Heilsgeschichte

Heilsgeschichte, em alemão “História da Salvação”, ou ainda “História da Redenção” designa tanto um princípio de interpretação da Bíblia quanto uma afirmação teológica a respeito da História universal. Teologicamente, é um modelo de economia de salvação. Também é um dos arcabouços que emoulduram a teologia bíblica.

Os antigos israelitas se interessavam pela história, não tanto pelos próprios eventos, mas por seus motivos e propósitos. Enquanto os israelitas viam sua história como um desenrolar da relação de aliança entre Israel e Deus, o pensamento cristão considerou os eventos narrados na Bíblia como atos de Deus para a salvação do mundo.

No Novo Testamento, a história de salvação era vista a partir da história de Israel. O arco narrativo do Antigo Testamento cumprido em Cristo aparece no caminho de Emaus (Lc 24:25-27), no discurso de Pedro em Pentecostes (Atos 2:17-36), na recapitulação da História de Israel por Estêvão (Atos 7) e com o tema dos tipos e profecias identificados em Cristo no evangelho de Mateus. Os escritos paulinos providenciam uma perspectiva cósmica a qual a História de Redenção afeta toda a criação (1 Co 15; Tt 2:11-15).

Como teologia da história e, ainda como posição historiográfica, a História de Salvação remonta desde a patrística. Os gnósticos (e Irineu em reação a eles) desenvolveram uma moldura histórica cósmica, extrapolando a história de Israel. Para alicerçar um propósito para uma sociedade critianizada, Agostinho articulou A Cidade de Deus já com alguns aspectos da História de Salvação.

No iluminismo houve uma separação entre história universal e história sacra a partir do aliancismo de Cocceius. A primeira seria objeto tanto da Historie quanto da Geschichte enquanto a segunda era fundada primordialmente na Geschichte. Em alemão Historie é a disciplina que se preocupa com os registros percebidos dos eventos. Já a Geschichte é a interpretação de eventos de forma compreensiva e disposta em forma narrativa. A Geschichte não é necessariamente uma reportagem dos eventos como “fatos que aconteceram”, mas sim dos seus significados, bem como aspectos não observáveis como relação de causalidade ou propósitos.

O auge da História de Salvação foi nos meados do século XIX na Alemanha. A combinação com o idealismo alemão, principalmente hegeliano, permitia conciliar problemas levantados pelos racionalistas com uma teologia bíblica.

Como uma formulação teológica, a História de Salvação foi uma perspectiva historicista proposta por J.T. Beck (1804- 1878). Beck combinou a dialética de Hegel com a noção de que os tratos de Deus com a humanidade exigiam uma conexão lógica entre os diversos eventos dessa revelação. A revelação seria progressiva e situada historicamente. Assim, enfatizou a importância de cada etapa do processo porque cada uma se tornou parte do todo.

O teólogo luterano Johannes Christian Konrad von Hofmann insistiu que uma visão teleológica da história, cada fase tem sua própria função independente da anterior. Contudo, Hofmann evitou um supersessionismo do Antigo Testamento em relação ao Novo Testamento. Em vez disso, a história de salvação revelada no Novo somente faz sentido à luz do Antigo. Pela Kenosis trinitária, quando o Eterno encontrou-se na História ao “esvaziar” em Jesus, houve um clímax que aponta para o fim de reconciliar o mundo inteiro com Deus com base em seu amor. A história mundial só pode ser entendida apropriadamente dentro da da história da salvação. No entanto, a história da salvação não seria uma parte da história mundial.

Heilsgeschichte extrapola as limitações do historicismo. Assim, teologicamente, rejeita-se relegar a Bíblia a um produto meramente humano e preso às contigências sociais e históricas de sua composição textual. Nessa linha, Oscar Cullmann interpreta os eventos nas narrativas bíblicas apontando para uma consciência crescente da obra salvadora mediante a intervenção de Deus na história. Portanto, no presente os crentes encaram um desafio divino de se posicionar-se no plano revelado de salvação.

Ainda no século XIX, o dispensacionalismo surgiu como uma perspectiva evangélica em língua inglesa em alternativa à Heilsgeschichte alemã como economia de salvação.

Outra alternativa apareceu na tradição reformacional holandesa, conforme apresenta Wolters. O kuyperianismo organizou a história da redenção em quatro temas universais: criação, queda, redenção e consumação. Este último é, por vezes, substituido por restauração. Tal narrativa justificava uma ideologia (apresentada como “cosmovisão cristã”) de domínio da Igreja (no caso, os reformados) sobre todas as esferas existenciais, em detrimento à teologia dos dois reinos luterana ou da separação do mundo anabatista. Assim, esse esquema reformacional ganhou contornos de ideologia política, com a formação do Partido Antirrevolucionário holandês para influenciar todos os domínios (ou em termos mais recentes “montes”).

A posição reformacional foi criticada por três problemas. Primeiro, com essa moldura universalizante excluía Israel, na melhor das hipóteses, da história de salvação, ou adotava um supersessionismo, tratando-o como uma nota de rodapé de uma aliança superada no esquema de salvação. Segundo, ao chamar por uma petição de princípio esse esquema ideológico de “a cosmovisão cristã”, excluíram-se tanto as interpretações intrabíblicas quanto as interpretações da história do pensamento cristão que situam a salvação dentro da dinâmica da Lei revelada a Israel e a graça operada em Cristo. Finalmente, o método empregado na posição reformacional de retirar e recontextualizar versos isolados da Bíblia (dicta probantia) pode gerar quaisquer enredos narrativos para a história de salvação, tal como já criticava Irineu contra tal abordagem pelos gnósticos.

Nos meados do século XX, as abordagens teológicas da História da Salvação foram informadas por avanços em teoria literária e teologia política.

O crítico literário Auerbach fez exame da totalidade do enredo das Escrituras canônicas e notou uma corrente de tipo e antitipo ligando diferentes passagens de uma forma coerente.

Nos anos 1970, as críticas de Hans Frei aos gêneros argumentativos das teologias colocou a teologia narrativa em destaque. Assim, a História de Salvação passou a ser vista como o enredo do conjunto canônico da Bíblia, como faz John Goldingay.

A teologia política de John Howard Yoder centrou-se na presença provocativa e reconcilatória da Igreja no mundo. Assim, a História de Redenção enfocaria no plano reconciliatório de Deus, sem apropriar-se de uma ideologia totalizante como meio de reivindicar um protagonismo na política mundana para a Igreja.

As malfadadas incursões políticas de cristãos em nome da Igreja foram justificados por esquemas ideológicos em formas de História de Redenção. Conforme aponta Soulen, essas ideologias encontraram justificativas para desconsiderar o povo de Israel e legitimar antissemitismos.

Em língua inglesa, o batista Eric Charles Rust utilizou o conceito de História de salvação para dialogar com a historiografia acadêmica. História de Salvação como historiografia ou modelo teológico ficaram mais claros a partir de sua obra.

Scot McKnight sumariza esses aspectos anteriores e propôs uma História de Redenção que considera a missão da Igreja, valorizando a igreja local e livre da tradição anabatista, bem como a integralidade textual bíblica. McKnight aponta que Deus criou o ser humano como co-regente da criação, mas a falha humana nessa missão deu lado para demonstrar o amor divino em um plano de reconciliação. Esse plano de reconciliação selecionou e abençoou Israel para que em Cristo fosse capacitada toda a humanidade para participar do Reino. McKnight não sugere que o esquema reformacional criação, queda, redenção e consumação seja falso, mas simplesmente não é a história principal ou completa da Bíblia.

Depois de seu pico entre círculos reformados e luteranos continentais, no final do século XX a História de Salvação encontrou pouca difusão entre correntes evangelicais. No começo do século XXI, tanto a reavaliação da teologia reformacional quanto do neoanabatismo reacenderam o interesse pela História de Redenção.

BIBLIOGRAFIA

Cullmann, Oscar. Christ and Time. The Primitive Christian Conception of Time and History. Westminster Presss, 1950.

Cullmann, Oscar. Salvation in History. New York: Harper & Row, 1967.

Croatto, José Severino. História da Salvação: A Experiência Religiosa do Povo de Deus. 2ª ed. Caxias do Sul: Paulinas, 1966.

Frei, Hans W. The Eclipse of Biblical Narrative: A Study in Eighteenth and Nineteenth Century Hermeneutics. New Haven: Yale University Press, 1974.

Frey, Jörg; Krauter, Stefan; Lichtenberger, Hermann. Heil und Geschichte: die Geschichtsbezogenheit des Heils und das Problem der Heilsgeschichte in der biblischen Tradition und in der theologischen Deutung. Mohr Siebeck, 2009.

McKnight, Scot. Kingdom conspiracy: Returning to the radical mission of the local church. Brazos Press, 2014.

Nugent, John C. The Politics of Yahweh: John Howard Yoder, the Old Testament, and the People of God. Vol. 12. Wipf and Stock Publishers, 2011.

Rust, Eric Charles. Salvation History a Biblical Interpretation. John Knox Press, 1962.

Rust, Eric Charles. Towards a Theological Understanding of History. 1967.

Soulen, R. Kendall. The God of Israel and Christian Theology. Minneapolis: Fortress Press. 1996.

Wolters, Albert M. Creation regained: Biblical basics for a reformational worldview. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2005.

VEJA TAMBÉM

Teologia bíblica

Crítica canônica

Interpretação Histórico-Redentora

Dispensacionalismo

Revelação progressiva

A Cidade de Deus

Teologia do Pacto

Aliancismo

Crônica Weidner

Crônica Weidner (ABC 19) ou Crônica de Esagila é uma composição literária em formato de carta, mas com elementos que lembram uma crônica ou anais. Contudo, não se trata de um registro de eventos, mas uma peça de propaganda política e religiosa.

O rei Damiq-ilišu de Isin (reinado entre 1816 e 1794, a.C.) escreve ao rei Apil-Sin da Babilônia (1830-1813 a.C.) sobre as bênçãos que os deuses concederam aos reis anteriores. Argumenta que foram abençoados porque sacrificaram ao deus supremo Marduk no santuário de Esagila na Babilônia. A maioria desses reis são do terceiro milênio, quando a Babilônia e o santuário provavelmente sequer existiam.

O tema da fidelidade real a uma divindade como meio de receber bênção encontra paralelos na literatura hebraica, especialmente na História Deuteronomista (Josué a 2 Reis) e nos livros das Crônicas.

Historiografia do Pentecostalismo

A historiografia do pentecostalismo discute as formas de estruturar a narrativa das origens e propagação dos movimentos de extração pentecostal pelo mundo.

O historiador Augustus Cerillo Jr. propõe uma tipologia das abordagens, frequentemente combinadas, para se construir a narrativa da história do pentecostalismo norteamericano e, por que não, do mundo:

  1. Abordagem providencial: vê o desenrolar da história como uma intervenção providencial insperada. As raízes e matrizes da emergência do avivamento e di movimento não são salientados. Na historiografia do movimento pentecostal italiano os testemunhos dos pioneiros (Ottolini, Francescon, Bracco, Rebuffo) adotam essa abordagem. De certo modo, De Caro promoveu a continuidade dessa abordagem.
  2. Abordagem das raízes históricas: enfatiza a continuidade histórica de outros movimentos antecessores, sobretudo do movimento de santidade. Podemos identificar sob essa abordagem obras como Dayton (1987) e Synan (1997). Na historiografia do movimento pentecostal italiano talvez Francesco Toppi seja o autor mais significativo.
  3. Abordagem multicultural: salienta a contribuição de minorias marginalizadas que encontraram na religião legitimidade para expressar suas espiritualidades. Normalmente são apontados como casos os afro-americanos e em menor grau hispânicos. Na historiografia do pentecostalismo italiano Coletti talvez caberia nessa abordagem.
  4. Abordagem funcional: busca na intersecção de fatores sociais, econômicos, políticos e culturais elementos para a explosão pentecostal. Migração e outros processos sociológicos também são levados em conta. A historiografia de Yara Nogueira parece caber nessa abordagem quanto à Congregação Cristã no Brasil.

Entre estudiosos do pentecostalismo há proponentes da preferência ou da legitimidade de cada uma dessas abordagens. Por exemplo, dado a própria visão de mundo e de história pentecostal, William Kay defende a abordagem providencial como uma perspectiva êmica. Por outro lado, Dale Irvin aponta para as narrativas fragmentárias sobre a origem pentecostal. Já Everett Wilson alerta contra o essencialismo histórico. Como mencionado, na prática, é comum historiadores combinarem mais de uma abordagem.

BIBLIOGRAFIA

Cerillo Jr., Augustus. “Interpretive Approaches to the History of American Pentecostal Origins”, Pneuma 19:1 (1997): 29–52.

Cerillo Jr., Augustus: Wacker, Grant. “Historiography and bibliography of Pentecostalism in the United States” Em Burgess, Stanely M- van de Maas, Eduard M. (eds). The New International Dictionary of Pentecostal and Charismatic Movements. Grand Rapids: Zondervan, 2002, pp. 382-405.

Dayton, Donald W. Theological Roots of Pentecostalism. Studies in Evangelicalism 5. Metuchen, New Jersey: The Scarecrow Press, Inc., 1987.

Kay, William. “Three Generations On. The Methodology of Pentecostal History,” EPTA Bulletin 11, no. 1+2 (1992): 58–70;

Kay, William. “Karl Popper and Pentecostal Historiography,” Pneuma 32, no. 1 (2010): 5–15.

Irvin, Dale T. “Pentecostal Historiography and Global Christianity. Rethinking the Question of Origins,” Pneuma 27,no. 1 (2005): 35–50.

Synan, Vinson. The holiness-Pentecostal tradition: Charismatic movements in the twentieth century. Wm. B. Eerdmans Publishing, 1997.

Wacker, Grant “Are the Golden Oldies Still Worth Playing? Reflections on History Writing Among Early Pentecostals,” Pneuma 8, no. 2 (1986): 81–100.

Wilson, Everett A. “They Crossed the Red Sea, Didn’t They? Critical History and Pentecostal Beginnings,” in Marray W. Dempster, Byron D. Klaus, and Douglas Petersen (eds.). The Globalization of Pentecostalism. A Religion Made to Travel. Oxford: Regnum Books International, 1999, pp. 85–115.

Primitivismo

“O cristianismo histórico primitivo deve ser sempre essencialmente normativo, e se tipos posteriores de religião divergem tanto do tipo primitivo que passam a considerar o que é encontrado no Novo Testamento mais uma vergonha do que uma inspiração a questão é se eles ainda podem ser reconhecidos como cristão.” — James Denney. The Christian Doctrine of Reconciliation, pp. 26-27.

O primitivismo é uma doutrina, atitude e ideal encontrado entre alguns grupos cristãos que veem na Igreja do Novo Testamento um parâmetro para ser seguido. Assim, doutrinas, regras de convívio, práticas de culto, organização de seus crentes, rejeição de “novidades” formam um conjunto de traços valorizados pelas comunidades primitivistas como replicando a primitiva igreja dos apóstolos.

O historiador Grant Wacker nota no primitivismo um anseio por pureza em doutrina, nas origens e no cumprimento de um mandado divino — tudo intocado pelas limitações e corrupções da existência ordinária.

Frequentemente o primitivismo demanda uma teologia da história para explicar sua própria existência. Nessa teologia há três tipos de narrativas. A primeira é a da fundação independente quando alguém ou um grupo honesto e cândido redescobre a eclesiologia dos cristãos primitivos, sem intermediários denominacionais ou de eruditos, por uma possível leitura pura da Bíblia. A segunda narrativa é a da sucessão marginal, pelo qual o grupo reivindica uma “história alternativa” de sucessão de grupos (montanistas, donatistas, paulicianos, valdenses e anabatistas são alguns favoritos), cuja ligação entre si e suas histórias são mal atestadas por serem grupos subalternos e perseguidos. Por fim, há a teologia restauracionista, no qual considera que em alguma fase histórica o cristianismo desviou-se totalmente e extinguindo-se, carecendo uma renovada dispensação ou revelação que restaurassem doutrinas, práticas ou eclesiologia do cristianismo autênticas do Novo Testamento.

Ordens medicantes medievais, o movimento joaquimita, os anabatistas (e a Reforma em geral por sua busca ad fontes de voltar aos princípios do cristianismo), os pietistas radicais (morávios, dunkers, metodistas primitivos), os batistas primitivos, o movimento de restauração (Igrejas de Cristo e Discípulos de Cristo), o movimento dos Irmãos (de Plymouth ou Casa de Oração), muitos grupos pentecostais e cristianismo indígenas esposam alguma forma de primitivismo.

A exclusão social e sua atração por classes populares fazem com que adeptos do primitivismo vivam em tensão com instituições da sociedade dominantes. Assim, muitos grupos rejeitam algumas profissões e educação avançada que os ponha em contato próximo com o mundo secular. Casamentos tendem a ser endogâmicos. O isolamento denominacional leva a não compartilhar o púlpito com ministros não filiados. Nesse ambiente, muitos desenvolvem uma mentalidade exclusivista de ser o melhor e o único representante fiel do cristianismo do Novo Testamento com base em seletos pontos de identidade do grupo.

Muitas críticas há em relação ao primitivismo. A imaginação idealizada sobre os primeiros cristãos leva a desconsiderar os problemas da Igreja primitiva. Faccionalismo, heresias e controvérsias são registrados no Novo Testamento. Adicionalmente, grupos primitivistas fazem uma leitura arbitrária das Escrituras para selecionar quais traços serem critérios de validade e comunhão. A atualização e contextualização de práticas e doutrinas do século I para o tempo presente também é seletiva. Por fim, a doutrina de Cristo e dos apóstolos preemptoriamente rejeita a comunhão de salvação com Deus com base em associação com um grupo, atitude comum em vários grupos insulares em nome de um primitivismo.

Com suas doutrinas, história e práticas próprias, o primitivismo deve ser reconhecido como uma legítima expressão da cristandade. Sua atitude anti-estabelecimento possibilita o exercício ativo do ministério e missão por segmentos diversos da população. O desejo honesto de moldar-se conforme os parâmetros bíblicos de vida em Igreja é um alerta contra a adição e supressão de elementos do cristianismo para se conformar detrimentalmente às exigências políticas e culturais dominantes nas sociedades locais.

BIBLIOGRAFIA

Bowman, Matthew. “Primitivism in America.” Oxford Research Encyclopedia of Religion. 2016.

Cameron, Euan. “Primitivism, Patristics and Polemic in Protestant Visions of Early Christianity.” Em Van Liere, Katherine, Simon Ditchfield, and Howard Louthan, eds. Sacred history: uses of the Christian past in the Renaissance world. Oxford University Press on Demand, 2012.

Hammond, Geordan. “Versions of Primitive Christianity: John Wesley’s Relations with the Moravians in Georgia, 1735-1737.” Journal of Moravian History 6.1 (2009): 31-60.

Hughes, Richard Thomas, ed. The American quest for the primitive church. University of Illinois Press, 1988.

Maximalismo e minimalismo

Nos estudos bíblicos, maximalismo e minimalismo referem-se a duas abordagens opostas para a interpretação histórica dos textos bíblicos.

O maximalismo considera que os textos bíblicos contêm uma quantidade significativa de informações históricas e que geralmente são fontes confiáveis para entender a história do antigo Israel. Os maximalistas geralmente presumem que os textos bíblicos foram escritos ou compilados por autores que tiveram acesso a fontes confiáveis de informação e que os próprios textos refletem uma realidade histórica.

O conhecido como o fundador da arqueologia bíblica William F. Albright era um proponente do maximalismo. Albright acreditava que os eventos históricos descritos na Bíblia poderiam ser verificados por meio de evidências arqueológicas. Seu aluno George Ernest Wrigh também acreditava na precisão histórica da Bíblia e na confiabilidade do registro bíblico. Por vezes, são chamados de Escola Albrighteana.

Em contraste, o minimalismo é a visão de que os textos bíblicos contêm muito pouca informação histórica e que não são confiáveis como fontes para a compreensão da história do antigo Israel. Os minimalistas geralmente presumem que os textos bíblicos foram escritos ou compilados muito tempo depois dos eventos que pretendem descrever, e que refletem preocupações teológicas e ideológicas em vez de uma realidade histórica. Seus proponentes são chamados de Escola de Copenhague. Seu expoente Thomas L. Thompson argumentou que a Bíblia é em grande parte uma obra de ficção que foi criada muito depois dos eventos narrados. Philip R. Davies é outro proeminente minimalista, para quem a Bíblia deveria ser lida como um produto de seu tempo, e não como um registro histórico. Niels Peter Lemche situa a redação da Bíblia como um produto do período persa e que muitas das histórias que ela contém são baseadas em mitos e lendas anteriores.

Vale a pena notar que a dicotomia maximalista/minimalista não é universalmente aceita. Muitos estudiosos não se encaixam em nenhum dos campos. Além disso, existem outras abordagens aos estudos bíblicos além do maximalismo e do minimalismo, como a crítica literária, a crítica feminista e a crítica pós-colonial, para citar apenas algumas.

Uma abordagem média é a de Israel Finkelstein. Embora não seja um maximalista no sentido estrito, Finkelstein é frequentemente associado à posição maximalista por causa de sua ênfase no contexto histórico da Bíblia e sua crença de que grande parte da narrativa bíblica seja baseada em eventos reais.