Mamon

Mamon (em grego μαμωνᾶς e em hebraico מָמוֹן) as riquezas ou sua personificação. O nome aparece em textos originalmente hebraicos (Sirácida 31:8; Pirkei Avot 2:12) ou de forma não traduzida em textos gregos (novamente Sirácida 31:8; Mt 6:24; Lc 16.9, 11, 13). Em aramaico aparece no Targum Jonathan Oseias 5:11; 1 Sm 8:3; 12:3b. Klein vê uma possível associação com אמן, confiança, firmeza.

Nas partes citadas de Mateus e Lucas, Jesus refere-se a Mamon como o apego idólatra às riquezas mundanas.

Joana, esposa de Cuza

Joana, a esposa de Cuza, mordomo de Herodes Antipas ao ser listada como uma das mulheres que “foram curadas de espíritos malignos e enfermidades” que acompanharam Jesus e os apóstolos, e “providenciaram para ele de seus bens” em Lucas 8: 2 -3.

Ela provavelmente era de Séforis (Lc 8:3), cidade a menos de seis quilômetros da pequena aldeia de Nazaré (cuja população variava entre 200 e 400 habitantes). Séforis era uma das cidades capitais de Herodes Antipas na Galileia, Séforis. Esta cidade possuía cerca de 30.000 habitantes. Situada estrategicamente próxima à Via Maris, era um centro de cultura e arte, construída conforme a arquitetura greco-romana.

Joana é citada entre as mulheres mencionadas em Lucas 24:10, que, junto com Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago, levaram especiarias ao túmulo de Jesus e encontraram a pedra removida e o túmulo vazio. Os relatos nos outros evangelhos sinóticos não mencionam Joana como parte do grupo de mulheres que observam o sepultamento de Jesus e testemunham sua Ressurreição.

Itureia

Itureia, em grego antigo Ἰτουραία e em latim Iturea, é uma região montanhosa entre a cadeia de montanhas do Líbano, o Antilíbano, a planície de Massias, cuja principal cidade era Cálcis. Durante os períodos hasmoneu, herodiano e romano foi uma região ocasionalmente autônoma.

Era habitada um povo semita semi-nômade, especulativamente identificados como descendentes de Jetur (Gn 25:15 e 1 Cr 1:31). A região é mencionada em Lc 3:1 em alusão a Filipe, tetrarca de Itureia.

Os itureus foram conquistados pelo rei hasmoneu Alexandre Janeu e foram forçadamente convertidos ao Judaísmo.

Seio de Abraão

A locução estar junto ao “seio de Abraão” é uma metáfora para (a) o eufemismo de “estar com os pais” ou a morte (Gn 15:15; 47:30; Dt 31:16); ou (b) estado intermediário ou final dos justos mortos (Lc 16:22).

A imagem deriva da posição de honra ocupada por um convidado em um banquete, reclinado junto ao peito do anfitrião. No contexto bíblico e intertestamentário, a locução passou a representar comunhão, descanso e acolhimento junto aos patriarcas.

No Antigo Testamento, a ideia aproxima-se do eufemismo “ser reunido aos pais” ou “dormir com os pais”, fórmulas empregadas para descrever a morte e o ingresso na comunidade ancestral dos falecidos. Essa concepção aparece em passagens como Gênesis 15:15, Gênesis 47:30 e Deuteronômio 31:16. O conceito não descreve com precisão um estado consciente após a morte, embora sugira continuidade da pertença familiar e tribal.

Nos judaísmos do período do Segundo Templo, a expressão adquiriu sentido escatológico mais definido. O “seio de Abraão” passou a indicar o lugar ou condição reservada aos justos após a morte. Em Lucas 16:22, o pobre Lázaro é conduzido pelos anjos ao seio de Abraão, em contraste com o tormento do rico.

A expressão “seio de Abraão, Isaque e Jacó” aparece em papiros funerários egípcios, como o papiro Preisigke Sb 2034:11. Outras menções encontram-se em 4 Macabeus 13:17, Apocalipse de Sofonias 9:2, Mishnah Kiddushin 72b e Midrash Gênesis Rabba 67. Esses textos revelam a consolidação da imagem como símbolo de repouso dos justos e comunhão com os patriarcas de Israel.

O termo “seio” traduz a ideia de proximidade e acolhimento. No grego do Novo Testamento, κόλπος (kólpos) pode designar o peito, o colo ou a dobra da veste sobre o peito. A expressão preserva, portanto, forte dimensão relacional e honorífica, associada à hospitalidade e à esperança escatológica.

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