Agora e ainda não

A escatologia agora e ainda não é um termo usado para descrever a tensão entre a realidade presente do reino de Deus e a consumação futura do reino de Deus. Enfatiza que o reino de Deus já foi inaugurado por meio da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, e que esse reino inaugurado agora está presente na vida dos crentes por meio da obra do Espírito Santo.

Ao mesmo tempo, porém, esta escatologia reconhece que o reino de Deus ainda não foi plenamente realizado e que há um aspecto futuro do reino que ainda está por vir. Esse aspecto futuro inclui o julgamento final, a ressurreição dos mortos, a renovação de todas as coisas e a plena realização do reinado de Deus sobre toda a criação.

O conceito decorre das Duas Eras presentes na Bíblia. Em hebraico- “ Olam hazzeh” que é “esta era” e “Olam Habah”, “a era vindoura.” O grego do Novo Testamento emprega essas mesmas duas divisões de tempo cerca de trinta vezes: “Aion ho houtos, “esta era” e “Aion ho mellon”, “a era do porvir”. A “Era vindoura” se sobrepõe a “esta Era” com a obra de Cristo em expulsar demônios e, especialmente, em sua ressurreição dentre os mortos. Enquanto a “era porvir” ainda está apenas em sua forma incipiente, pois o segundo advento virá no futuro em sua plena realização.

A escatologia “agora e ainda não” reconhece a tensão entre o já presente e os aspectos ainda não totalmente realizados do reino de Deus. Encoraja os crentes a viverem na realidade do reino de Deus agora, ao mesmo tempo em que espera seu cumprimento final no futuro.

Perichoresis

O termo grego perichoresis ou o latino circumincessio, ainda em português pericorese, reflete o conceito teológico de interpenetração mútua das pessoas da Trindade. Também pode ser traduzido como co-inerência ou comunhão divina. Denota algo estar-um-no-outro ou circunincessão das três Pessoas divinas da Trindade por causa da única essência divina, a eterno processão do Filho do Pai e do Espírito do Pai e (através do) Filho, e o fato de que as três Pessoas se distinguem apenas pelas relações de oposição entre elas. (Randall 2001). A perichoresis ilustra a unidade na diversidade.

O termo vem da palavra grega “perichoreo”, que significa “dançar” ou “interpenetrar”. O conceito de pericorese sugere que as três pessoas da Trindade compartilham uma habitação ou interpenetração mútua, de modo que cada uma está totalmente presente na outra. É uma relação dinâmica, harmoniosa e sem hierarquia.

O conceito de pericorese ganha saliência em Gregório de Nazianzo e João de Damasco. Neles o termo descreve a interpenetração das naturezas divina e humana em Cristo. Mais tarde, na Idade Média, teólogos como Tomás de Aquino usaram o termo para descrever a habitação mútua das três pessoas da Trindade.

O conceito de pericorese foi revisitado por teólogos como Jürgen Moltmann e John Zizioulas, que enfatizaram a importância do conceito para a compreensão da natureza de Deus e das relações humanas. Argumentam que o conceito de pericorese destaca a importância da unidade e da diversidade nas relações e pode servir de modelo para as relações humanas que buscam equilibrar individualidade e comunidade.

BIBLIOGRAFIA

Crisp, Oliver D.‘Problems with Perichoresis’ Tyndale Bulletin 56.1 (2005) 119-140.

Kasper, Walter. The God of Jesus Christ: New Edition. Bloomsbury Publishing, 2012.

Otto, Randall E. “The use and abuse of perichoresis in recent theology.” Scottish Journal of Theology 54.3 (2001): 366-384.

Rohr, Richard, and Mike Morrell. The divine dance: The trinity and your transformation. Whitaker House, 2016.

Deus e feminilidade

Deus na Bíblia aparece em termos tanto transcendentes quanto antropomorfos ou personificados. Em algumas passagens antropomorfas, Deus aparece com aspectos femininos, bem como em termos gramaticais femininos ou em metáforas femininas.

Algumas passagens notórias são: Deus como Espírito pairando com uma forma verbal com terminação feminina, מְרַחֶ֖פֶת m’rechephet (Gênesis 1:2). Ainda na criação, a Imagem de Deus no ser humano criado como macho e fêmea (Gênesis 1:26-27). Manifestam nas Escrituras ainda Deus poderoso com peitos e nutriz (El Shaddai) (Gênesis 17:2); Deus como mãe parturente (Eloah) (Deuteronômio 32:18; Isaías 49:15); Deus como mãe águia (Êxodo 19:4). A menção de Deus como mãe que amamenta aparece em Isaías 49:14-15; 66:9-13; Salmo 131:2; também possivelmente em Oseias 11:4. Uma passagem compreensiva de vários desses aspectos femininos é Jó 33:4, o qual pode ser traduzido como “A Espírito de Deus, ela me fez; e o fôlego de Deus que amamenta (Shadai), ela me deu vida”.

Deus também é descrito como uma mãe galinha em Mateus 23:37 e Lucas 13:34; Deus como uma mãe que conforta (Isaías 66:13), uma senhora (Salmo 123-2-3).

Quatro substantivos femininos são usados ​​no Antigo Testamento associados a Deus. O Espírito (Ruach) de Deus é uma hipóstase de Deus agindo no mundo. A Sabedoria (chokmah) de Deus é personificada com os propósitos de Deus, por vezes identificado como uma hipóstase ou identificado na tradição cristã com o Espírito Santo ou com o Verbo. A justiça de Deus aparece tanto na forma masculina (Tzedeq) quanto na feminina (Tzedakah). A Glória de Deus, Shekiná, também é tida por vezes como uma hipóstase ou indentificada com o Espírito Santo.

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Teologia dos Atributos

Santificação

A doutrina da santificação ou hagiologia é o estudo da transformação pessoal e social proporcionada pela fé em Jesus Cristo pela agência progressiva do Espírito Santo.

Individualmente, a santificação é um processo ao longo da vida que envolve o crente crescendo em maturidade espiritual e tornando-se mais semelhante a Cristo. Coletivamente, as várias formas da igreja cumprem o mandado de santificação ao espelhar-se em Cristo e buscar cumprir seus mandamentos conforme os ensinos nos evangelhos.

Geralmente são temas com maior importância em teologias da tradição ortodoxa grega e oriental, na tradição wesleyana (especialmente no movimento de santidade), pietista, anabatista e do movimento de Keswick.

Os tópicos típicos estudados na disciplina teológica da santificação incluem:

  • Os fundamentos bíblicos da santificação incluindo os papéis da fé, da graça e do Espírito Santo no processo. Como as Escrituras servem para o crescimento de fé e conduta (2 Tm 3:15-17), é natural busca nelas bases para subsidiar decisões éticas que afetem a santificação.
  • A natureza da santificação ou como como a santificação é alcançada, como é o processo e qual é o objetivo da santificação.
  • As concepções errôneas de santificação, tais como separatismo, legalismo, elitismo, falso moralismo, individualismo, egoísmo, buscar santificação pelo própri esforço, negligenciar o próximo e a criação na santificação.
  • A relação entre justificação e santificação, explora a conexão entre a retidão (ser justificado) pela fé e ser santificado pelo Espírito Santo.
  • Os meios da graça pelos quais os crentes podem crescer em santificação, incluindo oração, estudo da Bíblia, adoração, comunhão e serviço.
  • Os desafios da santificação que são os obstáculos e dificuldades que os crentes enfrentam no processo de santificação, incluindo pecado, tentação e conflito espiritual.
  • A santificação e ética ou das maneiras pelas quais a santificação molda o comportamento moral e ético dos crentes, enquanto buscam viver em comunhão e obediência à vontade de Deus.
  • A dimensão escatológica da santificação envolve explorar a relação entre a santificação e a esperança futura do crente, incluindo a ressurreição e a vida eterna.

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Inteira Santificação

Simul iustus et peccator

Midot

Midot, plural do hebraico midah, medidas, normas, são perfeições divinas ou os atributos bíblicos (isto é, inferidos nos textos bíblicos, não a partir da teologia natural ou da filosofia) que revelam o caráter de Deus.

Tradicionalmente, são contados como treze. Em comum salientam vários aspectos da graça: Deus é misericordioso; piedoso; tardio em irar-se; grande em beneficência; veraz; cheio em beneficência; que perdoa a iniquidade, e a transgressão e o pecado; sem leniência com o culpado e com a iniquidade. O conjunto também é chamado de 13 atributos da misericórdia.

Esse conjunto de perfeições é um texto recorrente no Antigo Testamento. Aparecem em Êx 34:6–7; Nm 14:18; Jl 2:13; Jn 4:2; Mq 7:18; Na 1:3; Sl 86:15; 103:8; 145:8; Ne 9:17. Esses versos são os mais aludidos internamente na própria Bíblia.

Teologicamente, essas perfeições são vistas em conjunto, como um mosaico, para revelar o caráter de Deus. Não ocorrem isoladamente uma das outras.

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