Philip van Limborch (1633—1712) foi um teólogo e professor remonstrante holandês.
Nasceu em Amsterdã em uma família ligada aos primórdios do movimento arminiano, sendo sobrinho-neto de Simon Episcopius. Após seus estudos teológicos, serviu como pastor em Gouda e posteriormente em Amsterdã, consolidando sua reputação antes de ser nomeado professor de teologia no Seminário Remonstrante de Amsterdã em 1667, posição que ocupou até sua morte.
Sua principal obra, Theologia Christiana ad praxin pietatis ac promotionem pacis Christianae unice directa (1686), tornou-se um compêndio da teologia arminiana. Fundamentava-se na racionalidade, na ética e na busca pela paz e unidade cristãs. Limborch defendia o livre-arbítrio, a eleição condicional baseada na presciência divina da fé, a expiação universal de Cristo e a suficiência das Escrituras interpretadas pela razão como guia para a fé e a prática.
Limborch foi um defensor da tolerância religiosa, argumentando pela coexistência pacífica de diferentes denominações cristãs que concordassem nos artigos fundamentais da fé. Sua célebre correspondência com John Locke sobre o tema da tolerância influenciou o pensamento do filósofo inglês e contribuiu para a disseminação das ideias de liberdade de consciência na Europa. Limborch também publicou uma detalhada Historia Inquisitionis (1692), criticando a perseguição religiosa e a intolerância institucionalizada.
Como líder da segunda geração de remonstrantes, desempenhou um papel crucial na sistematização e defesa do arminianismo, promovendo um cristianismo moderado, racional e tolerante que teve ressonância no contexto do Iluminismo inicial.
Lemke (Lemken Bruerren? Lemmeken?) foi um ancião anabatista baseado em Jülich, na região do baixo rio Reno. Esteve ativo entre 1547 e 1565, sendo colaborador de Menno Simons, com quem também teve uma controvérsia acerca de disciplina eclesiástica.
Sua casa em Jülich foi destruída por ser lugar de culto a Deus em 1547.
Louis Cappel ou Ludovicus Cappellus (1585 – 1658) foi um pioneiro tratamento puramente filológico e científico do texto da Bíblia e professor da Academia de Saumur.
Nasceu em uma família de huguenotes nobres refugiados em Sedan. Estudou hebraico e viajou pela Alemanha e Holanda antes de tornar-se professor em Saumur, onde foi colega de Amyraut.
Suas obras publicadas são:
“Arcanum Punctationis Revelatum”, publicado anonimamente por Thomas Erpenius, em Leiden, em 1624. Demonstrou conclusivamente que a vocalização do texto hebraico era algo tardio, bem como a escrita quadrada dos manuscritos massoréticos eram posteriores à escrita paleohebraica dos samaritanos.
“Critica Sacra”, impresso em Paris, em 1650. Demonstrou que o texto consonantal massorético teve uma transmissão praticamente sem erros, mas que as edições contemporâneas precisavam serem corrigidas comparando versões e pelo método conjectural. Assim, distinguiu entre os autógrafos e os textos atuais nas línguas originais.
Josué de La Place ou Josua Placeus (c.1596-1655?1665?) foi um teólogo huguenote francês, ligado à Academia de Saumur.
La Place, dentro da vertente reformada influenciada por Cameron (vide Amiradismo), propôs a teoria da imputação mediata. Discutindo sobre o pecado original, argumentou que toda a humanidade nasce física e moralmente depravada devido ao pecado de Adão. Esta pecaminosidade inata transmitida por leis naturais de propagação de Adão para toda a sua posteridade e que é a consequência, não a penalidade. Deus imputa a cada pessoa seu pecado e libera a responsabilidade direta do homem no pecado de Adão. O ser humano é realmente corrupto, mas sofre um mal que não poderia evitar.
A transgressão de Adão é a fonte de todo o pecado, e é em si mesmo pecado. A alma é imediatamente (diretamente) criada por Deus, mas torna-se ativamente corrompido assim que é unido ao corpo, portanto, o pecado (culpa) de Adão é imputado a seus descendentes, não imediatamente, como se eles estiveram em Adão ou foram representados em ele, mas mediatamente através da natureza corrupta que resultou do pecado de Adão. Consequentemente, a intrepretação de Romanos 5:12 seria que a morte física, espiritual e eterna passou a todos os homens, porque todos pecam por possuir uma natureza depravada em seus corpos.
A teoria de La Place influenciou a teologia edwardsiana.
Laestadianismo é um movimento avivalista nas igrejas luteranas da Noruega, Suécia e Finlândia, nascido de influências pietistas e morávias no século XIX, principalmente entre comunidades sami. Parte do movimento constitui denominações independentes nos EUA e Canadá.
História
O movimento deve o nome e foi iniciado pelo pastor e botânico luterano sueco Lars Levi Laestadius ou Læstadius (1800-1861). Educado na Universidade de Uppsala, Læstadius foi ordenado ministro em 1825. Foi enviado como missionário entre os sami (povo antigamente conhecidos como “lapões”) no norte da Suécia, onde entre 1826 e 1849 foi pastor na paróquia de Karesuando. Laestadius era filho de mãe sami, a qual também era devota participante de conventículos de oração e leitura bíblica.
Quando Laestadius chegou a Karesuando encontrou pobreza e abuso de álcool era generalizado entre os sami. Começou a pregar sobre moralidade e arrependimento. A vida de Laestadius mudou quando encontrou com Milla Clemensdotter ou Maria da Lapônia (1812–1892) em 1844. Essa jovem mulher sami, também membro de um conventículo de “leitores”, testemunhou sua experiência de paz encontrada quando ela compreendeu a graça de Deus.
A partir do encontro com Maria, Laestadius experimentou uma transformação espiritual. Seguiu-se um grande avivamento entre os sami de todos os países do círculo polar ártico. Em 1853, um bispo da Igreja da Suécia (luterana) decidiu que deveria ter dois serviços de culto a cada paróquia onde tivesse laestadianos: um para os paroquianos regulares e outros para os avivados.
Após a morte de Læstadius, o movimento foi liderado por Juhani Raattamaa (1811-1899). Após a morte de Raattamaa, o renascimento se dividiu em várias vertentes: velhos laestadianos, primogênitos, laestadianos ocidentais,
Os laestadianos sempre permaneceram membros das igrejas estatais na Noruega, Suécia e Finlândia, mas realizam suas próprias reuniões e muitos grupos possuem suas próprias casas de oração. Na América do Norte constituem denominações separadas, sendo a principal a Igreja Apostólica Luterana do Primogênito.
Doutrina e práxis
A Bíblia é a fonte primária de fé. Outras fontes materiais incluem as obras de Martinho Lutero, os sermões e escritos de Laestadius, bem como seus hinários, principalmente o Sions sånger.
Suas reuniões são solenes. Ocorrem êxtases e lamentos (frequementemente associados com a glossolalia) especialmente no momento da Ceia do Senhor. Há uma grande ênfase no arrependimento do pecado. Membros confessam seus pecados, normalmente em lágimas e emoções, então um dos anciãos pronuncia o perdão dos pecados pela imposição de mãos. A pregação pode ser extemporânea, com grande ênfase no pecado e perdão, bem como na leituras de sermões de Lutero e Laestadius. Tradicionalmente se cumprimentam com a frase ” a paz de Deus “. Realizam, quando possível suas próprias Ceias. Em alguns grupos tradicionais as mulheres cobrem a cabeça com um véu. Tradicionalmente, membros mais idosos das famílias ou seus anciãos batizam as crianças nas casas. Como outros movimentos avivalistas nórdicos, os maiores eventos são as reuniões campais de verão.
Buscam viver uma vida de santificação em separado da sociedade secular. Assim, muitos grupos rejeitam música mundana, dança, cinema. televisão, diversões públicas e contraceptivos. O isolamento (e o exclusivismo de alguns grupos) levam a serem vistos com suspeição pela ampla sociedade.
São liderados por anciãos leigos, mas há laestadianos ordenados ministros pelas igrejas estatais luteranas dos países nórdicos. São estimados em cerca de 500 mil membros, a maior parte deles na Finlândia. Suportam missões em diversas nações do globo, como Equador, Estônia, Alemanha, Grã-Bretanha, Hungria, Islândia, Quênia, Letônia, Rússia, Espanha, Suíça, Áustria e Togo.
BIBLIOGRAFIA
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Kristiansen, Roald. Samisk religion og læstadianisme: kristen tro og livstolkning. Fagbokforlag, 2005.
Heith, Anne. Laestadius and Laestadianism in the contested field of cultural heritage: a study of contemporary Sámi and Tornedalian texts. Umeå University & The Royal Skyttean Society, 2018.
Lie, Geir. História do Cristianismo. Santorini, 2020.