Glassitas

Denominação primitivista que existiu entre 1730 e 2000, iniciada por John Glas (1695-1773), ex-ministro da Igreja da Escócia (Presbiteriana), ao rejeitar o controle estatal sobre a Igreja. Para Glas, somente a Bíblia deveria guiar a Igreja.

Oficialmente chamada de Church of Christ (Igreja de Cristo), também é referida como Glassitas, Kail kirk (igreja da “sopa de repolho”), Sandemanianos, Glassite e Glasite.

HISTÓRIA
Em uma época que o estado governava a vida religiosa dos cidadãos, John Glas começou a pregar que ser cristão era um ato de fé individual e não imposição estatal. O grupo influenciado por suas pregações acabou expelido da Igreja da Escócia e formou as primeiras congregações independentes na década de 1730.

Robert Sandeman (1718-1771), genro de Glas, continuou o trabalho na Inglaterra. Depois organizou a igreja nos Estados Unidos, cuja comunidade principal localizava-se em Danbury, Connecticut. Depois de algumas perseguições por causa do pacifismo, alguns glassitas se refugiram no Canadá durante a Guerra de Independência Americana.

Nas décadas entre 1730 e 1830 os glassitas influenciaram vários outros pregadores e movimentos em um avivamento que percorreu a Grã-Bretanha, Irlanda e costa leste da América do Norte. Notoriamente, os irmãos Haldane estiveram associados e adotaram muito das práticas e doutrinas glassitas.

Entre as pessoas notórias de tradição glassita contam o ativista e pensador político William Godwin (1756 – 1836) esposo de Mary Wollstonecraft e pai de Mary Shelley; o químico e bibliotecário Charles Wilson Vincent (1837–1905) e o cientista Michael Faraday (1791 – 1867), que foi diácono e depois ancião glassita.

Supostamente pela rigidez de suas práticas, no final do século XIX a Igreja Glassita entrou em declínio. Sua última congregação nos Estados Unidos fechou em 1890. Em 1989 a última congregação em Edimburgo encerrou os cultos e seu último ancião morreu em 1999. Desde então, a igreja pode ser considerada extinta.

DOUTRINA
A igreja glassita não possuía credos. Considerava a Bíblia como a completa revelação e a perfeita guia para a religião cristã. Devida à sua adesão radical ao sacerdócio universal dos crentes, não possuiu teólogos autorizados ou textos representativos de sua teologia. Contudo, as práticas e os detalhes de sua doutrina podem ser inferidos pelos escritos de seus anciãos, principalmente de Glas e Robert Sandeman (1718 – 1771).

Os glassitas criam na salvação pela fé. A fé consistia em receber a obra redentora de Cristo, mas não uma adesão a uma proposição doutrinário abstrata. Contudo, muitos detratores de Sandeman o acusavam de ensinar que bastava a fé como assentimento para salvação. Apesar disso, presbiterianos e o batista Andrew Fuller, criticavam o movimento por não demandarem nenhuma coisa além da fé para o efeito da graça sobre o indivíduo. Em resposta a essas acusações, Sandeman registrou em seu epitáfio:

“Que a morte nua e crua de Jesus Cristo, sem qualquer pensamento ou ação da parte do homem, é suficiente para apresentar o principal dos pecadores imaculado diante de Deus.”

Para os glassitas o batismo deveria ser livre e consciente para expressar a fé de que fora liberto da corrupção e do pecado. Assim, rejeitavam que o batismo como um ato de inserção nos registros paroquiais, quer anglicano ou presbiteriano, fosse um verdadeiro ato de fé. Contudo, os glassitas batizavam suas crianças.

CULTO
Os cultos consistiam de orações, hinos e pregações realizados em salas de reuniões imaculadas, sem decorações ou imagens. Desafiando as leis escocesas da época, o hinário Hymns and Spiritual Songs foi o primeiro livro de cânticos publicado na Escócia a não conter somente salmos. Qualquer um guiado pelo Espírito Santo podia exortar a congregação ou orar de forma espontânea. Saudavam-se com o ósculo santo.

Os glassitas praticavam o ágape, uma refeição comum, que pelo hábito de servir sopa no ágape levou ao apelido de kail kirk — igreja da sopa de repolho. Ocasionalmente realizavam o lava-pés. A Santa Ceia era realizada com frequência, quando possível, nas tardes de domingo.

Sala de reunião glassita em Edimburgo fechada em 1989.

ORGANIZAÇÃO
O glassitas caracterizavam-se por uma horizontalidade. Crendo na igualdade de seus membros diante de Cristo e na guia do Espírito Santo, rejeitaram qualquer forma de governo exerno à Igreja, quer civil, quer clerical. Um grupo de ministros — anciãos e diáconos — servia em cada congregação, a qual era autônoma em suas decisões, finanças e disciplina.

Os ministros, eleitos sem considerar sua educação ou posição social, eram iguais em autoridade entre si e a igreja não os assalariava. Também recusavam títulos religiosos ou o uso de vestes clericais.

COMPORTAMENTO E VALORES
Os glassitas viviam por um código de conduta muito rígido. Abstinham-se da carne sufocada e do sangue, rejeitavam jogos de azar e diversões públicas, condenavam a avareza. Vestiam-se de forma casta e modesta. Não aceitavam comunhão ou se casar com membros de outras denominações. Recusavam a participar de guerras.

A comunhão da igreja era muito importante. Isso refletia nas refeições comunais, nas regras comunitárias de identidade e conduta, no atendimento aos necessitados.

Davam grande importância ao atendimento dos necessitados. Os diáconos administravam a coleta semanal para os pobres.

DEMOGRAFIA
A igreja glassita sempre foi pequena. Talvez nunca houvesse mais de quarenta congregações na Escócia, Inglaterra e nordeste dos Estados Unidos. Em 1799 sua maior congregação era o Tabernáculo de Glasgow, com cerca de 300 membros. Os cultos eram frequentados por muitos, mas poucos se tornavam membros.

LEGADO
O legado glassita hoje subsiste na influência outros movimentos religiosos.

Seu primitivismo foi transmitido às Igrejas de Cristo (movimento da restauração Campbell-Stone) nos Estados Unidos; e os Scotch Baptists, os Inghamite, os Walkerites e, notavelmente, o movimento dos Haldanes no Reino Unido. Indiretamente influenciaram o primitivismo entre vários grupos metodistas, os avivados galeses, os irmãos de Plymouth e mesmo algumas correntes pentecostais.

Sua insistência em separação entre Igreja e Estado iria influenciar a própria formulação desse doutrina nos Estados Unidos. A célebre carta de Thomas Jefferson aos batistas de Danbury, na qual aparece expressa essa posição, foi destinada a um público de uma cidade que velava pela liberdade religiosa das minorias diante da Igreja estatal puritana congregacional de Connecticut.

A hinódia evangélica anglo-saxã e, consequentemente, mundial é herança teólógica dos glassitas.

O avivamento continental e nas Ilhas Britânicas conduzido pelos irmãos Haldane foi outro legado. Sua simplificação doutrinária centrada na graça possibilitou a formação de congregações locais e denominações cujos critérios de membresia fossem somente a conversão pessoal, sem requistos burocráticos de um presbitério. Indiretamente, essa missiologia influenciou o ministério de Robert R. Kalley na Ilha da Madeira e no Brasil. A fundação e as atividades da Sociedade Bíblica foram também frutos de pessoas influenciadas pelos glassitas. Robert Haldane foi atuante na política editorial e nas edições e distribuição das Escrituras, além de ser o mentor de James “Diego” Thompson, pioneiro da distribuição da Bíblia na América Latina.

BIBLIOGRAFIA

Cantor, Geoffrey. Michael Faraday: Sandemanian and scientist: a study of science and religion in the nineteenth century. Springer, 2016.

Glas, John. Christian Songs : To Which Is Prefixed, the Evidence and Import of Christ’s Resurrection, Versified, for the Help of the Memory (version The 10th ed.). London : Printed for T. Boosey, 1796.

Glas, John. The Works of Mr John Glas : In Four Volumes. Edinburgh: Printed for Alexander Donaldson. Sold at London, by J. Richardson and E. Dilly, 1761.

Pike, Samuel. A Plain and Full Account of the Christian Practices Observed by the Church in St. Martin’s-Le-Grand, London, and Other Churches (Commonly Called Sandemanian) in Fellowship with Them. : In a Letter to a Friend. : [Three Lines from the Acts]. Eighteenth Century Collections Online. Boston: Printed by Z. Fowle, in Back-Street, for A. Butler, in Corn-Hill, 1766.

Smith, John Howard. The Perfect Rule of the Christian Religion; A History of Sandemanianism In the Eighteenth Century. Albany: SUNY Press, 2009.

Townsend, Shippie. An Inquiry Whether the Scriptures Enjoin the Kiss of Charity, As the Duty of the Disciples of Christ, in Their Church-Fellowship in All Ages. Eighteenth Century Collections Online. Boston, New-England.: Printed by Kneeland and Adams, for Nicholas Bowes, opposite the Old Brick Meeting-House, in Corn-Hill, 1768.

Rogerenes

Os Rogerenes foram uma pequena denominação fundada em 1674 por John Rogers (1648-1721) em New London, Connecticut e com congregações em New Jersey, nos Estados Unidos da era colonial. Os rogerenes caracterizavam-se pela liberdade de consciência, guia imediata pelo Espírito Santo, pacifismo e considerar todos dias igualmente santificados diante de Deus.

John Rogers era um mercardor afluente na colônia de Connecticut. Incialmente, foi influenciado pelos Batistas do Sétimo Dia e pela Sociedade Religiosa de Amigos (Quakers). Como outros dissidentes, Rogers rejeitava o controle compulsório da Igreja estabelecida congregacionalista puritana.

Em meados da década de 1670, John Rogers e sua família se uniram com os batistas do sétimo dia de Newport. John Rogers rompeu com os batistas do sétimo dia quando em 1677 dois anciãos recusaram batizar uma mulher com medo das autoridades puritanas. John Rogers batizou a mulher e se tornou ancião do grupo que se reunia em torno de sua pregação.

Os rogerenes, também conhecidos como Rogerene Quakers ou Rogerines, inicialmente observavam o sábado, mas com o passar dos anos começaram a considerar cada dia como igualmente sagrado.

O desdém pela adoração dominical muitas vezes os colocava em conflito em suas comunidades. Por vezes forçados a comparecerem aos cultos da Igreja Puritana, os rogerenes levavam materiais de trabalho como protesto. Várias vezes John Rogers e outros membros foram presos.

Mais tarde adotaram o pacifismo, incluindo resistência aos impostos de guerra. Suas convenções anuais pela promoção da paz se tornaram um centro para o movimento pacifista no estado.

Praticavam o batismo de adultos, acreditvam na cura pela oração. Como os quakers, seu culto era em silêncio, inclusive para as orações, mas com cânticos e pregações conforme sentissem guiados pelo Espírito Santo. Rejeitavam ministério remunerado – e certamente nenhum ministro sustentado por impostos. Não aceitavam edifícios separados exclusivamente para o culto público.

Foram abolicionistas dedicados e ativos na Underground Railroad.

O grupo nunca foi muito grande. Em Connecticut formaram as regiões de Quaker Hill em Waterford e Quakertown em Ledyard. Algumas famílias se estabeleceram no Condado de Morris, colonizando a região rural de Landing e Roxbury Township, New Jersey, perto do Lago Rogerine. Outro grupo menor de Rogerenes por volta de 1734 se estabeleceu na montanha de Schooley perto da Hackettstown, New Jersey.

Os serviços religiosos dos rogerenes continuaram provavelmente até o início do século XX em Connecticut, quando o grupo extinguiu-se.

BIBLIOGRAFIA

Lim, Susan (2008). “The Rise of the Rogerenes in Colonial New London”. Connecticut History. 47 (2): 237–51.

Lim, Susan (2013). “Evangelization in Print: The Writings of the Rogerenes of New London, 1677-1721”. Connecticut History. 51 (2).

Starr Brinton, Ellen (March 1943). “The Rogerenes”. The New England Quarterly. The New England Quarterly, Inc. 16 (1): 2–19. doi:10.2307/361127.

Quakers

Os Quakers, também conhecidos como Sociedade Religiosa de Amigos, são uma denominação cristã que se originou na Inglaterra em meados do século XVII. O movimento foi fundado por George Fox, que acreditava que todas as pessoas poderiam ter um relacionamento direto com Deus, sem a necessidade de intermediários como ministros.

Os testemunhos Quakers são um conjunto de valores e crenças que orientam o cotidiano dos Quakers. Esses testemunhos incluem simplicidade, paz, integridade, comunidade e igualdade. Os Quakers acreditam que esses valores são essenciais para viver uma vida significativa e gratificante.

  • Simplicidade é viver uma vida organizada e livre de excessos. Isso significa que os Quakers tentam viver de maneira sustentável e conscientes de seu impacto no meio ambiente.
  • A paz é trabalhar para um mundo livre de violência e conflito. Os Quakers acreditam na não-violência e estão empenhados em resolver conflitos por meio do diálogo e da negociação.
  • Integridade é viver uma vida honesta e verdadeira. Os Quakers acreditam que é importante agir de acordo com os próprios valores e princípios.
  • Comunidade é construir relacionamentos fortes com os outros e trabalhar para o bem comum. Quakers acreditam na importância de apoiar e cuidar uns dos outros.
  • Igualdade é reconhecer o valor inerente e a dignidade de cada pessoa. Os Quakers acreditam na igualdade de todas as pessoas e estão empenhados em trabalhar para um mundo onde todos sejam tratados com respeito e dignidade.

Um dos aspectos mais importantes do Quakerismo é a doutrina da Luz Interior. Cada pessoa tem uma conexão direta com Deus, que é acessível por meio da adoração silenciosa e da meditação. A Luz Interior está presente em todos e serve de guia para viver uma vida de acordo com a vontade de Deus. Os Quakers acreditam que essa conexão com Deus não se limita a nenhuma pessoa, grupo ou lugar específico, mas é acessível a todas as pessoas, independentemente de sua origem ou crença.

Nos cultos, espera-se que cada membro da reunião ouça Deus dentro de si e, se for compelido, contribua com o grupo para reflexão e consideração. Cada membro ouve as contribuições dos outros com atenção, em uma atitude de buscar a Verdade em vez de tentar prevalecer ou debater.

Samaritanos

Samaritanismo, em hebraico: שומרונים, shomronim, os guardiões, é uma religião abraâmica e povo originário dos antigos israelitas, cujo culto se concentra no Monte Gerizim (perto de Nablus e da antiga Siquém), orientado exclusivamente pela Torá (Pentateuco).

Nome e história

Os samaritanos são distintos dos samarianos (habitantes de Samaria, em hebraico shomerim). Conforme mencionado, seu centro fica ao redor do monte Gerizim, a meio caminho entre Jerusalém e a antiga Samaria. Samaritanos (em hebraico, shomronim) significa “guardiões”, no sentido de observadores da Torá. Embora os samaritanos historicamente nunca tenham considerado Samaria como seu centro político ou lugar sagrado, nas línguas ocidentais, houve uma fusão dos termos samaritano e samaritano desde que a Septuaginta traduziu ambas as palavras como οἱ Σαμαρῖται.

A história da origem dos samaritanos e da rivalidade com os judeus é cheia de dificuldades e bastante complexa.

A tradição samaritana traça suas origens nas tribos israelitas do norte que ocuparam a região desde a época de Josué. Segundo as crônicas samaritanas, o cisma entre o samaritanismo e o judaísmo foi causado quando o sacerdote Eli criou um santuário alternativo em Siló em oposição ao sacerdote Uzi, descendente de Fineias, o qual continuou com um tabernáculo no Monte Gerizim. As evidências arqueológicas atestam uma continuidade populacional que os fazem remanescentes das tribos do norte que sobreviveram a deportação pelo Império Neo-Assírio após a destruição do Reino de Israel. Em contraste com as linhagens zadoquitas em Jerusalém, seus sacerdotes eram aarônicos. Com a drástica redução de sua população e a extinção da linhagem aarônica de Eleazar em 1624, todos os samaritanos hoje são descendentes da linhagem de Itamar, filho de Aarão. No entanto, os três clãs também traçam suas linhagens paternas até as tribos de Manassés e Efraim.

No período do Segundo Templo, surgiu uma interpretação de 2 Rs 17:24-41, que dizia que os samaritanos serem um grupo étnico misto e culto idólatra originário dos povos trazidos pelos assírios no antigo reino do norte de Israel. No entanto, 2 Re 17:29 refere-se a “samarianos” e não a “samaritanos”. Além disso, é longa a história da presença de povos mistos e convertidos entre os judeus (por exemplo, Calebe, Rute, o povo que acompanhou os israelitas no Egito e os filhos de Moisés). Por fim, as evidências bíblicas indicam a continuidade do culto a Deus entre os povos do norte tanto no período de Josias (1 Cr 34:9) como no exílio (Jr 41:5); portanto, a divisão e hostilidade entre samaritanos e judeus são posteriores.

Evidências históricas apontam para uma divisão nos períodos persa e helenístico, consolidada no período asmoneu. Provavelmente houve um período de colaboração e reconhecimento mútuo, inferido pelas correspondências elefantinas e das recensões do Pentateuco dos judeus e dos samaritanos logo após o exílio. Algumas leituras do livro de Neemias e Esdras (Ne 13:28; Ed 4:2) permitem imaginar que por volta de 445 a.C. ocorreram conflitos entre os remanescentes da terra e os retornados do exílio que reconstituíram a comunidade de Jerusalém. A rivalidade era visível desde os períodos helenístico e macabeu, acentuada pela destruição do santuário e da cidade no monte Gerizim no ano 110 a.C. movida por João Hicarno.

O Novo Testamento atesta uma atitude ambivalente em relação aos samaritanos, mas deseja incluí-los na comunidade cristã (Mt 10:5, Lc 9:51-55; 10:25-37; Jo 4:9; At 8:4 -40). No século I, Josefo acusou os samaritanos de perseguir peregrinos judeus; espalhando ossos humanos no santuário de Jerusalém; e os judeus, por sua vez, de queimarem aldeias samaritanas.

Na Guerra de Kochba, os registros e livros samaritanos foram destruídos. A insinuação de que eram um povo mestiço e com um culto derivado da mistura com outras religiões fez com que os samaritanos desenvolvessem uma estrita endogamia.

Epifânio, João de Damasco e Nicetas mencionam a existência de quatro seitas samaritanas: essênios, sebuaeanos, gortenianos e dositeus. No entanto, quase nada se sabe sobre eles e, no 2º milênio, a comunidade aparece unificada.

A sinagoga mais antiga encontrada, a de Delos na Grécia (século II a.C.), tem uma inscrição que a associa ao Monte Gerizim, tornando-a uma sinagoga samaritana. A diáspora samaritana estava presente na Ásia Menor, Itália, Síria e Egito. Em algumas ocasiões, o número de samaritanos na Síria e no delta do Egito superou o de judeus, como comprovam os tributos arrecadados por comunidades religiosas.

Os séculos IV e V d.C. foram o apogeu numérico e político samaritano. No início do século IV, um sacerdote, Baba Rabba, liderou um renascimento religioso e social. Exceto por um breve período de independência durante a guerra contra os bizantinos, os samaritanos viveram sob a vontade de seus governantes. As guerras de 484, 529 e 566 contra os bizantinos resultaram em pesadas perdas para os samaritanos. Durante o período islâmico e as cruzadas, a comunidade samaritana diminuiu à beira da extinção, embora geralmente protegida pelos muçulmanos. A última comunidade significativa da diáspora, a de Damasco, se converteu ao Islã, enquanto algumas famílias se mudaram para Siquém no século XVII.

O censo da Palestina Britânica de 1922 registrou 163 samaritanos. Em 2021, 840 samaritanos viviam ao redor do Monte Gerizim e em Ḥolon perto de Tel Aviv. Eles são as únicas pessoas elegíveis para ter dupla cidadania israelense e palestina. Na década de 2010, devido a problemas genéticos, as autoridades dos samaritanas autorizaram a conversão e o casamento de pessoas não nascidas como samaritanas. Consequentemente, a comunidade aceitou alguns indivíduos da Itália e do Brasil.

Escrituras e Religião

Os samaritanos não aceitam nenhum texto bíblico além do Pentateuco. Notoriamente, a versão samaritana tem um mandamento do Decálogo para construir um altar no Monte Gerizim. Uma versão de Josué e duas crônicas samaritanas são essenciais para a comunidade, mas sem autoridade canônica. Uma coleção de reflexões didáticas, Tibåt Mårqe, também contém interpretações midráshicas do Pentateuco e eventos samaritanos.

A escrita é derivada do paleo-hebraico, diferente da escrita assurith (“quadrada”) adotada pelos judeus.Como resultado, existem diferenças de pronúncia entre o hebraico samaritano e o massorético e o hebraico moderno.

Eles observam os sacrifícios e festas do Pentateuco no Monte Gerizim. Os samaritanos acreditam na ressurreição e na vinda de um profeta (mas não é um messias ou divino), o Tahib.

BIBLIOGRAFIA

Knoppers, Gary N. Jews and Samaritans: The origins and history of their early relations. Oxford University Press, 2013.

Kartveit, Magnar. “Theories of the Origin of the Samaritans—Then and Now.” Religions 10.12 (2019): 661. ; https://doi.org/10.3390/rel10120661

Langlois , Michael (ed.). The Samaritan Pentateuch and the Dead Sea Scrolls. Contributions to Biblical Exegesis and Theology. Leuven: Peeters, 2019.

Tsedaka, Benyamim; Sullivan, Sharon, eds. The
Israelite Samaritan Version of the Torah: First English Translation
Compared with the Masoretic Version
. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2013.

“Exploring Samaritanism” Special Issue of Religions (ISSN 2077-1444), 2021.

História da Congregação Cristã

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Para um tratamento mais longo, consulte:

https://www.researchgate.net/publication/328292576_Congregacao_Crista_na_America_do_Norte_sua_origem_e_culto