com a reforma social e que a igreja deveria estar ativamente envolvida no processo político.

O trabalho de Rashdall em ética inclui seu livro “The Theory of Good and Evil” (1907), que explora a natureza da bondade moral e defende uma compreensão pluralista dos valores éticos.

Rosemary Radford Ruether

Rosemary Radford Ruether (nascida em 1936) é uma teóloga e biblista cristã. Destacou-se na teologia feminista desde a década de 1970, vindo a desenvolver trabalho no ecofeminismo, que explora as conexões entre a dominação das mulheres e a exploração da natureza.

Ruether começou sua carreira acadêmica com graduação em línguas clássicas pelo Scripps College e doutorado em clássicos pela Claremont Graduate School. Mais tarde, obteve um segundo doutorado em teologia pela Pacific School of Religion. Ela ocupou cargos de professora em várias universidades, incluindo Howard University, Garrett-Evangelical Theological Seminary e Claremont Graduate University.

O pensamento teológico de Ruether é fortemente influenciado pela teologia da libertação e pelo movimento feminista. Argumenta que as estruturas patriarcais do cristianismo contribuíram para a marginalização das mulheres e a degradação do meio ambiente. Escreveu extensivamente sobre as interseções de gênero, raça e classe em teologia e ética, e tem sido uma forte defensora da justiça social e do ativismo ambiental.

As contribuições de Ruether para a teologia feminista incluem seu livro inovador “Sexism and God-Talk: Toward a Feminist Theology” (1983), no qual critica a teologia cristã dominante por sua exclusão das experiências e perspectivas das mulheres. Sobre ecofeminismo escreveu”Gaia and God: An Ecofeminist Theology of Earth Healing” (1992), que explora as conexões entre a opressão das mulheres e a exploração do meio ambiente.

Ao longo de sua carreira, Ruether tornou-se uma intelectual pública na conversa contínua sobre a relação entre religião, ética e justiça social. Foi reconhecida por suas contribuições com inúmeros prêmios e honrarias, incluindo o Prêmio Martin E. Marty da Academia Americana de Religião pelo Entendimento Público da Religião.