Gaio

Caio ou Gaio. Nome de várias pessoas no Novo Testamento. Talvez sejam a mesma pessoa ou, ao menos, duas.

  1. Gaio companheiro de viagem de Paulo, junto com Aristarco, na Macedônia (At 19:29).
  2. Gaio, residente de Derbe, um dos sete companheiros de viagem de Paulo que esperavam por ele em Trôade (At 20:4).
  3. Gaio, residente de Corinto. Uma das poucas pessoas lá, além de Crispo e a família de Estéfanas, que foram batizados por Paulo ( 1 Co 1:14).
  4. Gaio anfitrião de Paulo quando ele escreveu a epístola aos Romanos (Rm 16:23).
  5. Gaio de Éfeso, a quem se dirige a terceira epístola de João (3 Jo 1).

Nova Perspectiva sobre Paulo

A Nova Perspectiva sobre Paulo ou Nova Perspectiva de Paulo é um conjunto de interpretações dos escritos paulinos à luz de diversas informações sobre o contexto histórico do período do Segundo Templo e bases linguísticas do grego bíblico.

Esta vertente argumenta que teólogos e biblistas contemporâneos foram enviesados pelas perspectivas e preconceitos dos reformadores magistrais acerca de Paulo e o judaísmo do Segundo Templo. O pressuposto era de que o judaísmo era uma religião que buscava justiça pelas obras, sem base na eleição do povo em aliança por Deus, mas com base em mérito e obras para ganhar o favor de Deus. Contudo, estudos históricos demonstraram que os judaísmos do Segundo Templo eram mais nuanceados e o conceito de graça também estava presente.

Embora não seja uma corrente unificada, desde os anos 1970 seus expoentes foram Krister Stendahl, E. P. Sanders, James D. G. Dunn, N. T. Wright e Paula Fredriksen. Em comum, esses autores argumentam que conceitos do protestantismo magistral das doutrinas acerca de obras e graça, fé em Cristo e expiação teriam de ser revistos. (Os anabatistas por terem sidos inspirados pela exegese de Erasmo, Zwinglio e Karlstadt desenvolveram tradições teológicas distintas acerca desses tópicos).

Enquanto as interpretações fundamentadas na Reforma magistral entende a justificação como a fé do indivíduo em Cristo como o meio de ser declarado justo diante de Deus, proponentes da Nova Perspectiva se concentram no contexto social e histórico em que Paulo estava escrevendo.

Nesse contexto, o papel da lei judaica e da identidade judaica em sua compreensão do evangelho. A mensagem de Paulo não seria uma rejeição do judaísmo, mas sim uma redefinição da identidade judaica à luz de Cristo.

Argumentam que o entendimento tradicional da justificação é baseado em um mal-entendido do uso do termo “justificação” por Paulo. Em vez de se referir à posição legal de um indivíduo diante de Deus, “justificação” nos escritos de Paulo se refere à declaração de Deus de que alguém é um membro de seu povo da aliança, e não um membro da lei judaica.

A principal preocupação de Paulo não seria com a salvação individual, mas com a unidade da igreja, particularmente a inclusão dos crentes gentios. Eles argumentam que a ênfase de Paulo na fé em Cristo não era para ser um meio de salvação pessoal, mas sim um meio de inclusão na comunidade da aliança.

BIBLIOGRAFIA

Dunn, James D.G. The New Perspective on Paul: Collected Essays. Tübingen: Mohr Siebeck, 2005.

Pietersen, Lloyd. “Paul, Nachfolge Christi and Gelassenheit: Reading Paul with the Radical Reformers.” Anabaptism Today 4.1 (2022).

Listra

Listra, em grego Λύστρα, era uma cidade da Licaônia. No século I passou a fazer parte do sul da província romana da Galácia, região central da Anatólia.

Paulo e Barnabé pregaram na cidade. Depois de uma cura miraculosa, o povo quis adorá-los pela manhã. No entanto, depois de algumas horas tentou apedrejá-lo, na mesma noite (Atos 14:6-21).

Diatribe

Figura de linguagem e tática retórica de representar as ideias ou falas de um interlocutor para discutí-los de modo agressivo para censura, ridicularização ou refutação.

No diatribe o orador presume a presença de um oponente. Sem permissão para responder, a posição do oponente é indicada por declarações ou perguntas retóricas colocadas em sua boca pelo orador.

Serve para fazer objeções hipotéticas e conclusões falsas ou redução ad absurdum.

Notoriamente, Rudolf Bultmann fez sua dissertação doutoral sobre o tema relacionado à retórica paulina. Essa obra padrão apresenta o diálogo imaginário na diatribe. As respostas do oponente são frequentemente tolas e são sumariamente rejeitadas pelo orador.

Nos escritos paulinos aparece notavelmente em Rm 1-11; 1 Cor 6: 12-20; 15:29-41; Gal 3:1-9, 19-22. Outro livro recheado de diatribes é a epístola de Tiago. Há frequentes indícios de diatribes de Jesus com seus interlocutores, principalmente os fariseus (cf. Lc 7:34).

Nos textos paulinos algumas frases indicam a diatribe “de modo algum”, “de modo algum”, “de fato não ”, ou “de forma alguma”. Geralmente são precedidos por peguntas retóricas ou declarações que depois serão disputadas pelo próprio Paulo.

Tradicionalmente fazia parte da oratória popular de filósofos cínicos e estóicos.

BIBLIOGRAFIA

Bultmann, Rudolf Karl. Der Stil der paulinischen Predigt und die kynisch-stoische Diatribe. 1910.

Burk, Denny. “Discerning Corinthian Slogans through Paul’s Use of the Diatribe in 1 Corinthians 6:12–20.” Bulletin for Biblical Research 18, no. 1 (2008): 99-121.

Schmeller, T. “Paulus und die ‘Diatribe’,” NTA 19, Münster, Aschendorff, 1987.

Stowers, Stanley K. The Diatribe and Paul’s Letter to the Romans. SBLDS 57; Chico Ca.: Scholars Press, 1981.

William Wrede

William Wrede (1859-1906) oi um teólogo e biblista luterano alemão, enfocano nos estudos do Novo Testamento.

Wrede nasceu em Bücken, Baixa Saxônia, e estudou teologia nas universidades de Göttingen, Tübingen e Berlim. Tornou-se professor de teologia em Breslau em 1890. 

Em seu livro “O Segredo Messiânico” (1901) argumentou que o Evangelho de Marcos foi escrito com uma técnica literária deliberada e distinta: o retrato de Jesus como um Messias que comanda seus discípulos a manter sua verdadeira identidade um segredo até depois de sua morte e ressurreição. Segundo Wrede, esse “segredo messiânico” foi uma forma de Marcos explicar o fato de Jesus não ter sido reconhecido como o Messias durante seu ministério terreno.

Outro foco era os estudos paulinos. As cartas de Paulo não pretendiam ser tratados sistemáticos sobre teologia, mas sim cartas pessoais e pastorais abordando questões específicas nas comunidades para as quais foram escritas. Wrede também enfatizou a importância do contexto histórico na compreensão dos escritos de Paulo e criticou as tentativas de construir uma teologia “sistemática” baseada apenas nas cartas de Paulo.

Segundo Wrede, Paulo não se preocupava com a salvação pessoal e individual como ocorre na ênfase moderna acerca da mente e da alma. Em vez disso, ele estava preocupado com como Deus salva uma comunidade que inclui pessoas judias e não judias, a essência da verdadeira redenção. Para Paulo, a redenção significava libertar-se da dominação angélica, poderes e autoridades, o que significava libertar-se da lei. Portanto, a justificação pela fé não seri central para a doutrina de Paulo. Para Paulo, a justificação pela fé falava de duas questões: como um gentio se tornava cristão (seguidor do messias judaico) e qual era o caminho para a salvação.

Além de suas contribuições à crítica bíblica, Wrede também escreveu sobre tópicos como a história do cristianismo primitivo e o desenvolvimento do cânon do Novo Testamento. Era um membro da “Escola de História das Religiões”, um grupo de estudiosos que buscava entender o Cristianismo como um produto de seu contexto histórico e cultural.