Duas ressurreições

As doutrinas de uma e duas ressurreições referem-se a diferentes pontos de vista sobre o momento e a natureza da ressurreição dos mortos, conforme descrito na Bíblia.

Doutrina da Única Ressurreição: afirma que haverá um único evento de ressurreição no qual todos os mortos, justos e injustos, serão ressuscitados simultaneamente.

Adeptos dessa perspectiva citam frequentemente João 5:28-29: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão, os que tiverem feito o bem para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal para a ressurreição do juízo”.

Esta posição é historicamente majoritária. Entre os aderentes estão os sistemas teológicos protestantes tradicionais e o catolicismo romano.

Doutrina das Duas Ressurreições: propõe que haverá duas ressurreições distintas. Há aqueles que creem que uma ressurreição será para os justos (crentes) e outra para os injustos (não crentes). Outra perspectiva é que a primeira ressurreição seja espiritual e a segunda corpórea (Agostinho, Cidade de Deus, 20.7).

Adeptos da perspectiva citam frequentemente Apocalipse 20:4-6: Esta passagem fala de uma “primeira ressurreição” para aqueles que têm parte na “primeira ressurreição” e uma subsequente ressurreição do restante dos mortos após o reinado milenar de Cristo. Outro trecho citado também é 1 Coríntios 15:20-23.

A doutrina das duas ressurreições está principalmente associada a certos ramos do pré-milenismo e do dispensacionalismo.

Na história do pensamento cristão, Orígenes ensinava alguma forma de duas ressurreições. A primeira seria um despertar da alma e (potencialmente) uma existência não corpórea. A segunda envolvia um corpo novo.

O pré-milenismo histórico geralmente localiza a primeira ressurreição na Segunda Vinda de Cristo, com a volta à vida dos justos em Cristo, para reinar com Ele por mil anos. No final desse período, os injustos ressuscitariam para enfrentar o juízo do Grande Trono Branco. Elementos dessa perspectiva aparecem em Orígenes, Justino e Tertuliano, mas somente com Vitorino de Pettau em seu Comentário sobre o Apocalipse (início do século IV) uma discussão substancial sobre as duas ressurreições aparece. Já entre adeptos do pré-milenarismo dispensacionalista há várias nuances.

Essa doutrina ganhou um renovo nas discussões escatólogicas entre evangélicos de língua inglesa do século XIX, especialmente entre milleristas e dispensacionalistas.

BIBLIOGRAFIA

Bruce, F.F. “The Earliest Latin Commentary on the Apocalypse,” The Evangelical Quarterly 10. (1938): 352-366. 

Edwards, Mark J. “Origen’s two resurrections.” The journal of theological studies 46.2 (1995): 502-518.

Jeffries, Cyrus. The Doctrines of the Two Resurrections, According to the Scriptures of the Old and New Testaments: The First Resurrection was the Second Coming of Christ, at the Destruction of Jerusalem ; when He Set Up the Gospel Kingdom on Earth, and Resurrected Mankind from the Graves of Trespass and Sins. The Second Or Final Resurrection, is that of the Spiritual Body at Death. United States, S.A. Wylie Book and Job Print, Inquirer Office, 1867.

Amalequitas

Os amalequitas eram os descendentes de Amaleque, que era neto de Esaú (Gn 36:15-16). Como povo, os amalequitas aparentemente eram nômades (talvez, o que os distinguia dos outros edomeus) que habitavam o território sul do Levante.

Os amalequitas foram os primeiros inimigos a atacar Israel em suas jornadas pelo deserto do Egito (Êx 17:8-16). Outras referências a eles sugerem que eram saqueadores proficientes de aldeias e comunidades agrárias (1Sm 30:1-20; Jz 6:1-6).

A injunção de exterminar os amalequitas aparentemente foi levada a cabo (Dt 25:17–18, Êx 17:14 e 1 Sm 15:3). Teriam sido extintos no reinado de Ezequias (1 Cr 4:43). Desse modo, não restam vestígios arqueológicos ou alusões extra-bíblicas a respeito dos amalequitas.

Na história israelita os amalequitas passaram a representar o inimigo arquetípico antissemita, como Hamã, no Livro de Ester.

Zoã

Zoã, em hebraico צֹעַן, tso’an, era uma cidade no nordeste do delta do Nilo, no Egito, perto da margem sul do Lago Menzalé. Hoje é a cidade de San el-Hagar e seu nome grego era Tanis.

Zoã estaria nas proximidades de Gosem, a região onde os israelitas viviam no Egito antes do êxodo. Salmo 78 identifica Zoã como o local das maravilhas no Egito (Sl 78:12, 43; cf. Êx 7:14–12:30), mas não é mencionada no livro de Êxodo. De acordo com Nm 13:22, Hebrom foi construída sete anos antes de Zoã.

A cidade foi a capital do faraó Sheshonq I (Sisaque), que atacou o reino do norte de Israel e recebeu tributo de Roboão do templo de Jerusalém (1 Rs 14:25-26; 2 Cr 12 :2–9). Nos juízos das nações, profetas condenaram a cidade (Is 19:13; Ez 30:14).

Irmãos do Senhor

As palavras para parentesco em grego e hebraico tinham conotações mais amplas. Em João 19:25, Maria, esposa de Clopas, é chamada também de “irmã”. Pode significar uma pessoa próxima, um amigo, um compatriota. Em Mateus 12:46-50,Lucas 8:19-21 a mãe e os irmãos de Jesus vieram a ter com ele, mas Jesus considera — de modo figurado, ou seja, com amplitude semântica maior — irmãos e irmãs todos que fazem a vontade de Deus. Assim, os contextos ditam o significado.

No texto bíblico não há dúvida que Jesus tinha irmãos. Mas quando em Mateus se diz que Jesus era filho do Carpinteiro e Maria e tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Judas (Mateus 13:55-56) e irmãs, está falando da mesma família, excluindo assim o gama semática de primos ou outro significado vaga para “irmãos”.

Em João 7:1-10, seus irmãos vão para o festival enquanto Jesus fica para trás. Em Atos 1:14, Seus irmãos e sua mãe são descritos orando com os discípulos. Gálatas 1:19 menciona que Tiago como irmão de Jesus. Mateus 12:46, Lucas 8:19 e Marcos 3:31 dizem que a mãe e os irmãos de Jesus vieram vê-lo.

Todas essas passagens não têm indicação de que possam ser lidas como ‘primo’ ou ‘parente’.

Evidências externas (historiadores como Josefo, Hegesipo e Sexto Júlio Africano) indicam que Jesus teve irmãos e alguns desses irmãos tiveram descedências registradas no século II.

Bartolomeu

Bar-Tolomai, “filho de Tolomeu” (Βαρθολομαῖος בַּר תַּלְמַי). Variantes do nome aparecem em Josefo. Antiquidades 20.1.1; 14.6.1,15.6. Guerra Judaica 1.16.5; bem como em Inscrições nabateias (Lidzbarski 1898, p. 386). O nome Talmai aparece no Texto Massorético para um dos filhos de Anaque (Nm 13:22; Js 15:14; Jz 1:10) e para um rei de Gesur e avô de Absalão (2 Sm 3:3; 13:37. 1 Cr 3:2).

Foi um dos doze apóstolos (Mt 10:3; At 1:13). Supõe-se que seria o mesmo que Natanael. Nos evangelhos sinóticos, Filipe e Bartolomeu são sempre mencionados juntos, enquanto Natanael nunca é mencionado; no evangelho de João Filipe e Natanael são mencionados juntos, mas não Bartolomeu.

Bartolomeu testemunhou Jesus ressurreto no Mar de Tiberíades (João 21: 2) e sua ascensão (Atos 1: 4, 12, 13). É tratado como um verdadeiro israelita (João 1:47).