A Inscrição da Cidadela de Amã (KAI 307) é um artefato encontrando na antiga capital dos amonitas, datada do século VIII a.C.
Descoberta em 1961 na Cidadela de Amã e publicada vez em 1968 por Siegfried Horn, a Inscrição seria proveniente do templo-fortificado dos amonitas, na atual Amã, capital da Jordânia.
A inscrição é esculpida em um bloco de calcário branco de aproximadamente 26 × 19 cm, com partes da inscrição perdidas, nos lados direito e esquerdo. A maioria das letras são claramente visíveis e a pedra tem poucos vestígios de erosão. Contém oito linhas. Nas oito linhas aparecem 93 letras em estimadas 33 palavras em língua amonita, uma variante do contínuo linguístico cananeu.
[… Mi] lcom construiu para vós as entradas da cidadela […]
[…] que todos os que te ameaçam certamente morrerão […]
[…] Certamente destruirei, e todos os que entrarem […]
[…] e entre todas as suas colunas os justos habitarãoo […]
A Instrução de Amenemope é uma obra de literatura sapiencial egípcia que contém orientações de um pai para um filho, encontrado em um papiro datado entre o século X ao VI a.C.
Amenemope seria um funcionário público, “supervisor dos grãos” e instrui seu filho, Hor-em-maa-Kheru.
Possui paralelos com Pv 22:17-24:22. Constitui um testemunho importante das fontes empregadas na composição das Escrituras e de circulação de ideias no Antigo Oriente Próximo (cf. 1 Re 4:29-31). Como no livro de Provérbios, a Instrução de Amenemope contém um prólogo, máximas e um epílogo.
Provérbios
Amenemope
Tema
22:17-18
3:9-11, 16
Apelo para ouvir
22:19
1:7
Finalidade da instrução
22:20
27:7-8
Os provérbios para o conselho
22:21
1:5-6
Aprendendo uma resposta digna
22:22
4:4-5
Não roube um vulnerável
22:24
11:13-14
Evite amizade com pessoas violentas
22:25
13:8-9
Fuja da armadilha
22:28
7:12-13
Não remova os marcos
22:29
27:16-17
Escribas habilidosos serão cortesãos
23:1-3
23:13-18
Coma com cuidado diante de uma pessoa importante
23:4-5
9:14-10:5
A riqueza voa como um pássaro
23:6-7
14:5-10
Não coma a comida de uma pessoa mesquinha
23:8
14:17-18
Resultados de vômito
23:9
22:11-12
Não fale antes de qualquer um
23:10-11
7:12-15; 8:9-10
Não remova marcos de viúvas
24:11
11:6-7
Resgate o condenado
Os únicos versículos em Provérbios 22:17-23:14 sem paralelo em Amenemope são: 22:23, 26, 27; 23:13, 14.
Este poema didático egípcio, ambientado na XII Dinastia, no qual o rei Amenemés (Amenemhet ou Amenemate) I (falecido em c.1947 a.C.) oferece conselhos a seu filho Sesóstris I.
Essa literatura instrucional (do mesmo gênero literário das instrução de Amenemope) contém semelhanças com livro de Provérbios, como as instruções da mãe do Rei Lemuel.
O texto foi preservado em diversas fontes. Um deles é o Papiro Millingen, hoje perdido; outros papiros fragmentários; três tábulas de madeira e mais de 60 óstraco. Tal popularidade indica que o texto era utilizado tanto como instrução moral quanto exercício de escrita.
Amenemés alerta contra a confiança demasiada e os riscos das conspirações palacianas.
As inscrições proto-alfabética são registros epigráficos (em superfícies duras) de inscrições em rocha (rupestre), objetos de metais ou em óstracas (cacos de cerâmicas) datados da Idade do Bronze ou do início da Idade do Ferro com sinais que possivelmente antecedem as escritas semíticas e o plenamente desenvolvido abjad (alfabeto) fenício ou paleo-hebraico.
As principais inscrições encontram-se na Península do Sinai e no sul do Egito. Inscrições dessa fase e semelhantes mas em território mais central ou ao norte na Palestina são chamadas de inscrições proto-cananeias ou proto-cananeu.
A falta de padronização dos caracteres, a ausência de textos longos, a ausência de abecedários indicam uma cultura parcialmente letrada e limitada a usos epigráficos.
Seguem as apresentações das inscrições antigas proto-alfabéticas e outras transicionais.
Wadi el-Hol
O sítio arqueológico de Wadi el-Ḥol consiste de um conjunto de inscrições rupestres e vestígios dos caravançarás na rota da estrada Farshut, entre a antiga Tebas e Abidos, no sul do Egito.
As inscrições variam dos períodos pré-dinástico ao copta, sendo a maioria pertencente ao Império Médio (ca. 2050 – 1750 a. C.). A maioria das inscrições registra nomes e títulos, mas outras são mais longas com textos religiosos e literários.
Em 1999 foi anunciada a descoberta de duas inscrições relevantes para a história da escrita. As inscrições WHRI 08 e WHRI 01 podem ser datadas do reinado de Amenemés III (c.1839-c.1815 a.C) e teriam sido escritas por estrangeiros (mercenários ou mercadores) semíticos. As inscrições possuem caráter acrofonéticos, visivelmente derivados da escrita egípcia. Contudo, o caráter esparso dos caracteres impedem a leitura como um texto, embora haja algumas tentativas conjecturais de interpretação. Pelas semelhanças com as inscrições proto-sinaíticas e com as posterior escrita fenícia, é possível que sejam inscrições semíticas.
Proto-sinaítico
O proto-sinaítico são cerca quarenta inscrições e fragmentos, entre 27 e 29 caracteres de uma língua pouco atestada, mas definitivamente da família semítica, datadas de entre c.1600 e 1500 a.C.
A maioria das inscrições proto-sinaíticas foi encontrada em Serabit el-Khadim, uma montanha de difícil acesso na Península do Sinai. Lá, na fase final da Idade do Bronze, houve uma mina templo egípcio dedicado a Hathor.
As primeiras dez inscrições foram descobertas em 1905 por William Flinders Petrie. Em 1916 Alan Gardiner decifrou os primeiros caracteres, descobrindo valores fonéticos pelo princípio da acrofonia. Por esse princípio, o som inicial do objeto representado por cada signo dá seu valor fonético.
Inscrições proto-canaanita
Várias inscrições breves em caracteres proto-cananeus ou proto-fenício foram encontrados em Siquém, Gezer, Tel al-Ḥāsī, Tel al-ʿAjūl, Tel Zayit, Beth-Shemesh, Megiddo, Tel Rehov, Tell Beit Mirsim e Láquis. As datas propostas para essas inscrições variam do século XV a.C. ao IX a.C.
Tel el-Hesi (al-Ḥāsī ou el-Hesy) é um dos primeiros e principais sítios arqueológicos escavado na Palestina. Foi explorado por William Flinders Petrie (1890) e Frederick Jones Bliss (1891-1892). Identificado, sem sucesso, com as localidades bíblicas de Láquis e Eglom, durante a Idade do Bronze teria chegado a 100 mil m2 de área urbana. Em um caco de cerâmica foram identificados três caracteres que aparentam ser contemporâneos de fragmentos de Tel el-Saren (fragmento de Rehov) com seis letras reconhecíveis, ambas datando de 1400 a.C.
A inscrição de Tel es-Safi foi encontrada em 2005 na possível cidade bíblica de Gate, em território filisteu. A data da inscrição é da Idade do Ferro IIA (1000–925 aC). Fragmentos cerâmicos contém sete caracteres proto-cananeus.
Um dos candidatos mais antigos a uma escrita alfabética é um escaravelho de Tel Abu Zureiq, no vale de Jezreel. Encontrado em uma tumba da Idade do Bronze e datado da 13a-15a dinastias. Em seu lado chato aparece um homem e quatro signos que não há consenso se são hieroglíficos ou alfabéticos.
O caco de Gezer foi descoberto em 1929 com três caracteres. Tanto por razões de estratigrafia quanto pelo estilo da cerâmica é difícil datar o artefato. Também em Tel Gezer um conjunto de jarros contém iniciais com um único caracter. Igualmente, são de datas incertas.
A rocha de Zayt, encontrada em 2005, no sítio arqueológico de Tel Zayit, na Sefelá, contém um série de caracteres que foram interpretados como o mais antigo abecedário completo em paleo-hebraico ou proto-cananeu, ainda que com pequena variação na ordem.
A placa de Siquém também possui um potencial para ser testemunho da escrita alfabética na idade do Bronze, pois há uma figura de homem com um manto pesado típico da época.
O jarro de Tel Nagila descoberto na década de 1960 é outro candidato a antiga inscrição alfabética, mas com datação incerta.
Em 2020 foi publicado um caco de um jarro encontrado em Khirbet al-Ra‘i com nítidos caracteres proto-cananeus datados do século XI a.C. É chamado de “jarro de Jerubaal” pela possível leitura desse nome. Os caracteres completos são somente R-B-‘-L, o que permite diversas leituras.
‘Izbet Sartah Ostracon
Descobertos em 1976 em um sítio que pode ter sido a Ebenezer bíblica e são datados de entre os séculos XIII e XII a.C. São já inscritas em paleo-hebraico ou fenício arcaico e aparentam ser um exercício de alfabetização, com um possível indicação de um abecedário na ordem usual semítica. A semelhança dos caracteres permite inferir uma fase intermediária entre as inscrições proto-alfabéticas e a escrita fenícia padronizada.
Pontas de Flecha de al-Khadr
Cinco pontas de flecha, inscritas com letras do alfabeto fenício arcaico ou cananeu antigo, foram encontradas perto de Belém e publicadas entre 1954 e 1980. Datados de cerca de 1100 –1050 a.C, essas inscrições fornecem testemunho tanto da alfabetização quanto da religião da deusa Leoa na região, pois é recorrente a frase ‘Abd-labi’t (“servo da Leoa”), expressão que também ocorrem em Ugarit.
O uso restrito no espaço e tempo dessas inscrições em pontas de flechas foi interpretado como uma moda local ou um uso ritual (belomancia, cf. Ez 21:21).
Também atesta uma fase transicional entre a escrita proto-sinaítica e o abdjad fenício.
Tel Lachish
No sítio arqueológico de Láquis (Tel Lachish), no sul da Judeia, há alguns artefatos que atestam a transição do proto-alfabeto sinaítico para a escrita fenícia ou cananeia e com características da escrita hierática egípcia.
Um fragmento de um vaso cerâmico recipiente de leite originário do Chipre (White Slip II), datado do século XV, foi anunciado em 2021 como uma transição da escrita hierática e o proto-sinaítico ou proto-cananeu.
Nesse sítio foi encontrado o Punhal ou Adaga de Láquis (n.33) em no túmulo 1502 em 1934. No local há uma inscrição do nome de Ramsés III. A adaga de bronze exibe quatro sinais que poderiam ser alfabéticos.
Considerações
As inscrições proto-alfabéticas semíticas atestam a origem da escrita a partir de decodificações populares dos caracteres hieroglíficos e hieráticos egípcios. Essa apropriação leiga provavelmente aconteceu durante o Império Médio Egípcio e propagou-se pelo Levante no final Idade Média do Bronze e no Segundo Período Intermediário egípcio, época dos hicsos no norte do Egito. Somente a partir da Idade do Ferro inicial que essas escritas popularizaram em território cananeu.
As inscrições não atestam o uso de um abecedário, como acontecem com os cuneiformes ugaríticos (século XIV) e, disputadamente, os abecedários semíticos da Idade do Ferro (século XII a.C. para ‘Izebt Sartath e c.1000 a.C. para os abecedários de Abecedário de Zaiyt e Inscrição de Ophel).
A direção da escrita e a orientação dos caracteres não aparecem padronizados nas inscrições proto-alfabéticas. Frequentemente os mesmos caracteres aparecem em direções diferentes dentro de uma única inscrição. Mais tarde, a padronização linear da escrita permitiu aos povos semíticos do Levante a elaborar textos mais longos e complexos. No caso da escrita proto-alfabética a falta de padronização demonstra uma transmissão folk e criativa, indicando a perspicácia de seus inscritores em reproduzir — de uma forma adaptada para seu horizonte linguístico — a complicada escrita egípcia. Atesta também a inexistência de uma cultura escribal, com suas padronizações e meios formais de transmissão da cultura letrada.
As inscrições proto-alfabéticas demonstram a antiguidade da escrita abjdad e da existência de cultura semi-letrada epigráfica. A continuidade desse modelo de letramento ocorre, por vezes, nos mesmos sítios, com sobreposições de outras escritas (copta, grega, romana, thamúdica, tifinagh). Contudo, não há correlação causal necessária entre desenvolvimento de escrita epigráfica e a emergência de um corpus de literatura escrita. Os exemplos do árabe do norte (thamúdico e safaítico) e do bérbere (tifinagh) atestam uma preferência oral por milênios para a transmissão de uma complexa literatura mesmo quando a sociedade já era conhecedora do alfabeto.
BIBLIOGRAFIA
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Woods, Christopher, and Christopher E. Woods. Visible language: inventions of writing in the ancient Middle East and beyond;[in conjunction with the Exhibition Visible Language: Inventions of Writing in the Ancient Middle East and Beyond]. Oriental Institute of the University of Chicago, 2010.
Isabel ou Elizabete, em hebraico אֱלִישֶׁבַע, Ελισάβετ, “Deus é meu juramento” ou “Deus é minha abundância”. Aparece no Evangelho de Lucas (1) como a mãe de João Batista e esposa de Zacarias
O casal era idoso e não teve filhos. Zacarias era sacerdote e recebeu uma revelação do arcanjo Gabriel que teriam um filho.
Isabel era aparentada com a Virgem Maria (1:36). Gabriel disse a Maria que embora Isabel fosse estéril, nada é impossível diante do Senhor (1:36). Maria visitou a parente e quando Isabel ouviu a saudação de Maria o menino a pulou em seu ventre (1:41). Isabel abençoou Maria e seu filho, sendo a primeira pessoa a reconhecer Jesus como Senhor.